Movimento dos Focolares
Diretamente do Japão/4

Diretamente do Japão/4

Nichiko Niwano com Maria Voce

Caros amigos das Religiões pela Paz e das comunidades religiosas internacionais,

Em nome das Religiões pela Paz no Japão, desejo exprimir a minha sincera gratidão pelas mensagens que enviaram, de condolências, participação e apoio concreto, em seguida ao catastrófico terremoto que vivemos no Japão. As orações, a participação às nossas necessidades e sofrimentos e a solidariedade expressa generosamente pelos líderes religiosos pertencentes ao network internacional de Religiões pela Paz, são fonte de encorajamento para nós. Sou verdadeiramente grato por estes fortes liames de amizade, que dão uma ulterior prova de que tudo existe num estado de inter-relação e codependência, como parte de uma grande fonte de vida, e por isso sou, mais uma vez, profundamente grato.

Não temos ainda um quadro completo dos danos e das perdas de vidas humanas, e a situação mantêm-se perigosa, mas Religiões pela Paz/Japão continuará a fazer todo esforço possível para oferecer sustento às vítimas.

Já convidei a todos os membros das Religiões pela Paz/Japão a contribuírem com as iniciativas de primeiros socorros, e os nossos jovens estão reunindo fundos nos locais públicos, em todo o país.

Sou encorajado e inspirado pelos líderes religiosos do mundo inteiro, que mostraram o caminho para superar qualquer tipo de desafio, entre os quais os conflitos armados e os desastres naturais. Como o povo do Japão, que trabalha para superar a recente tragédia, humildemente peço que continuem a oferecer intuições e cooperação.

Nichiko Niwano, presidente da Risho Kosei Kai e das Religiões pela Paz/WCRP Japão – 18 de março de 2011

Diretamente do Japão/4

Adeus Canadá, terra chamada à acolhida

Nem as pessoas do estado do Quebec tinham pressa de ir embora. E teriam que percorrer 250 quilômetros para chegar em casa, já não era mais tão cedo e, além do mais, o termômetro já tinha chegado abaixo de zero. Para não falar dos de Ottawa, distantes só 150 quilômetros. E o que dizer dos de Montreal, que já estavam em casa? Na realidade, mais do que dizer era só constatar os rostos satisfeitos, sorrisos largos, palavras entusiasmadas, pequenos grupos de pessoas, enquanto de um lado trocavam-se confidências, do outro explodia uma risada. E a luz dos flashes demonstrava o desejo de imortalizar uma noite inesquecível.

Mais de trezentas pessoas responderam ao encontro marcado com Maria Voce e Giancarlo Faletti. Não faltava quem, tendo conhecido os primeiros focolarinos que chegaram a Montreal, 40 anos atrás, quis voltar para conhecer a mulher que havia substituído a fundadora, Chiara Lubich, e reatar uma ligação nunca rompida intimamente. Na província do Quebec as pessoas são abertas e expansivas, mas nesta tarde do dia 23 de março deram o melhor de si.

Stéfanie Lamothe, 10 anos, cabelos negros e longos, e suaves traços asiáticos, teve a missão de iniciar a série de uma dezena de perguntas preparadas para o diálogo com Maria Voce e Giancarlo Faletti. A sua era uma pergunta pura e espirituosa, que fez todos sorrirem: « Chiara foi a primeira a viver a espiritualidade da unidade e fez nascer todo o Movimento. É normal que tenha sido presidente. O que você fez para ser presidente depois dela?». A interrogada se divertiu e respondeu em francês, para entrar num diálogo direto com a adolescente.

Na pergunta sucessiva Maria Voce explicou que por exigências da tradução, e também para a difusão do vídeo no mundo, era necessário que falasse em italiano. O público consentiu e ela prosseguiu, mas, sem perceber, continuou a falar francês. Todos começaram a rir. Ela parou, sorriu e decidiu não ficar passando de uma língua para outra. E, portanto, continuou falando só francês, para a alegria de todos.

Uma alegria que chegou ao ápice no fim do encontro, quando a presidente fez a sua avaliação sobre o país. «Sou reconhecida a Deus que me levou a fazer esta viagem ao Canadá. A ideia foi Dele». E explicou: «Nesta terra existe abertura, generosidade, acolhida para com as pessoas mais diversas, que chegam aqui em condições de necessidade. Imagino as dificuldades, mas vocês demonstram que podem ser superadas».

E acrescentou: «Vocês dão um grande testemunho. Mostram que entre pessoas de culturas e povos diferentes existem laços de família. É a dádiva mais linda que fazem ao Movimento. O Canadá é um trampolim, onde experimentamos que a unidade é possível e depois nos lançamos para os outros».

É uma constatação e ao mesmo tempo um mandato: «Continuem a fazer como já estão fazendo, com a alegria de ter recebido este dom de Deus, e oferecê-lo aos outros». O aplauso intenso manifesta a satisfação geral, e esconde a emoção de muitos. Ninguém queria ir embora, e várias pessoas repetiam a proposta: «É preciso sugerir que Maria Voce e Giancarlo voltem outras vezes».

Do enviado Paolo Lóriga

Viagem Canadá 2011

Diretamente do Japão/4

Diretamente do Japão/3

© Centro Santa Chiara

No dia 11 de março, às 2h46, eu estava preparando o lanche na creche onde trabalho. Senti um fortíssimo tremor e imediatamente reuni as crianças para nos colocar a salvo. Esperei que o terremoto terminasse, mas visto que os tremores não pareciam estar acabando, até eu que estou habituada aos terremotos, comecei a ficar com medo. Nesta situação todos sentimos o desejo de nos ajudarmos, para enfrentar juntos qualquer coisa que aconteça.

No fim da tarde os pais vieram pegar as crianças, os transportes estavam parados e eles tiveram que andar muito para chegar, choravam de alegria vendo que seus filhos estavam seguros. Quando todas as crianças já tinham voltado para casa respirei aliviada e liguei a televisão da creche. Naquele momento tive a notícia do tsunami, e entre as regiões atingidas estava Miyako, a minha cidade.

Desde então, por seis dias, tentei telefonar para casa sem conseguir. Quanto mais via as notícias mais me apercebia da dimensão do desastre e sentia dentro de mim os sofrimentos espirituais e físicos das vítimas. Foi a primeira vez que tive um sofrimento tão grande.

Ao mesmo tempo me sentia interpelada por Deus, dentro de mim: “Você me ama verdadeiramente? Acredita realmente  no meu Amor?”. E eu respondi: “Sim, Senhor, acredito no Seu Amor. Eu acredito. Você sabe que eu acredito”. E entendi que tinha chegado a hora de viver com coragem as virtudes da fé, da esperança e da caridade, que era preciso amar a todos, vivendo plenamente o amor recíproco.

© Centro Santa Chiara

Em mim se confirmou a fé profunda que tudo o que Deus permite certamente é por um desígnio de amor. Então confiei a Ele a preocupação com a minha família, decidindo fazer, momento por momento, o que me parecia ser a Sua vontade.

Procurei criar um clima de serenidade no trabalho: dar apoio à colega que chegava cansada, depois de três horas de viagem, devido ao atraso dos trens; emprestar roupas quentes às colegas que sentiam frio, por causa do racionamento de energia. Mais que tudo procurava me dedicar às crianças, que não podiam ir brincar fora, pelo perigo de novos tremores. Senti que a paz retornava dentro de mim!

Enquanto isso procurava com todos os meios entrar em contato com a minha família, mas sem resultado. Eu pensava: “Quando houve o tsunami com certeza minha cunhada estava trabalhando no grande armazém da cidade, minha sobrinha devia estar no colégio que é próximo ao porto…” e ficava muito preocupada. Mas justamente naqueles momentos algum amigo telefonava, ou eu recebia um email que tranquilizava o meu coração. As minhas colegas também sofriam comigo e isso me enchia de reconhecimento.

© Centro Santa Chiara

No Evangelho do dia 17 de março havia a frase de Jesus: “Pedi o obtereis”. E é o dia que se celebra o fim da perseguição dos cristãos na cidade de Nagasaki, depois de 250 anos. Pedi que Nossa Senhora me fizesse saber onde estava a minha família, e voltei para casa com o coração cheio de paz. Pouco depois o telefone tocou: era o meu pai. “Todos estão bem, e também a casa, não foi danificada”, ele me disse com a voz serena.

Esta experiência me ensinou muitas coisas, especialmente a viver e abraçar os sofrimentos dos outros e a transmitir, ao meu redor, o amor e a luz que recebo de Deus.