Movimento dos Focolares
Chiara Lubich: a misericórdia

Chiara Lubich: a misericórdia

[…] Deus é Amor: é a descoberta fundamental, a centelha inspiradora que está na origem do carisma da unidade do qual o Espírito Santo, na nossa época, fez um dom a Chiara Lubich. Descobrir que Deus é Amor foi, para ela e as suas primeiras companheiras, desde os primórdios do Movimento, uma novidade absoluta, a ponto de realizar uma espécie de conversão. Chiara descobre, então, não um Deus distante, inacessível, estranho à sua vida, mas o rosto paterno d’Ele e, consequentemente, aquela relação entre Céu e terra que nos une como filhos ao Pai e irmãos entre nós. Deus, portanto, próximo como Pai, Pai que vela sobre a vida de cada um e sobre a da humanidade inteira. Portanto, tudo aquilo que acontece é visto como realização do seu plano de amor para cada um, como prova tangível do seu olhar vigilante, da sua presença próxima. “Quanto a vós, até os cabelos da cabeça estão todos contados” (Mt 10,30). É um amor paterno que provê a todas as necessidades, inclusive as menores, até preencher também os vazios deixados pelas nossas imperfeições, pelas nossas faltas, pelos nossos pecados. É o rosto do Pai misericordioso que – mediante o Filho encarnado – se manifesta, que revela em plenitude o seu amor de misericórdia. Um exemplo clássico é a parábola do filho pródigo (Lc 15,11-32). Em junho de 1999, Chiara se encontrou ilustrando esta parábola a um numeroso grupo de jovens reunidos na Catedral de Paderborn (Alemanha). […] «O pai do filho pródigo deve ter tido muito o que fazer: seguir a fazenda, os empregados, a família; mas a sua principal atitude era a da espera, da espera do filho que partiu. Subia na torre da sua casa e olhava para longe. Assim é o Pai Celeste: imaginem, jovens, se puderem, a sua divina, altíssima e dinâmica vida trinitária, o seu empenho em manter a criação, em dar o lugar a quem sobe ao Paraíso. E, no entanto, Ele faz sobretudo uma coisa: espera. Quem? Nós, eu, vocês, especialmente se nos encontrássemos distantes d’Ele. Um belo dia, aquele filho, que o pai terreno tanto amava, tendo dissipado tudo o que tinha, volta. O pai o abraça, o cobre com uma veste preciosa, lhe enfia o anel no dedo, faz preparar o vitelo gordo para a festa. O que devemos pensar? Que ele deseja ver o seu filho totalmente novo, não quer mais lembrá-lo como era antes. E não só quer perdoá-lo, mas chega até mesmo a esquecer o seu passado. Este é o seu amor por ele, na parábola. Assim é o amor do Pai por nós na vida: nos perdoa e esquece». Chiara continua: «Recentemente assisti a um documentário […]. Apresentava e examinava detalhadamente um famoso quadro de Rembrandt que representa o pai da narração evangélica que acolhe o filho que voltou. É belíssimo em todos os seus detalhes. Mas o que mais impressiona, são as mãos que o pai põe sobre os ombros do filho ajoelhado diante dele: uma é mão de homem, robusta, severa, e a outra de mulher, mais delicada, mais leve. Com elas, o pintor quis dizer que o amor do Pai é paterno e materno ao mesmo tempo. E assim devemos considerá-lo também nós.»   Fonte: Alba Sgariglia, Centro Chiara Lubich, Roma, 14 de maio de 2016.

Páscoa também em Saigon

Páscoa também em Saigon

«A Páscoa já passou, hoje é a Segunda-feira de Páscoa, um dia de trabalho normal. Está muito calor e a chuva já ameaça. Somente os cristãos ainda festejam. Aqui e ali podem ser ouvidos os brindes e os “aleluias” que ecoam das casas. No entanto, estamos num país comunista. Aqui, as ruas, as saídas das igrejas, ficam incrivelmente cheias de motos, congestionando o trânsito. Na frente da catedral os policiais devem organizar o trânsito. Para assistir a uma das funções do Tríduo Pascal é preciso chegar ao menos 30 minutos antes, para pegar um lugar. Dentro da igreja deixo a minha bolsa no banco, e ninguém a toca. Olho às pessoas, muitas crianças, jovens, casais também idosos, com semblantes recolhidos e sorridentes. Penso na Europa, nas igrejas quase vazias até mesmo nos dias de festa. Por esses lados, mesmo às cinco da manhã de um dia qualquer, até crianças pequenas, junto com os adultos, estão cantando nas primeiras filas. Aqui todos sabem de cor as orações e os cantos. Em Saigon pulula uma vida desregrada, quase selvagem, em cada ângulo. E mesmo assim há muita fé, talvez como em nenhuma outra cidade da Ásia. Porque aqui a fé “custa”. Tudo custa no Vietnam. Tempos atrás fiz uma viagem de ônibus, cinco horas no meio da multidão, no calor. Num certo local, algumas sacas de trigo foram carregadas entre os viajantes, embaixo de seus pés, no bagageiro. As pessoas começaram a gritar enquanto o motorista e seu ajudante, por sua vez, gritavam para que se calassem. Uma senhora ao meu lado, envergonhada por me ver naquela confusão, disse-me: “A vida aqui é dura. Não esqueça disso se quer viver aqui”. Não sei o nome daquela mulher e talvez nunca mais a veja. Mas aquelas palavras abriram uma dimensão nova dentro de mim. A vida, a vida deles como a minha, deve passar pelo sofrimento, o cansaço, a dor, para desembocar na alegria. Eu a entendi assim. A partir daquele dia tudo em mim foi simplificado. Como todos experimento alegrias, mas também sofrimentos e cansaço. Sou um deles. Nem mesmo enquanto estrangeiro eu sou especial. Sou um entre tantos. A história daquele Homem pregado na cruz, semelhante a de tantos homens que encontro cada dia, recordou-me a palavras daquela mulher. Posso encontrá-la em quem é pobre e não tem nada, em quem tem um tumor e não dinheiro para se tratar, com os ossos que saem da pele. Ou na história da Dona Giau, 64 anos, pobre, mas que “adotou” uma menina down, literalmente jogada fora pelos pais. E é Páscoa. Também em meio aos refugiados Rohingya, entre Mianmar e Bangladesh. É Páscoa na Coreia do Norte, que quer a paz depois de ter disparado mísseis. É Páscoa entre as tropas aliadas que estão preparando mais um exercício de guerra. É Páscoa para as crianças de Xang Cut, na região do delta do rio Mekong, com a água ainda infectada pelo agente químico Orange, descarregado ali pelos aliados, 40 anos atrás. E é Páscoa também para as crianças de Saigon, pegas nas ruas e instruídas pelas professoras do Pho Cap. Terão algo para comer, graças ao seu amor heroico. Aqui, também em meio aos tantos desafios, aos perigos, ao excesso de poluição e à opressão, alguém continuará a sorrir porque é amado e cuidado por uma mão amiga. Isto é Páscoa: assumir o cuidado com o outro, sanar suas dores, compartilhar o seu pranto. O mundo, o outro, me pertence. E a minha felicidade passa pela felicidade dos outros, de muitos outros».

O milagre do esporte

O milagre do esporte

Esporte e Paz. Um binômio vencedor desde a antiguidade, desde quando, por ocasião dos jogos que se celebravam em honra de Zeus, vigorava a “trégua olímpica”, uma suspensão de todas as inimizades públicas e privadas, para tutelar os atletas e os espectadores que atravessavam territórios inimigos para ir a Olímpia. O dia internacional que se celebra hoje, no mesmo dia que, em 1896, viu a abertura, novamente na Grécia, dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, reafirma a atualidade e o valor desta conexão. Paolo Cipolli, responsável de Sportmeet, rede internacional de esportivos e operadores do esporte que desde 2002 contribui para a elaboração de uma cultura esportiva orientada à paz, ao desenvolvimento e à fraternidade universal, está convencido disto. «O esporte, definido por alguns sociólogos como “mimese da guerra” ou “guerra sem disparos”, inclusive nas suas formas de maior conteúdo competitivo pode constituir um elemento de pacificação. Através de um processo de catarse, de purificação do choque, o elemento do confronto, regulado na forma do jogo, constitui um grande potencial relacional». Os recentes Jogos de inverno demonstram isso. «O que aconteceu em Pyeng Chang é realmente surpreendente: no início a escolha de uma localidade próxima à fronteira entre as duas Coreias, justamente num período de fortíssima escalada de tensão, parecia nefasta. E no entanto, o milagre do esporte aconteceu e as Olimpíadas se revelaram não só uma extraordinária ocasião para subverter as previsões de fracasso, mas também uma surpreendente ocasião para reaproximar as duas nações. Um milagre que driblou a política internacional. Já tinha acontecido. Várias vezes, na história recente, o esporte se revelou ocasião de distensão. lembro da famosa partida de ping pong entre China e Estados Unidos, em 1971». Sportmeet, nascida no seio do Movimento dos Focolares, está difundindo no mundo do esporte os valores do crescimento integral da pessoa e da paz. Com quais objetivos? «Somos movido pelo desejo de levar também neste campo a nossa herança espiritual, o ideal da unidade de Chiara Lubich. É preciso apoiar as experiências positivas existentes, reconhecendo tudo o que de bom a história do esporte já produziu. E depois, crescer na conscientização de que o esporte ainda tenha em si grandes possibilidades de desenvolver sentimentos de fraternidade. Recentemente tivemos a oportunidade de promover e participar da primeira edição da “Via Pacis Half Marathon” de Roma. Continuaremos a nos empenhar, em rede com as diversas comunidades religiosas e com algumas instituições esportivas, em vista da segunda edição, no próximo dia 23 de setembro». A realidade do limite, a matriz comum a incômodos, dificuldades, barreiras sociais, mas também físicas ou psicológicas atravessa cada dia a nossa vida, individual e coletivamente. Qual resposta pode oferecer a prática esportiva? «A experiência esportiva oferece uma contribuição para a compreensão do limite, inclusive além do seu campo específico. O esporte pela sua natureza é terreno de confronto com o limite. Promovendo a participação habitua às diferenças, facilitando percursos de integração e de superação das barreiras sociais, étnicas, religiosas ou políticas». Próximos encontros marcados? «Sobre estes temas estamos organizando um congresso internacional, de 20 a 22 de abril, em Roma, aberto a operadores do esporte e não só, para conhecer e promover muitas práxis boas. No dia central, 21 de abril, no contexto da “Aldeia para a Terra” dentro da centralíssima Villa Borghese, experimentaremos uma interação com os participantes do congresso de Eco-One “Nature breaks limits”, com uma leitura multidisciplinar do limite. Será um congresso itinerante, entre o bairro Corviale, periferia geográfica e social da cidade, e o centro de Roma. Uma ocasião para ler as dificuldades, as fragilidades e os “confins” da nossa realização como limites a serem reconhecidos e graças aos quais podemos ser mais humanos». Chiara Favotti

Pré-sínodo: “Caminhar juntos é possível”/2

Pré-sínodo: “Caminhar juntos é possível”/2

“Vocês vão ser levados a sério”, garantiu o Papa. Quantas vezes os jovens nesta sociedade não se sentem considerados, ouvidos de verdade, e levados a sério? “Talvez não nos levem a sério porque têm medo de que a nossa falta de experiência possa nos levar a errar tudo. Talvez é verdade que ainda devemos aprender, mas por outro lado nós temos algo que os adultos não têm, que é ser jovens hoje, aqui e agora, uma experiência diferente da que eles viveram. Precisamos da experiência deles, certamente, mas temos este plus que eles não têm. Por sua parte, também o jovem não deve cair na crítica improdutiva aos adultos, procurar destruir o outro, enquanto ao invés se pode cultivar um diálogo intergeracional profundo e sem julgar. Jovens e adultos têm especificidades que oferecem a possibilidade de um enriquecimento recíproco frutuoso: a pessoa adulta rejuvenesce e o jovem amadurece”. Portanto, além da experiência do diálogo com jovens de outras Igrejas, crenças e convicções, vocês também fizeram a do diálogo entre gerações… “Na verdade, as duas dimensões não são separadas, e a dimensão religiosa não deve ser separada da nossa humanidade, da nossa realidade quotidiana, é um erro separar a vida espiritual da normal, ao invés a transcendência faz parte do homem. Entender que somos limitados e procurar as respostas indo para além de nós mesmos é uma questão antropológica, típica do nosso ser humano. O diálogo intergeracional é um fato porque existem pessoas de idades diferentes, a humanidade se renova, e dentro deste fato há também o aspecto espiritual que é próprio de todas as idades, dos grandes como dos pequenos. O Papa quis que este sínodo sobre os jovens fosse também um sínodo para os jovens, com os jovens e dos jovens. Vocês realmente se sentiram protagonistas nestes dias? “Sim, muito, e nos emocionamos por esta abertura total in primis do Papa e depois da Igreja. Os seus representantes que estavam lá para nos acompanhar não se intrometeram: o Cardeal Lorenzo Baldisseri e o D. Fabio Fabene estavam lá para nos ouvir. Neles, eu vi a figura de Maria que faz silêncio pleno e dá espaço para que a Palavra nasça, uma pintura sobre o fundo, uma presença silenciosa que faz emergir a Palavra. Estavam lá ouvindo seja durante os trabalhos seja nos momentos de recreação fora do programa, e quando perguntávamos algo, nos respondiam, caso contrário ficavam em silêncio. No rosto deles víamos o reflexo das coisas sobre as quais estavam de acordo e das quais os magoavam e isto nos ajudava a encontrar aquele equilíbrio que nos disse o Papa no primeiro dia: falem sem ter vergonha, mas sejam humildes e se errarem peçam desculpas. Isto aconteceu nos momentos da elaboração do documento final, alguém usou uma linguagem talvez crítica demais, mas aos poucos encontramos este equilíbrio, até porque tínhamos a presença deles que nos ajudava. Portanto, certamente sentimos também o apoio da Igreja hierárquica, dos adultos. Nem tudo foi perfeito, mas isto faz parte das coisas”. O que impressionou você, concluído o trabalho? “Uma vez que o documento final foi aprovado, ouvi jovens de diversos países – um das ilhas Samoa, um asiático, um africano, um europeu e um latino-americano – dizerem que este documento reflete o que o jovem é hoje. São as mesmas coisas que pensam os meus amigos, são as mesmas perguntas que nos fazemos, e isto me agradou muito porque era este o sentido do nosso encontro: o de poder tocar em temáticas que, do contrário, não teriam sido enfrentadas. É verdade que nem todos estavam de acordo sobre tudo, porque existem matizes diferentes em cada região, porém as problemáticas e os questionamentos principais, o viver e esta busca de sentido na sua profundidade está refletida no documento com todas as contradições que existiram: alguns pensam de uma certa maneira, outros pensam de modo completamente oposto, mas a busca e as aspirações são as mesmas. Portanto, gostei de ver que este trabalho de 5 dias e de 300 jovens do mundo inteiro e de todas as realidades, reflete, na essência ,o que o jovem é hoje, seja no Oriente Médio seja na Ásia, na África. Temos a consciência de que este é um momento histórico para a Igreja, não só porque é a primeira vez que se abre à escuta dos jovens deste modo, mas também porque de agora em diante não se poderá mais proceder sem levar em consideração este encontro e aquilo que veio à tona. É um início e estamos contentes por ter feito parte dele”. Ler o documento completo

Reunião Pré-sinodal: “Caminhar juntos é possível”/1

Reunião Pré-sinodal: “Caminhar juntos é possível”/1

Noemi Sánches do Paraguai

O diálogo frutuoso entre pessoas de Igrejas, religiões e convicções diferentes é uma realidade concreta em muitos países, nos cinco continentes, e uma iniciativa a ser encorajada num mundo muitas vezes dilacerado por divisões, preconceitos e medos. Esta é a proposta que os jovens do Movimento dos Focolares levaram à reunião pré-sinodal que se realizou em Roma, de 19 a 24 de março, desejada pelo Papa Francisco justamente para escutar os jovens, em vista do Sínodo dos Bispos que acontecerá em outubro sobre o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Entre os participantes do encontro estava Noemi Sánches, 28 anos, do Paraguai, de origem brasileira, diplomada em Ontologia Trinitária no Instituto Universitário Sophia, de Loppiano, no segundo ano do doutorado em Filosofia na Universidade de Perúgia (Itália). Pedimos que ela nos contasse a sua experiência: «Sou cristã e católica e vivo num movimento católico cristão, por isso sempre tive a consciência de “ser Igreja”, e quero viver este meu “ser Igreja” em toda parte. Todavia, a participação na reunião pré-sinodal deu-me a possibilidade de experimentar pela primeira vez esta dimensão dentro de um evento que a própria Igreja realizou para nós, jovens, e conosco, para continuar a caminhar juntos. Significa caminhar não apenas entre nós, mas com todos, com a humanidade que simbolicamente era representada por outras Igrejas cristãs, outras religiões e também por não crentes, comprovamos que isso é uma realidade, é possível, e que neste momento histórico não podemos ir adiante senão assim”. O que os jovens pedem à Igreja? “Pedem principalmente abertura, sinceridade e coerência, modelos coerentes e próximos, que sejam guias, e que não tenham medo de mostrar a própria humanidade, inclusive seus erros, que saibam reconhecer esses erros e pedir desculpas. Modelos com quem falar de tudo, de coração aberto». O Papa convidou vocês a falarem com coragem e com “cara de pau”; quais os temas mais difíceis que foram antecipados? «Temas muito atuais e talvez polêmicos, como o homossexualismo, por exemplo. E ainda, foi pedida uma posição mais concreta com relação às migrações, os refugiados e as guerras. Temas que vão além dos meros dogmatismos, a família no sentido tradicional e como vivê-la hoje, quando talvez não seja mais assim: não se pediu para mudar a doutrina, mas para entendê-la profundamente, para poder aplicar na nossa vivência de hoje. Atualmente isso já é feito, mas talvez de uma maneira que não chega aos jovens». No reunião pré-sinodal você representou os jovens dos Focolares dos cinco continentes: o que estes jovens pedem à Igreja e o que propõem? E que experiências oferecem, talvez até como modelo? “Baseados na experiência vivida em Roma, com jovens de todas as proveniências, culturas e credos, com quem não só conversamos, mas também vivemos, dormimos e comemos, num enriquecimento recíproco de vida e de pensamento, os jovens dos Focolares – que tem como carisma a unidade e o diálogo – propuseram repetir, fora de lá, encontros deste tipo, com pessoas de todas as realidades. Esta experiência, com efeito, ajuda a entender que o outro é um outro eu, e que no fundo do nosso coração temos as mesmas perguntas e os mesmos desafios, que cada um tem uma abordagem diferente mas isso enriquece o outro que, no seu dia a dia, talvez viva de maneira diferente. Cada um, portanto, tem o que dar e é um dar que abre uma visão mais ampla, uma experiência mais completa e enriquecedora. Juntos podemos chegar a dar respostas concretas a problemáticas que todos vivemos». Um testemunho precioso, neste tempo marcado por medos, desconfiança e preconceitos, quando é mais fácil construir muros e recintos fechados do que pontes, ou estender a mão a quem é diferente. Como foi recebida essa proposta contracorrente? “Com a graça de Deus, no Movimento dos Focolares, há anos muitos de nós vivem esta experiência e fazemos encontros deste tipo. Mas, também neste espaço de diálogo oferecido pela Igreja aos jovens, esta proposta foi recebida com alegria e satisfação, inclusive por pessoas que não conhecem o Movimento e que vivem outras realidades. No momento das propostas concretas, no meu grupo, eu propus aplicar este modelo de relações também para o confronto sobre outras temáticas, sempre nesta dinâmica aberta a todos, onde todos participam, convivem, descobrem mais a si mesmos e aos outros. Todos os jovens presentes aderiram logo, foi um sim unânime. Mas, devemos admitir que havia pessoas mais velhas que escutavam e faziam comentários, e vi neles não uma rejeição mas um pouco de temor, o medo de que o impulso a “sair” em direção ao outro leve a perder a própria identidade. Os jovens que viveram esta experiência, ao invés, entenderam logo que, na realidade, a identidade não se perde mas se enriquece. Certamente, simultaneamente deve se ter cuidado com a formação e o aprofundamento da própria identidade religiosa, mas podemos doar esse enriquecimento e, ao doá-lo, abrimos espaço para receber o outro. O jovem que viveu isso entendeu, e o deseja. Neste sentido vivemos aquilo que o Papa Francisco nos disse no início: vocês, jovens, devem sonhar os sonhos dos velhos mas também profetizar, ou seja, ir além desse sonho. E eu penso que o que vivemos em Roma significou traduzir no concreto essa exortação: queremos ser Igreja e entendemos que para fazê-lo devemos ir além das estruturas tradicionais; a Igreja é universal, então devemos ser abertos a todos, alcançar e acolher todos, para tornar-nos mais plenamente aquilo que somos”. Todo o documento em espanhol