Movimento dos Focolares

A fraternidade como antídoto para o Mal

Jan 18, 2015

Ainda abalados pelo trágico atentado na França, propomos pela sua atualidade um trecho de uma entrevista concedida por Chiara Lubich logo após a queda das Torres Gêmeas em Nova York em 2001.

Chiara Lubich - Imam W.D. Mohammed

Chiara Lubich – Imam W.D. Mohammed

Diante de uma tragédia tão grande e absurda, fora do nosso alcance, todos buscam um sentido. Muitas pessoas sentem medo e angústia. Que resposta dar?

Eu vi, incrédula, aquelas torres desmoronarem. Diante desta desmedida tragédia, do choque de uma superpotência que de repente descobre ser vulnerável e experimenta em sua pele o desmoronar de muitas certezas, diante do medo que estoure uma guerra com resultados imprevisíveis, tive a impressão de reviver a minha experiência em Trento, sob os bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Também ali tudo desmoronava e em nós surgiu com insistência a pergunta: «Havia algo que nenhuma bomba pudesse destruir?». A resposta foi: sim, existe. É Deus. Deus, que descobrimos ser Amor. Essa foi uma descoberta fulgurante, que nos deu a certeza de que ele não pode abandonar os homens, que ele não está ausente da história, aliás, Deus sabe endereçar tudo o que acontece para o bem. E foi o que constatei de uma forma surpreendente.

Eu me perguntei: «Não seria uma indicação de que Deus, exatamente agora, no início do século XXI, quer repetir a grande lição e dar-nos a possibilidade de colocá-lo acima de tudo na nossa vida, obrigando-nos a considerar secundário todo o resto? Isso é para mim fonte de esperança no futuro».

Porém, não se pode negar que se alastra um sentimento anti-islâmico. O que se pode fazer para evitar estes sentimentos que incriminam todo o mundo muçulmano?

«Faz algum tempo que o nosso Movimento – mas não é o único – está construindo uma profunda unidade em Deus com muçulmanos. Exatamente nos Estados Unidos, o faz com um vasto Movimento muçulmano afro-americano. Eu soube que neste momento isso os ajuda muito a estar unidos a nós, cristãos, no empenho de construir no mundo a fraternidade universal.

Devemos nos reconhecer irmãos, cristãos e muçulmanos. Somos todos filhos de Deus. Por isso nós, cristãos, devemos nos comportar assim.».

Como é possível, na sua opinião, tamanho ódio por parte de alguns extremistas muçulmanos? O que se pode fazer?

«Na minha opinião, está em ação o Mal com letra maiúscula. Por isso, eu sinto uma profunda exigência, que pode parecer original. Vemos que todas as forças estão se mobilizando em nível político, entre os chefes de Estados, etc. Porém, é preciso que também o mundo religioso se mobilize em favor do bem, se una para o bem. Isso já se faz. Por exemplo, o Papa, no domingo passado falou disso com muita seriedade e todos os jornais (eu li) noticiaram as suas palavras. Ele disse que a América não deve cair na tentação do ódio. Ele continuamente repete os seus apelos pela paz.

O nosso Movimento, na sua expressão política – chamada Movimento político pela Unidade – difunde a ideia da fraternidade, que é portadora de paz nas prefeituras, nos parlamentos, em muitas partes do mundo».

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