Emergência Chifre da África
Através da comunidade dos Focolares do Quênia, soubemos do imediato compromisso assumido, para poder responder ao apelo de Bento XVI: renunciar a uma refeição e dar o equivalente como ajuda para a Somália. Escreveram-nos Giovanna Vasquez e Flavio de Oliveira: «Caríssimos, como todos foram informados pela rádio, televisão e jornais, o Chifre da África está vivendo uma grande catástrofe humanitária. Os nossos irmãos e irmãs tocaram o fundo do poço, morrem por falta de alimento e água, devido a seca que atinge a região». São muitas as associações que já atuam lá mesmo, enquanto o Pontifício Conselho Cor Unum enviou, no nome do Papa, uma primeira ajuda de 50 mil euros, através do bispo de Jibuti, e Administrador Apostólico de Mogadíscio, d. Giorgio Bertin. Em sua carta, os responsáveis pelo Movimento dos Focolares no Quênia, continuam mencionando um ponto fundamental da espiritualidade do Movimento, que vê em cada drama da humanidade um semblante de Jesus na cruz. «Diante deste grande rosto de Jesus abandonado sentimo-nos interpelados sobre o que podemos fazer para sanar, ao menos um pouco, estes sofrimentos, e tivemos a ideia de lançar uma campanha que pensamos em denominar “Saltar uma refeição”. Significa privar-se ao menos de uma refeição, neste mês de agosto, e com o equivalente poder viver a frase do Evangelho: “… tive fome e me deste de comer…” (Mt 25,35). Continuamos a viver, mais do que nunca, pela fraternidade universal. Saudações». A importância que conseguiremos reunir, por meio da generosidade de todos, será colocada à disposição das dioceses interessadas, que já atuam diretamente na ajuda às populações atingidas. Para sustentar esta emergência humanitária podem ser feitos depósitos bancários em uma das seguintes contas, especificando a motivação: “Emergência Chifre da África”. As ajudas podem ser enviadas através de:
- SEGRETERIA INTERNAZIONALE DEI GIOVANI PER UN MONDO UNITO
Conta de: Pia Associazione Maschile Opera di Maria Intesa San Paolo – Filiale di Grottaferrata (Roma) codice IBAN IT04 M030 6939 1401 0000 0640 100 codice BIC BCITITMM Motivação: Emergenza Corno d’Africa
- AMU – AZIONE PER UN MONDO UNITO
Conta de: Associazione “Azione per un Mondo Unito – Onlus” c/c bancario n. 120434 presso Banca Popolare Etica – Filiale di Roma codice IBAN: IT16 G050 1803 2000 0000 0120 434 codice SWIFT/BIC: CCRTIT2184D Motivação: Emergenza Corno d’Africa
- FAMIGLIE NUOVE
Azione per Famiglie Nuove ONLUS Presso “Banca Prossima” IBAN: IT55K0335901600100000001060
Novi svet entrevista Maria Voce
Nestes anos você esteve em todos os continentes e deparou-se com várias culturas e situações sociais. Conheceu de perto as diversas comunidades do Movimento dos Focolares. Na luz destas ricas experiências, qual lhe parece ser a principal vocação do Movimento no mundo? «É a vocação à unidade, a vocação a contribuir em todas as latitudes, nos contextos e com as formas mais diversas, para a realização do “ut omnes unum sint” (“que todos sejam um”) pedido por Jesus ao Pai. É o objetivo ao qual somos chamados, um imperativo gravado em cada um de nós pela participação ao carisma da unidade (…)». Antes de chegar à Eslovênia você visitou a Rússia, a República Tcheca e a Hungria, ou seja, três sintomáticos e significativos países do antigo “bloco soviético”. O que a impulsionou a fazer estas viagens? «O mesmo motivo que me levou à Ásia, à África, à América do Norte e a outros países europeus: o compromisso de privilegiar os relacionamentos. Viajar significa, cada vez, colocar-me numa atitude de escuta, para absorver as problemáticas e as riquezas dos povos que encontro, as potencialidades em ato e aquelas que podem se desenvolver. Quais eu encontrei nesses países, sufocados durante décadas pela ideologia comunista? Chiara Lubich sempre viu, nesta área do mundo, uma vocação especial à unidade, justamente como resposta à experiência de unidade forçada, que caracterizava esses países. Em 1989, logo após a queda do muro, Chiara fez uma leitura daqueles eventos históricos como um grande passo rumo à unidade. Porém, neste processo deviam ser salvaguardados os valores positivos, presentes até então nessas sociedades: o anseio pela unidade, uma visão global do mundo, a atenção às classes menos favorecidas, a exaltação da socialidade do homem. Grandes ideias, mas frequentemente contrariadas clamorosamente, nos fatos. Chiara compreendeu que o carisma da unidade, que o Espírito lhe havia doado, podia contribuir para enraizar aquelas ideias precisamente lá onde tinham a sua origem, em Deus. (…) Esta área do mundo pode, verdadeiramente, se distinguir de modo especial pela unidade. Porque, se vivida em Deus, quanto maior é a diversidade mais extraordinária pode ser a experiência de unidade que deriva dela. Tive uma antecipação disso na minha viagem à Croácia, no verão passado, quando encontrei um grupo de membros do Movimento provenientes de diversas áreas geográficas e culturais: muitos povos que formavam um só povo, unido no nome de Deus, e que vivia a unidade (…)».
Na Eslovênia, nestes anos, assiste-se a uma crescente polarização da sociedade, que polui os relacionamentos entre Igreja e mundo leigo, até desembocar, com frequência, numa certa intolerância. Como sanar esta ferida e contribuir a restituir os verdadeiros valores ao mundo no qual vivemos? «Creio que, antes de tudo, é preciso acreditar e fazer cálculo com o que de verdadeiro e profundo existe na alma de cada homem. Todos, crentes ou não, possuem valores dentro de si. Trata-se de colocar em relevo o positivo que há em cada um e saber erguer pontes com todos. Sob este aspecto o carisma da unidade, que procuramos viver, possui em si uma força e uma luz que supera as nossas pessoas. (…) Além disso, penso que esses valores podem ser oferecidos por meio do testemunho, pessoal e comunitário. O valor da vida, do homem, da família… são valores que Deus coloca em nós e que devem transparecer da nossa vida, imprimindo nela uma plenitude que convence. Enfim, eu diria que é necessário dar também o próprio ponto de vista, mas livremente, com desapego, no respeito ao outro. Numa palavra, como uma dádiva de amor». de Irena Santoro – Fonte: Novi Svet
Maria Voce na Eslovênia
O cristianismo chegou a esta antiga terra no século VIII, para inserir na órbita evangélica um povo que, no século VI, havia chegado da Moravia e da Panônia (atual Hungria). No decorrer dos séculos a Eslovênia teve seu destino ligado às vicissitudes do império austríaco, de forte matriz católica. Depois dos sofrimentos da Primeira Guerra Mundial foi anexada à Iugoslávia, da qual tornou-se independente em 1991. Uma terra rica de história e de fé, mas também de sofrimento. Sensível, portanto, aos valores evangélicos, como aqueles evidenciados pela espiritualidade focolarina. Tanto é verdade que, ainda em 1958, um sacerdote participou da Mariápolis de Fiera di Primiero, na Itália, e em seguida, junto a outros, difundiu a sua mensagem de modo capilar e silencioso. O Movimento dos Focolares na Eslovênia – Nasceram pequenas comunidades, cheias de vida, que naturalmente desabrocharam na abertura do primeiro focolare, em1966, num porão, em Liubliana, e do segundo, em 1974.
A vida pulula efervescente, nas famílias, entre os jovens, nas paróquias, e o movimento cresce até tornar-se “um pequeno povo”. Obviamente o regime comunista controla a atividade de todos os cidadãos, incluídos os que aderem ao Movimento, mas a vida não se detém, tanto que em 1986, em Bohinj, organiza-se a primeira “Mariápolis férias”, que torna-se um ponto luminoso para muitas pessoas. Para algumas significou o primeiro encontro com Deus, ou em reencontro, após muitos anos. Nos anos setenta um evento torna-se inesquecível: a turnê do Gen Rosso, com quatro shows num ginásio superlotado. O ponto culminante foi a canção “Maria”, em língua eslovena. Foi a primeira vez, desde 1945, que uma canção com um conteúdo espiritual foi cantada fora das igrejas e transmitida pela televisão. A queda do muro abriu uma nova etapa. A liberdade permitiu falar do Movimento, reunir-se, organizar novas turnês do Gen Verde e do Gen Rosso, reapresentar a revista Novi Svet (Cidade Nova), nascida ainda nos anos sessenta, com uma nova roupagem e uma tiragem de 2300 cópias.
Hoje Maria Voce irá encontrar um Movimento desenvolvido, que cada vez mais colabora ativamente com a Igreja, em diálogo com pessoas pertencentes a diversas Igrejas cristãs, aberto à realidade da Economia de Comunhão, graças à presença de algumas empresas. O nome do Centro Mariápolis de Planina é “Spes”, esperança. Não existe palavra melhor para a viagem de Maria Voce, numa terra onde a esperança foi provada e vivida com intensidade nestas décadas. De Mario Dal Bello
agosto 2011
“Eis-me aqui para fazer a tua vontade”.
Esta Palavra nos oferece a chave de leitura da vida de Jesus, ajudando-nos a colher o seu aspecto mais profundo e o fio de ouro que liga todas as etapas de sua existência terrena: a sua infância, a sua vida particular, as tentações, as suas escolhas, a sua atividade pública, até a morte na cruz. Em cada momento, em cada situação Jesus visou uma única coisa: fazer a vontade do Pai; e a cumpriu de modo radical, não movendo um dedo fora dela e repelindo até as propostas mais sugestivas que não estivessem em pleno acordo com aquela vontade.
“Eis-me aqui para fazer a tua vontade”.
Esta Palavra nos faz compreender a grande lição que Jesus com toda a sua vida nos quer dar. Isto é, que a coisa mais importante é fazer não a nossa, mas a vontade do Pai; tornarmo-nos capazes de dizer não a nós mesmos para dizer sim a Deus. O verdadeiro amor a Deus não consiste em belas palavras, ideias e sentimentos, mas na obediência efetiva aos seus mandamentos. O sacrifício de louvor que ele espera de nós é que lhe ofertemos tudo o que temos de mais íntimo, o que é radicalmente nosso: a nossa vontade.
“Eis-me aqui para fazer a tua vontade”.
Como viveremos então a Palavra de vida deste mês? Também esta é uma das palavras que ressalta explicitamente o aspecto do Evangelho que vai contra a corrente, porque combate uma tendência profundamente enraizada em nós: satisfazer a nossa vontade, seguir os nossos instintos, os nossos sentimentos. Esta Palavra é também uma das que mais se choca com o homem moderno. Vivemos na época da exaltação do eu, da autonomia da pessoa, da liberdade como fim a si mesma, da auto-satisfação como realização do indivíduo, do prazer considerado como o critério das próprias opções e o segredo da felicidade. Mas conhecemos também a que consequências desastrosas esta cultura nos conduz. Pois bem, esta cultura fundada na satisfação da própria vontade encontra a oposição daquela de Jesus totalmente orientada ao cumprimento da vontade de Deus, com os efeitos maravilhosos que ele nos garante. Procuremos então viver a Palavra deste mês, escolhendo também nós a vontade do Pai e fazendo dela, como Jesus fez, a norma e a motivação de toda a nossa vida. Assim vamos nos aventurar numa divina aventura que nos encherá de gratidão a Deus. Graças a ela nos faremos santos e irradiaremos o amor de Deus em muitos corações. Chiara Lubich Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em dezembro de 1991.
