Movimento dos Focolares
Em Curitiba, importantes homenagens à Chiara Lubich

Em Curitiba, importantes homenagens à Chiara Lubich

O frio mês de agosto de 2011 vai ficar na memória dos membros do Focolare da cidade de Curitiba. Todas as três casas do poder político, Assembleia Legislativa, Prefeitura Municipal e Câmara dos Vereadores, renderam homenagem e gratidão à pessoa de Chiara Lubich. Na manhã do dia 20, sábado, a chuva deu uma trégua para que a homenagem ao aberto da Prefeitura à Chiara Lubich pudesse acontecer. Pela manhã os jornais já anunciavam que a agenda do prefeito Luciano Ducci assinalava para a importante inauguração do MEMORIAL CHIARA LUBICH, um centro cultural, “como um monumento de ingresso do Parque do Trabalhador”, na zona industrial da cidade. Foi em 2009, quando a cidade de Curitiba foi proposta pelo Movimento Humanidade Nova como candidata a sediar o primeiro “City-Forum – Fórum internacional das cidades”, que o Vereador Tito Zeglin, fez de tudo para que fosse aceito como lei o seu pedido para “fixar” na cidade a memória desta mulher, Chiara Lubich, concedendo a ela uma rua, uma praça, ou um centro cultural… Estiveram presentes autoridades civis e religiosas, e, logicamente, uma expressiva parte do “povo da unidade”.Juntos festejaram intensamente o “novo espaço privilegiado para documentar, tornar vivo o percurso da vida de Chiara e do Movimento dos Focolares, como promotores da paz, da unidade e da Fraternidade em mais de 190 países”, como diziam as palavras do prefeito Ducci. Na Assembleia Legislativa do Estado, na sessão extraordinária do dia 23 de agosto, o Deputado Reihnold Stephanes Junior, com proposta aprovada em unanimidade pelo parlamento, entregou um Diploma a Chiara Lubichin memorian”, onde está descrito: “É um reconhecimento de louvor pela sua brilhante ação em favor da unidade e da fraternidade universal”. Nesta ocasião, uma surpresa: toma a palavra o Diretor dos Correios do Estado do Paraná. Areovaldo Figueiredo, membro da comissão do Mppu local, para apresentar ao público um esplêndido selo dos Correios do Brasil, dedicado a Chiara Lubich, personificado com a sua foto. As calorosas palavras de Areovaldo, como testemunha da primeira hora da comunidade dos Focolares em Curitiba, emocionaram o público. O Arcebispo, Dom Moacir José Vitti, diretamente de Madri, onde se encontrava para a JMJ, enviou uma mensagem que, entre outras coisas, dizia: “Chiara com sua coragem e fé inabalável em Deus, encantou o mundo com seu modo de viver e por suas obras que continuam até hoje, através de seus seguidores espalhados pelos cinco continentes. (…) Por isso, nada mais do que merecido esta homenagem e faço minhas as palavras de nosso Papa Bento XVI, Chiara: “Mulher de fé intrépida, mansa mensageira de esperança e paz”. Como conclusão, no dia 24 de agosto, em uma Sessão Especial em Homenagem a Chiara Lubich, na Câmara dos Vereadores, realizou-se a entrega de um pergaminho proposto pelo Vereador Tito Zeglin. Nele se lê: “Votos de congratulações e Aplausos, como reconhecimento pelo seu incansável trabalho em favor da Unidade, da Paz e da Fraternidade Universal”. Em cada uma dessas ocasiões políticos e personalidades presentes confirmaram a própria adesão a quanto Maria Voce propunha com a sua mensagem: “que esses eventos sejam ocasiões favoráveis para lançar à coletividade, com impulso renovado, todos aqueles valores positivos que derivam da adesão ao espírito de amor e fraternidade, importantes na vida quotidiana e na ação política, procurando, antes de tudo, aquilo que une, e preferindo o bem comum aos interesses particulares. Portanto, enxergando tanto o ambiente privado, como o social e político num horizonte mais amplo, aquele da família humana”.

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Bispos de várias Igrejas: partir da palavra que une

Trinta e um bispos, de 18 países e de 15 Igrejas diferentes. É o 30º Encontro Ecumênico de bispos promovido pelo Movimento dos Focolares, o primeiro aconteceu em 1982. Estamos em Welwyn Garden City, pequena cidade a cerca de 40 km ao norte de Londres. É realmente uma “cidade jardim”, mergulhada no verde, com grandes gramados, maiores até do que as ruas e os lagos. Fundada por Sir Ebenezer Howard, em 1920, conta cerca de 40 mil habitantes. Aqui nasceu o Centro pela Unidade, do Movimento dos Focolares, após uma visita de Chiara Lubich à Inglaterra, em 1983, quando ela percebeu a necessidade de um espaço para o desenvolvimento das atividades do Movimento. O encontro para os bispos é itinerante, justamente porque é uma ocasião para conhecer as realidades eclesiais do país que o hospeda. Este ano aprofunda-se, de modo especial, o conhecimento da Igreja da Inglaterra. Um interessante enfoque é dado pelo documento “The anglican communion covenant”, ou seja, a proposta de um pacto que sustente a comunhão e um acordo, preparado por um grupo de teólogos anglicanos, vinculante para as igrejas da comunhão anglicana, que compromete as 44 igrejas autônomas anglicanas a reconhecerem princípios comuns. Será um importante instrumento de comunhão, que pode representar um vínculo inclusive entre igrejas não anglicanas. A adesão será sempre livre e não são previstas sanções jurídicas para quem mudar de ideia. O programa do Encontro desenrola-se em lugares simbólicos do anglicanismo, como o Palácio Lambeth, sede do Primaz da Igreja da Inglaterra, Rowan Williams, que recebeu todos os participantes; a visita ao Santuário de Santo Albano, onde são guardadas as relíquias do primeiro mártir inglês e o encontro, na Catedral de Westminster, com o arcebispo católico, D. Vicent Nichols. O tema escolhido este ano é: “A Palavra de Deus e a sua força transformadora”. Maria Voce, presidente do Movimento, apresentou um apaixonante discurso sobre a espiritualidade ecumênica dos Focolares, nascida da vida da Palavra. Ela recordou como a espiritualidade nasceu do Evangelho lido à luz de vela, num porão escuro, por Chiara Lubich e suas primeiras companheiras, durante os bombardeios da Segunda Guerra Mundial. «O porão escuro de hoje – explicou Maria Voce – é o mundo com seus desafios e interrogativos.  A verdade é substituída por muitas verdades, prevalece o interesse econômico, o núcleo familiar parece não ter mais significado». «O porão escuro interpela a todos nós, para termos nada mais do que o Evangelho. É daqui que devemos partir para reevangelizar a nós mesmos e, depois, a humanidade que nos rodeia». «Começando por viver a Palavra, momento por momento, e partilhando as experiências, os frutos dessa vida». Já Martin Lutero escrevia que «a alma pode deixar de lado tudo, menos a Palavra de Deus”. E neste período «delicado – afirmou Maria Voce – pela passagem da fase de fundação à fase de atualização e desenvolvimento [dos Focolares], devemos retornar às origens e recordar-nos que toda a vida do Movimento explodiu do Evangelho vivido». Foi assim que nasceram as comunidades centralizadas na Palavra, a espiritualidade de comunhão, e viver a Palavra facilitou também o diálogo ecumênico em todos os níveis. «O apego fiel ao único Evangelho – está escrito no documento “Caminhos rumo à comunhão”, redigido pela Igreja Católica e a Federação Luterana  Mundial – é um passo indispensável rumo à plena unidade». Unidade que deve ser buscada não apenas com os cristãos pertencentes a outras igrejas, «mas também – ela acrescentou – para abrir o diálogo com pessoas de outras religiões e no encontro com pessoas de convicções não religiosas e com as diferentes expressões culturais da atualidade». Do enviado Aurelio Molè [nggallery id=68]

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Londres. Encontro de bispos de várias Igrejas, amigos do Movimento dos Focolares

Diante das dificuldades que as sociedades ocidentais, mas também de outras partes do mundo, enfrentam hoje para transmitir e fazer com que seja acolhida a mensagem evangélica, os bispos de várias Igrejas, convidados pelo cardeal Milolav Vlk, arcebispo emérito de Praga, interrogam-se sobre a sua missão e a eficácia da própria ação pastoral. E o fazem a partir da luz e da força que emana da Palavra de Deus, que está na origem da Igreja de Cristo em suas várias expressões e pode dar a ela, inclusive hoje, novo vigor e força de irradiação. Estão previstos encontros significativos, com o Primaz da Igreja da Inglaterra, o Dr. Rowan Williams, Arcebispo de Cantuária; com o Arcebispo de Westminster, D. Vincent Nichols, católico; com representantes da Igreja Metodista e outras realidades eclesiais presentes na Inglaterra. De relevo o discurso de Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares, que salientará o efeito da vida da Palavra, basilar no Movimento e na sua espiritualidade netamente ecumênica. Ápice do encontro é o “Pacto de amor recíproco”, que compromete os presentes a colocarem o relacionamento de amor mútuo acima de todas as divisões do passado, segundo o convite de Jesus a permanecer no seu amor e amar-se um aos outros, como ele fez. Sexta-feira, 9 de setembro, haverá uma “Jornada Aberta”, para a qual o Movimento dos Focolares da Grã Bretanha convida os líderes das diversas Igrejas; será apresentada a experiência de comunhão fraterna vivida pelos bispos das Igrejas cristãs, juntamente com a perspectiva de uma unidade cada vez mais profunda e cordial entre os responsáveis, no espírito da oração de Jesus que pede a unidade de todos.

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Uma nova primavera no Reino Unido

20110905-14 «Encontrei a solução para a minha vida». «É um privilégio ver como o carisma da unidade transforma as pessoas». «Cada um estava verdadeiramente feliz». Um dia que não será facilmente esquecido na história dos Focolares da Grã Bretanha. Quinhentas pessoas, provenientes da Inglaterra, Escócia, País de Gales, e uma representação da Irlanda, reuniram-se com a presidente Maria Voce e o copresidente Giancarlo Faletti, na Casa de Encontros dos Amigos, da Sociedade dos Amigos de Londres, no bairro de Euston. Houve quem fez até dez horas de viagem para não perder este encontro. Lesley, uma focolarina anglicana, ao introduzir um documentário que ilustrava as visitas de Chiara Lubich ao Reino Unido, recordou o choque vivido pelas recentes rebeliões nos bairros londrinos, enquadrando-os na época de uma cultura secularizada, de “exaltação do eu”, que com frequência tem consequências desastrosas. E salientou que a Grã Bretanha guarda as sementes de uma cultura diferente, plantadas há mais de 40 anos, cujas raízes penetraram em profundidade através da mensagem de Chiara Lubich, que esteve em Liverpool em 1965, a primeira de oito visitas que marcaram a história de todo o Movimento dos Focolares. Naquela ocasião, por meio do reverendo Canônico Bernard Pawley, ela foi convidada a falar da espiritualidade da unidade na catedral anglicana, para começar a remover a montanha das incompreensões e dar início ao diálogo ecumênico. Seguiram os depoimentos de Eddie, da Escócia, Lucy e David do País de Gales e Ann, da Inglaterra. Embora vividos em contextos muito diferentes – diálogo ecumênico, diálogo inter-religioso, cuidado espiritual de idosos – impressionam pela sua profundidade e concretude. Um casal do Congo, que atualmente mora na Inglaterra, contou a própria aventura, feita de fugas da guerra, dificuldades de integração e na própria relação como casal, resolvidas e vividas na descoberta sempre nova do amor recíproco proposto pelo Evangelho. À tarde, Maria Voce e Giancarlo Faletti  responderam às numerosas perguntas dos participantes, tocando pontos nevrálgicos para o país. Antes de tudo sobre como dar um novo impulso ao ecumenismo. «Talvez – disse Maria Voce – ele necessite bater as asas», e convidou cada pessoa a despertar, na igreja à qual pertence, «o desejo de experimentar o dom que recebemos de Deus, para deixar com água na boca, com vontade de fraternidade». Em suas viagens pelo mundo, Maria Voce e Giancarlo Faletti percebem que, apesar das diferenças, o movimento ecumênico caminha para frente. De Budapeste, Chicago, e até da Tanzânia, citaram experiências positivas de ecumenismo, e a gratidão que se encontra nos representantes das várias Igrejas para com o Movimento dos Focolares, pelo seu apoio e empenho. Outro tema abordado foram as desordens, saques e rebeliões que começaram nas periferias de Londres e estenderam-se a todo o país. Depois de anos de trabalho para construir a unidade, a alguém pareceu ter perdido tudo, como se os atos de violência tivessem anulado qualquer atuação positiva. Como ter esperança nessa situação? «Todavia – sublinhou Maria Voce – continuo a ter esperança. Parece-me que a violência exprima um grande vazio, uma necessidade de amor, uma extrema necessidade de ser considerados, embora recorrendo a meios errados». Enfim, é um desafio, «mas se respondermos com o nosso amor podemos criar um bem maior», como aconteceu com «muitas pessoas que reagiram e se uniram para transmitir sinais positivos». «A sociedade – prosseguiu Giancarlo Faletti – deve interrogar-se sobre quais valores e modelos sociais está propondo, e nós podemos mostrar os nossos valores. É um convite a dar mais». 20110905-15As questões pareciam não terminar. Falou-se da rejeição de Deus por parte da sociedade, e Maria Voce afirmou: «Jamais encontrei alguém que diga que não quer ser amado. Podemos dar Deus somente através do amor». «E somos chamados a dar este testemunho juntos, que é para todos os homens, todas as religiões, inclusive para os que não creem. Os valores que consideramos válidos colocamos à disposição dos outros, para construir a fraternidade». Outra questão muito importante foi relativa ao sacrifício: a ideia do “saber perder”, presente na espiritualidade da unidade, pode assumir conotações negativas para a cultura anglo-saxão. Na espiritualidade do Movimento «fala-se de saber perder – explicou Maria Voce – mas também de plenitude. Se você doa alguma coisa, perde, porque faz um ato e amor, e assim se enriquece. Quando se dá se recebe. É a matemática de Deus, que não se deixa vencer em generosidade». No auditório a alegria era tangível e Maria Voce gostaria que «viessem do mundo inteiro para ver esta célula viva do Movimento dos Focolares, para saborear os frutos, a fidelidade, a preciosidade que ela deu a todo o Movimento, por mais de 40 anos. A família do Focolare está viva, no amor, e com a presença de Jesus entre nós podemos levar o amor de Deus ao mundo». Todos desejavam cumprimentar, abraçar, tirar uma foto com Maria Voce e Giancarlo Faletti. Alguns dos participantes se exprimiram: «É uma nova fase, existe um futuro»; «a explicação do significado do sacrifício pessoal iluminou-me sobre um acidente que sofri quando jovem, e que nunca havia compreendido»; «às vezes sinto-me pessimista, mas o otimismo de Maria Voce e di Giancarlo me contagiaram»; «será uma nova primavera». Do enviado Aurelio Molè [nggallery id=64]