Movimento dos Focolares
Começam os preparativos do 40º aniversário da Mariápolis Ginetta

Começam os preparativos do 40º aniversário da Mariápolis Ginetta

Igreja de Jesus Eucaristia Em 2012 será comemorado o 40º aniversário de nascimento na Mariápolis Ginetta, um dos cinco centros de formação espiritual e sócio-cultural para a formação dos membros do Movimento dos Focolares, localizado próximo à cidade de São Paulo. Durante todo o ano serão realizadas ações para lembrar o nascimento da Mariápolis, que, além de um completo centro de eventos, conta com 300 moradores e um grande número de expressões do Movimento. As cidades que compõem a região da Mariápolis Ginetta, onde estão presentes as comunidades locais são Itu, Salto, Sorocaba, Itapetininga, Osasco, Jundiaí, São Miguel, Tatuí, Cerquilho, Porto Feliz, Vargem Grande Paulista, Cotia, São Roque e Ibiúna. Mais informações: http://www.cmginetta.org.br/

Março 2012

“A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna.” Pedro tinha entendido que as palavras do seu Mestre eram diferentes das palavras dos outros mestres. As palavras que vão da terra para a terra pertencem à terra e têm o destino da terra. As palavras de Jesus são espírito e vida porque vêm do Céu. Elas são uma luz que desce do Alto e tem a potência do Alto. As suas palavras possuem uma densidade e uma profundidade que as outras palavras não têm, sejam elas de filósofos, de políticos, ou de poetas. São “palavras de vida eterna” (Jo 6,68) porque contêm, expressam e transmitem a plenitude daquela vida que não tem fim, porque é a própria vida de Deus. Jesus ressuscitou e vive. E as suas palavras, embora pronunciadas no passado, não são uma simples recordação, mas são palavras que Ele dirige hoje a todos nós e a cada pessoa de todos os tempos e de todas as culturas. São palavras universais, eternas. As palavras de Jesus! Devem ter sido a sua maior arte, se assim pudermos dizer. O Verbo, falando com palavras humanas: que conteúdo, que intensidade, que inflexão, que voz! “Um dia – conta-nos, por exemplo, Basílio Magno (330-379, bispo de Cesareia, um dos grandes Padres da Igreja) – como que despertando de um longo sono, olhei a luz maravilhosa da verdade do Evangelho e descobri a vaidade da sabedoria dos príncipes deste mundo.” (Ep. CCXXIII, 2) Teresinha do Menino Jesus escreve, numa carta de 9 de maio de 1897: “Às vezes, quando leio certos tratados espirituais… o meu pobre e pequeno espírito não demora em se cansar. Fecho o livro dos sábios, que despedaça a minha cabeça e resseca o meu coração, e tomo em mãos a Sagrada Escritura. Então, tudo se torna luminoso para mim; uma só palavra descortina horizontes infinitos à minha alma e a perfeição me parece fácil” (Lettera 202; Scritti, Postulação Geral dos Carmelitas Descalços, Roma 1967, p. 734). Sim, as palavras divinas saciam o espírito, feito para o infinito; iluminam interiormente não só a mente, mas todo o ser, porque são luz, amor e vida. Elas dão a paz – aquela que Jesus define sua: “a minha paz” – inclusive nos momentos de inquietação e de angústia. Dão alegria plena, mesmo em meio à dor que por vezes atormenta a alma. Dão força, sobretudo quando sobrevém a perplexidade e quando nos desencorajamos. Libertam, porque abrem o caminho da Verdade.  “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna.” A frase deste mês lembra-nos que o único Mestre que queremos seguir é Jesus, mesmo quando as suas palavras podem parecer duras ou exigentes demais: ser honesto no trabalho; perdoar; preferir colocar-se a serviço do outro em vez de pensar de modo egoísta em si mesmo; permanecer fiel na vida familiar; assistir um doente terminal sem ceder à ideia da eutanásia… São muitos os mestres que nos induzem a adotar soluções fáceis, a fazer concessões. Queremos escutar o único Mestre e segui-lo, a Ele, o único que diz a verdade, que tem “palavras de vida eterna”. Assim também nós podemos repetir essas palavras de Pedro. Neste período de Quaresma, em que nos preparamos para a grande festa da Ressurreição, devemos colocar-nos efetivamente na escola do único Mestre e tornar-nos seus discípulos. Também em nós deve nascer um amor apaixonado pela Palavra de Deus. Vamos acolhê-la com atenção quando for proclamada nas igrejas; vamos ler a Palavra, estudá-la, meditá-la… Mas nós somos chamados, sobretudo, a vivê-la, de acordo com o ensinamento da  Escritura: “Todavia, sede praticantes da Palavra, e não meros ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1,22). É por isso que nós, a cada mês, consideramos uma Palavra em especial, deixando que ela nos penetre, nos modele, “seja ela a viver em nós”. Vivendo uma Palavra de Jesus, vivemos todo o Evangelho, porque em cada uma de suas Palavras Ele se doa inteiramente, é Ele mesmo que vem viver em nós. É como se uma gota de sabedoria divina Dele, do Ressuscitado, lentamente fosse escavando-nos por dentro e substituindo o nosso modo de pensar, de querer, de agir em todas as circunstâncias da vida.

Chiara Lubich

Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em março de 2003.                   

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Núcleo de Pesquisa Direito e Fraternidade

Em 2009 nasceu no Centro de Ciências Jurídicas da Universidade Federal de Santa Catarina/Brasil o Núcleo de Pesquisa Direito e Fraternidade. A ideia nasceu a partir da experiência de pessoas que integram o Movimento dos Focolares, as quais atuavam nos diversos campos jurídicos com o desejo de, por um lado, comungarem as suas experiências, a sua forma de atuação em suas áreas e funções específicas e de  outro lado,  aprofundarem seus saberes  à luz do Carisma da Unidade. O núcleo não é somente um lugar de estudos, de investigação doutrinária acerca da fraternidade e o direito sob a perspectiva do Carisma de Chiara Lubich, como também um fórum permanente de diálogo com os operadores do direito, uma vez que já estão conosco vivenciando esta nova perspectiva, além de professores e estudantes de direito e áreas afins, magistrados, membros do Ministério Público, advogados, policiais, etc. Por ocasião da sai instauração foi assinado um Convênio entre a UFSC e o Instituto Universitário Sophia, para possibilitar um intercâmbio de alunos e professores entre ambas as instituições. A atuação do núcleo está pautada nas seguintes preocupações: 1. A necessária construção doutrinária de temas jurídicos e sua relação/vinculação com a fraternidade, e neste espaço, a consciência de que esta construção se dê sobre as bases de um discurso “laico; 2. Como dar efetividade à fraternidade, ou seja, como fazer com que o Judiciário, o Ministério Público, a Advocacia, na prática cotidiana de seus membros tenham esta nova “cultura”? 3. Realçar no ambiente acadêmico, sobretudo, para o estudante de direito, que a prática da fraternidade é imprescindível para a visão humanista do Direito, pois o nosso objetivo não é o de  sermos meros leitores e reprodutores da norma (da letra fria da lei), mas antes extremamente sensíveis com a realidade conflitual na  qual estamos envolvidos. 4. Influenciar no nosso papel institucional, pois muitos dos que participam do Núcleo de Pesquisa Direito e Fraternidade também estão engajados em uma esfera de atuação político-institucional, e deste modo, o compromisso com a fraternidade também deverá incidir em muitos paradigmas existentes. Uma das novidades da instalação deste núcleo na UFSC é que tal fato também possibilitou a criação de Seminários (disciplinas) de 30 horas/aula, intitulados: “Direito e Fraternidade: um diálogo com a cultura contemporânea”, oferecidos trimestralmente no nosso programa de Mestrado e Doutorado em Direito. Como primeiro fruto destas análises lançaremos o livro: “Direitos na pós-modernidade: a fraternidade em questão, ainda neste ano”, que consite em uma coletânea com os principais temas desenvolvidos pelos alunos.

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Recebemos uma luz que nos faz enxergar e ir além de nós mesmos

Gislane: Bom dia! Sou Gislaine, Luciano meu esposo, somos casados há 10 anos e temos 3 filhos. Somos de Cuiabá, mas moramos em Brasília desde que nos casamos. Tivemos a Lais depois de quatro anos de casados e ela hoje está com cinco anos. Quando fiquei grávida pela segunda vez tivemos uma surpresa, na primeira ecografia a médica me disse que era uma gravidez gemelar (de gêmeos). Como não era uma herança genética e não existe histórico de gêmeos em nossas famílias, fiquei transtornada, porque jamais pensei em tal possibilidade. Foi uma semana de lágrimas, mas depois entendi que se um filho era um presente de Deus, nós estávamos recebendo dois. Então aceitei a ideia e logo comecei a imaginar a cena de sair do hospital carregando dois bebês nos braços. A gravidez foi tranquila até o sexto mês. Depois, com o peso da barriga, comecei a sentir muitas dores – havia iniciado um processo de calcificação da placenta e a obstetra resolveu antecipar a cesária, esperando apenas, que eles chegassem à trigésima quinta semana (mais ou menos no 7º mês). O parto foi bem, mas tempo depois, o pediatra percebeu que os bebês tinham dificuldades para respirar. Os pulmões não estavam totalmente maduros e precisaram ir do Centro Cirúrgico direto para a UTI neonatal e ali passaram os seus primeiros 19 dias de vida. Com 5 dias recebi alta da cesária, fiquei dividida em voltar para casa ou ficar com o Thiago e o Rafael no hospital. Pensei na Laís, nossa primeira filha que estava em casa, pois até então nunca havíamos nos separados por tanto tempo. Resolvi que o melhor era voltar para casa – foi por terra aquele meu sonho de sair do hospital carregando os dois bebês em meus braços. Por outro lado, entendemos o amor de Deus, porque os meninos estavam recebendo o melhor tratamento que precisavam naquele momento. Luciano: Passados os 19 dias Thiago e Rafael receberam alta. Era uma alegria poder reunir toda a família e principalmente poder finalmente segurar nossos filhos em nossos braços. Entretanto, depois de 5 dias em casa, o Thiago se engasgou e começou a respirar com muita dificuldade. Nós o levamos imediatamente para o hospital, mesmo tendo sido um simples engasgo, cujo procedimento para restabelecê-lo poderia ser feito em casa. Pelo fato de ser prematuro e por seu histórico, o médico resolveu interná-lo e deixá-lo em observação na UTI neonatal. E aqui mais uma vez Deus manifestou o Seu amor por nossa família, porque o quadro se complicou. Além do agravamento da dificuldade de respirar, o Tiago teve uma parada cardíaca, precisou ser entubado e, durante um processo que durou 52 dias, sofreu mais 4 paradas cardio-respiratórias. No dia em que aconteceram as 4 paradas, os pediatras perderam as esperanças e um deles chegou a nos dizer que, se quiséssemos, podíamos ficar com o Tiago pelo pouco tempo em que ele  ainda respirava. Neste momento entrou no consultório um especialista em cardiologia infantil que estava sendo aguardado que nos disse que tudo indicava que havia uma infiltração na membrana do coração do Thiago e propôs um procedimento para retirar o líquido que impedia que seu coração batesse normalmente. Além disso, o quadro se agravou e o Thiago ficou com uma grave dificuldade de respirar. O médico chefe da UTI nos disse que havia também o risco de da traquéia se fechar e seria necessário que autorizássemos uma traqueostomia. Os médicos nos falaram que era a única alternativa e uma vez feito este procedimento, isto poderia durar até os seus nove anos de vida. Gislane: Estes foram os primeiros meses de vida do Thiago, uma luta contínua para sobreviver, mas em todos os momentos colocamos a sua vida nas mãos de Deus e procurávamos confiar em cada especialista, porque sentimos que eram mais dos que profissionais, eram instrumentos de Deus para salvar o Thiago. Era difícil entender como uma criatura tão inocente podia sofrer tanto, mas por outro lado tínhamos que estar em constante doação, não podíamos parar em nossa dor, tínhamos ainda o Rafael e a Lais que precisavam de nós. Em cada realidade que foi se apresentando, provamos o amor de Deus, como, por exemplo, conseguir uma vaga nas UTI’s no momento exato, quando parecia ser impossível. Depois, encontrar em nosso caminho especialistas com muita experiência e dedicação, que agiam de modo preciso e na hora certa. Finalmente, quando o Thiago voltou definitivamente para casa, precisamos de um “homecare”, isto é, uma equipe de profissionais (médicos, enfermeiros, fonaudiólogos e fisioterapeutas) que acompanhassem o Tiago dia e noite. Nossa casa virou uma extensão do hospital. E aqui, mais uma vez o Amor de Deus se manifestou, pois dentro desta equipe encontramos algumas pessoas que abraçaram a causa e foram além do horário estabelecido, além do serviço que tinham que realizar. Respeitavam o tempo do Thiago e mostravam que o mais importante, para eles, era vê-lo bem. Assim, para surpresa de todos, o Thiago foi superando todas as expectativas e foi possível retirar a traqueostomia aos 6 meses de idade. Para nós, um milagre do amor de Deus. Luciano: Um outro aspecto a considerar é que nossas famílias moram em Cuiabá e durante este período não foi possível contar com ajuda deles. Além disso, neste período não tínhamos uma ajudante em casa, apesar de teremos procurado incessantemente. Sozinhos, seria impossível levar tudo para frente. No entanto, Deus não se deixa vencer em seu amor e nos fez experimentar o amor de nossa família espiritual. Primeiro fomos sustentados pelas orações, sabíamos que todos rezavam por nós. Depois vários amigos do Movimento Famílias Novas se colocaram totalmente a serviço: ficar com a Lais quando precisávamos ir ao hospital, ajudar nos serviços da casa, além de proverem outras necessidades. Para mim, uma ajuda muito importante foi quando o quadro do Thiago se agravou. Naquela época passei a ter medo de ir visitá-lo sozinho no hospital e passei a chamar sempre um destes meus irmãos de fé, que sempre foram muito disponíveis. Sem contar um que era médico e muitas vezes nos acompanhou e nos orientou como agir. Para concluir, falo do amor de Deus em outro aspecto. Como todo casal, eu e a Gislaine temos as nossas dificuldades de relacionamento. Mas, com toda esta dificuldade, descobri o quanto preciso amá-la, entender mais as suas atitudes. Neste período tivemos também alguns desencontros e suas palavras eram duras, mas eu pensava no seu cansaço, no nosso esgotamento físico e resolvi não levar tudo ao pé da letra. Descobrimos o quanto precisamos um do outro, o quanto queremos estar um ao lado do outro para, juntos, superar as dificuldades. Em todo este período procurei colocar a família em primeiro lugar. Entendi que é a coisa mais preciosa que possuo. Posso dizer, ainda, que foi um período no qual vivemos muito pouco um para o outro, mas nunca estivemos tão próximos e unidos. Quando acolhemos a dor como manifestação do amor de Deus, sentimos que recebemos uma luz que nos faz enxergar e ir além de nós mesmos.