Permanecer “na encruzilhada de hoje” com a mesma atitude confiante e generosa de Maria. Foi o desejo expresso pelo Cardeal Kevin Farrell, prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, na homilia proferida na Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma (Itália), durante a Santa Missa de ação de graças do dia 7 de dezembro de 2023, por ocasião do octogésimo aniversário do nascimento do Movimento dos Focolares.Caríssimos, no dia em que teve início o carisma focolarino, há 80 anos, aqui, na casa de Maria, perto da manjedoura e do mistério da sua divina maternidade, damos graças ao Senhor pelo dom de Chiara Lubich e da numerosa família que nasceu ao redor dela. Repito-vos as palavras do Anjo Gabriel a Maria: “Não tenhas medo!”. Você também “encontrou a graça de Deus!”. Com estas palavras o Cardeal Kevin Joseph Farrel, prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, encorajou o Movimento dos Focolares, presidindo a Santa Missa que aconteceu na Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma, no dia 7 de dezembro de 2023. 80 anos depois do “Sim” a Deus de Chiara Lubich, o Cardeal Farrell, durante a liturgia com que a Igreja celebra a solenidade da Imaculada Conceição, convidou os presentes a recordarem o encontro com o carisma. Disse: “certamente todos vocês abraçaram o ideal focolarino como um grande dom de graça, como um favor de Deus”, encorajando-os a continuarem fielmente a levar essa dádiva no mundo. Para ler a homilia completa (A nossa tradução)
No dia 25 de novembro de 2023, Margaret Karram, presidente do Movimento dos Focolares, foi nomeada membro do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. O papa Francisco nomeou ad quinquennium 11 novos membros para o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, e entre eles está também a presidente da Obra de Maria (Movimento dos Focolares), Margaret Karram. Com ela e entre aqueles que representarão e enriquecerão a face universal da Igreja ao lado das pessoas já encarregadas, homens e mulheres, solteiros e casados, envolvidos em diversas áreas de atividades e provenientes de diversas partes do mundo: S. Ex. Mons. Josep Ángel Saiz Meneses – Arcebispo de Sevilha (Espanha); Rev. Andrea D’Auria, F.S.C.B. – Diretor do Centro Internacional de Comunhão e Libertação; Rev. Luis Felipe Navarro Marfá – Magnífico Reitor da Pontifícia Universidade da Santa Cruz em Roma (Itália); Srs. Benoît e Véronique Rabourdin – Responsáveis Internacionais do Amor e Verdade da Communauté de l ‘Emmanuel; Dr. Joseph Teyu Chou e Sra. Clare Jiayann Yeh – respectivamente professor do Departamento de Finanças Públicas da Universidade Nacional Chengchi em Taipei (Taiwan) e Fundadora e Diretora do Marriage and Family Pastoral Center da Conferência Episcopal Regional Chinesa; Dra. Ana María Celis Brunet – Presidente do Consejo Nacional para la Prevención de abusos y acompañamiento de víctimas da Conferência Episcopal do Chile; Dra. Maria Luisa Di Pietro – Diretora do Centro de Pesquisa e Estudos sobre Saúde Procriativa da Universidade Católica do Sagrado Coração em Roma (Itália); Dra. Carmen Peña García – Professora de Direito Matrimonial da Faculdade de Direito Canônico da Universidade Pontifícia Comillas em Madri (Espanha) Os novos membros, cuja nomeação foi publicada no dia 25 de novembro de 2023 no Boletim da Santa Sé, juntam-se aos nomeados anteriormente e a todos os ainda em função, cujos nomes atualizados podem ser consultados no site do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida na página Membros e Consultores.
A cidade de Timisoara, na Romênia, hospedou recentemente o encontro anual “Juntos pela Europa” com o tema “Chamados à unidade”. Esse encontro reuniu 51 movimentos representando mais de 300 realidades e comunidades cristãs da vasta rede de Juntos pela Europa.Criar espaços de vida nas fissuras No complexo contexto sociopolítico que a Europa está atravessando, os líderes de “Juntos pela Europa” se reuniram de 16 a 18 de novembro de 2023 em Timisoara (Romênia) para responder a uma pergunta importante: “Qual é o papel das comunidades cristãs na Europa hoje?”. Essa pergunta ganhou relevância diante de questões globais como os vários conflitos que estão ocorrendo, as dinâmicas migratórias, a crise climática. Herbert Lauenroth, historiador e membro do Comitê diretivo de Juntos pela Europa, destacou a crise que atinge todas as igrejas e evidenciou o peso do momento: “Onde está hoje a Europa, Juntos pela Europa? Na direção de qual tipo de Europa, na direção de qual tipo de ‘Juntos’ estamos nos movendo?”. Em um contexto de crescente incerteza, os participantes se perguntaram o que significa “Juntos pela Europa”, buscando discernir a direção e as perspectivas futuras. Desde as primeiras sessões era evidente que a escolha de Timisoara como sede do encontro adicionou mais uma camada de significado. A capital europeia da cultura de 2023 é uma testemunha da coexistência harmoniosa de diversas crenças cristãs, na qual comunidades diversas se encontram e prosperam na unidade. Gerhard Proß, moderador de Juntos pela Europa e responsável do CVJM (Christlicher Verein junger Menschen) de Esslingen (Alemanha), ofereceu uma perspectiva a partir da fé cristã: “Deus cria espaço nas fissuras”, disse, “Jesus mesmo entrou nas fendas mais profundas desse mundo”. Depois, explicou que a imagem de Cristo, com os braços abertos entre o céu e a terra, simboliza uma entrada profunda nas fraturas entre Deus e a humanidade, entre indivíduos, grupos, denominações e nações. Jesus desceu até as profundezas: “Ali criou um espaço de vida”. São palavras que tiveram um eco profundo, suscitando reflexões sobre como, diante dos desafios contemporâneos, as comunidades cristãs podem criar espaços de vida em meio a fraturas, tensões e incertezas. Cultivar a unidade Os participantes tiveram sessões de diálogo, se envolveram juntos em discursos intelectuais, laboratórios de experiências e momentos de oração. Seis workshops exploraram temas como a integração social, as perspectivas dos jovens, a ética e a não-violência, promovendo uma compreensão mais profunda da diversidade no interior da comunidade cristã. Um momento importante foi a visita ao Museu da Catedral Ortodoxa, seguido das vésperas na Catedral Ortodoxa da cidade, das quais participaram autoridades e líderes religiosos das diversas Igrejas presentes. Esses momentos de oração comum favoreceram um clima harmonioso, no qual a unidade e a diversidade conviviam. As falas na plenária e as atividades foram intercaladas com música e oração, criando um fio que caracterizou toda a conferência. Durante um dos seus cantos, o Coro Ecumênico Jovem convidou todos a abraçar os diversos modos de oração: “Sabemos que todos oramos do nosso modo. Vamos nos abrir para experimentar a oração do outro durante esses dias em Timisoara”. Foi particularmente forte o momento de oração pela paz no qual foram citados os conflitos no mundo todo, com atenção particular para a Ucrânia e o Oriente Médio. Todos os participantes prometeram se comprometer com a unidade, firmando um pacto de amor recíproco. Foi um momento que simbolizou a pedra angular sobre a qual se funda uma Europa fraterna. Coligar os valores às políticasNo âmbito do projeto DialogUE, financiado pela União Europeia, o encontro anual de “Juntos pela Europa” confrontou também temáticas voltadas a desenvolver conselhos e recomendações para as políticas sociais da União Europeia. O professor Philip McDonagh, ex-diplomata irlandês e diretor do “Centro para as religiões, valores humanos e relações internacionais” da Universidade de Dublin, destacou a importância do artigo 17 do Tratado sobre o funcionamento da União Europeia (TFUE). Esse artigo promove um diálogo aberto e transparente sobre as principais questões sociais que a Europa deve enfrentar por meio de encontros de alto nível e seminários de diálogos e trabalho entre as instituições europeias e as Igrejas, assim como as organizações não religiosas e filosóficas. O professor destacou a contribuição das Igrejas no debate público, atingindo seus fundamentos filosóficos, valores de compaixão, cuidado, solidariedade e respeito pelo pluralismo. Espera que as Igrejas se esforcem para preencher os espaços entre os valores de alto nível e as políticas cotidianas, oferecendo uma perspectiva necessária sobre questões como a paz, a inclusão e a integração. Convidando a uma abordagem multilateral, evidenciou a necessidade de que a Europa seja percebida positivamente pela comunidade global e sublinhou a responsabilidade de considerar as perspectivas do Sul do planeta. Esperança na unidadeMargaret Karram, presidente do Movimento dos Focolares, estava presente junto com o copresidente Jesús Morán e falou oferecendo palavras de esperança: “Gostaria de ter, junto com todos vocês, essa convicção: tudo é possível!”. As palavras dela convidaram a ter um olhar otimista, a reconhecer a humanidade compartilhada e a criar redes de fraternidade. Karram encorajou a rede “Juntos pela Europa” a abraçar os carismas nascidos do Evangelho, a se envolver no diálogo e a abrir espaços para buscar respostas tangíveis aos desafios contemporâneos. O bispo Josef-Csaba Pál de Timisoara expressou gratidão por esses dias: “Uma pequena semente dessa fraternidade, unidade e amor foi colocada em nós, nas nossas Igrejas, mas também na sociedade. A rede Juntos pela Europa é uma daquelas iniciativas maravilhosas em que Deus permitiu que as coisas boas crescessem no decorrer dos anos. Continuemos a trabalhar juntamente a todas as pessoas de boa vontade!”. Olhando para o futuro, foi anunciado o próximo encontro anual de Juntos pela Europa: será em Graz-Seckau, na Áustria, de 31 de outubro a 02 de novembro de 2024. As confissões cristãs presentes foram: Ortodoxos gregos, romenos, armênios e russos, gregos, romanos e veterocatólicos, protestantes, luteranos, reformados, anglicanos e Igrejas livres.
Da espiritualidade da unidade à pastoral generativa da Igreja; do encontro entre os jovens e Jesus ao papel fundamental do Espírito Santo no Sínodo sobre a sinodalidade. Esses são alguns dos temas que Jesús Morán, copresidente do Movimento dos Focolares, abordou em uma entrevista à emissora de televisão eslovaca TVLUX, em 6 de outubro de 2023. As imagens nos foram gentilmente cedidas pela TVLUX.Nestes dias, o sacerdote espanhol e copresidente do Movimento dos Focolares, Jesús Morán, visitou a Eslováquia. Ele conheceu vários bispos formadores e mais de 80 seminaristas em Nitra. Agora, está aqui no nosso programa. Seja bem-vindo. Quando dizemos Movimento dos Focolares, o que imaginamos? Qual o seu significado? O Movimento dos Focolares é um movimento da Igreja Católica cujo centro é o carisma da unidade. O grande teólogo Von Balthasar disse que cada carisma da Igreja é como uma visão de todo o Evangelho a partir de um ponto de vista. Pois bem, o carisma da unidade é todo o Evangelho visto a partir do testamento de Jesus: “que todos sejam um”. Portanto, o centro, tudo o que o Movimento faz no campo eclesial, no campo civil, no campo social, tem a ver com a unidade. Nós almejamos a unidade – unidade de tipo evangélico, como emerge do Evangelho. Unidade, que é uma forma de vida comunitária. Na verdade, pode-se dizer que a Espiritualidade da unidade é a espiritualidade de comunhão, por isso, enfatizamos muito o amor mútuo, o encontro com o irmão. Superar as divisões em um contexto social mais amplo. Propagar a fraternidade universal, certamente, mas o centro é essa oração. Por isso, dizemos sempre que queremos viver na terra, na medida do possível, como se vive na Trindade, ou seja, que a Trindade é comunhão de amor. A fundadora do seu movimento foi Chiara Lubich, que é bem conhecida aqui na Eslováquia. Desde o início, a liderança do movimento é sempre ocupada por uma mulher, o Presidente é sempre uma mulher, é por isso que você é copresidente. Por que é assim? Creio que tem a ver com o nome oficial do Movimento na Igreja, porque somos Movimento dos Focolares ou Obra de Maria. Na realidade, nos estatutos aprovados pela Igreja, fala-se de Obra de Maria. Por isso enfatizamos muito o princípio mariano da Igreja, que é um princípio materno, generativo, que revela uma Igreja acolhedora. Obviamente, o princípio mariano é melhor expresso pelas mulheres. Essa é a ideia. Devemos pensar que a Igreja é mariana, ou seja, Maria é o modelo da Igreja. O Vaticano II disse isso muito claramente: Maria é mãe da Igreja. Nesse sentido, queremos ser um reflexo dessa realidade. A presidência feminina, além de destacar a mulher, o que é um sinal dos tempos, almeja sobretudo evidenciar esse princípio mariano, um princípio tão necessário hoje. Parece ser muito necessário, lembrando aquilo que papa Francisco sublinha, ou seja, uma Igreja mais próxima do povo, uma Igreja em saída, uma Igreja menos clerical, menos masculina. Pois bem, tudo isso tem a ver com a presidência feminina do Movimento dos Focolares. Tem a ver com Maria, acima de tudo. Você veio à Eslováquia não só para conhecer os membros do Movimento dos Focolares, mas também os nossos bispos, sacerdotes, seminaristas. Esse encontro aconteceu em Nitra. Quais sentimentos o encontro com nossos sacerdotes despertou em você? A verdade é que estive com o bispo de Nitra e com outros bispos de várias dioceses, que participaram do encontro com seminaristas de 5 dioceses. Eu me senti muito acolhido, antes de tudo, muito acolhido. Depois, na sala, vi pessoas que seguiam Jesus, vi realmente muita pureza nos seminaristas, muita seriedade. Também alguns, depois do encontro e depois do jantar, quiseram aprofundar o que eu havia dito. Quiseram conversar comigo e percebi nas perguntas uma necessidade, uma urgência de querer ser sacerdotes em sintonia com os tempos atuais. Um sacerdote hoje que vive autenticamente o Evangelho, antes de tudo. Fiquei muito, muito edificado. Você deu bastante ênfase à pastoral generativa, do que se trata? A pastoral generativa é um conceito que vem em evidência nos últimos tempos. Especialmente no Ocidente, uma vez que estamos testemunhando – poderíamos dizer assim – um declínio da Igreja em termos numéricos. Antes, as igrejas estavam cheias, as pessoas participavam dos sacramentos. Muitas pessoas recebiam o batismo, faziam a primeira comunhão. Agora isso diminuiu drasticamente. Então, a questão é: o que está acontecendo? Parece que os métodos utilizados com sucesso durante tantos anos ou séculos não funcionam mais. Então, temos que pensar novamente na pastoral? A pastoral da geratividade não é uma nova pastoral, é como ir à origem da pastoral; e a origem de toda pastoral está em Jesus. E como Jesus evangelizou? Ele é o Evangelho vivo, e evangelizou por meio de encontros pessoais muito profundos. Ou seja, se olharmos para os Evangelhos, sempre que Jesus encontra alguém acontece algo significativo para a pessoa. Vemos isso com Nicodemos, com Zaqueu, com Mateus, com o centurião, com a mulher samaritana, com a mulher hemorrágica, com a mulher cananeia. Sempre acontece alguma coisa. Jesus gera algo no outro. Devemos passar do que se chama pastoral de enquadramento, que é o que tivemos de tipo quantitativo – quantos batizados, quantos se casaram este ano nesta paróquia – para uma pastoral que busca a qualidade, qualidade e não tanto quantidade. Perceber o que está acontecendo nas nossas paróquias. Existe vida cristã nas nossas paróquias? Buscar uma maior fecundidade, e não apenas os resultados. Essa é a pastoral generativa. Portanto, enfatiza muito o encontro com o outro: para encontrar o outro não é preciso esperar que ele venha pedir um sacramento, é preciso ir ao encontro do outro. Portanto, a pastoral generativa muda a ideia do Pastor, muda também a ideia dos cristãos. Sem dúvida são necessários apóstolos que gerem, mas acima de tudo é necessária uma comunidade. acolhedora. Deve continuar acontecendo aquilo que acontecia com Jesus: as pessoas participam da comunidade e ali alguma coisa acontece. Elas são tocadas por algo. Isso, em resumo, é o que temos conversado com os seminaristas. Será que os jovens de hoje procuram a vida e o que eles precisam é que lhes levemos essa vida, que é a vida com Jesus? Sem dúvida. Acho que… sempre pensei que Jesus nunca abordava as pessoas com doutrina. Ele estava sempre em busca de um encontro pessoal, depois ensinava. Embora vejamos Jesus ensinando, percebemos que Ele dedicou muito tempo a esses encontros pessoais. Por isso acredito que os jovens de hoje procuram a vida. A doutrina tem que ser baseada na vida e no encontro com Ele, para que possam aceitá-la. Caso contrário, o cristianismo se torna apenas algo ligado à moral ao ensinamento, mas o cristianismo não é isso. O cristianismo é um encontro com Cristo. Esses jovens que você encontrou em Nitra são os futuros pastores da nossa Igreja. Como podem ser os pastores de que necessitamos neste tempo e para que não caiam no clericalismo de que tanto fala o Papa Francisco? Acredito que um Pastor de alguma forma tem que, mais do que pastorear – que é uma palavra que até mesmo o Papa Francisco usa quando fala em italiano, ele a usa assim em espanhol – ele tem que amar. Primeiro amar, depois pastorear. Se alguém se coloca na posição de pastorear, se coloca numa situação de superioridade como se tivesse que ensinar. Depois, por outro lado, o pároco hoje tem que amar primeiro os paroquianos, tem que amar todos os fiéis. E assim ele é um pastor. Esse é verdadeiramente um Pastor, é assim que ele tem autoridade sobre os outros. Isso é fundamental. É o que disse antes: não buscar tanto os resultados, mas a fecundidade. Outra coisa. Hoje o pastor tem que estar muito atento para não anunciar a si mesmo. Ele anuncia Cristo, portanto, tem que estar profundamente inserido em Cristo, profundamente em Cristo. Um pastor isolado, que não vive em uma comunidade cristã, que não vive o amor mútuo com os outros, dificilmente poderá comunicar o amor que Jesus proclamou na sua vida. Você disse uma palavra que me fez pensar que isso acontece não só com os sacerdotes, mas também com os cristãos que vivem profundamente a sua fé, porém, às vezes esquecem que não são eles que salvam as pessoas, mas é Jesus. Exato. Isso é importante. É por isso que enfatizo muito a comunidade. São Paulo, na primeira carta aos Coríntios, alerta contra o personalismo, quando alguns dizem que são de Apolo, outros dizem que são de Paulo, outros que são de Pedro… Não, somos todos de Cristo, mas Cristo vive na comunidade, na comunidade paroquial. Na comunidade, Ele está presente na Eucaristia, que é mistério de comunhão. Isso é fundamental. Muitas vezes caímos no erro de anunciarmos a nós mesmos com as nossas ideias, em vez de deixar que seja Cristo a falar. A Eslováquia é considerada um país bastante conservador, agora no momento do Sínodo que se realiza em Roma, no Vaticano. Existem vários movimentos que querem avançar e outros que retrocedem. Como manter todo o bem, mas também avançar com a novidade e o bem? Fiquei muito impressionado com o que o papa Francisco disse anteontem, na primeira sessão do Sínodo. Insistiu muito que o protagonista do Sínodo é o Espírito Santo. E o Espírito Santo está além desses esquemas que são humanos. Um cristão, enquanto cristão, não é conservador nem progressista, é uma pessoa nova, é uma nova criatura. Lemos isso nestes dias na Carta de São Paulo aos Gálatas. É o Espírito Santo quem nos torna novas criaturas, com a nossa mentalidade. Permanecemos com a nossa mentalidade, aquilo que somos. Acredito que temos que superar esses dualismos que não são bons para a Igreja. O Espírito Santo sempre gera novidades. Ele, está na origem de todos os carismas, de todas as novidades da história da Igreja. Ao mesmo tempo, tudo o que o Espírito Santo promove na Igreja vem do Pai. Portanto, Ele também está ancorado na origem. Isso nos diz que é necessária uma maior presença do Espírito Santo na Igreja. Essa é a única maneira de superar esses dualismos que não nos fazem bem. Muito obrigado. Obrigado ao padre Jesús Morán pela presença no nosso programa. Obrigado por me receberem. Muito obrigado a todos e até o próximo programa.Ver o vídeo (ativar legendas em português)
Duas semanas intensas de tournée do Gen Verde em Portugal que, desde o final de julho aos inícios de agosto de 2023, de norte a sul do país, entre workshops de arte e concertos, com a ajuda de muitos jovens, conseguiu transformar a música em instrumento de testemunho e encontro com o outro. Partiram de Braga (Portugal) para depois irem ao sul do país, ao Algarve, concluindo a viagem em Lisboa, no ambiente festivo e inebriante de uma Jornada Mundial da Juventude cuja bela memória ainda se respira. Este é o caminho que o Gen Verde international Performing Arts Group, grupo musical feminino nascido em 1966 por inspiração de Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, realizou de 23 de julho a 4 de agosto. Uma tournée intensa para promover o encontro e a amizade e na qual, depois de semeada em palavras e notas, muito se colheu em termos de vivência. Exemplo disso é o Start Now Workshop Project (Projeto Comece Já, n.d.t.), um projeto musical e artístico de educação para a paz e para o diálogo realizado pelo Gen Verde que contou, em Braga, com a participação de um grupo de jovens da Espanha e de Portugal e a especial colaboração com o Projeto Homem Braga, especializado no tratamento, prevenção, redução de danos e reintegração de pessoas com dependências. “Costumamos sentir um pouco de medo quando convidamos pessoas de fora para conhecer os usuários do nosso centro – afirma uma das educadoras da sede do Projeto Homem Braga após reunião com os artistas – porque não queremos atrapalhar o processo de recuperação. Mas hoje queremos lhes agradecer por trazerem tanta alegria a todos nós”. “Descobrimos que a música, a dança e a arte podem realmente nos ajudar a superar muitas barreiras, como linguísticas e culturais”, diz um menino espanhol que participou da oficina. “Às vezes é difícil remar na mesma direção, é preciso paciência porque nem todos vamos no mesmo ritmo, mas uma coisa que carregamos conosco é a alegria que se transmite, além das dificuldades. O amor nos faz superar todos os conflitos”. Ao som de Girl On A Mission (Magnificat), canção composta pelo Gen Verde para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em Lisboa, o grupo deslocou-se para Faro, no sul do país, onde participou nas Jornadas nas dioceses que antecederam a JMJ e se concluíram com concerto no Estádio Algarve, em 31 de julho. Depois, a viagem continuou rumo à capital portuguesa para mais uma edição do “Start Now” (“Comece Já”, n.d.t.) em que participaram cerca de 100 jovens que, no final, dia 2 de agosto, atuaram com as artistas no palco do Auditório da Faculdade de Medicina Dentária em Lisboa completamente lotado. “Foi muito gratificante participar numa atividade como esta – diz uma das jovens – porque pudemos aprender e conhecer outras pessoas. Entendemos que é importante tanto dar a nossa opinião quanto, quando necessário, saber perder essa ideia no trabalho em equipe. A palavra que resume tudo o que aprendemos é humildade, dar ao outro a oportunidade de se expressar”. Aprender a superar desafios como – diz outra jovem – “o de saber ouvir, captar as ideias dos outros, aprender a interagir; deixar a timidez e criar algo bonito, mas juntos”. Marita Alvarez (Argentina), cantora do Gen Verde, nos conta: “encontramos muitos jovens que participaram de nossas oficinas artísticas em muitos países ao longo dos anos e, assim, entendemos o quão profundas, verdadeiras e duradouras essas relações foram. Da Eslováquia, Polônia, Ucrânia, Espanha, Áustria, Alemanha e Itália, para citar alguns, vimos esses jovens como líderes de suas comunidades, comprometidos e prontos para multiplicar a alegria através do “Magnificat anima mea” que Deus tem feito em suas vidas”. Em plena JMJ, Lisboa colore-se de jovens e torna-se uma oportunidade única para testemunhar e, ao mesmo tempo, experimentar a vivacidade de uma Igreja peregrina que, de todas as partes do globo, chama pelo nome. E foi neste espírito de família que o Gen Verde participou no segundo dia da catequese Rise Up (Levantar, n.d.t.) organizada pelo Movimento dos Focolares, onde cantou e animou a missa juntamente com mais de 7.000 jovens, para depois concluir a sua viagem em Portugal com um concerto, dia 4 de agosto, na Alameda Dom Afonso Henriques, no final do Festival Halleluya. “Fiquei muito impressionado com a unidade entre as componentes do grupo – disse Jesús Morán, co-presidente do Movimento dos Focolares – e os jovens ficaram muito felizes, todos envolvidos no ritmo, na música. Mas também nos momentos de profundidade, que não faltam nas canções, os jovens souberam participar com o recolhimento. Podemos imaginar a Via Crucis: foi como a ‘décima quinta estação’, que não existe, mas que, como todos dizem e imaginam, é o sinal da Ressurreição. Foi como um cântico à Ressurreição, à alegria. Creio que esta é a forma certa de comunicar o Evangelho com uma linguagem musical que tanto agrada aos jovens”.