29 Jul 2015 | Focolare Worldwide
Na Nigéria existe um grande desnível de desenvolvimento entre as cidades e os vilarejos rurais, locais em que quase não existe infraestrutura e faltam eletricidade, assistência médica, estradas, etc. Yakoko é um desses vilarejos – próximo ao deserto, em meio às montanhas – no qual a comunidade cristã e a muçulmana, desde sempre vivem em grande concordância. À noite, após o trabalho nas lavouras, os homens se reúnem na praça para conversar e tomar uma bebida alcoólica que eles produzem com a Guinea corn. Uma missionária, Irmã Patricia Finba, há anos levara a Yokoko a espiritualidade dos Focolares e Felix, Abubacar, Nicodemus, Loreto, padre Giorge Jogo e outros a assumiram como própria. No ano passado eles acolheram em Yokoko mais de 200 pessoas, vindas de várias regiões da Nigéria, para aprofundarem-se no conhecimento e vivência da espiritualidade. Neste ano um grupo de jovens e adultos de Onitsha decidiu passar alguns dias em Yokoko. Depois de 24 horas de viagem – às vezes perigosa, nas vans superlotadas, carregadas de malas e pacotes – foram acolhidos calorosamente pelos membros da comunidade e hospedados nas suas casas. “Participando da vida deles – nos conta Luce – partilhamos tudo”. “E – continua Cike – nos demos conta de que aos jovens não interessavam tanto os bens materiais, as roupas e os medicamentos que tínhamos levado, mas, os bens espirituais, a nossa amizade e o tesouro da nossa vida: a descoberta de Deus Amor.” Por isso decidiram passar juntos um dia de reflexão, indo até a uma montanha que, pela sua árida beleza, contribui à meditação. “Foi um dia muito importante – nos conta Imma – porque havia uma atmosfera de amizade profunda. Partilhamos os valores nos quais cremos e sobre os quais fundamentamos a nossa vida”. Nos dias seguintes levaram ajuda a quem necessitava, especialmente aos idosos e crianças e aos muitos refugiados vindos do norte do país. Visitaram cinco povoados.
Uma comunidade muçulmana os recebeu com grande alegria. Alguns dentre eles já vivem pela unidade do mundo e, com eles, estabeleceu-se imediatamente uma atmosfera de família, na qual puderam partilhar alegrias e sofrimentos daquele povo. As aldeias estavam passando por um período muito difícil por causa da seca e, seguindo a tradição, haviam pedido a uma pessoa importante na aldeia para rezar pedindo a chuva. Mas, não choveu e eles decidiram matar aquela pessoa. “Ao saber de tal decisão ficamos muito preocupados e rezamos, pedindo a Deus que mandasse a chuva – nos conta ainda Luce –, três dias depois Deus nos abençoou com uma chuva forte! Mas, além da chuva, ficamos felizes por ter salvado uma vida”.
28 Jul 2015 | Focolare Worldwide
https://vimeo.com/133758828 Havia vários anos que o campo devia ser liberado por sérios motivos sanitários e ambientais, mas não era uma tarefa simples porque nele morava uma comunidade de trinta famílias. Mario Bruni, prefeito de Alghero, decidiu fazê-lo tendo o cuidado de envolver as famílias ciganas na escolha do lugar para aonde iriam se transferir. Em Alghero há muitos desocupados e muita gente na fila de espera para ganhar uma casa. Por isso, como dizia o prefeito, pode ser difícil fazer com que os cidadãos entendam «que existem financiamentos específicos, que todos devemos cuidar da inclusão social e às vezes tomar decisões até impopulares, que podem não ser entendidas». «Os trinta ciganos menores de idade são importantes para mim como cada cidadão de Alghero, e devo procurar mostrar com os fatos que isso é possível», continua Bruni, «e ajudar os outros a darem este passo, sabendo muito bem que tenho no coração todos os problemas, e não apenas os de uma parte». Encontrar soluções, para os cidadãos, é um modo de demonstrar concretamente que as pessoas tem o mesmo valor. E o prefeito o fez anunciando um financiamento de três milhões e seiscentos mil euros para a construção de 28 albergues para moradores de Alghero. Como homem político, Bruni encontra-se às vezes em situações difíceis. Ele conta que procura enfrentá-las «com bom senso, entrando decididamente nas medidas administrativas, sem passar por cima delas, porque efetivamente estamos defendendo os bens que são de todos, não são nossos, nós somos apenas administradores». No prefeito existe a «exigência de enfrentar a complexidade do momento que vivemos (…) onde podemos ser parte de uma resposta; e eu acredito que essa resposta podemos dar individualmente mas também coletivamente, o que significa viver por um bem que vá além de nós». Respostas, como ele mesmo diz, inspiradas em Chiara Lubich e em seu pensamento político.
25 Jul 2015 | Focolare Worldwide
Jean Paul frequenta o último ano da faculdade de engenharia civil e há alguns anos conheceu a espiritualidade da unidade. O Burundi, como muitos sabem, atravessa uma difícil situação política, às vésperas das próximas eleições. O empasse político provocou não poucas controvérsias, com manifestações e confrontos. Houve quem perdeu a vida. E foi neste contexto de grande instabilidade e sofrimento que Jean Paul, voltando para casa a pé, com um amigo, porque não haviam encontrado um meio público, deparou-se com um novo e inesperado rosto de Jesus Abandonado. Quem escreve é Marcellus, com toda a comunidade dos Focolares do Burundi e Ruanda. «É a noite do dia 2 de maio quando os dois jovens são atacados por um grupo de bandidos. Batem neles brutalmente, até perderem a consciência. Alguns policiais os encontram jogados em um bueiro e são levados ao hospital. O amigo tem lesões leves, mas o estado de Jean Paul é grave: uma fratura na coluna vertebral com paralisia dos membros inferiores. Não obstante a gravidade de seu estado Jean Paul sorri sempre, e espera ficar curado. Confia-se a Deus e a Chiara [Lubich]. “Se ainda estou vivo já é um milagre seu”, afirma. Em pouco tempo a notícia do que havia acontecido a Jean Paul chega a toda a comunidade que, além de rezar por ele, se mobiliza para conseguir o dinheiro necessário e uma ambulância que deve levá-lo para Ruanda, onde poderá ter os tratamentos adequados. Com um enfermeiro e Séverin, um jovem do seu grupo gen, viaja para Kigali (Ruanda) no dia 12 de maio. A corrente de amor e de orações por Jean Paul se alarga, envolvendo toda a família do Movimento dos Focolares, em Ruanda e no mundo, especialmente os gen. Em Kigali, Jean Paul e Séverin dão um testemunho de forte amor recíproco. Todos no hospital surpreendem-se que as visitas a esse jovem sejam mais numerosas que as de todos os outros doentes. E se maravilham pelo fato que Jean Paul e Séverin não são irmãos, não vem do mesmo povoado e não são nem da mesma etnia. Eles explicam a todos que o que os move é outra coisa: a espiritualidade da unidade, baseada no amor mútuo pedido por Jesus. Após vários exames médicos, Jean Paul é operado, na coluna e no tórax, dia 1º de junho, no hospital “Roi Fayçal”. O custo do hospital é muito alto, mas não falta a intervenção de Deus, com a sua providência. Jean Paul, que jamais perde a coragem, vê nessa experiência um verdadeiro milagre. A intervenção cirúrgica corre bem e isso é um grande encorajamento para todos. Jean Paul é transferido a outro departamento onde inicia a fisioterapia, acompanhado de perto pelo médico e a equipe que o operou. A sua saúde dá sinais de recuperação inacreditáveis. Recomeça a sentir fome, as necessidade fisiológicas, a dor, a sensibilidade nos pés. Agora pode sair da cama e girar pelo hospital numa cadeira de rodas. Afirma que se não fosse pelo amor dessa família alargada não estaria mais vivo. Jean Paul é muito grato a toda a comunidade dos Focolares em Ruanda, aos gen do mundo inteiro, aos Centros Gen internacionais, e a todos os que fizeram chegar até ele ajudas em dinheiro e em orações. Agora brota do nosso coração um imenso agradecimento a Deus por ter-nos dado a possibilidade de viver essa forte experiência, que suscitou atenção, comunhão e amor verdadeiro entre o seus filhos, um testemunho forte de que o amor vence tudo».
23 Jul 2015 | Focolare Worldwide
Dar resposta a situação de violência que se vive no País Basco, consequência da luta armada do Grupo ETA. Objetivo: buscar sanar as feridas ainda abertas e assegurar um futuro de paz. É a atitude de base do Movimento Político pela Unidade na Espanha. «Esta é uma utopia, mas talvez a única solução para o nosso povo». Foi a acurada manifestação de esperança de alguns membros do Conselho Provincial de Gipuzkoa, dez anos atrás, quando alguns dirigentes do Movimento Politico pela Unidade (MppU) vindos da Itália falaram a eles da fraternidade como categoria política. Uma perspectiva que resultou quase um choque, diante do clima que se respirava no País Basco com a ação do ETA. Com o objetivo de obter a independência para o povo basco, os grupos armados do ETA semeavam uma atmosfera de violência e terror. A tensão era altíssima. Naquela época – primeiros meses de 2005 – um grupo de políticos, pertencentes não só a partidos diferentes, mas também com diferentes ideologias, uniram-se para iniciar um caminho que busca a regeneração política, fundamentada na acolhida mútua dos povos, sem exclusões. Abriu-se assim um espaço de debate, de aceitação do outro, envolvendo políticos com sensibilidades distintas, funcionários públicos, sindicalistas, cidadãos… sedentos de uma convivência normal, de paz verdadeira. Os encontros acontecem cada dois meses, escolhendo cada vez uma sede diferente, alternando entre os vários partidos. Entre os participantes há alguém que recebeu ameaças devido à sua adesão partidária e chega escoltado, há quem teme não ser entendido no próprio partido e até ser expulso; mas todos tem coragem e, superando toda desconfiança, desejam testemunhar que a fraternidade é possível, começando por eles.
Com o passar do tempo vê-se que é oportuno o intercâmbio de experiências com políticos de outros territórios e comunidades. E assim alguns do grupo vão a Madri. Participam de uma série de encontros onde conhecem outras experiências, e convidam todos a reunirem-se em Euskadi, com o grupo de Gipuzkoa. É um momento histórico: quatro horas de diálogo para conhecer-se, escutar-se, desculpar-se. Nasce, em seguida, a necessidade de elaborar um documento como alternativa à crise, que cada um submete ao estudo do próprio partido. Muitos sentem que é preciso compartilhar o conteúdo do documento, realizar seminários e mesas redondas em outras comunidades autônomas, apresentando a experiência da fraternidade e da convivência pacífica que se baseia, precisamente, na fraternidade. Com a suspensão da atividade armada do ETA (2011) inicia um novo processo que, embora não simples, traz muita esperança. Existem ainda muitas pessoas, famílias e grupos que mesmo partilhando a mesma identidade estão divididos, com constantes confrontos e sérias dificuldades para dialogar. O laboratório político que havia sido gerado nos tempos duros – familiarmente denominado “laboratório para aprender a paz” – continua o seu caminho de pacificação e busca da paz, enfrentando os diferentes pontos de vista sobre os fatos históricos, sanando feridas ainda abertas. Elaboram o documento “Pelo caminho de reconciliação da sociedade basca” (janeiro de 2013), que descreve os alicerces sobre os quais caminhar daquele momento em diante; esse documento é informalmente conhecido como “a terra onde pisamos”.
Cada vez que o diálogo parece ser dificultado procura-se reaviva-lo, ajudando-se mutuamente a acreditar que cada homem é um irmão, e que com todos é possível construir alguma coisa. Isso não significa não reconhecer os delitos e o grande número de pessoas que pagaram com a vida. Pelo contrário, aceitando o passado e reconhecendo a injusta e inexplicável violência sofrida, procura-se ver a história como um lento e árduo caminho rumo à reconciliação e a paz, ao qual cada um pode e deve dar a própria contribuição. No dia 13 de maio de 2015, justamente na vigília do aniversário de Chiara Lubich no qual aprofundava-se a sua visão da política, esse grupo reuniu-se em “Las Juntas Generales de Gipuzkoa” (o parlamento da província), em San Sebastian, convidando especialistas, intelectuais, personalidades políticas. O debate era sobre “Relacionamento entre o bem comum e os bens comuns na globalização”, cujo documento base, enviado antecipadamente a todos e muito apreciado, havia sido preparado no “laboratório para aprender a paz”. Numa atmosfera de acolhimento recíproco emergiram válidas contribuições, posteriormente integradas ao documento, que será divulgado para promover, em todos os níveis, o valor da fraternidade.
20 Jul 2015 | Focolare Worldwide
Ore aguije Papa Francisco pe, ha peeme avei pe ñembo’ehaguere ore rehe. Em guarani: «O nosso obrigada ao Papa Francisco, e a todos vocês, pelas orações feitas por estes dias». «Como havíamos imaginado, e muito mais, foram superabundantes as graças que caíram sobre todo o povo paraguaio durante a presença de Sua Santidade entre nós», escrevem Nelson Benites e Margarita Ávalos, responsáveis pelos Focolares no Paraguai, após a passagem do Papa. «As crianças, os doentes, os mais pobres e os jovens foram os principais protagonistas da visita. Mais de 80 mil “servidores”, quase todos jovens, de todo o país, trabalharam dia e noite durante três dias. Mas os preparativos duraram ao menos três meses. Um fato concreto que traz uma verdadeira esperança!». «Fui um “servidor” do Papa – conta Nhuel Espinola – e foi genial! Tenho 15 anos e não sei quando voltarei a viver algo assim. Espero que as suas mensagens cheguem a todos os jovens». «Um feeling imediato com o povo», e algumas imagens nunca serão canceladas da memória: as crianças do coro de Luque correndo para um abraço coletivo no Papa, as milhares de pessoas nas ruas, a parada diante da penitenciária feminina. «As crianças doentes de câncer em um hospital, quando souberam que o Papa viria não queriam voltar para casa». E ainda, a visita ao “Bañado Norte”, um dos bairros mais pobres da capital, onde o Papa entrou na casa de uma senhora doente. «Para a ocasião ela havia preparado a “chipa” e a “sopa paraguaia”, pratos típicos que o Papa gosta. Ou a visita, fora do programa, à paróquia de Cristo Rei, para visitar o coração conservado do mártir e primeiro santo paraguaio, São Roque González de Santa Cruz». Em Caacupé o Papa consagrou o Paraguai a Maria. Depois o encontro com a sociedade civil. Um dos momentos mais marcantes, onde falou sobre o diálogo, convidando a dialogar sabendo perder tudo para entender o outro, entrar no outro. «Conceitos como: desenvolvimento com semblante humano, colocar a pessoa em primeiro lugar, não usar os pobres como objeto, tocaram-me muito», afirmou Julia Dominguez, do grupo da Economia de Comunhão no Paraguai, «agora não devemos nos deter no sentimentalismo mas viver isso, todos os dias». E César Romero, que atua no mundo da família, acrescenta: «No frescor e no dinamismo da programação vi uma Igreja que faz um enorme esforço para atualizar-se, nos métodos e mensagens». «Nestes três países da “periferia” da “sua América Latina”, o Papa Francisco colocou-se decididamente do lado dos “descartados”, vítimas da injustiça e da iniquidade, mas para fazê-lo não “atacou” ninguém senão as misérias humanas, únicas fontes dos graves e dramáticos problemas desses países (corrupção, egoísmo, democracia de baixa qualidade)», escreve Silvano Malini, jornalista do Paraguai. «As exortações do Pontífice caíram no terreno preparado pela Igreja no Paraguai, como pudemos ver no meeting com os representantes de quase 1500 organizações da sociedade civil». «O Papa Francisco – continua Malini –deu a eles, com autoridade, uma aula de diálogo prático, daquilo que custa, mas que permite avançar com passos pequenos mas seguros, rumo a um projeto comum».
«No campo de Ñu Guasú o aguardavam pelo menos um milhão de fieis. O sol brilhava sobre a multidão que esperava até havia 15 horas, na lama por causa da chuva dos últimos dias. Mas nada detinha a festa». «Nem a lama nem o cansaço nos fizeram perder a alegria imensa que sentíamos», conta Esteban Echagüe, «impressionou-me a afirmação do Papa, que as paróquias sejam verdadeiramente pontos de encontro com o irmão, de acolhida, de fraternidade. Porque, se não é assim, não somos verdadeiros cristãos». «Após um momento breve, mas intenso, com os bispos paraguaios, o Papa se refez “como por milagre” de uma viagem pastoral intensíssima! Sentia-se o cansaço normal de uma pessoa de 78 anos… mas todos tinham certeza que com os jovens Francisco iria se transformar». Eram mais de 200 mil que o esperavam nas margens do rio Paraguai! O convite a ter sempre um coração livre e depois «continuem a fazer “barulho”», «mas um barulho organizado». «O Papa acordou nos jovens, e em todos, o desejo de ser melhores… porque nos viu no nosso “dever ser”- confidenciou Leonor Navarro – e através dos seus olhos o mundo nos descobriu. Agora todos desejamos espelhar o que os seus olhos viram!». No caminho de retorno ao aeroporto, ele se comoveu ao abençoar um lugar que recorda tanto sofrimento ao país. São as ruinas de um supermercado onde, dez anos atrás, 400 pessoas morreram em um incêndio. «Por meio de D. Adalberto Martínez, secretário geral da Conferência Episcopal Paraguaia, fizemos saber ao Papa que o Movimento dos Focolare reza por ele. Como presente mandamos a ele um livro sobre a cultura guarani e sobre o desenvolvimento da Economia de Comunhão no país», explicaram Nelson e Margarita. «Essa visita – concluem – como a de São João Paulo II, 27 aos atrás, trará importantes frutos positivos, espirituais e também na vida civil do país. Papa Francisco falou claro, mas com a ternura de um pai. Cabe a nós fazer desses momentos de graça “um antes e um depois” da visita do primeiro Papa latino-americano ao Paraguai».
18 Jul 2015 | Focolare Worldwide