Movimento dos Focolares

Os Thai não se abandonam

Dez 1, 2011

Carta de Elena Oum e Chunc Boc Tay, responsáveis pelo Movimento dos Focolares na Tailândia.

A situação da maior inundação já sofrida pela Tailândia nos últimos 50 anos está melhorando lentamente. Alguns números, segundo as estimativas atuais:

  • Sete milhões de pessoas atingidas e cerca de 700 vítimas fatais, dos 10 milhões de habitantes de Bancoc.
  • 80% da superfície da cidade foi invadida pela água. Dos 50 distritos de Bancoc apenas nove ficaram secos, todos os outros tiveram de 20 a 200 centímetros de água. Dezessete províncias foram atingidas diretamente.
  • Calcula-se um prejuízo de 37 milhões de dólares.
  • 60 milhões de toneladas de colheita (principalmente arroz) foram perdidas.
  • Dentre os maiores parques industriais oito foram inundados, com a perda de 1,2 milhões de postos de trabalho e consequências para a indústria da Tailândia e de outros países (o Japão tem cerca de 40% de suas fábricas nos oito parques inundados).

Tudo começou – contam Elena e Chun – no mês de julho, a chuva, com um atraso de um mês no calendário, recuperou o tempo perdido, superando a quantidade do ano anterior e chegando ao dobro de 2010. Em setembro a situação já era grave, e em outubro gravíssima. Bancoc, chamada “a Veneza do Oriente”, tem cerca de 2 mil quilômetros de canais, que fazem dela uma das cidades do mundo mais equipadas para o defluxo das águas pluviais, mas certamente não para estes volumes. Os especialistas se encontraram diante de uma situação imprevisível. Muitos abandonaram Bancoc. Era como uma cena de filme, mesmo se as pessoas não se deixaram tomar pelo pânico. Nós, junto com outros, decidimos ficar, permanecer ao lado do povo e fazer a nossa parte. Todos começaram a se ajudar mesmo sem se conhecerem, aliás, antes às vezes se ignoravam. Quem salvou o país num desastre dessas proporções? O povo que amou e doou além das próprias forças. Gente com a casa inundada que se sacrificou para que ao menos algum bairro de Bancoc se salvasse (ao norte do antigo aeroporto); gente que soube abrir o coração aos outros… e eram muitos! Até os mais ricos, jornalistas, atores, saiam pessoalmente, nos barcos, para distribuir gêneros alimentícios. A vida na cidade foi salva pela gente comum, que deu a esperança de que “juntos podemos conseguir”. Claro que houve também a parte dos militares, dos funcionários públicos que trabalharam até 15 horas por dia para levar ajuda, e das pessoas idosas que foram cozinhar nos centros de acolhida. Ou dos monges budistas que acolheram milhares de idosos, doentes, crianças e mães, em seus mosteiros; e do sacerdote que encheu o colégio particular de desabrigados e depois saiu de barco, para buscar pessoas que esperavam nos telhados das casas. Essa é a verdadeira Tailândia, que ensina a viver, a alegrar-se e a sofrer com quem sofre. É o milagre da vida e do amor que vence a morte. Também nós, do Movimento dos Focolares entramos em ação. Muitas das nossas famílias foram atingidas, algumas estão com a água dentro de casa a semanas. Dentre os nossos houve quem foi para os pontos de ônibus pedir ajuda para os desabrigados ou aos centros de acolhida, para ajudar. Abrimos as nossas casas e acolhemos quem nos pedia ajuda, procuramos as pessoas pelo telefone, todos os dias, para que se sentissem amadas, encorajando e consolidando a unidade entre nós. Nesse período trágico vimos brotar o lado mais belo do povo tailandês: para além das diferenças políticas, que há um ano e meio haviam dividido o país, prevaleceu um grande amor pelo próximo que sofre. Uma repórter da CNN definiu essa corrente de solidariedade, que investiu toda a sociedade thai como “um extraordinário fenômeno social”. Nós também vivemos um slogan que circula nesses dias: “os thai não se abandonam”. O amor fez com que nos tornássemos todos “thai”, mesmo se nascemos em outra parte do mundo. Ninguém sabe com certeza quando voltaremos à normalidade, mas vamos adiante, superando, todos os dias, as muitas dificuldades. Elena Oum e Chun Boc Tay   Para quem deseja ajudar é possível fazer um depósito bancário, segundo estas orientações: CONTA CORRENTE DA SECRETARIA CENTRAL DOS JOVENS POR UM MUNDO UNIDO (GMU) Especificar o objetivo da transação. CONTA EM NOME DE: PIA ASSOCIAZIONE MASCHILE OPERA DI MARIA Via Frascati 306, Rocca di Papa, 00040 Roma – Itália ENDEREÇO DO BANCO: INTESA SAN PAOLO FILIAL DE GROTTAFERRATA VIA DELLE SORGENTI, 128 00046 GROTTAFERRATA (ROMA) ITALIA CODIGO IBAN PARA TRANSAÇÕES NACIONAIS E INTERNACIONAIS: IBAN  IT04  M030  6939  1401  0000  0640  100 BIC  BCITITMM

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