Movimento dos Focolares

Una felicità misteriosa

Set 27, 2010

"Com a santidade não é proposta uma vida mágica ou de poderes paranormais, mas um caminho que todos, sem distinção, podem percorrer, vivendo o Evangelho".

A luz de Chiara

A primeira focolarina a ser beatificada

Na época das frágeis paixões civis e das incertezas existenciais, a Igreja apresenta uma jovem mulherChiara Badano, morta aos 19 anos, assolada por uma doença assustadora – como exemplo da possibilidade de sair dos torpores da alma e da vida, esvaziados de alegria e esperança. Nestes tempo, em que a fé cristã está voltando a ser um caminho estreito a ser escolhido, só aparentemente a jovem beata é uma questão de interesse puramente católico, que se exaure nos confins de um ritual religioso. Pelo modo como Chiara terminou a sua vida, que improvisamente tornou-se breve demais para não suscitar lamentações, a sua beatificação traz mensagens fortes e perpassa questões comuns a homens e mulheres, de qualquer lugar e convicção. Chiara Badano não é um exemplo de cristianismo entendido como resíduo de lendas enganadoras para os simples, é, ao contrário, exemplo de liberdade de espírito encarnada nas dinâmicas cotidianas do nosso viver, na nossa contemporaneidade, enquanto nas sociedades mais secularizadas questiona-se se a fé religiosa não é uma evasão supérflua. Um cristianismo que transforma a vida porque envolve a mente e o coração. Antes de tudo dos jovens, mas de todos os inquiridores de sentido.

Beatificando uma jovem, a Igreja coloca-se em uma séria escuta da exigência de autenticidade, que parte dos jovens diante de todo tipo de autoridade. A jovem Chiara aprendeu a sabedoria da vida não tanto de teorias abstratas, quanto de uma decisão típica da adolescência, que os adultos vivem com desencanto: arriscar tudo e logo no amor, com o desejo de torná-lo eterno. O que é o denominador comum nos santos, prescindindo da idade. Todos são enamorados por Jesus Cristo, que escolhem como bem total da própria vida. E deste seguimento se desencadeia uma vida com energias impensáveis, consumada pela felicidade dos outros. Os santos alcançam a própria felicidade consumando-se no serviço ao próximo, especialmente os fracos e pobres, considerados imagens viventes de Deus. Trata-se de uma felicidade misteriosa e resistente ao mal e aos sofrimentos, que permeiam a vida de todos.

Com a santidade não é proposta uma vida mágica ou de poderes paranormais, mas um caminho que todos, sem distinção, podem percorrer, vivendo o Evangelho e o maior mandamento que ele contem: amarás a Deus com todas as forças e aos outros como Jesus os amou. Chiara Badano é uma jovem que se enamorou com ardor de Jesus Cristo. Viveu e morreu na companhia desse grande amor, não teve tempo para o seu sofrimento, mas olhos e coração para os outros. Num diálogo constante com o Vivente, sem pregações, tornou-se uma prova concreta que Deus não é um risco que se pode correr na escuridão dos desafios da vida, mas um interlocutor oportuno, que se procurado e questionado pode mudar a qualidade do viver e do morrer humanos.

Quando a Igreja reconhece a santidade de um jovem ou de uma jovem mulher acende uma vela no escuro dos tempos, ao invés de amaldiçoar a escuridão. Acrescenta-se uma ajuda alternativa à fadiga de viver, que todos os dias cada pessoa experimenta. Compreender que a vida não está toda aqui, que o sentido da existência não se encerra entre o nascimento e a morte e que, se amamos, podemos viver responsavelmente contentes, inclusive com toda forma de sofrimento e precariedade. Por definição os jovens são aqueles que suscitam a vida, e com dificuldade se conciliam com o sofrimento. A juventude é chorada, é invejada, é um bem desejado, mas passageiro. E procura-se reconquistá-lo. A santidade cristã tem muito o que partilhar com este sentimento humano, porque o experimenta e tenta curá-lo com garantias que diferem da ciência: o amor, a capacidade de amar é o único elixir que garante a juventude do coração e do espírito, ainda que no declínio físico mais repugnante e inexorável.

Mais do que um raciocínio os santos são um fragmento de vida vivida. Avalia-se a Igreja pelos santos, e não só pelos pecadores. Cada vez que ela proclama uma pessoa santa ou bem-aventurada, especialmente se jovem, renova a sua determinação de mudar a si mesma, para melhor. Bento XVI aposta nos santos do século XXI para o sucesso de uma reforma da Igreja iniciada com o Concílio Vaticano II.

Chiara Badano é a primeira pessoa pertencente ao Movimento dos Focolares que torna-se bem-aventurada. Uma outra grande Chiara – fundadora desse vasto movimento de homens e mulheres que desejam transformar o mundo com o amor – quis acrescentar outro nome ao da sua jovem discípula: Luz. Tanto que a jovem beata é identificada como Chiara Luce Badano. E a luz interior, é sabido, abre a mente e desperta o coração.

Carlo Di Cicco, em Osservatore Romano, 26 de setembro de 2010

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