5 Jan 2018 | Sem categoria
De uma pequena cidade do Norte da Itália aos cinco continentes. Um amplo dossiê de viés sociológico delineia a história dos Focolares, do nascimento até a aprovação definitiva por parte da Igreja em 1965. Uma reconstrução detalhada, encorajada pela própria fundadora dos Focolares já desde os anos 1980, publicada pela primeira vez em 2010 numa edição francesa, foi ultimamente traduzida em italiano por Città Nuova. Piero Coda, reitor do IUS, no prefácio, introduz o estudo de Callebaut com estas palavras: «Uma abordagem científica integral à história dos Focolares até hoje ainda não existia. […] a presente pesquisa, pela primeira vez, constrói e instrui um dossiê histórico e interpretativo do relevante fenômeno representado pelo Movimento dos Focolares […] O trabalho é acurado, pontual, completo dentro do possível […] indiscutível e excelente sob o perfil histórico». Entrevistado por Lorenzo Prezzi para settimananews.it, Bernhard Callebaut (Bruges, 1953), com estudos de direito, filosofia e sociologia na Universidade Católica de Lovaina, atualmente professor no Instituto Universitário Sophia, próximo a Florença, do qual é também Program Director do Grupo de pesquisa Religions in a Global World, explica o sentido da obra: «Acho que a pura narrativa testemunhal, na qual se sente muito viva a pessoa, continue sendo sempre válida. Não acho que um livro como o meu possa cancelar da minha história o choque benéfico experimentado diante da leitura de algumas páginas do primeiro livro da Lubich (Meditações), páginas que estimulavam a viver as mensagens que continham. Após esta premissa, creio que, num segundo momento, devam ser respeitadas aquelas exigências de entender, de contextualizar, de ligar o fenômeno em si a uma história pregressa e colher, pelo menos um pouco, a sua perspectiva futura».
Os primeiros vinte anos da história dos Focolares são perscrutados a partir das “iluminações” de Chiara Lubich, que se tornaram em seguida núcleos centrais da sua espiritualidade. «O carisma é sempre concedido a alguém particularmente, também aqui» explica Callebaut. «Só depois de um certo tempo a Lubich percebeu que na verdade aquele dom era dado a ela e a ninguém mais, ao menos não desta forma forte, límpida, arrebatadora. Mas, com o tempo, percebeu também que os seus primeiros companheiros, que eram enviados por toda a parte – na Itália inicialmente, depois na Europa e nos outros continentes – se tornavam, também eles, de algum modo, portadores, multiplicadores do carisma, “pequenas fontes” por sua vez». «Nos dias de hoje – e no meu livro é documentado amplamente – o coração do carisma da Lubich está ligado a ter identificado – por dom – e depois profundamente examinado, como nunca na história de dois milênios de vida cristã, o significado daquele ápice da paixão que constitui o momento do grito de abandono de um homem-Deus». A história dos Focolari é, no início, uma história feita também de uma longa e sofrida expectativa do reconhecimento formal por parte da Igreja. «No início dos anos Cinquenta o Santo Ofício examina os papéis e documentos sobre os Focolares e inicia uma série de confrontos com a jovem fundadora. Para pôr à prova ela e os seus, e mensurar a sua fidelidade à Igreja, lhe pede para dar um passo atrás, de não exercer mais a função de responsável do Movimento. O seu entourage nunca ocultará quem é realmente a alma do Movimento e não houve crise de liderança durante todos aqueles anos, até quando Paulo VI resolveu definitivamente a questão. Em 1965 a Lubich assinará a sua primeira carta como presidente dos Focolares. Hoje, à distância de tempo, se inicia a colher que por detrás da sua estatura de portadora de espiritualidade, havia também uma densidade pouco comum de pensamento ». Em anos mais recentes, a intuição carismática da fundadora se traduz inclusive numa série de propostas concretas como contribuição à resolução de questões sociais ou culturais. Como a Economia de Comunhão, «que realiza a opção preferencial pelos pobres e, ao mesmo tempo, valoriza quem sabe contribuir para a vida econômica com o talento não comum do empreendedorismo», ou a fundação do Instituto Sophia, «como contribuição interessante aos debates e às tribulações do pensamento contemporâneo». Hoje, todos os membros dos Focolares de algum modo levam e multiplicam» o carisma de Chiara Lubich «para realizar o ut omnes». E Callebaut conclui: «Tem trabalho para alguns séculos, me parece».
Callebaut Bernhard, Tradition, charisme et prophétie dans le Mouvement international des Focolari. Analyse sociologique, Paris, Nouvelle Cité, 2010, LXXXIII + 537 p. Trad. it. La nascita dei Focolari. Storia e sociologia di un carisma (1943-1965), Città Nuova – Sophia, Roma 2017, pp. 640. Leia a entrevista completa de Lorenzo Prezzi, em italiano: http://www.settimananews.it/spiritualita/focolari-movimento-carisma-storia/
4 Jan 2018 | Sem categoria
As rugas do desencanto «Após anos de matrimônio percebi que o homem que vivia ao meu lado não era mais aquele que me tinha feito perder a cabeça. Mas agora havia os filhos e a vida tinha ido em frente. Um dia, uma amiga minha me disse: «Eu te vejo envelhecer mal. Ao invés de crescer no amor, estão aumentando as rugas do desencanto». Era verdade, no lugar do amor e da doação tinha colocado princípios de justiça. Procurei mudar de atitude para com meu marido e descobri que, mais do que nunca, precisava de mim e do meu apoio. Agora as coisas mudaram. Em família circula entre todos um amor maior». (M.F. – Polônia) A farmácia «Os empregados da farmácia onde eu trabalhava antes tinham sido despedidos. Todos, menos eu. Os novos administradores, porém, foram movidos mais pelo interesse do que pelo bem dos clientes. Também a atmosfera mudara rapidamente. Por alguns meses me dediquei a melhorar os relacionamentos entre os empregados e com os clientes. Um tempo precioso, durante o qual aprendi a ser mais misericordiosa. Depois, também para mim se apresentou a demissão. Apesar disso, eu confiava na Providência, que não me desiludiu: inesperadamente uma outra farmácia me ofereceu o lugar de um empregado que tinha se aposentado». (C.T. – Hungria) Os meus pacientes “difíceis” «Há diversos anos trabalho como médico num instituto especializado para pacientes em estado vegetativo, em geral traumatizados em seguida a um acidente. O percurso de recuperação do coma é muito complexo e não é nem mesmo descontado que aconteça. Aos familiares que me perguntam se o seu parente acordará, respondo, em geral, que não podemos prever o que poderá acontecer, e que só Deus conhece o futuro deles. Nós, operadores, somos só instrumentos nas suas mãos. É impossível ficar indiferentes diante de tais tragédias. Às vezes, a minha fé como cristão vacilou. Porém, acho que estes pacientes “difíceis” tenham uma função social importante: para parentes e amigos, se tornam um centro de agregação da família e suscitam neles a capacidade de doação». (Elio – Itália) Ressurreição «Droga, prostituição … Há dois anos seguia o meu amigo Mario no seu calvário. Ele tinha se afastado de Deus, mas respeitava o meu modo de viver a fé. Quando acabou num hospital, eu ia visitá-lo assiduamente. Ele me perguntou: «Por que você faz isso? Venho de um mundo completamente diferente do seu!». Durante a internação pôde refletir e, um dia, me disse: «Estava procurando me convencer de que Deus não existe, porque isto me obrigaria a mudar de vida. Agora, porém, não posso mais ir em frente assim. Você é a única pessoa realmente feliz que eu jamais poderia ter encontrado. Gostaria muito de viver como você». Eu lhe propus que tentasse pôr em prática uma Palavra do Evangelho, uma de cada vez. Eu também tentava fazer assim, e funcionava! Tendo em vista que confiava em mim, aceitou experimentar. Sobretudo lhe resultava difícil mudar o sentido da palavra “amar”, que para ele tinha significado se prostituir por dinheiro. Foi um caminho difícil, entre quedas e novos inícios. Um dia se aproximou do sacramento da confissão. Depois estava radiante. Então, o acidente, no qual perdeu a vida. Deus o esperava lá. Mas já estava preparado». (S.V. – Suíça)
3 Jan 2018 | Focolare Worldwide
«O título, que tínhamos escolhido sem muitos raciocínios, “Construindo pontes”, não podia ser mais acertado: os jovens dos bairros mais ricos e os das comunidades mais pobres não se distinguiam. Os times eram compostos por meninos e meninas, de 10 a 18 anos, todos juntos. Os maiores cuidavam dos menores, os menores animavam os maiores. A participação de comunidades pobres não tinha o mínimo aspecto assistencialista, todos se beneficiavam desta integração». Renzo Megli, que desde o princípio participou da organização das Olimpíadas para os adolescentes, deixa logo claro as premissas para o sucesso do projeto. E descreve, com muito ardor, os detalhes da preparação. «Parecia que o vento soprasse sempre contra. A ideia de perfeição e a lembrança dos jogos “profissionais” ou “semiprofissionais” das edições precedentes bloqueavam os pensamentos e o espírito, entristecia o pensamento. Mas, eu estava feliz. Feliz por todas as portas que se fechavam e pela lenta e difícil mudança de direção: a única possibilidade que restava era levar as Olimpíadas para o CEU, o Condomínio Espiritual Uirapuru. Começamos a trabalhar, decididos a realizar o evento. Mas o atrito permanecia, era evidente, as bússolas ainda desorientadas por antigos campos magnéticos. Stop! É preciso escolher: vamos adiante compactos ou paramos? É melhor fazer algo menos perfeito, mas juntos, ou mais perfeito mas desunidos entre nós? Serão olimpíadas diferentes, menos profissionais, talvez menos “chic”. Mas talvez seja justamente a brisa do Espírito que nos está levando a fazer algo novo, diferente. Decidimos caminhar na direção de um único norte. Mesmo quem antes era contrário começou a remar na mesma direção. Só então relembrei uma conversa tida muito tempo atrás com um focolarino mais velho do que eu. Ele me dera este conselho: “Para perder uma ideia antes você deve tê-la e, possivelmente, deve ser realmente sua, como uma filha, carne da sua carne. Pense numa garrafa de champanhe: deve estar cheia antes de tirar a tampa e deixá-la espumar”. Eu me sentia assim, “pai” da minha ideia, mas disposto a perdê-la. “Perdendo” cada um a própria, juntos nos tornamos “pais” de uma mais bela, que aos poucos foi se afinando».
Renzo continua a sua narrativa: «O responsável de uma outra comunidade do CEU tinha nos prometido um espaço e os equipamentos. Todo o trabalho feito até aquele dia estava baseado nessa disponibilidade. Mas chegou a negativa: não poderíamos usar aquele local. A “dinâmica do perder” e lançar em Deus cada preocupação tinha se tornado já tão diária que depois de poucos segundos de amargura tomamos mais esta adversidade como um sinal claro do Espírito. Convidar as crianças das comunidades do CEU era o mais importante, mas o tempo estava passando e as inscrições iam bem devagar, nos deixando com um nó na garganta: vamos chegar ao número mínimo de participantes? Decidimos abrir as inscrições também para aqueles que não poderiam participar por dificuldades financeiras. Queríamos nos confiar à Providência. Apareceram muitos apoiadores e todas as despesas, inclusive as imprevistas, foram cobertas. Um dos organizadores das Olimpíadas, que havia levantado várias dificuldades durante a preparação, também em convidar crianças de outras comunidades, no final nos disse: «O sorriso daquele menino do CEU foi a marca das nossas Olimpíadas». Uma alegria extraordinária era visível em todos, animadores, pais, jogadores. Um menino de uma comunidade do CEU disse: “Aqui encontrei meu pai”, era um rapaz mais velho que o havia ajudado. Entre os participantes estavam crianças de um bairro muito pobre, os de uma comunidade que cuida dos filhos de pais presos e de traficantes… e também as adolescentes do Lar Santa Mônica, uma comunidade que acolhe jovens vítimas de abusos sexuais domésticos. Elas chegaram um tanto arredias e só desejando voltar logo para casa. Depois quiseram participar até o último instante. E foram embora felizes. Esta transformação foi uma das mais belas vitórias das nossas Olimpíadas».
2 Jan 2018 | Sem categoria
Pisa é conhecida em todo o mundo, particularmente pela sua Praça dos Milagres, “património da Humanidade” da Unesco. Nela sobressai a célebre Torre, com a sua inclinação caraterística. Desde 2003 que todos os anos se realiza, nesta cidade toscana, o Pisa Book Festival, salão nacional do livro que reúne editores, escritores, tradutores, ilustradores e artistas, tanto italianos como estrangeiros. É um espaço ideal que facilita a partilha de ideias, de propostas inovadoras, de livros e revistas de qualidade, mas também a realização de laboratórios de escrita, seminários, reading e espetáculos. Também este ano a editora Città Nuova, com o apoio da Comunidade local, marcou presença. «Este foi o quinto ano – explicam Rita e Francisco, em nome de todos – que participámos no Pisabook, uma edição verdadeiramente especial, pela variedade de intervenções e pelas personalidades que participaram. Pela primeira vez, tivemos a possiblidade de animar um laboratório no espaço Junior, onde trabalhámos e jogámos com BIG e ‘as emoções’».
BIG – acrónimo de “bambini in gamba” (crianças fantásticas) – é uma revista mensal em língua italiana, publicada pelo grupo Città Nuova, pensada e orientada para os mais pequenos. Entre as propostas da revista, um kit para os educadores, próprio para aprofundar com as crianças as suas emoções: surpresa, medo, desagrado, ira, tristeza e felicidade. «Durante a Feira, fizemos uma visita a uma escola da periferia da cidade, que não tinha qualquer hipótese de trazer as crianças até ao local do Pisabook. Convidámos essas crianças a tornarem-se protagonistas de BIG e agora as professoras querem ser assinantes da revista». Entre as propostas de Città Nuova no Salão, a história de vida de Salvador Striano. Uma história de libertação e transformação: de traficante de droga, num bairro periférico e de má fama duma cidade do sul da Itália, a ator e escritor. Pelo meio, dez anos de prisão entre Madrid e Roma. Uma vida “redimida” graças aos livros e ao teatro, mas sobretudo graças às pessoas certas encontradas no momento certo. No seu romance autobiográfico (Sem máscaras, Città Nuova, 2017), um grupo de adolescentes marginais e rebeldes duma instituição descobre a paixão pelo teatro e encontra sobre as mesas do palco uma estrada de libertação e redenção. Uma história delicada e profunda que ensina a olhar a vida, cada vida, sobretudo a dos jovens e dos adolescentes mais vulneráveis, com olhos de esperança. Nas três apresentações do livro e nos momentos livres – explicam Rita e Francisco – «criou-se imediatamente um ‘feeling’ entre todos: Salvador abriu o coração, contando muitos episódios da sua vida conturbada. Ficou particularmente impressionado pelos jovens presentes, e desafiou-os a irem ao seu espetáculo em Nápoles, como seus convidados. Por fim contou: “Se os meus amigos que estão na prisão pudessem ver os vossos olhares, os vossos sorrisos… mudariam de vida”». Com os numerosos adolescentes das escolas, que se tinham preparado para o encontro lendo o livro, o Autor de Città Nuova construiu um diálogo profundo «que encurtou as distâncias, fazendo com que todos se sentissem em casa». Agora os estudantes estão empenhados num projeto escolar com algumas iniciativas numa prisão. «Depois, ao ver que no final muitos se dirigiram ao stand e não se iam embora, Salvador disse que nunca tinha feito uma experiência como esta e que quer continuar a escrever para Città Nuova». «Luzia Della Porta, idealizadora e diretora do Pisabook, não parava de nos agradecer por termos contribuído para o sucesso da manifestação! E nós agradecemos-lhe por ter depositado em nós uma tão grande confiança. Passaram pelo stand muitas pessoas, estabelecemos muitos contactos, procurámos oferecer o nosso testemunho. E também do ponto de vista económico foi um sucesso». Para a comunidade local – concluem – Città Nuova tornou-se ainda mais a “nossa” editora.
1 Jan 2018 | Sem categoria
Live streaming (CEST time) http://www.y4uw.org/live 6 July: 10.00 am – 12.30 pm (Program in the hall) and 2.00 – 3:45pm (Asian Welcome) 7 July: 11.45 am – 12.45 pm (Time Out) and 2.00 – 3:45pm (International concert) 8 July: 3.00 – 4.30pm (Mass) and 4:30 – 7:00pm (Program in the hall)