30 Jan 2018 | Sem categoria
Cinco anos antes, voltando do Genfest 1980, o Andrew Basquille, o Eugene Murphy e eu, naquela época estudantes no Colégio Universitário de Dublim, tínhamos começado a dedicar mais tempo para a música em conjunto. Começou um período de grande criatividade que resultou na composição de muitas músicas, feitas em conjunto como individualmente. “Yes to You”, a música que depois levamos para o Genfest de 1985, é daquela época. Nasceu assim. Em 1981, Chiara Lubich visitou a comunidade de Londres, e grande parte das pessoas dos Focolares na Irlanda viajou para a Inglaterra, para acompanhar o evento. Uma tarde, enquanto estava almoçando com grupo nosso, de irlandeses, perto do lugar onde Chiara deveria falar, comecei simplesmente a tocar alguns acordes no piano e saiu uma melodia com uma sequencia de acordes, Mi-Dó menor-Fá, um pouco incomum (no violão não se pensaria em usar). Joe McCarroll, um excelente cantor, que estava ali perto de mim, começou a cantarolar sobre aquela melodia as palavras “So many times that I’ve said maybe” (“Muitas vezes eu disse talvez”). Então eu continueu com as palavras “So many times that I said no” (“Muitas vezes eu disse não”), quando chegou também o Andrew, que completou a primeira estrofe. Nos dois dias seguintes, o Andrew e eu escrevemos quase três estrofes, mas ainda não tinha vindo nenhuma inspiração para o refrão do coro. No fim essa parte foi completada – texto e melodia ao mesmo tempo – por Eugene, que imprimiu na música uma ênfase especial, fazendo o coro cantar em Dó maior e ainda com uma maravilhosa interação entre maior e menor, em Fá, para exprimir e enfatizar o novo nível de convicção na escolha de Deus, com as palavras “Yes to You”.
Depois, pediram-nos para cantar no Genfest, que seria realizado alguns meses depois. Ensaiamos muitas vezes, dedicando tempo para aperfeiçoar a nossa música. No dia do Genfest, enquanto esperávamos pacientemente a nossa vez, começamos a perceber que os tempos estavam saltando. A um certo ponto, disseram-nos que o nosso número tinha sido cortado. Que desilusão! Enquanto guardava o meu violão na caixa, pensava nos meses de ensaio e no cansaço que tinham sido cancelados num instante. Depois, de repente, aquela decisão foi revogada e encontramo-nos de repente no palco, que era enorme, sem nem ter tempo de controlar o som ou de olhar um para o outro. Não tive tempo nem para pegar o meu violão, que já estava dentro da caixa, e encontrei-me com um violão espanhol com as cordas de nylon nas mãos, um instrumento que não estava acotumado a tocar! Foi assim que cantamos “Yes to You” no Genfest 1985: completamente privados de referências e certezas, constrangidos a depender apenas da força do relacionamento de amor mútuo entre nós e da vontade de merecer deste modo a presença de Jesus no nosso meio. A minha experiência no Genfest 1985 foi uma verificação e uma confirmação da minha escolha de viver pela unidade, e provou-me que era possível. Participei em muitos outros grandes eventos – festivais, partidas de futebol, concertos – mas nenhum como o Genfest. Ali não existiam ódios, hostilidades e inimizades, como quando os times rivais encontram-se nas partidas de futebol, e nem a euforia passageira provocada pela bebida ou as drogas, que muitas vezes acompanham os concertos ou os grandes eventos. Ali, naquele grande encontro de jovens, existia a alegria mais profunda e duradoura.
Padraic Gilligan
29 Jan 2018 | Sem categoria
Um país martirizado, sem paz, onde os grupos terroristas fazem a competição para reivindicar os atentados realizados. Três atentados numa semana provocaram um elevado número de vítimas entre a população civil: fala-se de mais de 150 mortos entre Cabul e Jalalabad, com mais de 400 feridos. Em Cabul o alvo foi um hotel e, o segundo objetivo, não alcançado, já que o terrorista se fez explodir no posto de controle, era o edifício do Alto Conselho para a Paz. Em Jalalabad foi assaltada a sede de Save the Children, a organização internacional que há anos atua naquele território. Segundo os dados da ONU, no ano passado, no país, 17 agentes humanitários perderam a vida, 33 ficaram feridos e 48 foram sequestrados. Durante o Angelus do dia 28 de janeiro passado, o Papa Francisco declarou sobre os ataques: «Até quando – se perguntou o Papa – o povo afegão deverá suportar esta violência desumana? Rezemos em silêncio por todas as vítimas e pelas suas famílias, e rezemos por todos aqueles que, naquele país, continuam a trabalhar para construir a paz». O Movimento dos Focolares exprime a sua proximidade ao povo afegão, fazendo votos de uma resolução de paz que possa trazer serenidade ao país o mais cedo possível.
29 Jan 2018 | Focolare Worldwide
Janeiro de 1998. Palermo se prepara para o Grande Jubileu do ano 2000 trazendo sobre si sinais de luz e de sombra. Uma cidade muda, ensanguentada pelos passados e também recentes massacres da máfia, mas também decidida a se resgatar, mostrando o seu verdadeiro rosto. Janeiro de 2018. Hoje, a capital siciliana se apresenta como uma expressão avançada do diálogo entre as diferentes culturas europeias e o mundo árabe, um posto avançado da cultura médio oriental dentro do tecido europeu. Uma “cidade mosaico”. Na presença do prefeito Leoluca Orlando, das autoridades e de alguns representantes das instituições, no dia 20 de janeiro passado se quis “fazer memória” – como “compromisso” a prosseguir na mesma direção – de um acontecimento que representou para a cidade uma etapa do seu “magnífico desígnio providencial”, segundo uma expressão usada na época por Chiara Lubich. Durante os vários discursos, emergiram alguns aspectos da vida dos Focolares nos últimos vinte anos: o empenho no social e no mundo da escola, especialmente em alguns bairros de periferia como Ballarò, Brancaccio e o Zen, a promoção de eventos e a reflexão sobre alguns grandes temas, como o ecumenismo, o compromisso para com as novas gerações, com o início de escolas de participação civil, e o confronto com personalidades da economia, da política, da cultura e da arte. Nestes anos, a comunidade dos Focolares deu uma contribuição à caminhada de toda a cidadania rumo à construção de uma “cidade da acolhida e dos direitos”, com os valores da fraternidade e da contínua busca do diálogo.
«A lembrança da cidadania honorária a Chiara Lubich – afirmou o prefeito Orlando – é a ocasião para olhar para a caminhada da cidade, em nome do respeito pela pessoa humana e pela construção de uma comunidade que se baseia nos valores da unidade e da fraternidade: aqueles sobre os quais Chiara baseou o seu movimento e que hoje acomunam milhões de pessoas no mundo. Hoje, aqueles valores fazem parte da vivência quotidiana de Palermo, com a acolhida e a solidariedade que são terreno de prova, mas também uma extraordinária ocasião de confirmação da vontade do povo palermitano de construir uma cidade acolhedora e na medida do homem, como continuamente é demonstrado pelos comportamentos da sociedade civil».
O arcebispo de Palermo, D. Corrado Lorefice, fez votos de que se continue por este caminho de fraternidade, através do diálogo em todos os níveis, rumo a uma meta «indicada profeticamente naquela época por Chiara Lubich: que Palermo possa se tornar uma cidade sobre o monte para a qual olhar para a realização do desígnio de Deus para a comunidade dos homens». «A celebração de tal acontecimento – acrescentou – exprime a profunda sintonia entre a cidade de Palermo e os valores contidos no carisma de Chiara: contribuir para a recomposição da unidade da família humana». Maria Voce, presidente dos Focolares, com uma mensagem, encorajou todos a «compartilhar os muitos fragmentos de fraternidade que se consolidaram nestes anos para promover a acolhida, a legalidade e a paz», com os votos de «que a cidade se distinga cada vez mais por um testemunho ativo sobre as várias frentes do diálogo, multiplicando iniciativas que infundam esperança e valorizando os talentos de todos na ótica da unidade». A adesão à Associação “Cidade pela fraternidade”, desejada pela Prefeitura de Palermo, empenha ainda mais os seus cidadãos a inspirar à fraternidade universal toda futura decisão e ação.
28 Jan 2018 | Palavra de Vida, Sem categoria
O apóstolo João escreveu o Livro do Apocalipse para consolar e encorajar os cristãos do seu tempo, diante das perseguições que naquele período se haviam multiplicado. Esse livro, rico de imagens simbólicas, revela na realidade a visão de Deus sobre a história e a consumação final: a Sua vitória definitiva sobre todo o poder do mal. Esse livro é a celebração de uma meta, de um final pleno e glorioso destinado por Deus para a humanidade. É a promessa da libertação de todo sofrimento: O próprio Deus “enxugará toda lágrima (…) e não haverá mais morte, nem luto, nem grito, nem dor” (cf. Ap 21,4). “A quem tiver sede, eu darei, de graça, da fonte da água vivificante.” [1] Esta perspectiva vale também na atualidade, para todo aquele que já começou a viver na procura sincera de Deus e da sua Palavra que nos manifesta os Seus projetos; para quem sente arder em si a sede de verdade, de justiça, de fraternidade. Diante de Deus, sentir sede, estar à procura, é uma característica positiva, um bom início; e Ele promete até mesmo a fonte da vida. A água que Deus promete é oferecida gratuitamente. Portanto, é oferecida não só a quem procura ser agradável a Ele por meio de seus próprios esforços, mas a todo aquele que, sentindo o peso da própria fragilidade, se abandona ao Seu amor, na certeza de ser curado e de encontrar assim a vida plena, a felicidade. Perguntemo-nos então: nós temos sede de quê? E qual a fonte onde vamos matar a sede? “A quem tiver sede, eu darei, de graça, da fonte da água vivificante.” Talvez tenhamos sede de ser aceitos, de termos um lugar na sociedade, de realizar os nossos projetos… Aspirações legítimas que, no entanto, podem nos levar aos poços poluídos do egoísmo, do fechamento nos interesses pessoais, chegando até à prepotência diante dos mais fracos. As populações que sofrem pela escassez de poços com água potável conhecem muito bem as consequências desastrosas da falta desse recurso, indispensável para garantir vida e saúde. E, no entanto, cavando mais a fundo no nosso coração, encontraremos outra sede, que o próprio Deus colocou ali: viver a vida como um dom recebido e que deve ser doado. Procuremos, então, a água na fonte pura do Evangelho, libertando-nos daqueles detritos que talvez a estejam cobrindo e, da nossa parte, deixemo-nos transformar em mananciais de amor generoso, acolhedor e gratuito para os outros, sem nos refrearmos diante das inevitáveis dificuldades do caminho. “A quem tiver sede, eu darei, de graça, da fonte da água vivificante.” Ainda mais: quando, entre cristãos, vivemos o mandamento do amor mútuo, estamos permitindo uma intervenção toda especial de Deus, como escreveu Chiara Lubich: “Cada momento no qual procuramos viver o Evangelho é uma gota daquela água viva que bebemos. Cada gesto de amor ao nosso próximo é um gole daquela água. Sim, porque aquela água tão viva e preciosa tem isso de especial: jorra no nosso coração cada vez que o abrimos ao amor para com todos. É uma fonte – a fonte de Deus – que libera água na mesma medida em que seu veio profundo serve para saciar a sede dos outros, com pequenos ou grandes atos de amor. (…) E se continuarmos a doar, esta fonte de paz e de vida dará água cada vez mais abundante, sem jamais se esgotar. Existe também outro segredo que Jesus nos revelou, uma espécie de poço sem fundo onde podemos nos abeberar. Quando dois ou três se unem em seu nome, amando-se com o próprio amor de Jesus, Ele está no meio deles (cf. Mt 18,20). É então que nos sentimos livres, plenos de luz; e torrentes de água viva jorram do nosso seio (cf. Jo 7,38). É a promessa de Jesus que se realiza, porque é Dele mesmo, presente em nosso meio, que jorra aquela água que sacia por toda a eternidade.”[2] Letizia Magri [1] Para o mês de fevereiro propomos esta Palavra de Deus, escolhida por um grupo de irmãos e irmãs de várias Igrejas na Alemanha, a ser vivida durante o ano todo. [2] Cf. C. Lubich, Fonte de água viva, Revista Cidade Nova nº 3/2002.
27 Jan 2018 | Sem categoria
Na vida de Giordani encontramos um acontecimento que nos estimula a uma especial reflexão: a primeira pessoa a escrever a sua biografia, em 1985, não foi um católico, mas sim um Pastor batista, o escocês Edwin Robertson.[1] Não podemos limitar-nos a dizer que é uma “ironia da história” […]. Giordani mereceu este ato de amizade, perante o Céu e perante a história humana. No outono de 1967, ele presidiu a um congresso de ecumenistas, na sede do Movimento, em Rocca di Papa. Estava presente o arquimandrita Mons. Eleutério Fortino, o qual, anos depois, deu este testemunho: «Naquele congresso, Giordani, com a sua serenidade interior, conseguiu serenar o tom aceso do debate e clarificou os aspetos teológicos e pastorais do decreto do Vaticano II “Unitatis redintegratio” (1964), fazendo cair as últimas resistências dos opositores italianos à oração em comum entre todos os cristãos, na Semana pela Unidade das Igrejas».[2] Por sua iniciativa, Giordani seguia, já desde 1940, esta Semana que, para sermos precisos, é um Oitavário: de 18 de janeiro (festa da cátedra de S. Pedro, em Roma) a 25 de janeiro (festa da conversão de S. Paulo). O próprio Giordani escreve em 1940: «Durante os preparativos desta oitava, espalhou-se a notícia, inicialmente ainda imprecisa, de que num mosteiro de monjas trapistas dos arredores de Roma, se rezava com uma especial intensidade, pela cessação das divisões entre cristãos. Vim a saber que, naquela Trapa, uma humilde monja se oferecera como vítima pela unidade das Igrejas e que a sua imolação tinha impressionado profundamente uma comunidade de irmãos separados na Inglaterra. A notícia, ainda que muito vaga, alargava imensamente – pelo menos aos meus olhos – o horizonte do movimento unitário, abrindo perspetivas novas onde, como um rasto de azul brilhando no meio duma tempestade, um pedaço de céu se abria sobre a humanidade em conflito. Esta notícia colocava na sua verdadeira luz a Oitava e os seus fins.
Ora, estas monjas provavelmente nada sabiam nem dos debates, nem das comissões e grupos de trabalho criados sobre este tema. Postas perante o problema da separação, elas olharam para ele com simplicidade, à luz da sua Regra que nunca desencaminha. Elas tinham compreendido que a unidade devia ser procurada onde estava, isto é, na sua fonte, na sua matriz. Noutros termos, a unidade devia ser pedida ao Pai, no qual e só no qual os irmãos se unificam. Isto quer dizer que estas humildes criaturas, que não encontraremos em qualquer congresso, viram imediatamente o que era preciso fazer e colocaram o movimento pela unidade no seu verdadeiro caminho. Alguém pode ser tentado a procurá-la em Hegel, em Loisy ou até em Marx. E quer nos jornais, quer nos encontros falou-se de homens que não deram, nem podiam dar, senão soluções incompletas: a unidade não é obra de homens, mas de Deus; não é fruto de estudo, mas da graça. Aceita, ó Pai, estas ofertas puras, antes de mais pela tua Igreja, para que te dignes purificá-la, protegê-la e unificá-la…».[3] O ecumenismo, que Chiara sempre viu como um «ecumenismo da vida», que é vivido pelo Movimento dos Focolares nas suas próprias experiências, e que amadureceu à luz de almas grandes, como as de João XXIII e Paulo VI, bem como à luz do espírito do Vaticano II, torna-se o empenho central de Giordani, nos últimos anos da sua vida. Pode-se dizer que para ele todos os cristãos são já verdadeiramente irmãos que se reencontram. Ele vive e difunde o novo espírito ecuménico, feito essencialmente de amor e orientado para a comunhão das almas, na certeza de que «da unidade dos corações decorre a das almas».[4] É comovente pensar que o último artigo sobre o ecumenismo, A viagem para a Unidade, ele o escreveu em dezembro de 1979, quatro meses antes da sua partida para o Céu. Uma vez mais, nele cultiva tenazmente uma visão profética em que põe a unidade dos cristãos como base e fermento para «imprimir um impulso ao ideal da unidade universal entre os povos».[5] (Extraído de: Tommaso Sorgi, O percurso ecuménico de Igino Giordani, «Nuova Umanità» n.199). [1] E. Robertson, Igino Giordani, Città Nuova, Roma 1985. Ed. inglesa com o título: The Fire of love. A life of Igino Giordani ‘Foco’, New City, London 1989. [2] E. Fortino, Igino Giordani e a oração pela unidade dos cristãos, in «Besa-Fede», Revista greco-albanese, Roma, fevereiro de 2004, pp. 7-9. [3] I. Giordani, Esta oitava, Apresentação em: M. G. Dore, Suor Maria Gabriella (1914-1939), Morcelliana, Brescia 1940, pp. 9-25. [4] I. Giordani, Sete dias pela unidade, «Città Nuova», 1978, n. 23, p.30. [5] I. Giordani, A viagem para a unidade, «Città Nuova», 1979, n. 23, p.27.