28 Ago 2011 | Sem categoria
Numa carta dos anos quarenta Chiara Lubich escreveu uma frase fulgurante: «Veja, eu sou uma alma que passa por este mundo. Vi muitas coisas belas e boas, e fui sempre atraída somente por elas. Um dia (dia indefinido) vi uma luz. Pareceu-me mais bela do que as outras coisas belas e a segui. Percebi que era a Verdade». Logo que se diplomou como professora a sua aspiração era frequentar a universidade católica de Milão. Pensava: «É católica, falarão de Deus, vão me ensinar muitas coisas sobre Deus». Um concurso dava bolsas de estudo gratuitas a 33 candidatos. Chiara foi a trigésima quarta. Pareceu-lhe ter perdido uma grande ocasião. Entre as lágrimas, porém, uma voz infiltrou-se no burburinho do seu coração: «Serei eu o teu mestre». O aspecto do estudo tem a sua referência nesta resposta interior. Mais tarde, em 1980, ela explicou ainda: «Já em 1944 Jesus pediu-me para deixar os estudos e colocar os livros no sótão. (…) Faminta de verdade, tinha percebido o absurdo de buscá-la através do estudo da filosofia quando a podia encontrar em Jesus, verdade encarnada. E deixei de estudar para seguir Jesus. (…) Naquele episódio existe um prelúdio do que teria desabrochado mais tarde, no Movimento. Nós teríamos visto uma luz resplandecer, mas ela teria sido a alma de uma vida (…). Após aquela renúncia, ou melhor, depois daquela escolha que Deus pediu a mim, a luz chegou verdadeiramente abundante. Ela nos iluminou sobre a espiritualidade que Deus queria de nós, dia após dia plasmou a Obra que estava se desenvolvendo. Nós chamamos esta luz de “sabedoria”. (…) E entendemos que a sabedoria era fundamentalmente o nosso novo estudo, o estudo de todos os membros da Obra de Maria (…). Embora tendo deixado os estudos, ainda em 1943, 1944, em 1950 senti que era preciso retomar os livros e estudar teologia. Sentia a necessidade de apoiar as muitas intuições daquele período sobre uma base segura». São numerosos os lugares onde se realiza a cultura da unidade, por exemplo, a assim chamada “Escola Abba”, que trata da doutrina que desabrocha do “carisma da unidade”, que é a fonte de numerosas iniciativas que permeiam os campos do pensamento e da vida. A Universidade Popular Mariana tem como finalidade oferecer uma formação teológica básica aos membros do Movimento. Outras escolas e cursos orientados aos objetivos específicos do Movimento. No campo editorial, a editora Cidade Nova, com numerosas publicações em várias línguas, e a revista de cultura “Abba”. E enfim, desde 2008, o Instituto Universitário Sophia, com sede em Loppiano (Florença – Itália).
27 Ago 2011 | Focolare Worldwide
“… Tivemos que esperar que aparecessem três estrelas no céu, o sinal de que o Sábado tinha terminado. Somente então pudemos partir. O encontro marcado era diante de um grande hotel, no centro de Buenos Aires, onde estavam hospedados alguns dos amigos judeus vindos dos Estados Unidos, Europa e Israel. Após três horas de viagem chegamos à Mariápolis Lia, no meio da noite.
“… Primeiro dia do IV Simpósio Judaico-cristão. Cerca de 80 participantes, provenientes de várias partes do mundo. A atmosfera é muito alta, com a escuta recíproca e relações de amizade. Com muitos nos vimos nos simpósios precedentes, especialmente o de Jerusalém. O tema escolhido é o da identidade e do diálogo, duas realidades que se compenetram: a identidade é fruto do relacionamento. Há palestras muito profundas, com leituras do ponto de vista filosófico, antropológico, psicológico, com nomes que se repetem: Martin Buber, Emmanuel Lévinas, Viktor Frankl, Paul Ricoeur…”.
“… Percebo cada vez mais que o diálogo inter-religioso não pode ser improvisado, é necessária preparação e fineza de alma. Significa participar daquela obra de mediação feita por Jesus entre Céu e terra, e entre as divisões dos seres humanos. Para preencher toda lacuna e conduzir à unidade, Ele se fez aquele ‘nada’ de amor que consentiu a reunificação, sem que reste mais nenhum diafragma”.
“… Se a noite nos pampas argentinos é silenciosa, com estrelas que brilham caladas, o dia é um canto de milhares de pássaros. A natureza parece participar da festa que existe entre nós nesse simpósio. Percebe-se um crescimento, em relação aos precedentes, um conhecimento mais profundo, mais confiança, um amor sincero. Parece um sonho. Hoje, ao lado das habituais conferências, encontros de diálogo sobre diferentes âmbitos: o mundo da justiça, da comunicação, da educação…”.
“… A afirmação forte da própria identidade pode gerar o embate. Somente o ‘não ser’ recíproco, diante do outro, como expressão de amor, faz ‘ser’ o outro e reencontrar plenamente a si próprios, na mais profunda identidade religiosa: ser amor. Um dia intenso. Parece quase supérfluo falar de diálogo entre nós, tão profunda é a unidade que se alcançou. Quando os rabinos falam percebe-se toda a sabedoria de séculos”.
“… A minha palestra: O crucificado, ícone do amor extremo. O maior amor, disse Jesus, é aquele que chega a dar a vida pelos amigos (Jo 15,13). Graças a esse amor extremo cada pessoa torna-se sua amiga. Dá a vida até por aqueles que são seus inimigos. É o novo olhar exigido para construir a fraternidade universal, ver, em todos, irmãos e irmãs, pelos quais estar prontos a dar a vida. Cada pessoa com quem entro em contato, um amigo, uma amiga.
Chiara Lubich traduziu este amor extremo de Jesus com uma expressão simples e exigente: ‘fazer-se um’ com o outro, ou seja, entendê-lo até o fim, entrar no seu mundo, partilhar os seus sentimentos. É a premissa para qualquer diálogo. Chiara aplicou este seu ensinamento no campo do diálogo inter-religioso, colocando-se numa atitude de escuta diante dos membros das várias religiões, até compreendê-los a partir do âmago de suas culturas”.
“… O simpósio concluiu-se na sede do Ministério das Relações Religiosas, em Buenos Aires. Presentes personalidades judaicas e cristãs, civis e religiosas. Um momento muito representativo. Partimos sentindo-nos chamados, em primeira pessoa, a realizar a obra de mediação entre tendências, posições e experiências, por vezes contrastantes entre si. O caminho – foi o que entendemos esses dias – é o de ser apenas uma presença de amor, sem pretensões nem julgamentos, à serviço, até tornar-nos aquele ‘nada de amor’ que permitirá o encontro”.
Do diário de viagem de Pe. Fabio Ciardi (OMI)
25 Ago 2011 | Sem categoria
Idealizado e gerenciado pelo Movimento Juvenil pela Unidade, dos Focolares, em colaboração com a AMU (Associação Ação por um Mundo Unido) e Humanidade Nova, o projeto Schoolmates (literalmente “colegas de classe”) nasceu em 2002, e nestes quase dez anos, envolveu centenas de escolas. O objetivo, como o nome sugere, é permitir que adolescentes de países diferentes entrem em contato e conheçam-se, de um lado ao outro do mundo. Quem participa colabora, através de muitas atividades, para alimentar um fundo de solidariedade que a cada ano consegue distribuir várias bolsas de estudo. Nos últimos 12 meses foram entregues 376, em 25 nações. A renovação do site www.school-mates.org mira melhorar a comunicação, a participação e a interação entre as classes e os grupos que aderem às três fases do projeto. Para começar é preciso comprometer-se em viver a “Regra de Ouro”, que convida a “fazer aos outros o que gostaríamos que fosse feito a nós”, uma norma presente nos livros sagrados de muitas religiões. A segunda fase leva a conhecer-se, criando uma rede, via web, de turmas ou grupos de adolescentes de países diferentes. O projeto quer dar a possibilidade de conhecer outras culturas, estabelecendo um diálogo no qual as diferenças sejam fonte de riqueza umas para as outras. Nessa fase encontramos uma das novidades do site: a possibilidade de gerenciar um espaço web pessoal, para quem estiver atuante nas três fases do projeto. Nesse espaço os participantes poderão apresentar a turma ou o grupo, fazer conhecer o próprio país sob o aspecto histórico, geográfico e cultural, e partilhar experiências e testemunhos do compromisso assumido em viver a Regra de Ouro. Se a classe ou grupo quiser entrar em contato com outras classes ou grupos isso poderá ser feito em uma área reservada. A característica da terceira fase é partilhar: as classes e grupos que aderem ao projeto trabalham, todos os anos, para colaborar com o fundo de solidariedade, sustentando alguns microprojetos. O objetivo é que, por meio das bolsas de estudo, adolescentes que não teriam a possibilidade de frequentar a escola possam concluir os estudos regulares ou profissionalizantes. Entre as novidades do novo site há também uma seção dedicada aos professores, educadores e tutores, idealizada para o intercâmbio de material e experiências didáticas realizadas nos vários países e nas escolas.
24 Ago 2011 | Focolare Worldwide
Como fruto de muitos anos de relações estabelecidas com os movimentos e novas associações, no próximo sábado, dia 27 de agosto de 2011, se realizará o primeiro encontro “Juntos pelo México”, que reunirá 500 líderes representando cerca de 8 milhões de leigos católicos, de todo o país. Um pouco de história: em 2007, a assembleia da Conferência Episcopal Latino Americana (CELAM), reunida no Brasil, marcou uma etapa importante para toda a Igreja latino-americana, lançando, em todo o continente, a assim chamada “missão continental”. Para responder a este desafio começou-se a organizar, no México, o primeiro encontro de todos os movimentos, em nível nacional. Desde o início o evento foi concebido como um encontro festivo e, ao mesmo tempo, de testemunho do Evangelho vivido, seja no âmbito pessoal seja nas diversas esferas da sociedade. No final de 2009 foi constituída uma Comissão Central, atualmente composta por oito movimentos, juntamente com a “Dimensão episcopal dos leigos”. Este grupo, expressão de mais de 30, dentre os principais movimentos e associações mexicanas, trabalhou ativamente na preparação do evento, com grande entusiasmo e espírito de comunhão.
O assunto escolhido para esta primeira edição foi a família, com o aprofundamento especial de três grandes temáticas: formação, sociedade e comunicação. Seguirá um diálogo aberto, com o objetivo de definir ações concretas a serem realizadas conjuntamente. Um momento dedicado aos jovens e a S. Missa, presidida por D. Javier Navarro, presidente da Dimensão Leigos, concluirão os trabalhos. Muitos veem neste encontro a possibilidade da abertura de novos caminhos de comunhão entre os movimentos e novas associações. Uma novidade na Igreja mexicana, que, certamente, poderá desabrochar num maior protagonismo dos leigos nos diversos âmbitos da sociedade. Dos nossos correspondentes no México
23 Ago 2011 | Focolare Worldwide
Cerca de cem pessoas pertencentes a várias comunidades judaicas da Argentina e ao Movimento dos Focolares reuniram-se na Mariápolis Lia, para celebrar a XV Jornada da Paz, como acontece todos os anos neste mês, na Mariápolis permanente argentina, a 250 quilômetros de Buenos Aires. A iniciativa tem por objetivo reforçar o compromisso recíproco no campo do diálogo judaico-cristão no país. Todos os anos há um intercâmbio de reflexões e sobretudo de experiências, além do encontro – momento esperado por todos – ao redor da oliveira proveniente de Israel e plantada na Mariápolis a 15 anos. Esta árvore tornou-se símbolo do relacionamento de amizade e do empenho na construção da paz, de judeus e cristãos juntos. Numa breve síntese do caminho feito nesses anos, recordou-se o impulso que representou para todos o discurso de Chiara Lubich, em 1998, na sede da instituição internacional judaica B’nai B’rith, em Buenos Aires, quando ela salientou os pontos em comum existentes entre a espiritualidade dos Focolares e a tradição judaica.
Simultaneamente, cerca de 180 jovens participaram a três mesas-redondas sobre a tolerância, a paz e a liberdade, comunicando sucessivamente, a todos os presentes, as conclusões e compromissos assumidos. Para a ocasião chegaram muitas mensagens de adesão, entre as quais a do arcebispo de Buenos Aires, o cardeal Jorge Mario Bergoglio, que encorajou e aplaudiu a iniciativa, colocando em relevo o trabalho que o Movimento dos Focolares realiza, no mundo inteiro, para o diálogo inter-religioso. Esta edição da Jornada da Paz foi caracterizada pela internacionalidade, devido à presença dos participantes do IV Simpósio judeu-cristão, programado para os dias 21 a 25 de agosto, sempre na Mariápolis Lia. Os participantes, de fato, provinham de Israel, Suíça, Itália, Estados Unidos, México, Peru, Uruguai, além de diversas cidades argentinas. da redação de Ciudad Nueva argentina