Movimento dos Focolares
O café: uma ocasião para ir além

O café: uma ocasião para ir além

Alguns meses atrás, em Milão, os Jovens por um Mundo Unido reuniram-se para pensar em uma iniciativa voltada ao Genfest 2018 de Manila, nas Filipinas. Foi assim que retomaram a ideia de vender café, como haviam feito por ocasião do Genfest 2012, em Budapeste, na Hungria. Tendo conseguido um preço especial de um fornecedor de atacado, idealizaram e confeccionaram as etiquetas com as orientações da atividade e o logo do evento. Depois decidiram destinar os recursos obtidos para: um apoio à população filipina atingida pelo furacão Vinta, em dezembro passado, para ajudar quem irá a Manila, dos países mais distantes, e para as despesas gerais de organização do Genfest. Um dos jovens de Milão conta que a ideia surgiu quando «nos perguntamos como difundir a ideia do Genfest aqui onde estamos. Sendo um evento que tenta promover a fraternidade entre as pessoas, compreendida como relações materiais e interpessoais, pareceu-nos que um dos elementos que mais representava esse desejo de socialização, de estar juntos e ao mesmo tempo compartilhar, na nossa cultura fosse a bebida e o ritual do café: aquele momento de pausa, durante o dia, torna-se ocasião de troca e partilha, uma ocasião para ir além…». Dessa vez foi mais simples do que em 2012, porque já tínhamos os contatos. Depois de decidirem juntos o que iriam fazer, contataram o fornecedor e, em um mês, chegaram quatro mil pacotes de café no depósito central de Milão. Enquanto isso, por todo o território, cerca de 20 pessoas se disponibilizaram a fazer um pequeno depósito na própria casa. O processo de etiquetar foi feito por eles e «tornou-se uma ocasião para jantar juntos, encontrar-nos […] . Fizemos isso aqui em Milão, mas também em outros lugares, aonde jovens e famílias estão nos ajudando. Afinal, essa atividade criou muitas ocasiões para ir encontrar pessoas que não víamos há tempos, consolidando relacionamentos de fraternidade». Para outras informações: caffe2018manila@gmail.com Fonte: United World Project

Sylvester e a sua dignidade

Eu o vi de passagem, quando estava entrando correndo no supermercado. Estava lá, quase escondido atrás de uma árvore, come se quisesse se esconder de algo ou de alguém. Eu me dei conta na saída, quando o vi diante de mim. Eu já tinha preparado dois euros para ele, mas sentia-me mal com a ideia de fazer o papel do “doador” que dá um trocado ao “mendigo”. Não somos homens, todos dois? No máximo, com sortes diferentes na vida. Espontaneamente, quando dei a ele a moeda, quis me apresentar: “Olá, meu nome é Gino, e o seu?”. “Sylvester”, respondeu com a voz embaraçada. “Você está com algum problema?”, perguntei. Depois de um instante de silêncio – mais tarde eu entenderia que se devia mais à incompreensão do italiano do que à vergonha -, “Não, tudo bem”, respondeu. Não convencido, eu questiono ainda: “Olhe nos meus olhos e me diga se tem alguma dificuldade”. Novamente “tudo bem” é a sua resposta. Quando estava indo para o carro vejo que vem até mim. “Sim, eu tenho um problema: quero trabalhar”. Aperto a sua mão, em sinal de compreensão, e vou embora levando em meu coração aquele olhar e a sua dignidade ferida. Mas não sem antes ter trocado os números de celular, não queremos nos perder. Foi assim que nos tornamos amigos, para além da língua e das diversidades culturais, Sylvester e eu. Um encontro de pessoas, cada uma com a própria dignidade. A partir daquele dia batalhei de muitas maneiras, com a consciência de que a primeira coisa é ajudá-lo a enfrentar a barreira da língua. Ainda que esteja com os documentos regulares é impossível pensar que possa encontrar um trabalho se não consegue exprimir-se e entender o italiano. Como dizer isso a ele, sem saber a sua língua, e vice-versa? Lembro de um amigo do seu mesmo país e peço que seja o nosso intérprete. E assim nos encontramos na mesa do bar, diante do supermercado, para conversar, com tradutor e cerveja, e conhecer melhor a sua situação. Antes de sairmos faço a ele um convite: “Lembre Sylvester, nenhum trabalho é pequeno se feito por amor. Você não está aqui para pedir, mas para oferecer uma ajuda a quem precisa, dividir o peso da sacola de compras, encontrar um estacionamento ou um simples carrinho. Deus ama imensamente a você, a mim, a todos. Agora vamos começar a bater, juntos, como o Evangelho ensina. Vejamos se alguma porta se abre. Mas, por enquanto este é o seu trabalho, faça-o de cabeça erguida, sem perder a sua dignidade”. Na noite seguinte chega uma mensagem dele, no whatsapp: “Boa noite Gino, como está? Espero que você esteja bem, junto com sua família. Obrigado pelo que está fazendo por mim. Deus o abençoe porque você está cuidando de mim. Não vejo a hora de encontrar um verdadeiro trabalho, mas, enquanto isso, farei como você diz, mantendo o olhar alto e limpo. Espero por você”. Eu precisei usar o “google tradutor” para entender a sua mensagem e responder. “Caro Sylvester, obrigado pelas suas saudações. Hoje procurei informações sobre um curso gratuito de italiano. Espero poder lhe dar boas notícias logo”. Nos dias seguintes fiz a experiência, já conhecida, do quanto é difícil ajudar alguém! Por algum motivo, para mim ainda desconhecido, prevalece sempre a bendita burocracia. Mas decido não me render, até porque, enquanto isso, encontrei outras pessoas dispostas e se aproximarem de Sylvester. Agora não estou só, e ele também não. Amanhã ele começa as aulas de italiano, primeiro passo para conseguir encontrar um trabalho e assim poder enviar uma ajuda para sua esposa e os dois filhos pequenos, que ficaram no seu país natal. Talvez um dia eles possam voltar a estar juntos. Eu rezo para que seja assim, querido Sylvester! Gustavo Clariá

Internet, uma grande responsabilidade

É dedicada às redes sociais e à internet, a intenção de oração do Papa Francisco para o mês de junho, difundida hoje através de um vídeo feito em espanhol pela Rede mundial de oração pelo Papa, traduzido em sete línguas e retransmitido por Vatican News. No vídeo o Pontífice convida a pedir a Deus que as redes sociais “não anulem a nossa personalidade, mas favoreçam a solidariedade e o respeito ao outro nas suas diferenças”. Depois do título, “Para que as redes sociais favoreçam a solidariedade e o respeito ao outro na sua diferença ”Francisco salienta que “a Internet é um dom de Deus, e é também uma grande responsabilidade”, e explica que “a comunicação, os seus espaços e os seus instrumentos trouxeram uma ampliação dos horizontes para muitas pessoas”. Parte do Papa Francisco o convite, já formulado na mensagem para o dia das comunicações de 2014, a aproveitar “das possibilidades de encontro e solidariedade que as redes sociais nos oferecem” e o auspício de que “a rede digital não seja um lugar de alienação”, mas “um lugar concreto, um lugar rico de humanidade”. “Rezemos juntos – é a intenção do Pontífice – a fim de que as redes sociais não anulem a nossa personalidade, mas favoreçam a solidariedade e o respeito ao outro nas suas diferenças”. Fonte: SIR https://youtu.be/r5jwhnvjI8g

Maria Voce no Green Attica

Maria Voce no Green Attica

A Criação é “um dom compartilhado e não uma posse privada”, e cuidar dela “implica sempre o reconhecimento dos direitos de cada pessoa e de cada povo”. É uma das passagens centrais da mensagem com que o Papa Francisco quis estar presente no Simpósio internacional sobre a tutela do meio ambiente promovido em Atenas, de 5 a 8 de junho, pelo Patriarcado ecumênico de Constantinopla, guiado por Bartolomeu I. Sobre o tema “Rumo a uma Ática mais verde. Preservar o planeta e proteger o seu povo”, o encontro – realizado a três anos da Encíclica Laudato Si’ e em concomitância com o Dia mundial do meio ambiente – viu presentes cerca de 250 pessoas entre líderes religiosos, políticos, especialistas em meio ambiente e clima, acadêmicos e jornalistas provenientes de diversos continentes, chamados a buscar respostas compartilhadas à atual crise ecológica. Filha – é o pensamento comum – de uma mais profunda crise antropológica e espiritual. Entre os convidados, também a Presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce, que observou: “É belo ver pessoas que vêm do mundo inteiro e, entre estas, muitas autoridades religiosas das diversas igrejas, muito motivadas a buscar juntos soluções a fim de que o planeta possa viver uma vida mais serena e possa ser protegido e conservado para as futuras gerações”. E ainda: “Gosto de sentir que existe tanta atenção a todos os aspectos da ecologia, da do meio ambiente à das pessoas, e também que tenha vindo em relevo que todo o planeta participa desta ecologia, e que toda a natureza é um dom que nós recebemos de Deus e enquanto tal deve ser acolhido com respeito e gratidão, e transmitido da melhor maneira aos nossos irmãos que virão depois”. Inclusive a fórmula do simpósio – acrescentou a Presidente do movimento fundado por Chiara Lubich, há tempo empenhado na salvaguarda do planeta no mundo inteiro – exprime uma abordagem ‘ecológica’: “as sessões são contínuas, mas também entremeadas por viagens às ilhas vizinhas e nos deslocamentos há a possibilidade de se encontrar, de falar uns com os outros, e é mais fácil estabelecer relacionamentos nesta atmosfera um pouco de estudo, um pouco de relax e de amizade internacional. Tenho a impressão de que deste simpósio chegue uma esperança para o futuro do planeta”. Uma resposta às preocupações do Santo Padre, que na sua mensagem, levado ao Simpósio pelo Cardeal Peter Turkson, Prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, evidenciou o risco de que as futuras gerações sejam condenadas “a viver numa casa comum reduzida a ruínas”, ou a deixar a terra natal por causa das mudanças climáticas e dos desastres produzidos inclusive pela ávida exploração das reservas ambientais. Citando a Mensagem para o Dia mundial de oração pele Criação (1º de setembro) escrito junto com Bartolomeu I, Francisco lembrou que “o dever de cuidar da Criação desafia todas as pessoas de boa vontade e convida os cristãos a reconhecer as raízes espirituais da crise ecológica e cooperar na oferta de uma resposta inequívoca”. Objetivo prioritário, portanto – é a réplica do Patriarca –, é repensar o atual sistema econômico que “ignora as necessidades dos seres humanos e leva inevitavelmente à exploração do ambiente natural”, mas sobretudo – acrescenta – a verdadeira mudança pode nascer somente do coração do homem: “a destruição do ambiente natural pode ser invertida somente através de uma mudança radical da nossa perspectiva para com a natureza que deriva de uma mudança radical da nossa autocompreensão como seres humanos”. Claudia Di Lorenzi