Movimento dos Focolares

Paulo VI, o Papa do Concílio

Out 18, 2014

Propomos uma recordação de Giovanni Battista Montini, por ocasião de sua beatificação, 19 de outubro, por meio de um artigo de Igino Giordani escrito em 1978, com a linguagem típica da época, quando o ecumenismo dava seus primeiros passos.

20141018-01«Aos 80 anos de idade, no 15º ano de pontificado, Paulo VI pode olhar à sua obra pontifícia, transcorrida entre agitações sociais e intelectuais, como uma obra de rejuvenescimento da igreja [católica]. […] O Papa Montini acolheu a mensagem de “atualização” do Concílio Vaticano II, realizando, contra as frenesias da “morte de Deus”, do “cristianismo irreligioso”, do conservadorismo arcaico, uma obra de paciência, clarividência, coragem, que incluiu a atualização dos principais institutos pontifícios e a construção de novos dicastérios e serviços, entre os quais – para dar uma ideia – o “Conselho Justiça e Paz” e o “Conselho Pontifício para os leigos”. Estes, e outros organismos universais, realizam uma crescente colaboração de bispos e clero, de religiosos e religiosas, de leigos e leigas, reavivando um novo senso eclesial, senso que brota de uma nova consciência comunitária, fruto do amor evangélico, com o qual dá-se fim ao individualismo e ao ‘classismo’ religioso, e os homens se fundem nas paróquias, nas instituições locais e mundiais, na igreja e na sociedade, para atuar o desejo de Deus na terra como no céu. Isto recorda que o cristão realiza o querer de Deus seja quando reza seja quando trabalha. Os Padres da Igreja consideravam o fiel em oração também quando fazia a vontade de Deus em ocupações de todo tipo. A ação social – o serviço pelo bem comum -, se realizada com o pensamento no Pai nos céus, adquire um caráter e um resultado de autêntica religiosidade. Por isso, falando a um grupo de bispos de Cuba, Paulo VI recordava que a igreja convida constantemente os filhos a serem “homens novos” na justiça, na verdade e na caridade, porque a mesma educa a consciência social dos fieis, favorecendo neles a ativa colaboração ao bem e ensinando-os a vencer o próprio egoísmo  e a jamais resignarem-se a serem “cidadãos inferiores”. Daqui a inspiração de estimular uma reforma social, o surgimento de um “mundo novo”, como o jovem G.B. Montini havia entrevisto desde os anos da colaboração no periódico católico “La Fionda”, quando propugnava uma escola livre para confrontar o nascente fascismo. Com perspectivas de uma amplidão e modernidade que explicam o desenvolvimento da socialidade cristã em curso – à qual prestam homenagens inclusive sociólogos distantes da religião – o papa pode recordar ao corpo diplomático os mais audaciosos princípios da igualdade sem distinções de origem ou de raça, no exercício dos direitos de liberdade religiosa e civil, e na condenação ao racismo, à tortura e a toda brutalidade para com opositores políticos. Manifesta-se, nos discursos do papa, aquela verdade que frequentemente, também nós católicos, esquecemos: que a religião é feita para a vida, que Deus é a vida […]. O amor: tema central da vida e do trabalho do Santo Padre; tema central do cristianismo, da criação e da redenção. Com amor ele reaproximou à igreja indivíduos e multidões, igrejas separadas e estados hostis. E a sua atividade no setor do ecumenismo, silenciosa mais do que clamorosa, realizou verdadeiramente a reaproximação de igrejas, o que faz compreender o nome familiar com que o profético Patriarca Atenágoras o designava: “Paulo segundo”». (De: Igino Giordani, Paulo VI, o papa do Concílio, “Città Nuova”, 10.7.1978, p. 26.)

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