31 Mar 2023 | Centro internazionale, Sem categoria, Tutela minori
O Movimento dos Focolares publica o primeiro relatório sobre casos de abuso praticados contra crianças, adolescentes e adultos vulneráveis; sobre abusos espirituais e de autoridade que ocorreram no âmbito do Movimento. O relatório expõe também as medidas reparatórias, os novos procedimentos de investigação e as atividades de formação para a proteção da pessoa. “Escrevemos a vocês para apresentar publicamente os dados relativos às notificações, denúncias e medidas tomadas como Movimento dos Focolares diante do flagelo dos abusos sexuais de crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis e abusos de consciência, espirituais, de autoridade sobre adultos, que também nos afetou”. Em uma carta pública, a Presidente do Movimento dos Focolares Margaret Karram e o Copresidente Jesus Morán apresentam o primeiro relatório sobre a gestão dos casos de abuso ocorridos no âmbito do Movimento. O documento, com publicação anual, será divulgado em 31 de março de 2023, um ano após a realização do inquérito da GCPS Consulting sobre os graves casos de abuso sexual cometidos por um ex-focolarino francês, J.M.M. O Movimento tem trabalhado para tomar as medidas necessárias para garantir a prevenção e a proteção integral da pessoa em todas as áreas e ambientes nos quais exerce as suas atividades. Portanto, o documento publicado hoje – explica a Presidente e o Copresidente do Movimento dos Focolares – é um primeiro relatório sobre as medidas de prevenção, investigação, transparência, formação e mudança efetuadas pelo Movimento dos Focolares, para contrastar este crime.
Antes de tudo, em nome do Movimento dos Focolares, a Presidente e o Copresidente pedem sinceramente perdão a cada vítima e sobrevivente. Expressam profunda gratidão às vítimas e aos sobreviventes, bem como às famílias e comunidades envolvidas não apenas na França, mas em todos os países onde surgiram casos de abuso, porque, graças à colaboração dessas pessoas e principalmente à coragem delas de enfrentar e denunciar esses crimes, o Movimento hoje pode exercer com maior consciência os seus novos compromissos e procedimentos em relação à proteção das pessoas. O relatório é composto por várias partes e apresenta os dados relativos aos abusos recebidos pela Comissão de Proteção Integral e Garantia dos Direitos de Crianças, Adolescentes e pessoas vulneráveis (CO.BE.TU.) a partir de 2014, ano de sua criação e, portanto, da coleta sistemática das notificações e denúncias, até dezembro de 2022. Também são apresentados os dados relativos aos “cursos básicos sobre a tutela” realizados nos diversos países em que o Movimento dos Focolares está presente. Outra seção é dedicada às medidas prioritárias implementadas ou em fase de implementação, em resposta às recomendações da investigação independente da GCPS Consulting; cursos e ferramentas de formação para a proteção da pessoa, disponíveis para todos os membros do Movimento, especialmente para formadores e acompanhadores de crianças e adolescentes. Já foram lançados encontros de formação para os dirigentes do Movimento em vários níveis: desde a liderança central aos responsáveis territoriais nas diversas áreas geográficas. Novidade: a Comissão Central Independente e os procedimentos para notificações, denúncias e inquéritos A partir do dia 1° de maio de 2023 tomará posse a Comissão Central Independente e terminará a função da CO.BE.TU. O novo órgão tratará exclusivamente da gestão das notificações, enquanto a formação será coordenada em nível central e local por outra equipe de especialistas e consultores. O relatório também apresenta o “Protocolo para a gestão de casos de abuso no Movimento dos Focolares”, as “Competências da Comissão Central Independente” e as “Linhas de apoio e reparação financeira em caso de abusos sexuais de crianças, adolescentes e adultos vulneráveis”. No que diz respeito aos procedimentos de notificações, denúncias e inquéritos nos países onde a denúncia é exigida, a notificação é encaminhada imediatamente às autoridades judiciárias. Se a lei nacional não previr a obrigatoriedade da denúncia, mas os fatos constituírem crime, a comissão fará a denúncia às autoridades judiciárias imediatamente após apuração da verossimilhança dos fatos, salvo se a vítima ou os seus pais forem contra. De acordo com as normas legislativas internacionais, a denúncia de um abuso ocorrerá mesmo que o crime já tenha prescrito.
Stefania Tanesini
Descarregar PDF Relatório sobre a gestão dos casos de abuso ocorridos no âmbito do Movimento dos Focolares
15 Mar 2023 | Sem categoria
Um mês após os fortes terremotos que atingiram a Turquia e a Síria, um breve relatório sobre as contribuições arrecadadas pela Coordenação de Emergência do Movimento dos Focolares e uma visão desta primeira fase das ações que iniciaram na Síria, em fevereiro, e terminarão em agosto. No dia 7 de fevereiro de 2023, a Coordenação Emergências do Movimento dos Focolares lançou uma campanha extraordinária para arrecadação de fundos em apoio ao povo da Turquia e da Síria, por meio das ONGs Ação por um Mundo Unido (AMU) e Ação Famílias Novas (AFN). Atualmente, as contribuições coletadas totalizam cerca de €370.000 e uma primeira parcela de €100.000 já foi enviada para algumas das áreas da Síria atingidas pelo terremoto. As ações irão auxiliar, especialmente, cerca de 2.500 pessoas e indiretamente alcançará entre 5.000 e 10.000 pessoas nas três áreas atingidas pelo terremoto de Aleppo, Latakia e Hama. Eis alguns exemplos dessas ações que deverão continuar e que se referem a diferentes âmbitos de assistência: ASSISTÊNCIA PARA AS NECESSIDADES BÁSICAS
– Fornecimento de bens de primeira necessidade – alimento, cobertores, medicamentos, vestuário etc. – às pessoas desabrigadas, alojadas em abrigos improvisados (igrejas, mesquitas etc.).
– Contribuição econômica para as famílias mais necessitadas; disponibilização de serviços médicos e de auxílio à locomoção pós-hospitalar, medicamentos, sessões de tratamento físico e psicológico para as pessoas afetadas física e psicologicamente.
– Distribuição de caixas de alimentos às famílias em situação de precariedade alimentar (em parceria com outras organizações).
– Apoio econômico a pequenos artesãos para a aquisição ou reparo de equipamentos e ferramentas perdidas e para a reabertura de suas atividades.
REESTRUTURAÇÃO DE CASAS DANIFICADAS PELO TERREMOTO
– Cobertura dos custos de inspeções e exames de avaliação técnica sobre a estabilidade dos edifícios por comissões técnicas de engenheiros.
– Apoio financeiro às famílias para o trabalho de reforço dos alicerces das edificações e para a reestruturação das casas danificadas.
– Cobertura dos custos para a aquisição de ferramentas de trabalho para artesãos (ferreiros, encanadores, carpinteiros, eletricistas) para que eles possam recomeçar o trabalho nas casas danificadas.
– Apoio financeiro para o pagamento dos custos de aluguel para aqueles que perderam a casa ou precisam de uma residência temporária devido à inadequação de suas casas.
APOIO PSICOLÓGICO APÓS O TERREMOTO
– Cobertura dos custos de assistência domiciliar para pessoas idosas que vivem sozinhas ou deixadas sozinhas.
– Implementação de atividades e iniciativas coletivas de apoio psicológico em grupo, particularmente em centros de atendimento temporário.
– Implementação de oficinas de capacitação em apoio psicológico para fornecer ferramentas e metodologias aos agentes e voluntários atuantes na área de assistência.
Redação de Maria Grazia Berretta
Ver Extracto de Collegamento – 11 de Março de 2023 https://youtu.be/hBwni1b5y1Y
14 Mar 2023 | Sem categoria
A 14 de Março de 2008, há 15 anos atrás, Chiara Lubich terminou a sua vida terrena. Alguns anos antes, numa ligação mundial, ela citou o breve mas intenso versículo do Salmo 15 (16) ‘És Tu, Senhor, o meu único bem’ e convidou as comunidades do Movimento em todo o mundo a aproximarem-se desta oração, dando-lhe centralidade na sua vida quotidiana. Obrigada, obrigada! No Collegamento, experimentamos realmente «o amor que vai e o amor que volta» com a gratidão que vocês sempre exprimem e com o esforço de corresponder. […] Dizer, em circunstâncias especiais, com entusiasmo renovado e adesão total da mente e do coração: «És Tu, Senhor, o meu único bem», é também uma ótima oração. Todos nós percebemos que, muitas vezes, trabalhando, escrevendo, falando, descansando ou em qualquer outra ação, pode se infiltrar em nós um apego, até pequeno, a nós mesmos, a coisas, a pessoas… E permitir isso é muito prejudicial para a vida espiritual. São João da Cruz diz: “Pouco importa se o pássaro está amarrado por um fio grosso ou fino. Enquanto não se libertar, estará preso tanto por um como por outro. (…) Assim acontece – ele continua – com a alma ligada a qualquer coisa: jamais chegará à liberdade da união com Deus, por mais virtudes que possua”. É necessário, portanto, nessas circunstâncias, intervir imediatamente, e nada é mais útil – é a minha experiência até mesmo recente – do que declarar a Jesus Abandonado: “És tu, Senhor, o meu único bem”. O único. Não tenho outros». Creio que é uma oração importantíssima e muito agradável a Deus, que nos ajuda a não nos empoeirarmos com as coisas terrenas. Vivendo-a, ficamos impressionados – eu fiquei e fico sempre – ao ver que esse adjetivo “único” – «És tu, Senhor, o meu único bem» – representa uma guinada decisiva na nossa vida espiritual e nos corrige imediatamente, como a agulha de uma bússola, que nos dá segurança no nosso caminho para Deus. Além do mais, esse modo de agir corresponde perfeitamente à nossa espiritualidade, na qual prevalece o aspecto positivo: vivendo o bem, descartamos o mal. Não somos chamados a nos desapegar de algo (de nós mesmos, das coisas e das pessoas), mas a preencher a nossa vida de algo (do amor a Deus, o nosso tudo). Não gostamos do “não”, mas do “sim”. Essa oração: «És tu, Senhor, o meu único bem», é um modo maravilhoso de vivermos como verdadeiros cristãos, como pessoas que amam a Deus com todo o coração, com toda a alma, e não pela metade. E, ainda, é um modo sublime de nos prepararmos para cada encontro com Ele, por meio das suas inspirações cotidianas; assim como para o grande encontro com Ele quando, no amanhecer do eterno dia, no nosso coração terá valor somente o amor a Deus e, por Ele, aos irmãos. «És tu, Senhor, o meu único bem»: quanta sabedoria, quanto bom senso, quanta luz, quanta força, quanto amor, quanta perfeição nessas breves palavras! Que Deus nos dê a possibilidade de experimentar toda a potência delas.
Chiara Lubich
(Chiara Lubich, Conversazioni in collegamento telefonico, Città Nuova, 2019, pp. 630-632) https://youtu.be/x5HMK-txy8c
13 Mar 2023 | Sem categoria
Por ocasião do 10º aniversário do Pontificado de Francisco, Margaret Karram, presidente do Movimento dos Focolares, enviou ao Papa uma mensagem em nome de todo o Movimento, que publicamos a seguir.
Santidade, querido Papa Francisco,
Uno-me às orações que se elevam de muitos pontos do mundo para agradecer a Deus por esses dez anos em que o senhor abraçou a Igreja e a humanidade, tornando-se portador do amor de Cristo.
Obrigada, Santo Padre, por esse tempo de luz, de coragem, fé inabalável e escuta do Espírito Santo, em que continuamente nos chama a “sair” de nossas casas e comunidades, para caminhar pelas estradas do mundo e compartilhar alegrias e tristezas com as mulheres e os homens do nosso tempo.
Ainda conservo no coração a alegria e a gratidão pelo nosso último encontro, no dia 24 de fevereiro, quando nos recebeu em audiência com alguns moderadores de Movimentos eclesiais e novas Comunidades. Mais uma vez constatamos a sua sabedoria intuitiva e o seu realismo evangélico. Devo dizer-lhe que as suas palavras me guiam e me encorajam todos os dias no meu serviço à Igreja e à fraternidade humana.
Os temas tratados com o senhor, Santidade, serão objeto de reflexão e partilha, em particular a sua recomendação para sermos testemunhas coerentes e dóceis às novidades do Espírito, a fim de que se manifeste a dimensão mariana da Igreja e a riqueza da mulher na vida eclesial, também mediante a contribuição da vida dos Movimentos.
Que o senhor possa nos sentir a seu lado, em todos os pontos do mundo onde nos encontrarmos, construindo a Igreja, dando a nossa vida para que a paz retorne aonde não existe e dê, como frutos, a justiça e a reconciliação entre os povos.
Com a nossa oração diária, envio-lhe, também em nome do Movimento dos Focolares, os meus votos mais calorosos para que se realize quanto deseja e pela sua saúde.
Que Maria Santíssima esteja a seu lado com a sua materna consolação.
Com afeto filial,
Margaret Karram
4 Mar 2023 | Sem categoria
Concluiu-se recentemente em Bangkok (Tailândia) a Assembleia Continental Asiática para o Sínodo, que definiu a preciosa contribuição do maior e mais populoso continente do mundo. Entrevistamos Vanessa Siu-Wai Cheng, focolarina chinesa presente no evento. “Baan Phu Waan é o lugar onde está localizado o grande centro de formação pastoral da Arquidiocese de Bangkok, na Tailândia. É um lugar bonito. Cerca de oitenta de nós estiveram presentes na Assembleia Continental Asiática do Sínodo, que aconteceu de 24 a 26 de fevereiro de 2023”.
Vanessa Siu-Wai Cheng, focolarina de Hong Kong, apresenta-nos esta nova fase continental do Caminho Sinodal que diz respeito à Ásia, um caminho que, como definiu o Arcebispo Metropolitano de Tóquio, no Japão, Tarcisius Isao Kikuchi na homilia de abertura: “Não é apenas um evento passageiro a ser celebrado, mas sim uma mudança de atitude de todo o povo de Deus para fazer da sinodalidade a natureza fundadora da Igreja”. Vanessa, quantos foram os participantes? Dezessete Conferências Episcopais e dois Sínodos de Igrejas de Rito Oriental representando os 29 países da FABC (Federação das Conferências Episcopais Asiáticas) enviaram seus representantes para este evento, que visa dar às Igrejas asiáticas a oportunidade de discutir o caminho que leva ao Sínodo traçado pelo Papa Francisco. Pudemos compartilhar nossas experiências focando em vários temas e alguns problemas que afligem o continente. Falou-se de sinodalidade, tomada de decisões, vocações sacerdotais, papel dos jovens, pobreza, conflitos religiosos e clericalismo, com a esperança de podermos prosseguir juntos num verdadeiro caminho de crescimento comunitário. Com muita alegria, estiveram presentes também parte da delegação da secretaria do Sínodo, da comissão e do grupo de trabalho. Foi um testemunho da vontade da Igreja universal de caminhar no processo sinodal.
Qual foi a metodologia de trabalho? Foram três dias intensos de comunhão e trabalho de grupo. A metodologia é sempre a do colóquio espiritual. As várias contribuições que recebemos foram muito importantes e estimulantes. Em primeiro lugar, o Cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo dos Bispos, trouxe-nos as calorosas saudações do Papa e assegurou-nos que não fomos esquecidos. Ele enfatizou que uma Igreja sinodal é uma Igreja de escuta e de discernimento. O sucesso do processo sinodal depende da participação do povo de Deus e dos pastores. Devemos estar muito atentos aos rumores, especialmente aqueles que agitam a Igreja. O que especificamente mais te impressionou? Uma impressão muito forte que tive, desde o primeiro dia, foi ver que, em cada mesa onde trabalhava um grupo, havia uma cadeira vazia, representando quem não pode falar e quem não quer falar. No centro da mesa, uma vela rodeada por uma coroa de lindas flores que era acesa no início do dia como símbolo da luz do Espírito Santo, necessária para poder fazer o discernimento. Todos juntos, experimentamos a conversão na escuta do outro esvaziando-nos: cardeais, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos. Era um momento para poder aprofundar, sair das particularidades, para poder chegar, com olhar amplo, ao nível continental. Ali ocorreu a transformação do “eu” para
o “nós”. Além disso, é preciso dizer que a Ásia abriga muitas religiões e até as mais antigas, portanto uma das características dos asiáticos é a espiritualidade e a oração. O programa foi introduzido por 10 minutos de silêncio durante a discussão de um tema e meia hora de oração na capela entre duas sessões de discernimento. Esses momentos de silêncio e oração realmente ajudaram todos os participantes a estarem com Deus e em Deus para ouvir a Sua voz individualmente e coletivamente. Na tua opinião qual foi o maior desafio? Foi maravilhoso reunir-se como Igreja continental contemplando a complexidade e a variedade das diferentes e comuns características e desafios. No primeiro dia, parecia um pouco ambicioso esperar chegar em três dias a um rascunho que teria servido para a formulação do instrumentum laboris (n.d.t. instrumento de trabalho) para o Sínodo com prioridades precisas para o continente asiático, mas sente-se que o Espírito está soprando com força. Graças ao trabalho de um grupo editorial que preparou para nós o “draft framework”, um rascunho para nos poupar tempo de ler todos os relatórios do zero, conseguimos trabalhar com calma e com um texto bem ordenado. A última versão do documento expressa uma única sinfonia com muitas vozes ecoando os sonhos, as esperanças, as aspirações e as tristezas do continente asiático.
Por Maria Grazia Berretta Foto: © Synodbangkok2023