Movimento dos Focolares

Por uma política de fraternidade

Fev 7, 2026

De 25 de janeiro a 1º de fevereiro, cem jovens líderes políticos, de 36 países, trabalharam numa política baseada na fraternidade. Papa Leão: a fraternidade entre vocês já é um novo sinal.

“Eu os exorto a cooperar cada vez mais, no estudo de formas participativas, que envolvam todos os cidadãos… sobre estas bases será possível construir aquela fraternidade universal que, entre vocês, jovens, já se mostra como sinal de um tempo novo”.

© Vatican Media

Com estas palavras, o Papa Leão não apenas encorajou os cem jovens líderes políticos, reunidos em Roma: ele “reconheceu” a missão deles. Viu neles aquilo que com frequência, infelizmente, a política tradicional custa a ver: que o futuro nascerá de processos inclusivos, não de contraposições; de comunidades vivas, não de estruturas rígidas; de uma fraternidade que não é sentimento ingênuo, mas categoria política concreta.

Na audiência do dia 31 de janeiro eles eram 100, de 36 países. Estavam em Roma para a semana conclusiva do primeiro ano do curso político “One Humanity, One Planet”. Em sete dias tiveram a confirmação de que a fraternidade não é um ideal, já é um método, um estilo e prática cotidiana. Eles chegaram após um percurso de trabalho online, divididos em 16 comunidades de aprendizado; reuniram-se para um hackathon político – literalmente, uma maratona criativa e colaborativa – dedicado a tudo o que mais fere o tecido social global, atualmente: corrupção, desigualdades, violência generalizada, transição digital sem ética, emergência ecológica, declínio da participação cívica. O programa, promovido pelo Movimento Político pela Unidade e pela ong New Humanity, com a Comissão Pontifícia para a América Latina, mira restituir aos jovens um papel ativo nos processos decisórios, em nível local e global.

O Santo Padre indicou-lhes uma visão exigente e ao mesmo tempo libertadora. Pediu aos jovens que olhem para o mundo através da lente da escuta e da colaboração entre culturas e crenças diferentes; que busquem a paz não como conceito abstrato, mas como escolha cotidiana nos locais aonde vivem, estudam e trabalham; que construam políticas capazes de envolver todos os cidadãos, homens e mulheres, nas instituições. Recordou que a paz é dom, aliança e promessa ao mesmo tempo, e que nenhuma sociedade poderá dizer-se justa se continua a excluir os fracos, ignorar os pobres, permanecer indiferente aos refugiados e às vítimas da violência.

Algumas das intervenções durante o Hackathon – © Agenzia WARFREESERVICE (3)

A presidente do Movimento dos Focolares, Margaret Karram, durante seu encontro com eles, falou de uma cultura política nova, fundada sobre a fraternidade, no rastro do que Chiara Lubich, fundadora do Movimento, havia dito. Ela os encorajou a “viver” uma liderança que coloca no centro o “nós”, que gera confiança, que busca convergência na diversidade. Não é um método para poucos, mas uma abordagem que pode chegar a toda parte: às instituições, aos partidos, aos movimentos sociais, à sociedade civil.

Os depoimentos dos participantes são uma forte confirmação. Cristian, da Argentina, conta: “É a experiência da fraternidade universal mais importante da minha vida… cada um, com sua língua, suas danças e o seu carisma, criou a sinfonia de uma harmonia global”. Para Joanna, polaca e residente na Itália, a experiência foi “um estímulo ao compromisso concreto”, alimentado por oficinas, boas práticas e encontros com parlamentares italianos e coreanos. José Gustavo, do Brasil, fala de uma “experiência intensa e provocatória”, capaz de reacender uma esperança adulta, lúcida, não nascida da ingenuidade, mas das cicatrizes da política vivida. E Uziel, do México, resume tudo numa frase simples e verdadeira: “Esta é a verdadeira globalidade”.

Os jovens participantes em diferentes momentos – © Agenzia WARFREESERVICE (3)

Agora o curso entra na sua segunda fase, envolvendo 600 jovens dos cinco continentes, para continuar a compartilhar modos de ver, instrumentos e ações de impacto real.

Por uma semana, Roma foi um laboratório vivo daquilo que a política poderia voltar a ser: um espaço generativo. Uma academia de fraternidade. Um espaço onde as diferenças deixam de ser muros e tornam-se matéria prima do futuro. Um testemunho concreto e crível de que uma outra política não só é possível, mas já começou.

Stefania Tanesini

Foto da capa: © Joaquín Masera – CSC Audiovisivi

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