Movimento dos Focolares

Foi concluído o IV Simpósio Judaico-cristão

Ago 27, 2011

Publicamos trechos do “diário de viagem” de um dos participantes, Pe. Fabio Ciardi, que trazem uma síntese do que se viveu nos cinco dias do Simpósio inter-religioso.

“… Tivemos que esperar que aparecessem três estrelas no céu, o sinal de que o Sábado tinha terminado. Somente então pudemos partir. O encontro marcado era diante de um grande hotel, no centro de Buenos Aires, onde estavam hospedados alguns dos amigos judeus vindos dos Estados Unidos, Europa e Israel. Após três horas de viagem chegamos à Mariápolis Lia, no meio da noite.

“… Primeiro dia do IV Simpósio Judaico-cristão. Cerca de 80 participantes, provenientes de várias partes do mundo. A atmosfera é muito alta, com a escuta recíproca e relações de amizade. Com muitos nos vimos nos simpósios precedentes, especialmente o de Jerusalém. O tema escolhido é o da identidade e do diálogo, duas realidades que se compenetram: a identidade é fruto do relacionamento. Há palestras muito profundas, com leituras do ponto de vista filosófico, antropológico, psicológico, com nomes que se repetem: Martin Buber, Emmanuel Lévinas, Viktor Frankl, Paul Ricoeur…”.

“… Percebo cada vez mais que o diálogo inter-religioso não pode ser improvisado, é necessária preparação e fineza de alma. Significa participar daquela obra de mediação feita por Jesus entre Céu e terra, e entre as divisões dos seres humanos. Para preencher toda lacuna e conduzir à unidade, Ele se fez aquele ‘nada’ de amor que consentiu a reunificação, sem que reste mais nenhum diafragma”.

“… Se a noite nos pampas argentinos é silenciosa, com estrelas que brilham caladas, o dia é um canto de milhares de pássaros. A natureza parece participar da festa que existe entre nós nesse simpósio. Percebe-se um crescimento, em relação aos precedentes, um conhecimento mais profundo, mais confiança, um amor sincero. Parece um sonho. Hoje, ao lado das habituais conferências, encontros de diálogo sobre diferentes âmbitos: o mundo da justiça, da comunicação, da educação…”.

“… A afirmação forte da própria identidade pode gerar o embate. Somente o ‘não ser’ recíproco, diante do outro, como expressão de amor, faz ‘ser’ o outro e reencontrar plenamente a si próprios, na mais profunda identidade religiosa: ser amor. Um dia intenso. Parece quase supérfluo falar de diálogo entre nós, tão profunda é a unidade que se alcançou. Quando os rabinos falam percebe-se toda a sabedoria de séculos”.

“… A minha palestra: O crucificado, ícone do amor extremo. O maior amor, disse Jesus, é aquele que chega a dar a vida pelos amigos (Jo 15,13). Graças a esse amor extremo cada pessoa torna-se sua amiga. Dá a vida até por aqueles que são seus inimigos. É o novo olhar exigido para construir a fraternidade universal, ver, em todos, irmãos e irmãs, pelos quais estar prontos a dar a vida. Cada pessoa com quem entro em contato, um amigo, uma amiga.

Chiara Lubich traduziu este amor extremo de Jesus com uma expressão simples e exigente: ‘fazer-se um’ com o outro, ou seja, entendê-lo até o fim, entrar no seu mundo, partilhar os seus sentimentos. É a premissa para qualquer diálogo. Chiara aplicou este seu ensinamento no campo do diálogo inter-religioso, colocando-se numa atitude de escuta diante dos membros das várias religiões, até compreendê-los a partir do âmago de suas culturas”.

“… O simpósio concluiu-se na sede do Ministério das Relações Religiosas, em Buenos Aires. Presentes personalidades judaicas e cristãs, civis e religiosas. Um momento muito representativo. Partimos sentindo-nos chamados, em primeira pessoa, a realizar a obra de mediação entre tendências, posições e experiências, por vezes contrastantes entre si. O caminho – foi o que entendemos esses dias – é o de ser apenas uma presença de amor, sem pretensões nem julgamentos, à serviço, até tornar-nos aquele ‘nada de amor’ que permitirá o encontro”.

Do diário de viagem de Pe. Fabio Ciardi (OMI)

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