26 Nov 2011 | Sem categoria
“Este simpósio nos fez ver que é possível encontrar-nos e partilhar as nossas experiências de fé. É uma ponte histórica. Fez-nos lembrar que a cidade de Katowice é multicultural desde as suas origens. O fato que hoje os representantes de três grandes religiões tenham falado sobre os valores universais, como a verdade, a paz e a justiça, enriqueceu-nos reciprocamente”. Assim expressou-se o bispo da Igreja Evangélico-Luterana, Taddeusz Szurman, na conclusão do Simpósio inter-religioso, realizado na véspera do encontro de Assis, na Faculdade Teológica da Universidade de Katowice (Polônia), com o título “Peregrinos da verdade, peregrinos da paz”. Promovido pela Arquidiocese, juntamente com as autoridades civis e a Universidade de Katowice, o Simpósio teve a participação de 230 pessoas. Significativa a presença dos judeus, com Michael Schudrich, Rabi principal da Polônia; dos muçulmanos, com o Imã Nedal Abu Tabaq, Mufti da Liga Muçulmana na Polônia; de cristãos, representados pelo arcebispo católico de Katowice, Damian Zimon, pelo arcebispo da Igreja Evangélico-Luterana, Taddeusz Szurman, e pelo responsável pela Igreja Ortodoxa na Silésia, Sergiusz Dziewiatowski, e de pessoas de convicções não religiosas. Havia ainda autoridades civis, a começar pelo Presidente de Katowice, Piotr Uszok, e reitores de várias universidades, além de representantes de vários movimentos e comunidades eclesiais.
Para o Movimento dos Focolares em Katowice, que participou também da preparação, atuar no diálogo inter-religioso não é uma novidade. Mantém, de fato, relacionamentos com grupos de muçulmanos, com os quais, ao lado da Arquidiocese e do Centro dos Muçulmanos, organiza o “Dia do Islã na Igreja católica polaca”, promovido pela Conferência Episcopal há mais de 10 anos. Além disso, quase todos os meses são realizados encontros com grupos de judeus e com muçulmanos, na sede do Movimento. Antes do Simpósio, reunidos no focolare, os responsáveis das três religiões monoteístas selaram entre si um pacto de unidade. Esta atmosfera de fraternidade, que se apoia em profundos relacionamentos de estima recíproca foi, em seguida, fortemente salientada, por muitos dos que participaram do Simpósio. Os discursos aprofundaram os conceitos de paz e verdade – nas tradições cristã, judaica e muçulmana. O Mufti da Liga Muçulmana salientou a importância de não ter medo uns dos outros, de descobrir as diferenças como dons que enriquecem. O Rabi recordou, com afeto, a figura de João Paulo II, que lhe havia mostrado a beleza de ser abertos aos outros. Cada um exprimiu o desejo de buscar o que une e de cooperar para o bem de Katowice e do mundo.
“Sou muito grato a todos os organizadores por ter tornado possível este Simpósio tão fraterno – disse o Arcebispo de Katowice –. Vi uma presença notável de membros do Movimento dos Focolares, isso foi muito importante, fundamental para criar a atmosfera de fraternidade». Como sinal visível foi plantado uma planta de fava, na praça da Catedral de Katowice. “Existem muitas árvores em Katowice – disse o Rabi da Alta Silésia – Esta, porém, tem um significado especial: simboliza a fraternidade vivida por nós judeus, cristãos e muçulmanos”. O Simpósio foi concluído com a proclamação de um Apelo pela Paz, lido em três línguas: polaco, hebraico e árabe. Entre outras coisas está escrito: “Todos querem contribuir a fim de que a humanidade torne-se uma única família”.
24 Nov 2011 | Focolare Worldwide
Orgosolo é uma cidade no coração da Sardenha (Itália), muito conhecida pelos murais pintados nas casas, que ilustram os problemas, as expectativas e as esperanças de um povo que vive prevalentemente de agricultura e pecuária; um povo que conhece também o medo pelos atos criminosos, muito difundidos naquela região. Foi lá que, na madrugada do dia 24 de dezembro de 1998, foi morto o vice-vigário, padre Graziano Muntoni. Um único tiro de fuzil e um sofrimento que abalou a comunidade inteira. Mesmo na raiva e numa consternação compreensível, a população local intuiu logo que não podia se limitar a condenar, mas que era necessário fazer alguma coisa. O que fazer numa situação como essa? A comunidade começou a refletir sobre palavras do Evangelho que convidam a unir-se para pedir qualquer coisa a Deus. Nasceu a ideia de marcar um encontro todas as noites, em lugares diferentes, para pedir a Deus a paz para a cidade, numa oração unânime: era a “Hora da paz”. Mas a realidade era mais complexa do que se previa, porque a paz deve ser gerada, guardada, exige comprometimento em viver a fraternidade, com cada pessoa, todos os dias. Com essa consciência tiveram início as mais diferentes iniciativas para difundir a proposta da “Hora da paz”, entre o maior número de pessoas possível, inclusive os estudantes das escolas e faculdades, em vários encontros. Houve também a participação em um programa de televisão, na principal rede nacional. A “Hora da paz” trouxe uma nova esperança à cidade, muitas pessoas se reconciliaram após anos de tensão. Como G., uma senhora que num dos encontros confidenciou: «Devo encontrar a força de perdoar quem matou dois de meus filhos, e mandou para a cadeia outros dois». No encontro sucessivo, ela mesma contou: «Perdoei, a oração da “Hora da paz” que vivemos tirou o ódio do meu coração. Durante a Missa aproximei-me de uma pessoa inimiga e apertei a sua mão». Outros ainda estão encontrando a força de perdoar em situações igualmente graves, com atitudes que absolutamente não se dão por descontadas. Como Anna, que em 2008 teve um filho sequestrado e morto, e que está reaprendendo a viver, a trabalhar, mais serena e pacificada, não obstante a tragédia. Quando ela veio a saber sobre um suspeito pelo homicídio do filho, não pediu para ele a punição, mas que tivesse um verdadeiro encontro com Deus. A escolha da fraternidade nos leva a assumir este abismo de sofrimento no qual vive parte do nosso povo, e com frequência também a assumir a responsabilidade por aquilo que propomos, inclusive diante das instituições. Foi assim que, a partir da nossa experiência, uma escola de ensino superior elaborou um projeto por uma cultura de paz e de perdão entre os jovens, e os resultados dessa ação serão reunidos em um livro a ser avaliado pelas Nações Unidas. Os nossos esforços para construir a paz, até mesmo lá onde parece quase impossível, estão produzindo resultados concretos, que dão um rosto novo às nossas cidades. Da Comunidade do Movimento dos Focolars de Orgosolo (Nuoro – Itália)
23 Nov 2011 | Sem categoria
Caríssimos, o ano de 1986/1987 é um ano importante para o mundo católico. Preparamo-nos para a celebração do Sínodo que se realizará no final de 1987 e que tratará sobre a “Vocação e Missão do Leigo na Igreja, 20 anos após o Concílio Vaticano II”. É um ano importante para os leigos católicos, mas também, penso eu, para os outros cristãos, em cujas Igrejas muitas vezes colocou-se em evidência os leigos. E também nós, que devemos ser católicos comprometidos, estamos nos preparando para este Sínodo com a oração, que nunca deve faltar, e o trabalho que nos é solicitado. Quem é o leigo? Esta é a pergunta que se faz hoje na Igreja. Como identificá-lo? Como defini-lo? Muitas pessoas se esforçam para dar uma resposta. Na verdade, não gostaríamos de definir o leigo apenas por aquilo que ele não é: nem sacerdote nem religioso. Gostaríamos, ao contrário, de definir quem é o leigo. E, por isso, também nós queremos dar a nossa contribuição para o estudo deste assunto, afirmando algo que já é conhecido. O leigo é o próprio cristão e como tal é batizado e crismado. Como cristão é discípulo de Cristo e do seu Evangelho. Por isso ele deve viver com plenitude tudo aquilo que Jesus lhe pede. Antes de tudo, deve trabalhar para expandir o Reino de Deus, para construir a Igreja. Tendo a possibilidade de encontrar-se no meio do mundo, poderá levar consigo o anúncio do Evangelho, impregnando todas as coisas com a luz do Evangelho. Este é o nosso conceito de leigo: um discípulo de Cristo bem definido, que tem a dupla missão de construir a Igreja e de evangelizar o mundo. É com este tipo de leigo que nós, leigos do Movimento dos Focolares, nos identificamos muito bem. Com efeito, o nosso Movimento tem, por assim dizer, um aspecto mais espiritual, no qual trabalhamos para que Cristo cresça em nós, entre nós e em muitas pessoas. Isto significa edificar a Igreja. Por outro lado, o Movimento tem um aspecto mais humano e concreto, no qual trabalhamos para imbuir com o Espírito de Cristo as inumeráveis expressões que o mundo oferece. Sentimo-nos bem situados neste tipo de leigo e constatamos que estamos em perfeita sintonia com o que o Concílio Vaticano II afirmou sobre o leigo. Sentimo-nos bem, e neste ano, de maneira especial, queremos viver cada vez melhor a nossa vocação específica de leigos para dar, também deste modo, a nossa contribuição ao Sínodo. […] Procuremos ser verdadeiros leigos da Igreja, isto é, autênticos discípulos de Cristo. Os discípulos de Cristo vivem as suas Palavras e todas as outras Palavras que a Escritura propõe. Neste mês, temos uma Palavra maravilhosa para viver: “Acolhei-vos uns aos outros como Cristo vos acolheu, para a glória de Deus” (Rm 15,7). Colocando em prática esta Palavra entre nós manteremos firme o alicerce sobre o qual é edificada a nossa Obra, que é Igreja. Vivendo esta Palavra com outros cristãos, nos ambientes em que podemos atuar, inseridos nas estruturas eclesiais, daremos a nossa contribuição específica para o desenvolvimento da Igreja. Atuando esta Palavra no mundo da família ou nos vários aspectos da sociedade, colocaremos a base mais importante para realizar a transformação cristã das leis e das estruturas. […] A Palavra de Vida é feita para todos: leigos, sacerdotes, religiosos. Procuremos colocá-la em prática nos nossos respectivos campos de ação. Acolhamos cada irmão assim como Cristo nos acolheu. Ele nos acolheu e nos acolhe todos os dias, em cada momento que a Ele recorremos. Pecadores ou santos, jovens ou idosos, de bela aparência ou não, sadios ou doentes, pessoas de valor ou medíocres, Ele nos acolhe sempre, a todos. E temos tanta certeza de sua atenção, de seu perdão, de sua acolhida, que não nos passa pela mente, nem por um segundo sequer, que possa ser diferente. Façamos o mesmo com os nossos irmãos. Que eles encontrem em nós um coração sempre aberto, sempre disposto, sempre acolhedor. Vivamos assim para a glória de Deus. Companheiro de viagem, Editora Cidade Nova, São Paulo 1988, p. 195-197
22 Nov 2011 | Focolare Worldwide
Provenientes de toda a Itália, Eslovênia e com representantes da Argentina, Alemanha, Holanda, Portugal e África do Sul, os mil participantes do congresso anual dos aderentes ao Movimento dos Focolares refletiram e partilharam experiências sobre o tema da Palavra de Deus, o principal assunto aprofundado este ano. Entre os testemunhos apresentados houve a experiência de um grupo de evangelização no Benin, o país que recebeu, de 18 a 20 de novembro, a visita de Bento XVI, na sua segunda viagem apostólica ao continente e para a entrega da exortação pós-sinodal sobre a Igreja na África, a serviço da reconciliação, da justiça e da paz.
Há diversos anos um grupo dos Focolares organiza encontros com presidiários, para levar a luz da Palavra de Deus. Muitas vezes os presos são rejeitados pela sociedade e até pelas próprias famílias. A leitura da Palavra de Deus consegue abrir espaços inesperados nas pessoas, fazendo brotar relacionamentos profundos, que dizem respeito não só à fé, mas também as suas experiências de vida, sempre dolorosas, que raramente os presos conseguem contar, como, por exemplo, o motivo de sua detenção. Isso permite que os voluntários interfiram junto ao tribunal, para que os casos de alguns deles sejam revistos. De fato, existem pessoas há 10 e até há 15 anos na prisão sem nunca terem sido escutadas por um juiz. Muitos casos encontraram solução e os que haviam sido presos injustamente foram libertados. Entre as várias histórias destaca-se a de Paula, presa injustamente por causa do marido e sem nenhuma notícia dos filhos. Paula abriu-se, num relacionamento profundo com uma das voluntárias que ia encontrá-la na prisão, para os encontros sobre a Palavra. Lentamente encontrou, dentro de si, a força do perdão, até que o tribunal a chamou para comunicar a sua libertação. E Paula sabia que voltava para casa com o coração liberado do peso do ódio e da vingança. Do site do Vaticano: Benin 2011
20 Nov 2011 | Sem categoria

Ave Cerquetti, 'Mater Christi' - Roma, 1971
Maria, a Mãe de Deus, esteve presente na vida do Movimento desde os primórdios. Inúmeras vezes Chiara Lubich recordou um fato que lhe acontecera durante um terrível bombardeio, que poderia ter sido fatal para ela e suas primeiras companheiras. Naquele instante recordava ter percebido, pessoalmente, algo que se referia a Maria: «Coberta de poeira, que invadia todo o abrigo – ela contava – levantando-me do chão, quase por milagre, no meio dos gritos das pessoas, eu disse às minhas companheiras: “senti uma grande aflição na alma, agora, enquanto estávamos em perigo: a dor de não poder mais recitar, aqui na terra, a Ave Maria”. Naquele momento eu não podia captar o sentido daquelas palavras e daquele sofrimento. Talvez inconscientemente exprimisse o pensamento que, permanecendo ainda vivas, com a graça de Deus, teríamos podido dar graças a Maria com a obra que estava para nascer». Por isso não surpreende que Obra de Maria seja o nome oficial do Movimento dos Focolares. Nem que se tenham chamado “Mariápolis” os seus principais encontros, e que as suas pequenas cidades sejam “Mariápolis permanentes”, e que todos os centros de formação sejam definidos como “Centro Mariápolis”. Em 2000 Chiara escreveu: «Maria tinha usado para o nosso Movimento o mesmo método que utilizara para a Igreja: manter-se na sombra para dar todo o relevo a quem o devia ter, isto é, o seu Filho que é Deus. Mas quando chegou o momento do seu ingresso – por assim dizer, oficial – no nosso Movimento, ela se mostrou, ou melhor, Deus a revelou grande em proporção de quanto tinha sabido desaparecer. Foi em 1949 que Maria, verdadeiramente, disse ao nosso coração algo de si. Aquele foi um ano de graças especiais, talvez um “período iluminativo” da nossa história. Entendemos que Maria, incrustada como rara e única criatura na Santíssima Trindade, era inteiramente Palavra de Deus, era toda revestida da Palavra de Deus. E se o Verbo, a Palavra, é a beleza do Pai, Maria, substanciada de Palavra de Deus, era de uma beleza incomparável. Foi tão forte a nossa impressão, diante desta compreensão, que até hoje não podemos esquecê-la. Aliás, compreendemos como então nos parecia que somente os anjos poderiam balbuciar algo sobre ela. Vê-la assim nos atraiu e fez nascer um amor novo por Ela. Amor ao qual ela respondeu evangelicamente, manifestando-se mais claramente à nossa alma na sua realidade de Mãe de Deus, “Theotókos“. Não apenas, portanto, a jovenzinha de Nazaré, a mais bela criatura do mundo, o coração que contém e supera todos os amores das mães do mundo, mas: a Mãe de Deus. E naquele momento – não sem uma graça de Deus – Maria nos revelou uma dimensão de si mesma que, até então, para nós havia permanecido totalmente ignorada. Sim, porque antes víamos Maria diante de Cristo e dos santos – para fazer uma comparação – como no céu se vê a lua (Maria), diante do sol (Cristo) e as estrelas (os santos). Agora não. A Mãe de Deus abraçava, como um enorme céu azul, o próprio sol (…). Mas esta nova e luminosa compreensão de Maria não permanecia pura contemplação (…). Tornou-se claro que Maria representava para nós um modelo, o nosso “dever ser”, enquanto víamos cada um de nós como um “poder ser” Maria».