Movimento dos Focolares

Dia Mundial da Terra

É celebrado todos os anos, no dia seguinte ao equinócio de primavera, o Dia da Terra, a maior manifestação ambiental do planeta, promovida pelas Nações Unidas para incentivar a custódia da terra. A ideia da criação de um “Dia pela Terra” foi discutida pela primeira vez em 1962, e foi assumida definitivamente em 1969, após o desastre ambiental causado pelo vazamento de petróleo de um poço localizado nas proximidades de Santa Bárbara, na Califórnia. Nas últimas edições, o Dia chegou a envolver um milhão de pessoas em 192 países, tornando-se um evento educativo e formativo de dimensões planetárias, sobre as temáticas da poluição, da desertificação, da destruição de ecossistemas e do esgotamento dos recursos não renováveis. Mas também de conscientização pessoal por um consumo sustentável, inspirado no cuidado com a “Casa comum” de todos os homens.

Dia mundial das vocações

«Não estamos submersos no acaso, nem à mercê duma série de eventos caóticos; pelo contrário, a nossa vida e a nossa presença no mundo são fruto duma vocação divina». Quem lembra isso é o Papa Francisco, na mensagem para o 55º Dia mundial de oração pelas vocações, dirigido especialmente aos jovens, programado para o dia 22 de abril sobre o tema: “Escutar, discernir, viver a chamada do Senhor”. A relação entre jovens, fé e vocações estará no centro inclusive do próximo sínodo de outubro. «Nessa ocasião – observa o Papa –, teremos oportunidade de aprofundar como, no centro da nossa vida, está a chamada à alegria que Deus nos dirige». Os jovens e os adolescentes dos Focolare lembram das palavras de Chiara Lubich, dirigidas a eles em 1998: «Deus chama de maneiras diferentes e variadas: chama muitos com funções e missões particulares. Por exemplo, ele chama jovens para a sublime vocação do sacerdócio, para serem outros Cristo. Ele chama homens e mulheres para fazerem parte daquele canteiro multicor do jardim da Igreja, que são as Famílias Religiosas. Ele chama homens e mulheres nos modernos Movimentos eclesiais para se doarem a Deus, individual e comunitariamente, ou para compor famílias modelo, como muitas outras pequenas Igrejas. Lembrem-se: ele chama a qualquer idade. Chama inclusive os adolescentes, inclusive as crianças. Ele chama em todos os pontos da terra».

Chiara Lubich: “Para que retorne a paz”

Chiara Lubich: “Para que retorne a paz”

«Para que a paz volte, não deixemos de rezar. Além do mais neste momento, todos nós devemos nos sentir chamados a seguir com decisão uma linha de vida que repare pelo menos dentro de nós (mas, graças à comunhão dos santos, em muitos) o erro que foi cometido. Os homens não fizeram a vontade de Deus, do Deus da paz, fizeram a própria. Devemos impor a nós mesmos, como jamais fizemos, o cumprimento perfeito da Sua vontade. «Não a minha, mas a tua vontade seja feita». Hoje, essas palavras de Jesus devem assumir para nós uma importância toda especial. Diante delas qualquer outra coisa deve se tornar secundária. Não deve ser tão importante na nossa vida, por exemplo, ter boa saúde ou estar doente, estudar ou servir, dormir ou rezar, viver ou morrer; o importante será assumirmos como nossa a sua vontade, sermos a sua vontade viva. Era assim que vivíamos nos primeiros tempos do nosso Movimento quando, justamente no contexto de outra guerra, o Espírito nos iluminou sobre o valor das coisas. Diante da destruição provocada pelo ódio, Deus se revelou como o único ideal que não morre, que nenhuma bomba podia destruir. Deus Amor. Esta grande descoberta era uma bomba espiritual de tal dimensão que nos fez esquecer literalmente todas as bombas que caíam ao nosso redor devido à guerra. Descobríamos que para além de tudo e de todos existe Deus que é Amor, existe a sua providência que faz com que tudo coopere para o bem daqueles que o amam. Percebíamos os traços do seu amor em todas as circunstâncias, até mesmo sob o flagelo da dor. Ele nos amava imensamente. E nós, como responder ao seu amor? «Nem todo aquele que me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que pratica a vontade de meu Pai que está nos céus». Podíamos portanto amá-lo fazendo a sua vontade. Vivendo assim nos habituamos a escutar com crescente atenção “a voz” dentro de nós, a voz da consciência, que nos evidenciava a vontade de Deus expressa nas mais variadas formas: através da sua Palavra, dos deveres do nosso estado de vida, das circunstâncias, das inspirações. Tínhamos a certeza de que Deus conduziria a nossa vida para uma divina aventura, inicialmente desconhecida por nós, na qual, sendo ao mesmo tempo expectadores e atores do seu desígnio de amor, dávamos, momento após momento, a contribuição da nossa livre vontade. Pouco depois nos fez entrever vislumbres sobre o nosso futuro, fazendo-nos descobrir com segurança o objetivo pelo qual o Movimento estava nascendo: atuar a oração do testamento de Jesus: «Pai, que todos sejam um», colaborar na realização de um mundo mais unido. É assim que podemos nos comportar também agora. A vida de algum de nós sofreu uma brusca e dolorosa mudança? […] Vivemos momentos de medo, de angústia, de dúvida até mesmo de que a nossa vida nos seja tirada? Ou levamos a mesma vida de sempre, com os nossos compromissos diários, por enquanto longe do perigo? Para todos deve valer o que mais vale, nem isto nem aquilo, mas a vontade de Deus: colocar-se à “escuta”. Que ela ocupe o primeiro lugar no nosso coração, na nossa memória, na mente. Devemos orientar, antes de tudo, as nossas forças ao seu serviço. […] Deste modo Cristo permanecerá no nosso coração e seremos um grupo mais compacto, mais unido, todos “um”, partilhando tudo, rezando com eficácia uns pelos outros e para que retorne a paz».

Diálogo e unidade dos cristãos

Diálogo e unidade dos cristãos

Jesús Morán. Foto © 2018 Conselho Ecumênico das Igrejas

«Com o progresso dos meios de transporte e das técnicas de informação, o universo “encolheu” bruscamente; as distâncias deixaram de ser um obstáculo para o contato entre os homens, mesmo os mais diferentes». No entanto, esta multiplicação dos relacionamentos «desemboca na maioria das vezes num multiplicar-se das barreiras e das incompreensões». Inicia-se com a citação destas palavras de Roger Bastide, antropólogo francês, que viveu no século passado, o pronunciamento em Genebra (Suíça) de Jesús Morán sobre o “diálogo”, característica emergente dos nossos tempos, apesar de ainda incompleta. «A humanidade é mais pronta do que nunca a ser ela mesma, no entanto, vê-se obrigada a constatar a sua incapacidade de responder a esta sua vocação». O contexto é aquele de uma manifestação convocada para recordar a rica colaboração e amizade entre o Movimento dos Focolares e Chiara Lubich e o Conselho Ecumênico das Igrejas. O organismo, constituído em 1948, considera o diálogo como principal instrumento para uma efetiva busca da unidade entre as Igrejas cristãs. O diálogo – sustenta o copresidente dos Focolares – está tão profundamente enraizado na natureza humana que em todas as culturas, ocidental e oriental, podemos encontrar as suas “fontes”. Para os cristãos, é o próprio Jesus a “chave” do diálogo: o amor recíproco, o perder a própria vida por amor até o abandono. «Quais são os pontos fortes de uma cultura do diálogo? – questiona-se Morán. O primeiro é que o diálogo está inscrito na natureza do homem. O homem torna-se mais humano no diálogo». O segundo é que «no diálogo cada homem completa-se com a dádiva do outro. Precisamos uns dos outros para sermos nós mesmos. No diálogo eu dou ao outro a minha alteridade, a minha diversidade». Além disso, «cada diálogo é sempre um encontro pessoal. Portanto, não se trata tanto de palavras ou de pensamentos, mas de doar o nosso ser. O diálogo não é apenas conversa, nem discussão, mas algo que toca o mais profundo dos interlocutores». E ainda: «o diálogo requer silêncio e escuta» e «constitui algo de existencial, porque pomos a nós mesmos em discussão, a nossa visão das coisas, a nossa “identidade”, também cultural, também eclesial, que não se perderá mas será enriquecida na sua abertura ». «O diálogo autêntico tem a ver com a verdade, é sempre um aprofundamento da verdadeà. […] Cada um participa e coloca em comum com os outros a própria participação à verdade, que é uma para todos». «O diálogo – continua Morán – requer uma forte vontade. Como diz Chiara Lubich, “o fazer-se um, a identificação com o outro mais profunda”. O modelo sublime e inefável deste dinamismo de amor é, nós o sabemos, Jesus Abandonado. Ele representa verdadeiramente o risco da alteridade que conduz à reciprocidade. […] Com o seu perder ele ganhou para nós e e em nós um espaço perene di luz e Verdade: o Espírito Santo». Enfim, «o diálogo é possível somente entre pessoas verdadeiras» que se baseiam numa lei, «aquela da reciprocidade, (na qual) encontra-se sentido e legitimidade ». Jesús Morán define ainda um outro aspecto, evidenciado pela específica contribuição dos Focolares à causa da unidade dos cristãos: o “diálogo da vida”, que leva a «viver relacionamentos baseados no Evangelho, na troca de experiências, naquilo que de mais precioso se possa partilhar com o irmão e a irmã de uma outra Igreja». Citando as palavras do Cardeal Walter Kasper, bispo e teólogo católico, presidente do Conselho Pontifício pela Promoção da Unidade dos Cristãos (“O ecumenismo do amor e o ecumenismo da verdade, que mantém certamente toda a sua importância, devem ser atuados por meio de um ecumenismo da vida”), Morán observa: «é preciso convencer-se de que esta dimensão vital do diálogo náo é privada do pensamento teológico, mas situa-se num nível primário e mais radical do que este, do qual e somente do qual pode-se ter acesso, num segundo momento e com verdadeiro lucro, ao nível da razão teológica». «O diálogo – conclui Morán – é o ritmo dos relacionamentos trinitários, onde existe uma contínua troca de papéis e de dons. […] Nada se perde. No risco do diálogo existe tudo de nós e tudo do outro, no espaço transcendente do Espírito que nos une. E portanto aí está toda a humanidade. Quem dialoga constrói a história». Foto gallery: https://oikoumene.photoshelter.com/galleries

Religiões em diálogo: profecia e missão

O Instituto Universitário Sophia (IUS) acolheu, no último dia 16 de abril, a quinta etapa do projeto de diálogo e colaboração Wings of Unity, que envolve docentes e especialistas do mundo cristão e muçulmano. Os promotores do projeto são, além do IUS, o Islamic Centre of England de Londres e o Risalat International Institute de Qum. Durante o projeto, dirigido por Piero Coda e Mohammad Shomali, foram percorridas algumas pistas inovadoras no âmbito do diálogo interreligioso, através de seminários, conferências públicas, cursos de férias e diversas publicações. A jornada de estudos realizou-se no contexto da visita organizada, de 15 a 18 de abril, na cidadela de Loppiano, onde também situa-se o Instituto Universitário Sophia. Durante aqueles dias o grupo de amigos muçulmanos teve a possibilidade de conhecer a original convivência multicultural animada pelo carisma de Chiara Lubich. Fonte: Instituto Universitário Sophia