50 anos pela unidade dos cristãos
No dia 14 de janeiro Chiara encontrou-se com um grupo de luteranos, na Alemanha, e aquele encontro fez com que entendesse que a espiritualidade da unidade, fundamentada no Evangelho vivido, não era apenas para os católicos, mas para toda a cristandade. No mês de maio, em Roma, Chiara esteve com o canônico anglicano Bernard Pawley, que depois foi convidado como observador no Concílio Vaticano II. E no dia 24 de maio ela escreveu em seu diário: «A vontade de Deus é o amor mútuo. Portanto, para suturar esta ruptura é necessário amar-se». São estes os pródromos que levaram Chiara a fundar o “Centro Uno” para a unidade dos cristãos. Confiou a sua direção a Igino Giordani, pioneiro do ecumenismo desde os anos 1920. O ano de 1961 foi repleto de intuições, o início de um diálogo promissor, baseado no Evangelho vivido. Com o passar dos anos a espiritualidade da unidade suscitou o interesse de anglicanos na Grã Bretanha, reformados na Suíça, Holanda e Hungria. Foi acolhida por cristãos de várias Igrejas na Europa, pelas Igrejas Orientais no Oriente Médio e, sucessivamente, nos outros continentes. O Patriarca Atenágoras interessou-se pela espiritualidade da unidade e convidou Chiara a ir a Istambul, em 1967, encorajando a sua difusão nas Igrejas ortodoxas. Depois de quase 30 anos do trabalho ecumênico do Movimento, em 1996 houve uma outra etapa histórica, em Londres. Reunindo-se com cerca mil anglicanos, católicos, metodistas e batistas que viviam a espiritualidade da unidade, Chiara constatou que estava se delineando uma maneira específica de atuar o ecumenismo do Movimento, o “diálogo da vida”, “diálogo do povo”, que não se contrapõe aos outros tipos de diálogo, mas os sustenta. Atualmente existem cristãos de mais de 350 Igrejas, nos cinco continentes, que vivem este diálogo e testemunham que é possível viver em unidade, com Cristo entre nós. O 50º aniversário do Centro Uno foi recordado em Trento, no Teatro Social, dia 12 de março passado, com uma Jornada Ecumênica internacional intitulada “Chiara Lubich: um carisma, uma vida pela unidade dos cristãos”, inserida na “Semana Ecumênica” comemorativa, de 11 a 16 de março, em Cadine (Trento). Com a apresentação, inclusive, de testemunhas dos primeiros anos, foram contemplados os frutos desses 50 anos de empenho ecumênico, de Chiara e do Movimento. Em sua mensagem, o cardeal Koch afirmou, entre outras coisas: “O testemunho e o serviço prestado por Chiara Lubich à promoção da unidade dos cristãos são dádivas preciosas e inestimáveis”, porque “traçou rastros de luz e tocou, em profundidade, o caminho de vida de muitos cristãos, de diversas gerações e pertencentes a muitas tradições eclesiais”. E o Patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, convidava os focolares espalhados no mundo “a alimentar em toda parte o ‘diálogo da vida’ no povo cristão, fermento no movimento ecumênico”, com a consciência de que “somente a intensa espiritualidade pode acelerar o caminho rumo à plena comunhão visível, mediante o acolhimento dos progressos feitos pelos diálogos oficiais por parte de um povo ecumenicamente preparado”. Chegou ainda uma mensagem do rev. Olav Fykse Tveit, Secretário Geral do Conselho Ecumênico das Igrejas, no qual referindo-se a Chiara Lubich, afirma: “A recordamos como dom primoroso do amor de Deus, que inspira muitos de nós com o seu carisma e a sua espiritualidade da unidade”. Relembra ainda a sua primeira visita, em 1967, que lançou “os alicerces para décadas de estreita colaboração, da qual, em muitos modos, a fraternidade das Igrejas membros do Conselho das Igrejas, beneficiou-se”. O Centro Uno acompanha o trabalho ecumênico do Movimento dos Focolares no mundo, através de uma rede de pessoas encarregadas e promove “semanas ecumênicas” e cursos de formação. Sede atual do Centro Uno Via della Pedica 44 A 00046 Grottaferrata (Roma) centrouno@focolare.orgCom os jovens, em Praga
“Em 2007 recebi o diagnóstico de uma leucemia. No início reagi bem, mas num certo ponto tive medo de morrer e foi importante o sustento que tive de outros jovens do Movimento, os gen… de muitas maneiras, com sms, email, visitas. Quando estava no terceiro ciclo de quimioterapia, no mesmo hospital estava uma moça, da minha mesma idade e que tinha acabado de se tornar mãe, ela estava pior do que eu, não era casada e nem batizada. Mesmo assim falamos muito de Deus, da fé, do matrimônio. Embora ela tivesse feito o transplante não conseguiu superar a doença, mas pouco antes que as suas condições se agravassem manifestou o desejo de casar, e quanto estava para morrer pediu à sua família que fosse batizada. Um sacerdote veio ao hospital e a batizou com o nome de Margarida Maria. Poucos dias depois ela faleceu, era o dia de santa Margarida Maria Alacoque”.
Começou com o forte testemunho de Agnieska, e continuou com experiências da vida cotidiana, a programação deste dia, que teve como protagonistas os jovens, reunidos no Centro Mariápolis. “Pelo caminho, uma viagem juntos” era o título do encontro, que, segundo os organizadores, queria dar a todos os que viriam a oportunidade de conhecer, por dentro, “a excepcionalidade do ideal no qual acreditamos”. “Para ser sincero no início eu estava bastante cético – confessa Lukas – pensava que no máximo viriam uns 50 jovens, mas não foi assim. Evidentemente o ideal da unidade tem algo a dizer”. De fato, o auditório quase não continha os 150 jovens, que vieram de várias partes do país. A maioria deles tinha o seu primeiro contato com o Movimento dos Focolares e não deixaram de exprimir a alegria por ter descoberto algo grande. “Ouvi falar dos Focolares através de uma amiga e não sabia o que esperar – diz Kristina, de 17 anos – mas me surpreendi, porque aqui sente-se um grande amor nas pessoas que falam. Posso dizer que senti fortemente a presença de Deus. Fiquei comovida, porque meu pai não crê e sinto muito que ele não conheça este Movimento”.
Maria Voce e Giancarlo Faletti contaram sobre o próprio “caminho”, o modo como conheceram o ideal da unidade, até decidirem seguir Deus na estrada do focolare; e logo depois pulularam as perguntas, várias, e as respostas, profundas. Apenas uma, como exemplo. A uma jovem que perguntou onde encontrar coragem para escolhas radicais, livres de condicionamentos, Maria Voce sugeriu: “A idade dos jovens é a idade das escolhas importantes: se vocês não as fizerem agora não serão capazes de fazê-las mais adiante. Sim, precisa coragem, mas a coragem está em você e você a encontra no relacionamento com Deus. Se escolher por amor pode ficar tranquila. Não fique adiando eternamente, e não permita que outros escolham por você”. Um convite a “amar ao máximo”, como fez Jesus sobre a cruz, a recomeçar sempre, a não ter “remorsos inúteis”. A plateia estava atenta e participante, recolhida. Os 150 jovens pareciam não querer ir embora. Elizabetta, de 27 anos, confidenciou: “Eu sou muito crítica e, ao mesmo tempo, estou tentando entender como e onde viver bem a vida cristã; estou buscando o meu caminho, e por isso aceitei de boa vontade o convite para conhecer o que é o Movimento dos Focolares. O que foi dito é um grande enriquecimento para mim, encorajou-me a decidir pertencer a alguma coisa. Vou embora tendo entendido que seja o que fizer na minha vida o importante é Deus, e não devo guardá-lo só para mim”. Não apenas para Elisabetta, mas para muitos dos presentes, parece que realmente abriu-se um novo caminho. Da enviada Aurora Nicosia
700 pessoas da República Tcheca: hoje é tempo de alegria
A história do Movimento dos Focolares em terra tcheca possui frequentes traços de heroísmo. O ideal da unidade chegou na, então, Tchecoslováquia por volta dos anos 1960, quando reinava o poder comunista soviético. A partir de 1968, ano da Primavera de Praga, sufocada pela ocupação armada, e após a qual o comunismo tornou-se novamente mais opressivo, até 1989 quando teve fim o regime, a história do povo tcheco é marcada por grandes sofrimentos. Mas em meio à clandestinidade e perseguições muitas pessoas começaram a fazer parte do Movimento, e hoje estão presentes mais de 700, vindas de todo o país para o encontro com a presidente dos Focolares. Encontram-se no Palácio da Cultura de Praga, um dos dez setores nos quais a cidade é dividida. Existe emoção, alegria e expectativa, é a festa da “família” que relembra e olha ao futuro. As perguntas a Maria Voce e Giancarlo Faletti foram numerosas.
Uma gen 4 perguntou: “O que você sonhava quando era criança?”; e alguns gen 3: “Como você conheceu Deus? O que faria se encontrasse uma família pobre? Porque Deus não interveio quando Hitler matou tantas pessoas?”. Em seguida os adultos, com perguntas sobre o significado das viagens da presidente, sobre como prosseguir com os empenhos que alguns têm na “reconstrução” do país, sobre a vida das comunidades do Movimento e sobre o ativismo. “Viajar é ir encontrar a minha família, e isso é uma grande alegria para mim. Vou para sustentar, encorajar, entender as coisas que fazem”, explica Maria Voce. E não importa que sejam coisas pequenas ou grandes. “Durante a recente viagem à América do Norte – continua a presidente – onde tudo é enorme e, em comparação, a nossa comunidade parece tão pequena, senti que Jesus, presente entre as pessoas que se amam, é uma superpotência”. Este é o convite que faz também aqui, acreditar nessa potência para “chegar a toda a nação. Com este ideal não apenas podemos, mas devemos levar o anúncio da ressurreição ao mundo, levar Jesus conosco, na escola, nas fábricas, no parlamento. É o que de maior podemos fazer”.
Na tarde do mesmo dia, 21 de maio, o encontro abre-se também a quem deseja conhecer melhor a “revolução” focolarina. Testemunhos de vida e iniciativas mostram uma vida que envolve pessoas de todas as idades. É feito um balanço da operação “Praga de Ouro”, lançada por Chiara Lubich em sua visita à cidade, em 2001. Não faltou o trabalho para re-evangelizá-la e reanimá-la, e também os frutos. Maria Voce propõe um novo passo: “Chegando aqui respira-se a história e a espiritualidade, que nem mesmo nos anos duros foi destruída, mas coberta e talvez protegida. Aqui não se parte do zero, mas das raízes profundas de quem construiu esta civilização, esta cultura. O passo que devemos dar agora é a nova evangelização, o novo anúncio, feito por pessoas renovadas pelo amor recíproco. O nosso compromisso deve ser anunciar aos outros que Jesus ressuscitou, que todos os sofrimentos foram resgatados. Hoje é tempo de alegria!”. Páginas de uma nova história esperam para serem escritas.
E tudo é confirmado por D. Frantisek Radkovský, encarregado pelos leigos na Conferência Episcopal Tcheca: “A Igreja tem grandes expectativas sobre os Movimentos – afirmou em seu discurso – porque são a sua parte mais dinâmica, um dom do Espírito Santo para estes tempos. A nossa sociedade é secularizada, mas agora existe abertura para as coisas espirituais e é importante mostrar com a vida que o cristianismo pode trazer o verdadeiro humanismo. Os Movimentos tem a capacidade de chegar a todos e estão abertos a todos os campos de atuação, desde a família, à educação, à política, à economia, aos meios de comunicação, ao esporte”. Chegando à conclusão, o quarteto, que durante o dia tocou, com qualidade, peças musicais, executa “Missão impossível”. Vem em mente que o é impossível aos homens é possível a Deus. Da enviada Aurora Nicosia [nggallery id=42]
Praga, aqui é possível acreditar
Maria Voce e Giancarlo Faletti, presidente e copresidente do Movimento dos Focolares, foram recebidos em Praga em um dia não comum de calor, 19 de maio de 2011. O avião, proveniente de Moscou, chegou com uma hora de antecipação, tornando mais breve a espera das cerca de trinta pessoas que com um aplauso receberam os hóspedes no Terminal 1: clima de festa! A programação da viagem é intensa. No calendário estão previstos encontros com representantes da Igreja local, o arcebispo de Praga, D. Dominik Duka, e também com sacerdotes que vivem a espiritualidade de comunhão. Existe grande expectativa nos jovens, que organizaram um dia no Centro Mariápolis de Vinor, e também de toda a comunidade dos Focolares, que se reunirá em Praga vindo de todo o país. Está previsto um encontro aberto, para recordar os 10 anos da visita de Chiara Lubich à República Tcheca e o lançamento da operação “Praga de Ouro”, promovida por ela naquela ocasião, para que se atuasse a “nova evangelização”.
Maria Voce e o pequeno grupo vindo de Roma hospedam-se no moderno Centro Mariápolis, construído em dois anos, núcleo central da Mariápolis permanente, hoje em construção. “Quando Chiara veio à Praga, em 2011 – contam os pioneiros – exprimiu um duplo desejo: dar uma casa à família do Movimento e ter um local onde as pessoas que ela conheceu, expoentes do mundo político, civil e eclesial, pudessem encontrar-se”. Dito e feito. Com entusiasmo e muitas iniciativas, de destaque a “ação primeiros sábados”, que continua ainda, o Centro Mariápolis foi se estruturando, e também a Mariápolis, embora esta se encontre, atualmente, no auge das construções. Em prática, todo primeiro sábado do mês quem pode vem trabalhar, tijolo por tijolo, para edificar aquele que está se tornando um centro de irradiação da espiritualidade da unidade. Dez famílias já se transferiram para cá e construíram a própria casa, outras pessoas do Movimento tem o projeto de fazer o mesmo.







