16 Set 2018 | Focolare Worldwide
A viagem apostólica na Lituânia, Letónia e Estónia, de 22 a 25 de setembro, por ocasião do centenário da primeira declaração de independência da Ex-União Soviética dos três Países Bálticos, será a próxima etapa internacional do Papa Francisco. Entre os acontecimentos mais significativos estão: a oração no Museu da Ocupação e dos Direitos de Liberdade, conhecido como o Museu das Vítimas do Genocídio, em Vilnius (Lituânia), o encontro ecuménico em Riga (Letónia) e a visita aos beneficiários das Obras de Caridade em Tallin (Estónia). Especialmente simbólica é a etapa no Museu do Genocídio, assim chamado por ter sido utilizado pelo comando da polícia secreta da União Soviética, desde 1944 – ano em que a Lituânia ficou de novo sob o controlo da URSS – até 1991, quando reconquistou a independência. Para além de ser a residência dos funcionários do Comitê da Segurança do Estado, o edifício era usado para os interorgatórios e como prisão dos opositores políticos do regime comunista. Mas a história de horror deste edifício começa antes, em 1941, quando os nazis invadiram a Lituânia e o edifício foi transformado em quartel-general da Gestapo. Em três anos, entre 1941 e 1944, só em Vilnius foram assassinadas cerca de 100 mil pessoas, na sua maioria hebreus, isto é, um terço dos habitamtes da cidade. Precisamente para recordar estes horrores da ocupação, o Governo quis converter o edifício num lugar dedicado à memória. Nas várias etapas da sua viagem, o Papa prestará homenagem à história dolorosa dum povo que, apesar das perseguições, permaneceu profundamente ancorado nas suas raízes cristãs.
16 Set 2018 | Focolare Worldwide
“Focolares ambulantes pelo mundo” os definiu Chiara Lubich. São formados por jovens, adultos, ou famílias, religiosos, adolescentes. Um projeto que se repete, graças às experiências positivas e aos frutos que esta original modalidade de encontro e intercâmbio está dando em várias partes do mundo. Uma destas se realizou em Maputo, a capital e maior cidade de Moçambique, e também o principal porto na baía de Delagoa, que se abre sobre o Oceano Índico. Na cidade sul-africana, cheia de mercados superlotados e coloridos, muito animada sobretudo nas horas noturnas, com uma estação ferroviária projetada por Gustave Eiffel, de 1º a 30 de agosto se “estabeleceu” o focolare “temporário” composto por Antonietta, Giovanni e Perga (de Loppiano), Padre Rogélio (religioso de Maputo), pe. Stefan (da Suíça) e Fátima (do focolare de Johannesburg). «Na chegada em Maputo imediatamente estreitamos entre nós um pacto de unidade. Nos vários encontros que tivemos nos dias sucessivos com as pessoas do lugar, jovens, famílias reunidas nas casas junto com os seus colegas de trabalho e amigos, religiosos e religiosas, vimos que a luz do carisma de Chiara Lubich entrava nos corações deles, fascinados pelo Evangelho que se torna vida. Outros belos momentos de família foram aqueles com o arcebispo D. Francisco Chimoio, que nos recomendou “não perder a nossa alegria e a levar ao mundo”, e com o Núncio Edgar Peña, que salientou a importância do “semear”».
Um “tour”, certamente não turístico, no Zimbabwe, por duas semanas no mês de agosto, foi a experiência vivida por três focolarinas. «Uma experiência – escreve Cielito de Portugal – que aconselharia a muitos, porque abre o coração, a mente e a alma às necessidades da humanidade. Duas semanas que me pareceram meses, tamanha foi a intensidade de cada dia». Após uma breve volta por Johannesburg, «primeira abordagem à pobreza deste continente, mas ainda bem diferente daquela que tivemos depois», o pequeno grupo se transferiu para Bulawayo, hóspedes de uma senhora num bairro da periferia, compartilhando em tudo as suas condições de vida e a pobreza. «O Zimbabwe – explica – é um país de maioria cristã e a vida das pessoas gira ao redor da vida das paróquias, com um forte sentido de pertença. Os nossos amigos do Movimento tinham preparado para nós, como programa, um “tour” pelas várias paróquias da cidade. São mais de mil as pessoas que encontramos naqueles dias, muitas das quais crianças e jovens, aos quais nos apresentamos contando as nossas experiências baseadas no Evangelho. Partíamos todas as manhãs nos confiando a Maria, sem saber quem encontraríamos. Colocávamos o que nos podia ser útil nas mochilas e… vamos lá!, confiando unicamente no Espírito Santo. Deixando para Deus a “direção” do dia, assistíamos com espanto aquilo que Ele realizava. Encontramos generosidade, prontidão e empenho, embora na pobreza dos meios, e isto foi para nós um grande testemunho». «Na segunda semana – conclui – nos transferimos para o interior do país, numa missão (um colégio fundado pelos jesuítas 130 anos atrás), e de lá, durante dois dias numa remota aldeia rural, para visitar um grupo de pessoas que a anos vive a Palavra de Vida. Gente paupérrima, mas capaz de uma acolhida refinada. A sua generosidade, a sua fé simples e profunda e a pureza do coração deles nos conquistaram. Neste lugar remoto, no meio do nada, vimos com os nossos olhos que o carisma da unidade é realmente universal».
14 Set 2018 | Sem categoria

© Ave Cerquetti, ‘Crocifissione’ – Lienz (Austria) 1975
«Maria, aos pés da cruz, não desfaleceu mas, elevando o coração e o olhar ao Pai, lhe oferece, como penhor do pacto reconstruído e como garantia da transformação realizada, aquele Filho, qual oferta preciosa, hóstia sem preço. No horizonte entre céu e terra, permaneceu então como Maria das dores, a desolada: a mulher que mais sofria. Mas, não prostrada sob a tragédia, consciente do serviço a ser prestado — serva do Senhor —, aos filhos deles, permaneceu também como sacerdote no altar, o único altar da cruz, para oferecer, adorando, à justiça eterna, aquele filho sem mácula, imolado por todos. A sua resistência permaneceu impávida também depois, quando os soldados, despregando o cadáver do Crucificado, o abandonaram em seus braços, e se dispersaram, com a multidão, pelas ruas estreitas, nos casebres sonolentos sob a escuridão da noite. Entre lampejos remanescentes e flores de estrelas, no silêncio estendido sobre a tragédia consumada, ela ainda permaneceu sozinha, continuando a oferta, ao Pai, daquele inocente exangue, o Filho sem igual, que ela estreitava recém-morto nos braços, como um dia, criança, predileto dos anjos, o estreitara em Belém, recém-nascido. Vindo à vida pelas mãos de uma virgem, afastou-se da vida pelas mãos de uma virgem: Virgo altare Christi. Recém-nascido então, recém-morto agora, era o preço com o qual resgatava todos da dor, fruto da culpa. É a atitude sublime da virgem cristã que, alicerçada em Deus, não teme. Quantas vezes a Igreja perseguida — Cristo exangue —, não foi reunida nos braços de virgens, humildes e fortes, enquanto, ao redor, a maioria fugia ou se escondia! Virgens, consagradas ou não, e mães de coração virginal, e poucos homens, segundo o exemplo de João, assistiram muitas vezes ao renovado suplício do Calvário e mantiveram vivo no coração o Cristo místico. Confiante em Deus, Maria oferece o Filho ao Pai, restituindo-o, para identificar-se com a vontade dele. Naquela hora, o seu delicado corpo mulíebre permanece ereto como altar, sobre o qual é imolado, para a salvação de todos, o filho dela, o cordeiro sem mácula. A sua, é a fé do sacerdote que imola, em uma hora trágica, a mais decisiva das horas soadas na sucessão do mundo. Toda alma é virgem — ensina santo Agostinho — na medida em que faz parte da Igreja que é virgem. Este mistério se associa à desolação de Maria, ao mesmo tempo em que nos une à paixão de Jesus; paixão que virginiza as almas arrependidas, presentes diante da cruz através do coração de Maria. Maria, aos pés da cruz, que oferece o Filho ao Pai, encarna o sacerdócio universal da Igreja: realiza o seu primeiro gesto, aquele que a Igreja não se cansa de repetir. Encarna a Igreja, e a simboliza, também ela virgem e mãe, que continua a obra de Maria, que se une àquela de Jesus. Para denotar a beleza e pureza e, juntamente, a natureza e a missão da Igreja, desde o início ela foi comparada a Maria: e foi vista quase como a Virgem Mãe expandida sobre o universo, para levar as almas a Cristo. Ela repete a beleza sem par da virgindade de Nossa Senhora, para recomeçar, sem tréguas, a obra redentora de Cristo». Igino Giordani, Maria modello perfetto, Città Nuova, Roma, 2012, pp.139-141