6 Jan 2017 | Sem categoria
Neste Natal, Senhor, te recomendamos os “distantes”: os muitos que eram “próximos” e que agora não são mais porque os males, os demasiados males do mundo, os afastaram de Ti; aqueles que não te conhecem, mas te buscam com coração puro e sincero, e que não sabem ainda que um dia, um suavíssimo dia, Tu apareceste criança na terra. Neste Natal, Senhor, te recomendamos sobretudo aqueles que são sem uma fé. Nós os recomendamos a Ti para que, sobre o pano de fundo da não rara boa vontade deles, faça brecha um raio da tua luz, fulgure por um instante a estrela que guia a ti e possam experimentar, pelo menos por alguns momentos, quão plena é a alegria de quem te reconhece e te ama. Nós te recomendamos os “distantes”, Senhor, porque sabemos que é sobretudo para eles que um dia te fizeste criança. Chiara Lubich, E torna Natale …, Ed. Città Nuova, Roma 2007, XI edizione, pag 59-60.
5 Jan 2017 | Sem categoria
“Uma longa experiência de professora do ensino fundamental – inicia falando Patrizia Bertoncello, organizadora do livro – bem cedo me levou a individualizar aqueles sinais típicos de tribulações que estão mais presentes nas periferias do que em outros lugares. Frequentemente foram os próprios alunos a contá-las: “Era uma vez uma flor – escreve Cristina, sete anos, durante a aula –. O seu papai-flor tinha ido embora e também a mamãe-flor não estava com ela, porque tinha muito a fazer e estava muito preocupada. Não tinha tempo de ouvi-la. A flor era uma rosa com mil espinhos. Os espinhos eram muitíssimos e picavam. A flor queria fazer amizade com os animaizinhos do bosque ou com as outras flores. Mas quando se aproximavam se picavam forte e fugiam numa corrida desabalada, porque ela picava demais. E não podia fazer nada. No fim, a flor, que era uma rosa, estava sempre sozinha e muito triste”. (1) É a explicação lúcida, dada por ela mesma, daqueles repetidos ressentimentos na sala de aula que a afastavam de todos. Assim como ela, com diferentes problemáticas, são muitas as crianças atribuladas, neste nosso mundo que para muitos se mostra bem vivível e protetivo, mas que não está imune a contradições e ambivalências em detrimento dos mais fracos. Às vezes aquelas instituições que, com palavras, se enfileiram em prol dos direitos da infância, com os fatos, os levam pouco em consideração. Especialmente os das crianças que não podem contar com pais eficazes ou com vínculos familiares duradouros, deixando-as assim numa espécie de zona de sombra, na instabilidade afetiva e, frequentemente, também numa dilacerante pobreza. A falta de proteção e de reais oportunidades de crescimento, certamente não são condições dignas de uma sociedade como a nossa. Por isso, muitas vezes me perguntei como dar voz a estas “crianças invisíveis”, como contribuir para a construção de uma cultura de tutela e pleno respeito pela infância.
Comecei procurando acolher cada um dos meus alunos com amor e, aos poucos, via que as suas lágrimas se enxugavam. Percebi que para “encontrar” realmente o mundo dos pequeninos é preciso se aproximar de cada uma das crianças com atenção, aprendendo a olhar as coisas com o seu olhar, pondo em campo toda energia e competência para criar relações significativas. Depois, com outros agentes e profissionais, animados pelo mesmo estilo educativo, procurei ativar processos nos quais as crianças e as suas famílias façam a experiência de relacionamentos realmente educativos. Desta sinergia nasceu a ideia de um livro que narrasse não só histórias de “crianças invisíveis”, mas também boas práticas e percursos de resgate. “Crianças em apuros”, escrito por um oncologista, um assistente social, um pediatra e por mim que organizei a edição, quer pôr em luz aqueles germes de esperança e de relacionalidade positiva que se tornam, em alguma medida, ativadores de resiliência. Ou seja, aquele recurso que muitas crianças, oportunamente ajudadas, conseguem pôr em ação atingindo bons níveis de recuperação. Como aconteceu com Emma. Quando tinha oito anos, abalada pelo desmantelamento familiar, tinha até mesmo tentado tirar a própria vida. Recentemente, após ter me encontrado no Facebook, me escreveu: “Querida professora, que saudades tenho de você e dos muitos momentos juntas! Você se lembra de quando lia as histórias imitando as vozes dos personagens? E a excursão à praia? Certo, aquilo que nunca se cancelará do meu coração é o bem que você me quis quando para mim tudo estava escuro. Quando estive no hospital depois da tragédia, você estava lá e nunca me perguntou por que havia feito aquilo, estava lá e isso era tudo. Depois, voltei à escola com aquelas feridas e você fez com que eu fizesse todas aquelas pulseiras com os fios coloridos… mas eu entendi que era para me ajudar a esconder as cicatrizes que eu não queria mostrar…” (2) Nas apresentações do livro em universidades e congressos, surpreende o despertar de atenção e de comprometimento das pessoas, que começam a perceber aquela criança da porta ao lado ou daquela que pede a esmola no metrô ou está numa enfermaria de hospital. Crianças antes eram invisíveis e agora podem voltar a ser protagonistas do próprio futuro. Coletânea feita por Anna Friso 1) – 2) – Patrizia Bertoncello – Bambini nei guai (Crianças em apuros) – Città Nuova 2015, pág. 11 e pág. 66
4 Jan 2017 | Focolare Worldwide, Senza categoria
Para chegar a Gan Gan, vilarejo situado a pouco mais de 300 km de Trelew, é preciso, se o bom tempo contribuir, de seis a sete horas de viagem. Isso porque é necessário enfrentar as encostas de Chubut, que aqui são particularmente íngremes. Geralmente poucas pessoas visitam Gan Gan, que com os seus 800 habitantes, na maioria indígenas mapuches e tehuelches, conquistou a triste fama de “povoado esquecido por todos”. Nos dias 19 e 20 de novembro passado, justamente em Gan Gan foi realizada uma missão, com a participação de pessoas provenientes de paróquias e grupos de Trelew. Durante a viagem a comitiva aproveitou para estreitar o conhecimento mútuo e refletir sobre o significado deste passo em direção aos mais pobres, em resposta ao apelo do Papa Francisco. O povo os recebeu festivamente, com os seus cantos tradicionais; um sacerdote os introduziu na realidade deste trecho do planalto, onde ainda existem minas que são trabalhadas a céu aberto, com graves consequências para a contaminação do ambiente. Quem fez as honras da casa foi uma anciã da vila que, na sua língua mapuche, deu as boas vindas e apresentou D. Croxatto, bispo auxiliar de Comodoro Rivadavia, vindo também para a missão. Tudo começou com a celebração de cinco batismos. «O sonho de um destes meninos, que já tem quatro anos, – conta uma focolarina que faz parte do grupo – era ser batizado pelo Papa Francisco. Já vestido com todos os paramentos, o bispo explicou-lhe que o Papa Francisco não tinha a possibilidade de ir até lá em cima, mas que o havia enviado para batizá-lo. Após a cerimônia houve o almoço, com as comidas trazidas generosamente pelo povo e compartilhadas por todos». Depois os missionários começaram a percorrer, em oração, todo o povoado. « Pelos cenários que se apresentavam aos nossos olhos – conta uma outra focolarina presente – a procissão parecia uma Via Crucis. As pessoas estavam dispostas ao longo do caminho e contavam dramas de abandono, solidão, violência, falta de justiça: uma mãe que teve o filho morto, a outra cujo filho está desaparecido, a casa para os idosos extremamente pobre, a capela num abandono desolador. O que mais impressiona são os rostos das pessoas, prematuramente marcados por rugas de sofrimento e dificuldades. E impressionante é também a quantidade de pessoas que desejam confessar-se. Os sacerdotes escutam suas confissões ininterruptamente, enquanto a procissão prossegue silenciosa. Outro momento forte é a Missa, com a primeira comunhão e a crisma de 15 pessoas, algumas adultas e até já avós. Observando como os sacerdotes doam-se nessa realidade tão sofrida, e como procuram estar próximos dos problemas do povo, voltam à mente as palavras do Papa Francisco, quando diz que os pastores devem ter em si mesmos o odor de suas ovelhas».
Na viagem de retorno foi criado um grupo whatsapp, porque todos querem que a experiência da missão não termine aqui. Muitos dizem que é preciso voltar a Gan Gan, tocados pela forte experiência de sentirem-se igualmente – pastores e leigos – como um único povo de Deus. E por terem vivido juntos a experiência de “sair”, como Igreja, para encontrar os mais frágeis. Tocante a experiência compartilhada por um sacerdote que, durante o almoço comunitário, tinha ido visitar os parentes de uma senhora de Trelew nascida em Gan Gan. «O impacto foi muito forte – contou -. Eram dois irmãos de 83 e 81 anos, ambos surdos; a senhora com 90% e o irmão com 100% de cegueira. Moram num quarto de dois metros por dois, com duas camas arrumadas em L. A porta é quase inexistente e o chão é de terra batida. O frio que entra pela porta e sobe do chão torna mais aguda a artrose da senhora. Fiquei com uma ferida no coração. Penso que a missão, ainda que tenha sido bem sucedida, não teria sentido se não fizermos alguma coisa para dar dignidade a estes indigentes». Na mesma noite começaram a chegar, pelo whatsapp, as primeiras respostas ao pároco: «Encontramos o dinheiro para consertar a porta. Mande-nos as medidas». Fonte: FocolaresConoSur online
2 Jan 2017 | Sem categoria
«Acordei hoje de manhã, 1° de janeiro, pronta a viver este dia e este ano que acaba de alvorecer – escreve um
a amiga de Istambul –. A primeira notícia com que me deparo é a do atentado que aconteceu na Discoteca Reina Club durante a noite. De repente, um sentido de forte dor, de apreensão e medo. Não é possível!!! Depois de algumas horas leio na palavra de vida do mês: “Se nós tivermos realmente experimentado o seu amor, também nós não poderemos deixar de amar e de nos embrenhar com coragem nos lugares onde existe divisão, conflito, ódio, para levar concórdia, paz, unidade. O amor nos dá as condições de lançar o coração para além do obstáculo…”. É mesmo feita para mim, para nós, que queremos continuar a crer e a viver pela paz e pela fraternidade universal. Os votos de bom ano que trocamos entre nós durante o dia com muitos amigos têm um sabor misto de desencorajamento e esperança. Não! Não vamos nos deixar subjugar por quem quer fazer com que acreditemos que a paz é uma utopia. E do mundo inteiro, muitos nos fazem sentir que não estamos sós». E é bem assim: não estão sozinhos. Embora no medo e apreensão pelo perpetrar-se de tanta violência injusta, de fato somos muitos a apostar e a se empenhar a cada dia pelo advento da paz. Queremos assumir como nosso o convite que o Papa Francisco dirige a todos na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz que acabamos de celebrar: «No ano de 2017, comprometamo-nos, através da oração e da ação, a tornar-nos pessoas que baniram dos seus corações, palavras e gestos a violência, e a construir comunidades não-violentas, que cuidem da casa comum».
2 Jan 2017 | Sem categoria
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