12 Out 2012 | Sem categoria
Os que vêm para a vindima em Loppiano chegam de todas as partes da Europa entre os meses de setembro e outubro: são sócios e amigos da Fazenda Loppiano, de todas as idades e condições sociais, que todos os anos dispõem gratuitamente de alguns dias, no máximo duas semanas, para ajudar os operários a colher a uva. Mas como alguém decide usar uma parte de suas férias para dedicar-se a uma atividade nem sempre tão agradável? Os ritmos são quase militares: café da manhã às sete e meia e às oito horas começa o trabalho, até meio-dia, hora do almoço, depois volta-se aos campos até o fim da tarde. Aí chega a hora do repouso, do relax e, para quem deseja, há a Missa no Santuário Maria Theotokos; depois o jantar e algum tempo na companhia dos outros moradores da Mariápolis. No entanto em todos há entusiasmo, gratidão. Em cumplicidade com o uso do tempo do modo mais adequado à pessoa e em contato direto com a natureza, os vindimadores podem respirar aquela atmosfera de fraternidade que paira cada dia do ano na Fazenda e na Mariápolis de Loppiano. É um intercâmbio de histórias e experiências, entre um ramo e outro, todos se ajudam a superar o cansaço e vivem-se instantes de grande alegria.
Ambrogio Panzieri, do norte da Itália, confirma: «Há muito tempo não experimentava momentos assim tão intensos, do ponto de vista humano e espiritual. Tinha a sensação de conhecer aquelas pessoas há muito tempo, dispostas e me encorajar e dar força para acreditar que poderia levar aquela alegria também à minha casa, aquela doação aos outros». Antonio Sottani, há 15 anos na Fazenda, resume assim esses dias: «Certamente na base de tudo está a generosidade dos nossos sócios e amigos. Nós fornecemos alimentação, alojamento, mas principalmente a possibilidade de viver juntos, no trabalho, uma experiência de reciprocidade. De fato, acontece que depois de alguns dias os trabalhadores sentem a necessidade de dar uma virada em suas vidas, de voltar a enfrentar situações difíceis em suas cidades, nas famílias, levando amor lá onde não existe. Mas nós não fazemos nada de especial, procuramos apenas querer-nos bem».

Carlo Isolan ocupa-se da parte agrícola
Este «querer-se bem» atrai pessoas e recursos impensáveis. «Uma experiência, entre todas, pode explicar a concretude dessa vida – explica Carlo Isolan, que ocupa-se da parte agrícola -. Um grupo de jovens da República Tcheca tinha passado alguns dias da vindima conosco. Quando deviam ir embora disseram-nos que não tinham o necessário para a viagem de volta. Como princípio ético a empresa não trabalha com “caixa dois”, então pegamos uma quantia da caixa oficial e a destinamos a esses amigos, sabendo que era uma emergência, mas confiantes de que Deus teria providenciado; não por nada nós o chamamos de “sócio invisível”. Alguns dias depois uma senhora que estava vindo pela primeira vez para a vindima, entregou-nos um envelope dizendo: “Está no meu bolso há alguns dias e sinto que devo dá-lo a vocês”. Dentro dele havia a mesma quantia que havíamos doado alguns dias antes». Como essa, muitas outras historietas poderiam ser contadas, para saborear fatos que chegam aos confins mais distantes. (fim do terceiro capítulo… continua) Aos cuidados de Paolo Balduzzi
10 Out 2012 | Sem categoria

VI Encontro Pedagógico realizado no Salão Nobre da Universidade de Pádua
Como educar em uma época caracterizada por desequilíbrios sempre maiores, por extremismos religiosos, pela crise social, econômica e cultural, com consequentes incertezas para o futuro das novas gerações? Como educar em contextos que parecem ter perdido toda a esperança a ponto de falar-se em deseducaçãodo indivíduo humano? Como passar “da noite ao dia” para responder ao desafio que nos apresentam as diversas “situações-limites” pelas quais diversos países e continentes atravessam? Questões difíceis às quais tentaram responder aqueles que participaram do VI Encontro Pedagógico, intitulado “A noite e a aurora”, realizado no dia 6 de outubro no Salão Nobre da Universidade de Pádua: um entrelaçado de vida e reflexão, de força carismática e de teoria pedagógica. Dimensão carismática cuja fonte é o pensamento de Chiara Lubich, o qual une esta escolha à experiência de Jesus quando, na cruz vive o seu abandono, medida máxima do amor que “nos indica o limite sem limites da nossa ação pedagógica; até a que intensidade deve ser exercida”, fazendo-nos descobrir, portanto, “o limite sem limites da nossa responsabilidade na ajuda e na educação”.
O primeiro passo: tentar responder à questão do mal-estar sociocultural na dimensão “macro” assumindo diretamente o mal-estar que se apresenta na dimensão “micro”, na singularidade, isto é, na nossa vida cotidiana. Assim aconteceu a um professor de língua italiana, na periferia norte de Paris, que optou por não pedir transferência, mas de prosseguir no próprio empenho naquele contexto multicultural e com estudantes em situação de desvantagem socioeconômico. Empenho muitas vezes difícil de ser mantido, com gastos financeiros (como o carro que foi completamente amassado, a pontapés, somente porque foi identificado como propriedade de um professor), mas capaz de suscitar esperança e possibilidade a quem se sentia descartado, com a força que nasce do olhar de quem sabe acreditar nas possibilidades do outro. Experiência e estratégia compartilhada por outra professora nos bairros, infelizmente famosos, de Palermo (Sicilia) – entre os quais Brancaccio, onde o Pe. Puglisi foi assassinado – lugares em que a opção pelos últimos obriga, a cada dia, a renovar-se, a reinserir-se naquele contexto com paixão e profissionalismo, para revirar uma situação que, depois, pode transformar-se em ocasião de fraternidade. Compromisso levado a sério, realizado também pela “Rede Projeto Paz”, que envolve um grande número de adolescentes e numerosas instituições para oferecer, por meio de ações concretas de solidariedade e das mais diversas atividades, respostas à busca de sentido das novas gerações. Os textos dos discursos, entre os quais os da Comissão Internacional EdU e o do prof. Tiziano Vecchiato, Presidente da Fundação Zancan, em breve, estarão disponíveis no site www.eduforunity.org.
5 Out 2012 | Sem categoria
« Há quinze anos moramos em um condomínio. Quatro entradas, cento e vinte apartamentos. Assim que nos casamos, tínhamos a intenção de estabelecer relações de boa vizinhança e, se possível, também transmitir com alegria o nosso estilo de vida, fundamentado na vivência do Evangelho. Mas, todos os dias nós vamos ao trabalho e não conseguíamos nem mesmo ver os nossos vizinhos. Depois que nasceram os nossos filhos conhecemos algumas famílias que também levavam as crianças ao parque e ao jardim do condomínio. Tivemos a idéia de convidá-las para um jantar e, depois, houve outras ocasiões: festas e passeios fora da cidade. A atmosfera de “condomínio” começava a adquirir um novo aspecto.
Às vezes as relações se firmam logo, quando, superada a natural a privacidade, procura-se não somente doar, mas, encontra-se a coragem para pedir. Um dia, Marco devia trocar os fios do nosso apartamento, mas, entende que sozinho não conseguiria fazê-lo. Com uma atitude humilde pede ajuda ao vizinho que da porta da frente à nossa que, o ajudou com uma gentileza inesperada.
Certa vez, durante o verão, voltamos para casa à meia-noite. As crianças dormiam profundamente nos nossos braços. Diante do elevador já estão dois casais à espera e não demonstravam a menor intenção de deixar-nos subir antes deles, não obstante a “carga” que carregávamos. Com eles aconteceram discussões acerca da inoportunidade (na opinião deles) de que as crianças (nossos filhos) brincassem no pátio do condomínio. Entram no elevador. Enquanto esperávamos, soa o alarme: o elevador ficou bloqueado. A entrada do prédio estava deserta: com o calor que fazia todos estavam fora da cidade. O que fazer? Chamar os bombeiros ou a assistência técnica e, depois, colocar as crianças na cama e ficar tranquilos? Na verdade, eles não nos trataram bem. Mas, dentro do elevador a temperatura deve estar ficando fervente… Marco vai correndo até a cabine do motor e, com muito custo, consegue mover o elevador até o andar correto e libertar os “prisioneiros”.
Com os nossos vizinhos, fomos jantar fora e os pais deles, também nossos vizinhos, telefonaram para avisar que havia um grande vazamento de água no apartamento deles. Corremos de volta a casa. Abrira-se a tampa da máquina de lavar roupas e corria água descontroladamente. Resultado: dois centímetros de água em todo o apartamento, sem contar a que corria escada abaixo até à entrada do prédio. A situação parecia trágica pensando nos possíveis danos causados aos vizinhos do andar de baixo: recentemente eles haviam revestido o piso com tacos. Colocamo-nos à disposição para que as crianças dormissem na nossa casa. Os homens começaram a desviar o curso d’água para a sacada, enquanto que, as mulheres munidas de baldes e panos, enxugavam escadas e corredores, evitando assim, felizmente, o que se temia aos vizinhos.
Era já noite e, enquanto colocávamos em ordem a nossa sala, ouvimos gritos terríveis, no andar de baixo. No primeiro momento pensamos em não nos envolver. Mas, depois, Marco vai até lá. A porta do apartamento está aberta e ele entra com apreensão. Dois outros vizinhos mantinham energicamente, no chão, um jovem de 18 anos e o pai dele caminhava oscilante, com o olhar perdido. A mãe chorava desesperadamente dizendo que o filho queria jogar-se da sacada.
Outro vizinho mantinha a face coberta com as mãos: sofrera uma agressão do jovem que continuava a agitar-se, babando e com os olhos esbugalhados, repetindo ofensas. Ajudamos no que podíamos, consolando os pais e esperando a ambulância que transportou ao hospital aquele jovem no estado de overdose de maconha. Isso também pode acontecer em um condomínio». (Anna Maria e Marco, Itália)
Tratto da Una buona notizia. Gente che crede gente che muove – Città Nuova Editrice, 2012
28 Set 2012 | Focolare Worldwide
«No início do ano passado, ano dedicado a viver a “Palavra“- diz Maria -, meus pensamentos voltaram para quando, ainda jovem eu conheci o Movimento, e Chiara Lubich nos encorajara a reescrever o Evangelho, com a nossa vida. Em março passado, a frase proposta era: “Senhor, a quem iremos?” (Jo 6,68) e, no seu comentário, Chiara afirma que as palavras de Jesus, se vividas, mudam a nossa maneira de pensar e agir. Alguns operários tinham vindo fazer um trabalho na garagem do nosso prédio. Um dos moradores, não estando ciente do fato, estava indignado e foi muito rude ao falar com o encanador. Por acaso, encontrei-me no meio da discussão e tentei restaurar a paz. Assim, antes conversei com um, explicando o motivo da urgência daquele trabalho e, depois, com o outro, para que entendesse o motivo do desabafo. A tensão se dissolveu em serenidade».
«Uma de nossas filhas – continua Luigi – com a mudança de professor manifestou uma dificuldade em uma matéria na qual tivera sempre boas notas. A maioria dos alunos da classe encontrou o mesmo problema, e muitos pais intervieram e tomaram posição contra o professor. Nós pensamos em fazer algo para ajudar a dissolver a tensão. Ao comentar a frase do Evangelho: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso!” (Lc 12:49), Chiara convida-nos a amar através de atos concretos, nos ajudou a ter a atitude certa com a nossa filha, com os outros pais, e com o professor. Comprometendo-nos com a situação, escrevemos cartas, participamos das reuniões com os pais e a diretora, conversamos com o professor, acolhendo as razões de cada um e tentando conduzir todos a um diálogo construtivo. Aparentemente, essa experiência não teve um final feliz, porque cerca da metade dos alunos não obteve a nota suficiente. Parece-nos, no entanto, que foi uma oportunidade para criar na escola uma atmosfera diferente e, especialmente, compartilhamos com a nossa filha esta “derrota”, ajudando-a superar a dificuldade, e, com ela, prontos a respeitar esse professor e rezando todas as noites também para ele».
«Em maio foi diagnosticado grave tumor em uma das nossas filhas – diz Maria -. Foi uma surpresa: por que Deus nos pede isso? Ficamos confusos …. Não foi fácil superar este sofrimento. A Palavra, mais uma vez, nos ajudou e, aos poucos, nós tentamos aceitar o que Deus pedia. A relação Luigi e com os filhos se tornou mais intensa. Sentimos o amor de muitos com os quais compartilhamos esta suspensão. A operação correu bem. Durante o período em que Letizia ficou hospitalizada eu a acompanhei e, no quarto, havia uma senhora cuja família morava distante. Devia estar em jejum durante vários dias por causa dos exames que estava fazendo. A Palavra de Vida daquele mês era “Não trabalhem pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará” (Jo 6:27). Pensei que este alimento eu poderia oferecê-lo através das palavras e de pequenos atos concretos. Um dia, eu a emprestei a revista “Città Nuova“, e, logo depois, notei que ela estava lendo exatamente a Palavra de Vida».
«Durante o verão voltamos para a nossa cidade, onde nos esperava uma difícil situação familiar: uma tia de Maria necessitava de todos os cuidados e o seu marido, doente no hospital, ambos idosos e sem filhos. Meu tio não sabia da gravidade da sua doença e ficamos ao seu lado até o momento da morte. Nas últimas noites, rezávamos quase sussurrando ao seu ouvido. Parece-nos que, gradualmente, ele preparou-se para o encontro com Deus».
23 Set 2012 | Sem categoria
“Há muitos anos me tornei insensível, fechado, triste; hoje Chiara Luce me abriu as portas”, assim se expressa um prisioneiro a Maria Teresa – mãe da beata Chiara Luce Badano – enquanto a abraça segurando a sua mão.
Uma tarde certamente peculiar aquela do dia 20 de setembro, no teatro do cárcere romano de Rebibbia: duzentos e cinquenta presos, usando as melhores roupas, acolhem Ruggero e Maria Teresa Badano, pais da beata Chiara Luce. Na abertura do evento, Anna Del Villano, diretora de um dos departamentos do presídio, afirma: “Será uma tarde especial”.
Mas, por que esse evento? Alfonso Di Nicola, membro do Movimento dos Focolares que há muitos anos trabalha voluntariamente no presídio: “Fiquei sabendo que os pais de Chiara Luce foram encontrar os presos do presídio de Viterbo, em 2011 – ele nos conta – e pensei que poderia ser organizada uma visita deles também em Rebibbia”.
Enquanto os prisioneiros tomavam os lugares, causava impressão como se cumprimentavam com expressão de alegria e muitos abraços. Estão em diferentes setores da prisão. “Segundo o crime que cometeram”, nos explicam.
No palco, quatro cadeiras: para o casal Badano, Chicca Coriasco – grande amiga de Chiara Luce – e Franz, seu irmão. Maria Teresa quebra o gelo, lembrando o quanto sua filha amava os doentes e as pessoas que sofrem, e convida todos a transcorrerem um momento “em família”. Ruggero não esconde a sua emoção.
Qual a mensagem de Chiara Luce? Uma jovem normal, esportiva e vivaz, que ama Sassello, a sua cidade natal, especialmente quando está coberta de neve. Junto com Chicca conhece a espiritualidade do Focolare, ambas muito jovens. Assumem o convite de Chiara Lubich de viver o Evangelho com todo o ardor juvenil, nas diversas circunstâncias cotidianas, alegres ou dolorosas, e depois partilham as próprias experiências para encorajaram-se reciprocamente.
“Como fazem os irmãos mais velhos – diz Franz – eu ficava afastado delas”. Portanto, uma menina normal. E justamente essa normalidade o atraiu fortemente, sobretudo quando o tumor tornou-se uma sentença sem possibilidade de apelo. “Chiara Luce – continua Franz – se apaixonara por Jesus crucificado e abandonado assim como Chiara Lubich o apresentou: abandonado, “falido”, aquele Deus “derrotado” que se assemelha a cada um de nós… e que, a certo ponto, na cruz, gritou”.
Amá-lo será o segredo que a ajudará a viver a grave doença – osteossarcoma, o mais grave dos tumores – transformando toda dor em amor, com uma serenidade e alegria contagiosas. Ruggero diz: “Eu ia dar uma olhada pelo buraco da fechadura para certificar-me se ela sorria sempre ou se o fazia só para nós. E confirmei que ela sorria sempre”.
No Teatro, uma atenção fora do comum. A história de Chiara Luce prende a atenção de todos e essa jovem entra no coração dos presentes. Enquanto algumas fotos dela são projetadas no grande telão, um coral internacional do Focolare canta “Deus me ama”, música composta para a cerimônia da sua beatificação, no dia 20 de setembro de 2010. “Chiara Luce será santa em breve”, exclama um prisioneiro. Maria Teresa responde: “E vocês não estarão mais aqui… todos nós passamos por períodos difíceis”. As suas palavras têm efeito de um bálsamo e são acolhidas com um caloroso aplauso!
Site da postulação: www.chiaralucebadano.it
www.chiaraluce.org