Movimento dos Focolares

Por que não eles?

Trabalhar com a ideia de deficiente e sua vivência com a arte é entrar num universo desconhecido e surpreendente, descobrindo novos olhares e pensamentos. É nesse universo que “Por que não eles?” inova. Fala da afirmação da dignidade dos deficientes e do papel único que a arte tem nesse processo, sem medo de apontar as contradições e polêmicas com que o tema da deficiência é enfrentado pela sociedade, ora pendendo para o preconceito, ora para a comiseração ou mesmo a demagogia. O Autor, que atua em projetos de integração e inclusão social do deficiente, discorre o tema a partir da experiência de inúmeros artistas que pintam com a boca ou com o pé, entre outros, e de uma bem fundamentada bibliografia. O livro, descrevendo amplamente o que é a deficiência e suas implicações, revela-se importante na superação dos preconceitos que se escondem por trás das atitudes e das palavras na mentalidade reinante. Ao mesmo tempo, discorrendo sobre a arte (e sua crise na atualidade), mostra como esta “proclama a condição humana” e a dignidade dos deficientes, incluindo-os plenamente na família humana. João Vicente Ganzarolli de Oliveira (1961- ) é professor da Escola de Belas-Artes da ufrj. Mestre em Filosofia e doutor em Letras, escreve sobre estética, filosofia e história da arte, geografia e história da cultura. É autor de Do essencial invisível: arte e beleza entre os cegos (Rio de Janeiro : Revan/faperj, 2002); Arte e beleza em Gerd Bornheim (Rio de Janeiro : Eduerj, 2003); Índia submersa (Rio de Janeiro : Letra Capital, 2004); A humanização da arte (Rio de Janeiro : Pinakotheke, 2006). Como jornalista e fotógrafo, colabora com a revista Cidade Nova.

Por que não eles? Arte entre os deficientes Autor: João Vicente Ganzarolli de Oliveira 224 pp.; formato 14cm X 21cm ISBN 978-85-89736-69-5

Para comprar: Editora Cidade Nova

Fale-nos Dele

O Evangelho é uma história fascinante, com famosos episódios: o milagre dos pães, o sermão da montanha, as bodas de Caná, a cura do cego… Que recordações teriam seus personagens, como Pedro, o pai da menina que foi ressuscitada, a mulher curada da hemorragia, o rapaz que viu a multiplicação dos pães e dos peixes? “Fale-nos Dele” era o insistente pedido que, muita gente fazia a esses personagens. E é o pedido que, provavelmente, o leitor faria, se pudesse encontrá-los. Fale-nos Dele é a narração, como um romance, que dá voz – e tenta adivinhar suas lembranças e seus sentimentos – a muitas pessoas que viveram aqueles dias que mudaram nossa história. Por que ler A vida de Jesus de Nazaré ainda fascina leitores e leitoras. As pesquisas mostram que esse é um dos principais interesses da leitura. O livro de Fabio Ciardi é de leitura aprazível, em estilo romanceado, sem no entanto perder o rigor histórico e doutrinário. O Autor Fabio Ciardi (1948- ), missionário italiano dos Oblatos de Maria Imaculada, é professor titular no Instituto de Teologia Claretianum de Roma. É autor de livros sobre a vida religiosa, a vivência da Palavra de Deus e o diálogo inter-religioso. Autor: Fabio Ciardi Tradução: Irami B. Silva ISBN: 978-85-7821-033-5 Pág.: 88; Formato: 14x21cm Categoria: Religião Para comprar: Editora Cidade Nova

Reunidos em Roma os responsáveis do Movimento dos Focolares

Reunidos em Roma os responsáveis do Movimento dos Focolares

Com a saudação inicial da presidente Maria Voce teve início, no dia 13 de setembro, o encontro anual dos responsáveis do Movimento dos Focolares, com cerca de 300 participantes, entre responsáveis centrais e provenientes das várias áreas geográficas onde o Movimento está presente.

O encontro prosseguirá até o dia 16 de outubro e prevê três dias de “retiro espiritual”, centralizado em um dos pontos da espiritualidade da unidade, o amor ao irmão, que será aprofundado a partir de textos e discursos de Chiara Lubich, com uma reflexão de Maria Voce e testemunhos dos participantes. Estes últimos comunicarão experiências de Evangelho vivido, tema aprofundado no ano que está se concluindo. Está prevista também uma reflexão sobre o Ano da Fé – convocado por Bento XVI a partir do próximo mês de outubro – feita pelo teólogo irlandês Brendan Leahy e pela Dra. Lida Ceccarelli, focolarina. A conclusão da primeira fase do encontro será acompanhada pelas numerosas comunidades espalhadas em muitos países, numa conexão internet,

Segunda-feira, 17 de setembro, iniciam os trabalhos focados em diversos argumentos, em especial: as Novas Mídias e a transformação da sociedade, a identidade do focolarino e a sua específica contribuição – na luz do carisma da unidade – à Igreja e à sociedade, a apresentação do desenvolvimento do Movimento em alguns países (Canadá, Estados Unidos, América Latina…). Não faltará um balanço do Genfest 2012, recentemente realizado pelos jovens, na Hungria. Um sinal da importância com a qual os Focolares olham às novas gerações, como um futuro que já é presente e impulso para todo o Movimento. A Santa Missa do dia 26 de setembro será presidida pelo bispo de Frascati, D. Raffaello Martinelli.

Concomitantemente a este encontro a editora Città Nuova lança o livro “O desafio de Emmaus, o que fazem e o que pensam os focolarinos no pós-Chiara”. Teremos uma prévia dele nos próximos dias.

Reunidos em Roma os responsáveis do Movimento dos Focolares

Pontes entre as diversidades de religião e de cultura

“Se cada um de nós se comprometesse a comunicar, pelo menos a cinco jovens, aquilo que nós vivemos durante esses dias, aqui em Budapeste, talvez pudéssemos realmente transformar o mundo”. Essa afirmação, dita com determinação e coragem, é de um jovem muçulmano palestino de Jerusalém, que assim a concluiu: “Não se esqueçam de rezar pela situação da Palestina”. Essas palavras ressoaram em um jovem argelino, também ele muçulmano: “Se foi possível viver durante esses dias com jovens de etnias, culturas e religiões diferentes, então, é possível fazê-lo também nos ambientes dos quais viemos”. São algumas afirmações feitas na conclusão da manhã do último dia do Genfest, dedicada ao diálogo interreligioso.

Entre os protagonistas do Genfest, realizado no Sport Arena estavam presentes, de fato, jovens muçulmanos, budistas e hinduístas, comprometidos na linha de frente na preparação e realização do evento. Na manhã do domingo, enquanto os jovens católicos participavam da missa na grande Praça Santo Estevão, os jovens de outras denominações cristãs participaram das várias celebrações segundo a própria igreja: ortodoxos – de oito Patriarcados e Igrejas – coptas ortodoxos, anglicanos, luteranos, metodistas, batistas e pentecostais. A Santa Ceia, que luteranos e reformados desejaram celebrar juntos, foi presidida pelo Secretário Geral do Sínodo da Igreja Reformada Húngara, pastor Zoltan Tarr.

Aos fiéis de outras religiões foi oferecida uma programação alternativa que permitia encontrar-se para uma troca de experiências vividas e do próprio compromisso com o diálogo.

Um encontro interreligioso que tocou o coração e a mente de todos os presentes. Um momento especial, que reforçou as pontes entre as diversidades de religião e de cultura. Os moderadores eram um muçulmano argelino, um budista japonês e uma cristã jordaniana.

A plateia oferecia a visão de um verdadeiro caleidoscópio: os participantes eram dos EUA, Uruguai, Japão, Tailândia, Índia, Argélia, Líbano, Israel e Territórios Palestinos, Macedônia, Bósnia, Bulgária, França, Itália e outros países ainda. Entre eles, judeus, muçulmanos, budistas mahayana e theravada, hinduístas, uma janaista, e representantes da Tenri-kyo, umas das religiões originárias do Japão do século XIX. Presentes também alguns jovens católicos que quiseram partilhar aquele momento com os seus amigos.

O trabalho em prol dos direitos humanos das organizações jovens hebraicas no Uruguai, país leigo; o empenho de jovens muçulmanos argelinos e macedônios de viver a fraternidade cotidianamente no trabalho e nas universidades; ações sociais com as organizações que seguem o ensinamento de Gandhi, no sul da Índia: os representantes das diversas tradições religiosas partilharam quanto já fazem para construir a paz e a fraternidade universal. Os jovens da Tenri-kyo explicaram como procuram levar a alegria ao mundo; os budistas da Myochikai, a sua proposta para a educação ética dos jovens por meio de uma rede interreligiosa; os da Rissho Kosei-kai, as suas atividades pela paz, entre as quais, a campanha “ofereça uma refeição!”.

Depois de quase duas horas de partilha houve um minuto de profundo silêncio, no qual cada um, com as palavras e com a sensibilidade da própria fé, rezou profundamente pela paz no mundo e pelo compromisso com a fraternidade, para ser realmente um construtor de pontes. Na saída, dois jovens judeus do Uruguai comentaram: “Uma experiência incrível! Devemos trabalhar juntos para levar este espírito lá onde vivemos!”. Dois jovens hinduístas: “Não existem palavras que expliquem o que vivemos nesses dias”. Uma budista japonesa: “Encontrei a força para posicionar-me, com amor, diante das situações difíceis” e, com os outros, gritava: “Construir pontes!” (Let’s bridge!).


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Reunidos em Roma os responsáveis do Movimento dos Focolares

Egito – Um encontro pleno de história / 1

«Faraós, gregos, beduínos, núbios, cristãos, muçulmanos… o Egito de hoje é a síntese destas culturas, que conduziram à unicidade do caráter egípcio, com suas belezas, originalidades e, também, as suas contradições». Sally, uma jovem do Cairo, que acompanhou Maria Voce, Giancarlo Faletti e todos os presentes num excursus sobre a história religiosa e a cultura desse fascinante país.

Sexta-feira não se trabalha no Egito, país de maioria muçulmana. Estamos no grande Colégio dos Jesuítas, na proximidade da estação ferroviária central e não distante da Praça Tahrir.

A presidente e o copresidente entram no auditório escurecido: parece ingressar no coração das antigas pirâmides, entre o mistério e a presença do divino. Com esforço as 350 pessoas presentes contém o desejo de recebê-los com entusiasmo, e o manifestam logo que as luzes se acendem. Aparece uma verdadeira alegoria de cores e sons, para exprimir a enorme alegria.

Pouco antes Maria Voce havia recebido de um grupo de crianças a chave de Ankh, o símbolo da imortalidade na tradição do antigo Egito. E foi justamente com a chave de Ankh, e com a ajuda de Sally, que se transcorreu uma hora atravessando milênios da história desse povo: da civilização nascida às margens do Nilo até à revolução da Praça Tahrir, símbolo daquela primavera árabe que é a realidade com as qual o país e seus habitantes se confrontam hoje.

Nessa história milenar insere-se também a pequena história do Movimento dos Focolares, iniciada com a chegada de Aletta Salizzoni, Mariba Zimmermann e Marise  Atallah, dia 26 de janeiro de 1981. Um momento que mudaria a vida de muitas pessoas dentro da comunidade cristã, determinando, também nesta terra, o surgimento de um grupo de pessoas que vivem para construir comunidades onde Cristo possa estar presente, pelo amor recíproco.

Atualmente a espiritualidade da unidade difundiu-se em Sohag, Luxor, Aswan, Alexandria, Ismailia e outras cidades, e até em pequenos vilarejos. Não faltam representantes do Sudão, da Eritreia, Etiópia, da Síria e do Iraque. Há grupos que vieram ao Cairo, dessas e de outras localidades, para saudar Maria Voce e Giancarlo Faletti e para contar as últimas páginas da história de seus países, as que foram escritas a partir “da revolução”, como todos chamam aqui. Naquelas semanas, relembra ainda Sally, «era difícil sair de casa, não havia segurança e nos fixamos no momento presente. Rezamos mais e procuramos ajudar os outros. O resultado dessa vida foram os relacionamentos com os vizinhos e entre cristãos e muçulmanos. O medo transformou-se em amor recíproco e numa alegre comunhão. Sentimos a unidade de toda a nossa grande família».

Enfim, algumas amostras de folclore, uma música envolvente, cores vivas, como são os rostos que se alternam no palco. Há grande expectativa pelo diálogo com Maria Voce e Giancarlo Faletti, que acontecerá amanhã. Porque nestes dias os diálogos com crianças, jovens e famílias são constantes, todos interessantes, estimulantes, sinceros e diretos.

De Roberto Catalano