Movimento dos Focolares
Um centro social no Coroado, um bairro de Manaus

Um centro social no Coroado, um bairro de Manaus

Bairro Coroado, na exterminada cidade de Manaus, em plena floresta amazônica. Uma metrópole de dois milhões de habitantes, em contínua expansão. O nome do bairro recorda a coroa de espinhos que abraça muitas metrópoles brasileiras. Uma coroa de pobres. O céu reflete o rio, os prédios da periferia são a contrapartida das palafitas da praia. Espelho das contradições sociais que separam os pobres dos mais pobres. Pouco distante, dez minutos a pé, encontra-se o Centro Roger Cunha Rodrigues, fundado em 1994 pelo Movimento dos Focolares e logo assumido como projeto da ONG “Ação Famílias Novas”. Desde então mais de mil crianças receberam instrução, alimentação, suporte à família e atividades culturais substanciadas por valores sólidos, que favorecem o crescimento e as relações interpessoais, para aviar uma recuperação das famílias e da comunidade. Alguns tornaram-se confeiteiros, outros eletricistas, há quem frequenta a universidade. Este ano o Centro é frequentado por cerca de 300 pessoas e as crianças sustentadas à distância são 236. Somente em 2010 os recursos enviados alcançaram a cifra de 85 mil euros. Agora são necessários recursos para reestruturar o edifício principal, que nunca sofreu manutenção desde a sua construção; construir um novo refeitório, ampliando o que já existe e é pequeno demais, obrigando as crianças a vários turnos para as refeições; e também elevar os muros, para defender-se dos assaltantes. É uma água que escorre e cura. De Aurélio Molé, publicado em Espaço Família – abril de 2011

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O início dos Focolares na Rússia

Em 1986, uma família húngara do Movimento dos Focolares, os Fialowsky, por motivos de trabalho, transferiu-se de Budapeste para Dubna, a cerca de 130 km de Moscou. Ao redor deles começaram a se reunir algumas famílias e jovens. Primeiro em 1989 e depois, em 1991, abriram-se dois centros do Movimento na capital. Naquele período a comunidade contava cerca de 40 pessoas. Em agosto de 1991 aconteceu o primeiro esperado encontro de Chiara Lubich com todos os membros do Movimento da Europa oriental, em Katowice, na Polônia. Foi uma etapa importante para a comunidade da Rússia que, pela primeira vez, ultrapassou as fronteiras para encontrar Chiara e os outros membros do Movimento dos países do leste europeu. Em abril de 1992 realizou-se o primeiro encontro público, a Mariápolis, com 220 participantes. Em setembro do mesmo ano fez-se a primeira viagem a Celiabinsk, cidade além dos Montes Urais, a cerca de 1900 km de Moscou, até pouco tempo antes fechada a estrangeiros. Pouco a pouco desenvolveu-se uma comunidade do Movimento, e já em 1995 aconteceu ali a primeira Mariápolis. Em seguida nasceram comunidades em Novosibirsk e Omsk. Em 2001 abriu-se um focolare em Kranoyarsk, que passou a se dedicar à parte siberiana do país. Começaram os primeiros contatos com pessoas que há muito tempo já recebiam a Palavra de Vida. A espiritualidade foi acolhida por pessoas das várias cidades da Sibéria. A primeira Mariápolis siberiana aconteceu em 2004, em Divnogorsk, cidade próxima a Kranoyarsk. Os participantes provinham de várias cidades, alguns tinham percorrido distâncias de até 2000 km. Eram 90, de diversas nacionalidades e Igrejas. Após a queda do regime soviético percebe-se na sociedade russa uma busca de identidade. Neste percurso o modo de agir do Movimento é sempre muito apreciado, particularmente na relação com a Igreja Ortodoxa Russa. De vez em quando representantes oficiais do Patriarcado de Moscou participam dos eventos do Movimento. Para a comunidade foi muito importante a presença de Giancarlo Faletti, copresidente do Movimento dos Focolares, na entronização do patriarca Kirill, em fevereiro de 2009. Alguns membros de associações ortodoxas acompanham com grande interesse o projeto “Juntos pela Europa” do qual participam desde 2004. Entre os pioneiros da história dos Focolares, na então União Soviética, não podemos deixar de recordar Eduardo Guedes, focolarino português, falecido em janeiro deste ano, que viveu na Rússia por mais de 20 anos. A sua generosidade e humildade foram características muito admiradas por este povo, que de muitas maneiras retribuiu abundantemente o seu amor, de modo especial os amigos ortodoxos. E também Regina Betz, focolarina alemã, que morou em Moscou de 1990 a 2008, estabelecendo relacionamentos verdadeiros e duradouros com muitas pessoas. Um episódio contado por ela demonstra o timbre desses anos, vividos para construir a unidade na Rússia: «Eu ensinava alemão na Universidade Lomosonov, de Moscou. Uma colega, Alla, não estava bem de saúde e pensava que se tratasse de uma punição de Deus, porque não vivia mais como uma cristã. Contou-me que durante um curso de atualização, em Leipzig, tinha frequentado muito a igreja, mas que se afastara retornando a Moscou. Um dia perguntou-me se podia ir à Missa comigo. Expliquei-lhe que eu não era ortodoxa, mas católica, fato que não lhe criou nenhum problema. Assim, no domingo seguinte fomos juntas a uma Missa solene, na igreja de São Luis, a única que existia em Moscou naquela época. Depois, por muito tempo não soube nada sobre ela. Quando voltamos a nos encontrar ela me contou, quase pedindo desculpas, que tinha se batizado “como ortodoxa”… e eu lhe disse que havia feito bem, já que é russa!». Atualmente, a maioria dos membros da comunidade do Movimento dos Focolares em Moscou é ortodoxa. Uma delas, Nina Vyazovetskaya, por ocasião do 30º dia de falecimento de Chiara Lubich, em abril de 2008, assim se exprimiu, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma: «Sou de Moscou, pertenço à Igreja Ortodoxa Russa. Sou médica e trabalhei por dois anos como residente no hospital de Moscou. Cresci numa família não crente, como a maioria, na Rússia. Em 1990 eu fui batizada, quase “por acaso”, porque com a queda do comunismo aquele era um período de grandes mudanças e todos buscavam algo novo. Porém, depois daquele dia, nunca mais fui à igreja. O encontro com o Movimento dos Focolares assinalou uma reviravolta: encontrei Deus e a minha vida mudou. Para conhecê-lo eu me dirigi às focolarinas, que são católicas, e elas me levaram à minha igreja ortodoxa. Assim comecei a descobrir a beleza e a riqueza da igreja, de ser cristã e viver por Deus. E agora tomei a decisão de seguir Deus, indo atrás de Chiara, no focolare».

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Justiça económica, aposta possível

A economia globalizada é uma máquina muito potente mas frágil e instável. Esta é uma das mensagens que a crise que estamos atravessando nos está a dizer. Em modo especial a economia globalizada cria oportunidades enormes de riqueza, mas produz também novos custos, entre os quais uma incerteza radical dos sistemas financeiros,  e desiquilíbrios sociais mais fortes. Normalmente quem sofre as consequências das crises são setores sociais diferentes daqueles que as causaram e, em geral, muito mais pobres. É por isso que o tema da justiça social hoje é também diretamente o tema dominante da nova economia. Estamos vendo isso no Oriente Médio (não nos podemos esquecer que a revolução destes meses se desencadeou por questões de justiça económica), e, creio que o vamos ver ainda mais nos próximos anos nos países árabes, mas também na China e na Índia onde, quando as liberdades individuais e a democracia assumirem o controle, deixará de ser tolerada a enorme desigualdade que hoje encontramos nestes novos gigantes económicos. Estou convencido de que no mundo está a amadurecer uma crescente intolerância em relação à desigualdade, dentro dos Países e entre os Países, como se o homem pós-moderno, informado e global, depois da democracia política, hoje comece seriamente a pedir também a democracia económica, e parece ter percebido, com esforço e com demora, que a democracia económica é parte essencial da democracia política. De fato o mercado, sendo um âmbito da vida em comum que se rege pela regra de ouro do benefício mútuo, não consegue garantir a justiça equitativa. Pelo contrário, num certo sentido, se não for acompanhado por outros princípios e instituições co-essenciais, com o passar do tempo o mercadotende a aumentar as desigualdades. De fato, por um lado o mercado é lugar de liberdade e de criatividade baseado em talentos individuais, e os talentos não são distribuídos de modo uniforme na população; por outro, na competição do mercado não partimos todos da mesma linha e hoje quem tem mais (recursos,educação, oportunidades…) tende a ter ainda mais no futuro. O que fazer então? Dia 29 de maio de 2011 é o aniversário da instituição da Economia de Comunhão (EdC), o projeto económico lançado no Brasil, por Chiara Lubich, no mesmo mês em que João Paulo II tinha publicado a Centesimus annus, uma encíclica que Chiara tinha lido e meditado durante aquela viagem. Para esta ocasião, representantes do mundo da EdC vão-se encontrar em São Paulo, de 25 a 29 de maio, para um balanço dos primeiros vinte anose sobretudo para olhar para os próximos vinte (www.edc-online.org). A mensagem lançada por Chiara naquela viagem brasileira está hoje bem viva, madura e cresce na história, muito além da comunidade (os Focolares) na qual a EdC nasceu, como bem se apercebeu Bento XVI que quis indicá-la na Caritas in Veritate como uma experiência a ser denvolvida e difundida. A mensagem é simples e clara: a empresa deve ser, antes de tudo, um instrumento e um lugar de inclusão e de comunhão que, enquanto produz riqueza, também se ocupa de a redistribuir e, portanto, de justiça. Se queremos, de fato, que a democracia económica e a justiça redistributiva cresçam, não podemos e não devemos confiar demais nos Estados e nos Governos. Deve ser a própria empresa, sob o impulso da sociedade civil e dos cidadãos do mundo, a desenvolver e a ocupar-se de coisas novas, daquelas res novae do contexto globalizado em que vivemos. A empresa não pode limitar-se a trabalhar nos limites da lei, a pagar os impostos (mesmo quando os paga), e a fazer um pouco de filantropia para ganhar clientes. Nesta nova fase é pedido muito mais à empresa, se quisermos que a sociedade civil considere a empresa e a economia como amigas para o Bem comum. Seja bem-vindo então o aniversário da EdC, se recordar a todas as empresas esta necessidade de se tornarem uma outra coisa, de evoluirem para uma economia à medida da pessoa.

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Moscou, coração da Igreja Ortodoxa russa

Ultrapassar os átrios da igreja de “Maria, alegria dos enfermos” significa penetrar no coração da fé ortodoxa. O louvor expresso pelos hinos e orações desenrola-se ininterruptamente por duas horas, e cria entre os fieis um recolhimento imediato. Atraem a solenidade da liturgia, a riqueza e o esplendor dos paramentos, todos vermelhos, pois é tempo de Páscoa. Maria Voce, com um véu na cabeça, como todas as mulheres russas, assistiu à sagrada liturgia junto com os membros ortodoxos do Movimento dos Focolares, para viver um momento de comunhão fraterna, embora no respeito às diferentes igrejas. Na conclusão, três beijos marcaram um pacto de amor mútuo entre todos, testemunho de um sólido liame de unidade, que pela emoção não pode deixar de recordar as palavras de São Paulo, «não existe judeu, nem grego», e que diante da iconostase tornou-se: «não existe mais ortodoxo ou católico, mas somos um em Cristo». No final da celebração, uma saudação ao metropolita Hilarion Alfeyev, presidente do departamento para as relações externas do Patriarcado de Moscou, que mostrou-se muito contente em ver a presidente do Movimento e toda a delegação católica, juntamente com os ortodoxos que a acompanhavam. Padre Dimitri Sizonenko responsável interino pelo Secretariado para as relações intercristãs, alegrou-se especialmente pelo testemunho de unidade do Movimento, e fez votos de uma maior difusão do seu espírito. Na tarde do mesmo dia, 15 de maio, dois compromissos esperados: as famílias e os jovens. «Como transmitir o espírito do Movimento aos nossos filhos», «como ajudar outras famílias a compreenderem a importância da fé», «como fazer quando nos sentimos fracos», foram algumas das questões expressas, com simplicidade, pelas cerca de trinta pessoas presentes, muitos casais jovens. Alguns casaram-se na igreja depois de ter conhecido o carisma de Chiara Lubich, outros compreenderam a importância da fidelidade conjugal após experiências de bem outro tipo. Anos de ateísmo marcaram a instituição familiar, com frequência as uniões não são estáveis e a opção pelo matrimônio é ligada mais à tradição que à convicção, os divórcios são numerosos, assim como as convivências, o alcoolismo. «A mensagem passa através do testemunho que vocês dão como família – respondeu Maria Voce – pela capacidade de pedir desculpas, de voltar a olhar ao outro com amor após um momento difícil. Tudo isso vale mais do que mil palavras». «Ninguém gosta de sofrer – acrescentou Giancarlo Faletti – mas no sofrimento Deus nos encontra e se deixa encontrar, para nos dizer e nos dar algo que nos faz continuar a amar». Com os jovens tudo começa de forma informal: nada de gravatas, violão, fotos e diálogo aberto sobre os desafios da sociedade russa: da corrupção ao excesso de liberdade, à dificuldade de fazer escolhas, ao próximo Genfest (Budapeste, setembro de 2012). Uma jovem tem a vontade de deixar o trabalho, depois de ter, involuntariamente, endossado um ato ilícito. «É preciso um passo decidido para dar testemunho. Nestes locais é possível que haja mudanças, se existem pessoas como você», foi o encorajamento dado por Maria Voce. «Você se encontra numa conjuntura que deve ser cristianizada – reafirma Giancarlo Faletti – e Jesus serve-se de você para enviar uma mensagem. Dentro do economista sem escrúpulos existe sempre um homem com uma alma. Nós não podemos renunciar, devemos testemunhar». «Escolher é a ocasião que Deus nos dá para exercitar a nossa liberdade», respondeu a presidente a Liza, que não sabe como entender o caminho a seguir em sua vida. «O confronto com os irmãos é uma ajuda para amplificar o que Deus lhe diz e responder com decisão». Existia seriedade, compromisso e ardor nas duas horas de conversa, que se concluiram com a confirmação de Maria Voce: «Eu os deixo agir, tenho confiança em Jesus em vocês e entre vocês. O Genfest será uma surpresa e será o mais lindo, porque feito por vocês». Da enviada Maddalena Maltese [nggallery id=40]