12 Abr 2015 | Sem categoria
Um evento internacional, feito de congressos e seminários em várias capitais do mundo, para refletir sobre as prospectivas que emergem da mensagem de unidade de Chiara para a realidade política, foi o fio condutor de muitos dos encontros realizados. Mas a relação entre o carisma da unidade e a política não foi o único aspecto salientado nestas comemorações.
Em Istambul, o Patriarca Bartolomeu fez as honras da casa no evento que reuniu cerca de cem representantes do mundo católico e ortodoxo, para a apresentação dos livros de Chiara traduzidos em grego. No seu discurso citou-a como uma das «santas mulheres, que com o seu exemplo, com o seu amor apoiado na filantropia divina e com a palavra inspirada pelo Espírito Santo, solicitam constantemente uma “metanoia”, uma conversão do coração para toda a humanidade sofredora».
Dentro da crise – Dois encontros realizados no Congo pareceram uma resposta para a crise política que atinge o país. Em Lubumbashi participaram 370 pessoas, cristãs e muçulmanas. Os jovens dos Focolares apresentaram, de modo artístico, o amor de Chiara pelos pobres, o seu encontro com Igino Giordani e o seu “sonho”: a unidade da família humana. A Missa foi animada por um grupo de cinquenta seminaristas. Em Goma o evento teve a participação de 400 pessoas, com um nutrido grupo de políticos da província Kivu do Norte e representantes da sociedade civil. Após o encontro a RTNC difundiu o evento em quatro línguas locais.
Não faltaram iniciativas corajosas em outros pontos quentes do planeta. Na Nigéria, por exemplo, houve vários eventos: em Yola, onde os refugiados são numerosos, o bispo celebrou a Missa por Chiara, rezando pela paz; em Abuja e Lagos foram feitas jornadas para os jovens preparadas pelos jovens; em Onitsha um encontro com mais de 300 pessoas, adultos, jovens e crianças; em Jos, onde não foi possível realizar um grande evento por causa de uma explosão que acontecera poucos dias antes, um grupo do Movimento dos Focolares foi visitar o Instituto Penal de Menores.
O tema da paz esteve no centro do evento organizado em Bujumbura (Burundi), com mais de mil participantes. Muitos testemunhos evidenciaram a possibilidade de viver em harmonia e construir a paz, inclusive lá onde isso não é fácil. O bispo, D. Evariste Ngoyagoye, esteve presente durante a manhã.
Na América Central é candente o tema da política. Escreveram de Honduras: «Cansados de uma política corrupta e bombardeados por notícias violentas que geram desânimo na população, organizamos este evento para transmitir o valor típico do carisma da unidade, por meio de ideias e testemunhos». Em El Salvador, que aguarda pela beatificação de D. Romero, questionava-se como é possível viver pela unidade mesmo em meio à violência. Entre os testemunhos houve o de Francisco. Abordado por dois jovens armados, ele conseguiu abrir um diálogo com eles, falando de Deus. Os dois delinquentes, “desarmados”, baixaram as armas e foram embora.
No Paquistão, em Karachi, Lahore, Rawalpindi e Dalwal – no total, mais de mil pessoas – houve quatro celebrações que falaram de esperança, após os trágicos acontecimentos do dia 15 de março, em Yohannabad.
Nas sedes institucionais – Em Seul (Coreia), numerosos deputados e pessoas que atuam na administração pública reuniram-se no Parlamento para um balanço do caminho rumo a uma política de fraternidade, iniciado dez anos atrás. Em Madri (Espanha), a sede do Parlamento Europeu recebeu um seminário sobre «Um mundo, muitos povos abraçando a diversidade». Em Estrasburgo (França), sede de instituições europeias, foram realizados três dias de eventos sobre o tema da fraternidade como categoria política. Em Roma, o congresso «Chiara Lubich: a unidade e a política», realizou-se na Sala do Palácio dos Grupos parlamentares, da Câmara dos Deputados.
Numerosos os políticos presentes na mesa-redonda organizada em Toronto (Canadá) que abordou a visão de Chiara sobre a política. Em Solingen (Alemanha), o tema central do encontro foi a cultura da fraternidade em três campos muito atuais: os refugiados, a paz, o diálogo com outras culturas. Mais de cem foram os participantes, de várias confissões e religiões e de diversas nacionalidades.
«O pensar e o agir político de Chiara Lubich» foi o tema dos trabalhos no evento dedicado a Chiara em Curitiba (Brasil), onde foi também lançado um selo comemorativo. O Parlamento da Província de Córdoba (Argentina), recordou Chiara aprovando o decreto de reconhecimento póstumo à sua obra.
Aprofundamentos sobre política aconteceram ainda em outras cidades da Itália, Hungria, República Tcheca, Portugal, Suécia, Estados Unidos, Honduras, México, Colômbia, Tanzânia, Quênia.
Em vários âmbitos – Mas para recordar Chiara Lubich, no dia 14 de março, não se falou somente de política. Arte e cultura foram o centro de eventos variados e originais. Em Durban (República Centro Africana) aconteceu a terceira edição do «Chiara Lubich Memorial Lecture», com a participação de Ela Gandhi, neta do Mahatma Gandhi. Em Maracaibo (Venezuela), a Universidade Católica Cecilio Acosta (UNICA), realizou um concurso para a IV Bienal de Arte Chiara Lubich. Dirigido a artistas profissionais, estudantes e amadores, deu a possibilidade para que as obras fossem expostas da Praça da República.
Em vários países, a preparação e realização dos eventos ligados ao dia 14 de março, foram uma ocasião para reunir-se. Um exemplo disso foram os dois encontros em Cuba: em Havana, com mais de 200 pessoas, e em Santiago de Cuba, com 150. As comunidades locais prepararam as jornadas para apresentar o Movimento dos Focolares e deram o seu depoimento sobre a incidência da espiritualidade da unidade em muitos âmbitos da vida pessoal e social. Em Cochabamba, na Bolívia, reuniram-se 120 pessoas. Na Cidade do México e no território de Nezahualcoyotl, Chiara foi recordada durante uma Mariápolis.
No Vietnam, seja em Ho Chi Min, no sul, como na pequena vila de Ngo Khe (Hanói), no norte, reuniram-se ao redor do altar para renovar «diante de Deus e de Chiara, o nosso compromisso de levar adiante, com fidelidade, o seu mandato», escreveram. Reuniram-se em Yangon, Mianmar, onde a maioria dos membros dos Focolares não conheceu Chiara pessoalmente, mas sente-se atraída pelo seu carisma. Também na Tailândia, seja em Bancoc que em Chiang Mai, a família dos Focolares reuniu-se. Na Eslováquia, em Kosice e Bratislava, reuniram-se 600 pessoas: «Os testemunhos de membros de Igrejas não católicas – eles contam – e de pessoas sem uma referência religiosa, nos mostraram como Chiara pertence a todos. O reitor da Universidade de Trnava, Prof. Peter Blaho, que em 2003 conferiu a Chiara o Doutorado Honoris Causa em teologia, compartilhou suas recordações do encontro com ela».
Em Fontem, nos Camarões, eram 500 pessoas, de todas as vilas que circundam a Mariápolis permanente, para recordar “Mafua Ndem”, Chiara Lubich. O tema escolhido para este momento foi «O impacto do Ideal da Unidade nos vários aspectos da vida social». Os estudantes do colégio de Fontem apresentaram suas experiências sobre o «dado da paz»: «Desde quando introduzimos o dado nas nossas classes – escreveram – diminuíram os furtos, a ausência, o rendimento escolar melhorou, todos cuidam do material dos outros, há mais tolerância e nos perdoamos mais facilmente. Cresceu a partilha entre todos os estudantes…».
Momentos de oração – Muitas personalidades civis e religiosas participaram das celebrações eucarísticas realizadas no mundo inteiro. Entre as tantas intervenções de bispos e cardeais, nas várias celebrações, trazemos a do cardeal Angelo Scola, de Milão, que disse, entre outras coisas: «O nosso desejo hoje é abraçar, com renovada consciência, o sonho que animou a vida e o pensamento de Chiara, construindo espaços de fraternidade em toda parte, onde nos encontramos, e privilegiando as necessidades do próximo que está ao nosso lado, e do que está longe, que vive em países onde há guerra e violência. Queremos, desse modo, ser testemunhas autênticas do carisma que Deus deu a Chiara, estando ao serviço da Igreja e da humanidade».
6 Abr 2015 | Sem categoria
Como o filho na parábola
“Nosso filho mais velho, de 17 anos, uma noite não voltou para casa. O que fazer? Até então nunca havia nos dado este tipo de preocupação. Podíamos somente rezar. Na manhã seguinte soubemos pelos pais de dois amigos dele, que todos três tinham ido para Florença. Alguns desses pais queriam solicitar a intervenção da polícia, outros afirmavam que teriam expulsado o próprio filho de casa. Minha mulher e eu, ao contrário, estávamos tranquilos: tínhamos colocado tudo nas mãos de Deus. Recebíamos vez ou outra poucas notícias deles. Mesmo sofrendo, nos sentíamos mais unidos em família. Éramos todos concordes no fato de que teríamos acolhido o nosso filho com alegria, como aconteceu na parábola do filho pródigo, sem deixar que aquela sua brincadeira de mau gosto se tornasse um peso para ele. Depois de uma semana os três retornaram ao ovil. O nosso filho, sentindo-se amado, nos assegurou entre lágrimas que jamais tomará, outra vez, uma atitude como essa. Depois, sabendo que os outros amigos de aventura foram tratados de maneira muito diferente, compreendeu melhor o grande valor de ter uma família na qual se procura viver segundo o Evangelho.”
F.A. – Itália
A partilha do sofrimento
“O pai e uma irmã de uma colega da nossa filha faleceram em um acidente. Eu perdi meu pai da mesma maneira. Eu não conhecia bem aquela senhora, mas sabendo do que acontecera, senti o impulso de procurá-la. Para não me limitar a uma simples visita, sabendo que ela passava por dificuldades econômicas, levei vários gêneros alimentícios e procurei consolá-la. Fui visitá-la algumas vezes. Ofereci a ela também uma soma que eu conseguira economizar. Com o passar do tempo ela sentiu-se mais forte, mais confiante na vida e grata pela amizade que nasceu entre nós graças àquele sofrimento compartilhado.”
B. G. – Bolívia
O gorro
“Durante o inverno, eu e meus colegas estávamos brincando no pátio da escola. Fazia muito frio. De repente vi que uma menina começou a chorar: o gorro que estava usando não cobria bem as suas orelhas que já estavam doendo. Então, sabendo de amar Jesus presente nela, lhe dei o meu gorro, que esquentava bem melhor”.
J. – Bélgica
A merenda
“Eu estava no pátio no horário da merenda. Vi que uma das minhas colegas estava puxando os cabelos de outra menina, então deixei o meu lanche sobre um muro baixinho e fui até lá para dizer que não se pode fazer isso, porque Jesus nos disse que é preciso amar sempre. Mas, como as duas começaram a chorar eu busquei o meu lanche e dei um pouco para uma e para a outra. É verdade que depois eu fiquei com um pouco de fome, mas, estava feliz porque eu consegui amar.”
V. – Itália
Fonte: Il Vangelo del giorno – Abril de 2015 – Editora Città Nuova
31 Mar 2015 | Sem categoria
A estrada que liga a capital e o porto ao resto da ilha de Tarawa, a maior do grande arquipélago das Kiribati, na Oceania, está destruída. As barreiras que defendiam as praias das marés desmoronaram, e muitas habitações tradicionais foram levadas embora. O ciclone Pam, um dos mais violentos registrados no pacífico meridional, atingiu de modo especial as ilhas de Vanuatu, Salomão e Kiribati, com ondas altíssimas, reforçadas por ventos que atingiram 250/300 quilômetros por hora. A Cruz Vermelha local assinala que faltam acampamentos de emergência, comida e água potável para muitos dos 253 mil habitantes, e a população está evacuando as áreas mais atingidas.
«Tivemos notícias da comunidade local do Movimento dos Focolares – escreve Mary Cass, referente do projeto AMU, de Sidney. Todos estão bem e trabalhando na reconstrução e provisionamento de comida e água paras as famílias do povoado de Buota (onde o projeto está sendo atuado), que neste momento encontra-se isolado: a estrada e a ponte de ligação com o restante da ilha de Tarawa foram destruídas. Eles lembram a Palavra de Vida do mês, que convida a “tomar a própria cruz”, e esperam poder encontrar-se logo, para reforçar entre todos o espírito de unidade, neste momento tão difícil». «O tempo está voltando à normalidade – escreve um deles – as ondas voltaram a sorrir. Estamos felizes porque todos estão bem».
Mas, se o espírito e a dignidade dos moradores de Tarawa são admiráveis, a situação, de qualquer forma, é muito grave: a água potável começa a faltar porque, com a inundação, muitos poços e reservatórios foram contaminados pela água do mar, falta também comida, devido à destruição das lavouras e a interrupção dos acessos de comunicação, falta combustível, 180% das casas tradicionais foi destruído…
Além do mais, a República de Kiribati tem um grande problema de fundo: o aumento progressivo do nível do mar está retirando terras da agricultura, com efeitos negativos no trabalho e na qualidade da alimentação. Somente 10% da população tem um trabalho regular, enquanto todos os outros vivem de subempregos. Não podendo deter o avanço do mar, causado pelo superaquecimento global, o governo procura proporcionar aos habitantes uma colocação no exterior ou em outras partes do país. Prevê-se que dentro de alguns decênios todo o arquipélago estará submerso.
O projeto da AMU (Ação por um Mundo Unido), Ong inspirada nos princípios do Movimento dos Focolares, tem o objetivo de melhorar as condições de vida da comunidade de Buota, um dos povoados mais pobres da ilha de Tarawa, por meio de iniciativas direcionadas às mulheres e às crianças. Está também previsto um apoio para o desenvolvimento de pequenas atividades produtivas.
«A primeira – explica Mary Cass – consiste na produção e venda de gelo, graças a um congelador; a segunda é a venda de objetos de artesanato no aeroporto de Tarawa; com a contribuição da AMU pudemos comprar também uma máquina de costura. Caminha bem a produção de pão, que é vendido nos mercados da vila e na área ao redor. O lucro dessas atividades – além de retribuir o trabalho das mulheres envolvidas – beneficia a nossa creche, “Amor e Unidade”, e permite responder a algumas necessidades alimentares das crianças e suas famílias».
Como se vive numa terra sem futuro? «A vida da comunidade local dos Focolares em Buota vai adiante: os grupos da Palavra de Vida – eles contam – unem as pessoas que estão nos povoados espalhados em toda a estreita faixa de terra. O bispo de Tarawa, com a ajuda dos sacerdotes, todos os meses traduz o texto da Palavra de Vida na língua local, o gilbertês. As famílias se ajudam, reconstruindo as casas destruídas pelas calamidades naturais, e logo que conseguem ter novamente um teto sobre a cabeça, recomeçam a encontrar-se para compartilhar suas experiências. A comunidade denominou o próprio centro (onde existe uma pequena escola), “Loppiano, Centro de Amor e Unidade” – recordando o nome da primeira Mariápolis permanente dos Focolares – com o desejo de ser um exemplo de amor e de unidade para todos».
Veja também (em língua italiana):
Scheda progetto
AMU Notizie n. 1/2015.
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29 Mar 2015 | Palavra de Vida, Sem categoria
Na primeira carta à comunidade de Corinto, Paulo se vê obrigado a defender-se da pouca consideração de alguns cristãos, que colocam em dúvida ou negam a sua identidade de apóstolo. Paulo reivindica a pleno direito esse título, por ter “visto Jesus” (cf 9,1), e explica o porquê de sua atitude humilde e simples, que renuncia a todo tipo de retribuição pelo seu trabalho. Embora tendo a autoridade e os direitos de apóstolo, a sua estratégia evangélica é fazer-se “servo de todos”.
Ele se solidariza com todo tipo de pessoas, até tornar-se uma delas, com o objetivo de levar-lhes a novidade do Evangelho. Cinco vezes repete “me fiz” um com o outro: por amor aos judeus, submete-se à lei de Moisés, embora sabendo não estar mais vinculado a ela; com os que não seguem essa lei, também ele vive como se não a tivesse, embora possuindo uma lei exigente: o próprio Jesus; com os fracos (talvez cristãos escrupulosos, incertos de comer ou não carnes imoladas aos ídolos) ele se faz fraco, embora sendo “forte” e livre: faz-se “tudo a todos”.
Age assim para “ganhar” todos a Cristo, para “salvar” a qualquer custo ao menos alguns. Não tem expectativas triunfalistas: bem sabe que só alguns corresponderão; mas ama a todos seguindo o exemplo do Senhor, que veio “para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mt 20,28). Quem se fez um conosco mais do que Jesus? Ele que era Deus, “despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano” (Fil 2,7).
“Para todos eu me fiz tudo”.
Chiara Lubich fez dessa palavra um dos princípios da sua “arte de amar”, sintetizada no “fazer-se um”, expressão da diplomacia da caridade: «Quando alguém chora, devemos chorar com ele. E se sorri, alegrar-nos com ele. Assim a cruz é dividida e carregada por muitos ombros, a alegria é multiplicada e compartilhada por muitos corações. […] “Fazer-se um” com o próximo, por amor de Jesus, com o amor de Jesus, até que o próximo, docemente ferido pelo amor de Deus em nós, queira “fazer-se um” conosco, em comunhão recíproca de ajudas, de ideais, de projetos, de afetos. […] Essa é a diplomacia da caridade, que tem da diplomacia comum muitas expressões e manifestações, e que por isso não diz tudo o que poderia dizer, porque o irmão não gostaria, nem seria do agrado de Deus; sabe esperar, sabe falar, atingir a meta. Divina diplomacia do Verbo que se fez carne para nos divinizar»1.
Com fina pedagogia, Chiara identifica também os obstáculos no “fazer-se um”: «Às vezes são as distrações, outras vezes o mau desejo de dizer apressadamente a nossa ideia, de dar o nosso conselho de modo inoportuno. Em outras ocasiões estamos poucos dispostos a nos “fazermos um” com o próximo, porque consideramos que ele não compreende o nosso amor, ou somos freados por outros julgamentos relativos a ele. Em certos casos somos impedidos devido a um recôndito interesse de conquista-lo à nossa causa». Por isso «é realmente necessário eliminar ou pospor tudo o que preenche a nossa mente e o nosso coração para nos “fazermos um” com os outros»2. Trata-se, portanto, de um amor contínuo e infatigável, perseverante e desinteressado que, por sua vez, confia-se no amor maior e mais potente de Deus.
São indicações preciosas: escutar sinceramente o outro, entendê-lo no seu âmago, identificando-se com o que ele vive e sente, compartilhando preocupações e alegrias.
“Para todos eu me fiz tudo”.
Não se trata de renunciar às próprias convicções, como se aprovássemos sem crítica qualquer atitude do outro, ou não tivéssemos uma proposta de vida e um pensamento nosso. Tendo amado até o ponto de “tornar-se o outro”, pode-se e deve-se expressar a própria ideia, como profundo dom de amor, mesmo que seja doloroso. “Fazer-se um” não é fraqueza, busca de uma convivência tranquila e pacífica, mas expressão de uma pessoa livre que se coloca a serviço com coragem e determinação.
Também é importante lembrar a razão do fazer-se um: “… para certamente salvar alguns”, para entrar no outro, fazer emergir o bem e a verdade que já se encontram nele, queimar eventuais erros e depositar ali a semente do Evangelho. É uma missão que não aceita limites nem desculpas, porque confiada a nós pelo próprio Deus, a ser cumprida “certamente”, com aquela criatividade que só pode vir do amor.
Também a política e o comércio têm interesse pelas pessoas, querem conhecer seus pensamentos, captar suas exigências e necessidades, mas sempre com a intenção de tirar proveito. Enquanto que “a diplomacia divina”, como diz ainda Chiara, «tem isso de grande e de seu, talvez de somente seu: ela é movida pelo bem do outro, portanto é isenta de qualquer sombra de egoísmo»3.
Portanto, fazer-se um para ajudar todos a crescer no amor, contribuindo assim na realização da fraternidade universal, o sonho de Deus para a humanidade, a causa pela qual Jesus deu a sua vida.
Fabio Ciardi
1 – “Diplomacia divina”, em Ideal e Luz, São Paulo: Brasiliense/Cidade Nova, 2003, p. 290-291.
2 – A vida, uma viagem, São Paulo: Cidade Nova, 1995. 3 – “Diplomacia Divina”, op.cit.p.291.
27 Mar 2015 | Sem categoria
Istambul. O Patriarca Bartolomeu faz as honras da casa na igreja ortodoxa de Aya Strati Taksiarhi para o evento que envolve cerca de cem representantes do mundo ortodoxo e católico, por ocasião do 7º aniversário de morte da fundadora dos Focolares, Chiara Lubich. Estão presentes os metropolitas Ireneos, Apostolos e Elpidophoros; dois arquimandritas, padre Vangeli, que traduziu do grego para o turco, e o Grão Arquimandrita Vissarion. Presentes ainda o arcebispo dos Armênios católicos, Levon Zekiyan e o bispo católico Louis Pelatre, entre outros. A linguista Maria Caterina Atzori, do Centro de Estudos dos Focolares, apresenta os volumes de Chiara Lubich traduzidos em grego. Moderador, o jornalista Nikos Papachristou, de Atenas.
«No decorrer dos séculos, a divina epifania do Senhor manifestou-se de muitas maneiras, para fazer com que a humanidade compreendesse as coisas de Deus», iniciou o Patriarca, após ter aberto o encontro com uma oração por Chiara, entoando o hino do Espírito Santo. «Ele não se cansou de fazer surgir entre nós santos homens e mulheres, que com o seu exemplo, com o seu amor fundado na filantropia divina, e com a palavra inspirada pelo Espírito Santo, constantemente solicitam uma “metanoia”, uma conversão do coração para toda a humanidade sofredora».

Vídeo “Atenágora, Paolo VI e Chiara Lubich”
No seu discurso o patriarca delineou a figura espiritual de Chiara, como testemunha direta dos encontros entre ela e o Patriarca Atenágoras: «Como não perceber a sabedoria de Deus na obra abençoada que a nossa irmã Chiara ofereceu às nossas Igrejas, às nossas sociedades e a todos os homens de boa vontade? Aquela que o nosso amado predecessor, o Patriarca Atenágoras (…) chamava amavelmente de Tecla, a discípula de Paulo, aquela que é igual aos apóstolos».
E retomou os passos relevantes do caminho de espiritualidade aberto por ela na igreja, e não apenas: «A mansa Chiara respondeu ao chamado de Deus, fazendo-se em tudo semelhante ao seu Mestre, mas, principalmente, deixando-se tornar um vaso que oferece estradas de salvação, para levar todos a Cristo. A sua vida consumou-se na busca de vias de encontro e de diálogo com todos, marcada pelo profundo respeito por cada cultura, na qual sabia conduzir o caminho do encontro, do conhecimento e da colaboração recíproca».
«Chiara Lubich inicia o seu percurso de vida dedicada ao Senhor nos sofrimentos da guerra. Nesse sofrimento vive o Cristo crucificado e abandonado e compreende que não existe Ressurreição sem passar pela queda. O sofrimento de Cristo torna-se o seu sofrimento pessoal; mas nunca desespero».
«A sua vida é caracterizada por uma paixão pela Sagrada Escritura, que nela torna-se Palavra edificante, viva, exaltante. Viveu até o fim o mandamento do Senhor: “(…) como eu vos amei, amai-vos uns aos outros” (Jo 13,34). Até contagiar um número incontável de pessoas, diferentes entre si, mas unidas por um ideal concreto de comunhão.
Chiara sempre foi filha fiel da sua Igreja. E nesta convicta participação, sentiu o drama da divisão, da impossibilidade de participar do mesmo Cálice.
Percebendo o grito de dor pela dilaceração, oferece-se totalmente pelo carisma da unidade, fazendo-se instrumento nas mãos de Deus para encontrar os líderes das Igrejas, como simples fieis. Mas não se detêm aí: solicita, impulsiona, convida, propõe a descoberta de novos caminhos de comunhão».
«Chiara tem um amor muito especial pela Santa e Divina Eucaristia do Senhor. Nela percebe a dádiva de amor Daquele que se ofereceu uma vez para sempre, para atrair o homem a si. Podemos afirmar que nela forma-se uma consciência eucarística da unidade». «Um outro aspecto ainda podemos vislumbrar na obra de Chiara: a unidade da Trindade, por meio da Eucaristia, passa pela família. (…) O lugar onde pode resplandecer o amor mútuo que liga naturalmente os seus membros. (…) É neste contexto que entrevê-se a unidade da família humana em todos os seus aspectos, na sociedade, na política, na economia, no respeito à obra de Deus em cada um de nós individualmente e em toda a sua maravilhosa criação. A mensagem e a obra de Chiara, portanto, mostram-se cada vez mais atuais, principalmente no contexto mundial em que estamos vivendo».
É, assim, particularmente apreciado «o presente que o Movimento dos Focolares oferece hoje, ao apresentar a obra de Chiara Lubich em língua grega. O acolhemos como uma dádiva entre irmãos, que certamente fará apreciar ao público grego, ao fiel grego-ortodoxo, esta maravilhosa mensagem de unidade e de amor».
E enfim, dirige-se a Chiara, a fim de que interceda «para que o alvorecer de um novo dia para esta humanidade ferida possa surgir logo, e que os sentimentos pelo quais consumou toda a sua vida produzam frutos abundantes, lá onde, nestes dias, não vemos nada além de trevas e martírio de sangue».