Movimento dos Focolares

Roma, na estação terminal: a coragem de arriscar a vida

Jul 7, 2004

Témoignage

Um dia, estava viajando à Roma para um controle médico. Desci na estação terminal e um jovem estrangeiro chocou-se comigo. Três homens o perseguiam: “É um ladrão, peguem ele! A multidão consegue pará-lo, fazendo-o cair no chão. Os perseguidores o insultavam, enchendo-o de pancadas e chutes no estômago. Vendo aquele espetáculo brutal, pensei, um momento, no problema da minha grave hipertensão, mas logo entendi que a vida daquele rapaz era mais importante que a minha própria vida. Não podia deixar reinar a mentalidade comum e ficar indiferente. A coerência com o Evangelho me pedia algo mais. Precipitei-me rapidamente em direção a ele, afastei todos da minha frente, batendo com a minha bolsa, a torto e a direito, e joguei-me como um escudo sobre ele, para protegê-lo. O rapaz gritava alto para que o salvasse dos agressores, que vendo a minha atitude, resolveram parar. “Vocês não se envergonham de tratá-lo deste modo? O que ele fez de tão grave para ser tratado assim?”. “Ele roubou minha carteira”, respondeu um deles. O rapaz, que tinha 16 anos, me contou que tinha roubado para comprar um pouco de pão para sobreviver, já que não se alimentava há dois dias, e dormia embaixo da ponte. Neste ínterim, chegaram os policiais, e o rapaz começou a explicar: tinha fugido do seu país há dois anos. A sua família tinha sido destruída e somente ele tinha se salvado, escondendo-se debaixo do feno. Depois, conseguiu chegar até a Itália, onde, segundo os seus amigos, existiam muitas condições de vida. Com os policiais, o levamos para o hospital. Durante o transporte, ele apertava a minha mão e me dizia: “Mamãe, você salvou a minha vida. Você é a minha mãe italiana”. No pronto-socorro, chegou-se a um diagnóstico: traumatismo craniano e lesões em três costelas. Logo depois, uma religiosa me disse que ele devia ser internado, mas não tinha o necessário como vestuário por causa da indigência. Fui comprar o que era preciso, assim pudemos levar o rapaz para a enfermaria. Enquanto estou cuidando dele, os policiais redigiam a ocorrência, e me perguntaram se eu era parente dele. Respondi que não. Vi a perplexidade e a emoção nos olhos de todos. “Por que a senhora fez tudo isso?”, me perguntaram. Respondi que cada dia eu procuro amar o irmão, vendo nele o vulto de Jesus, e que procuro não lhe voltar as costas, mesmo nas situações mais difíceis. A irmã, com os olhos vermelhos, me dizia que eu tinha dado uma linda lição de amor, porque somente quem vive o Evangelho pode fazer isto, e me encorajou a ir adiante neste caminho. Antes de ir embora, tentei deixar uma quantia em dinheiro, a que eu dispunha, para a consulta com o especialista e para as necessidades do rapaz, mas a irmã me disse que eu não precisava me preocupar com ele: “A senhora já salvou a vida dele, agora eu cuidarei dele”. Também os policiais me agradeceram por este gesto, dizendo que eu tinha me arriscado muito. A justiça fez a sua parte, mas, sei que hoje este rapaz vive numa comunidade católica como zelador, pela recomendação da religiosa do hospital. (M.T. – Itália, extraído do livro “Quando Dio interviene, Esperienze da tutto il mondo”, Editora Città Nuova, Roma 2004)

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