6 Nov 2014 | Focolare Worldwide

31 de outubro de 1999 – Assinatura da Declaração conjunta
Há 15 anos a Federação Luterana Mundial e a Igreja católica firmavam a “Declaração Conjunta sobre a Justificação”. Que lembranças tem daquele dia em que o senhor depositou pela parte luterana a assinatura neste documento tão importante? «Foi no dia 31 de outubro de 1999: conseguimos assinar a Declaração antes de entrar no 21° século, graças também a João Paulo II. Não foi fácil chegar naquele ponto, havia uma forte discussão também na Igreja evangélica, sobretudo na Alemanha. Tomei consciência da importância deste ato quando vi na Igreja de Sant’ Anna (Augsburg, Alemanha) pessoas vindas do mundo inteiro. Experimentei um grande senso de gratidão, de liberdade e de esperança. Na tarde do mesmo dia, encontramo-nos, pela primeira vez, um grupo de fundadores e responsáveis de movimentos e comunidades, evangélicos e católicos. Este encontro realizou-se na cidadela de Ottmaring, junto com Chiara Lubich e outros. Aquilo que nasceu considero “um milagre”: o caminho de “Juntos pela Europa”, que gerou uma comunhão sentida e experimentada entre movimentos e comunidades, todos muito diferentes». O que mudou nestes 15 anos? «Terminaram-se as acusações recíprocas do XVI século, e caíram os preconceitos. Isto parece-me o mais importante. Agora podemo-nos encontrar como irmãos e irmãs. O documento ter sido assinado em 2006 também pelas Igrejas metodistas evidencia ainda mais a sua importância. Infelizmente, desde então, as Igrejas não deram outros passos, mas em muitas questões podemos dizer que estamos juntos em caminho; nas paróquias e nas comunidades vive-se desta esperança». Qual é o significado do documento “Do conflito à comunhão”, firmado mais uma vez por ambas as Igrejas, em vista do aniversário da Reforma? «Ė um “inventário” do diálogo católico-luterano a nível mundial. Este documento nasceu sobre a base da Declaração conjunta sobre a Justificação. Ė uma avaliação da situação atual onde se sublinha aquilo que nos une, sem esconder os pontos que ainda nos dividem. Sou muito grato por este documento porque nos coloca numa dimensão global e dá uma abertura importante precisamente em vista do jubileu de 2017, porque desejamos que cristãos luteranos e católicos comemorem juntos». O que espera para 2017? «Mostrar ao mundo que como cristãos vamos em frente em direção a Cristo, é isto que deveria emergir. Não se trata de fazer com que Lutero se torne um herói, mas de concentrar-nos no conteúdo da Reforma: de que modo podemos, hoje, anunciar ao mundo o Evangelho da graça, que Deus está conosco? Seria bonito se em 2017 chegássemos a uma comum e pública “confissão de Cristo, e a viver em muitos planos uma verdadeira unidade nele».
Que significado têm para o senhor os encontros dos bispos de várias Igrejas nos quais participa há muitos anos? «Foi o bispo Klaus Hemmerle que me pôs em contato com o Movimento dos Focolares. Estes encontros são como ‘sinais estradais’ que nos indicam uma direção. Ė muito enriquecedor poder-se encontrar com irmãos de outras nações e Igrejas. Por exemplo, impressiona-me o que vivem os irmãos bispos no Medio Oriente. Nos nossos diálogos – longe dos refletores da imprensa e dos meios de comunicação – posso conhecer e partilhar os seus sofrimentos, mas também a sua vitalidade. Vivemos uma comunhão profunda e rezamos juntos. Certamente existe sempre este sofrimento de não poder ainda celebrar juntos a Santa Ceia – mas é sempre uma grande alegria rever os irmãos. Vivemos um nível de comunhão espiritual profundo, único diria, como é único que um Movimento leigo convide bispos para se encontrarem. Ė maravilhoso que os Focolares dê-nos esta possibilidade todos os anos. Ė uma comunhão vivenciada, sentida, e isto tem um significado enorme. E juntos estamos em caminho».
3 Nov 2014 | Focolare Worldwide
“Sinfonia Caminho da seda”, “Terra Prometida”, “Irmão Sol, Irmã Lua”, “Matteo Ricci”… são algumas das originais esculturas apresentadas na Amostra de Macau ( 26 de setembro-9 de novembro). São fruto das experiências pessoais de Lau Kwok-Hung, ou apenas Hung. Nascido em 1953 em Hong Kong, o artista reside desde 2000 no centro internacional de Loppiano, onde trabalha no seu atelier buscando inspiração na espiritualidade da unidade. Em vez do tradicional cinzel, Hung usa uma chama de oxiacetileno a 3000ºC. Gota a gota: é assim que Hung realiza as suas esculturas, que parecem simular pinceladas de caligrafia chinesa, mas um olhar mais atento revela um emaranhado de pedacinhos de ferro que formam figuras humanas em movimento. Cada uma das obras expostas em Macau está inserida na qualidade de “andante”, de onde provém o título da Amostra. Um termo que nos mergulha no panorama musical, com métrica e ritmo, mas também indica um movimento de saída, à descoberta do outro. Encontramos Hung no seu retorno da Ásia. Como nasceu esta extraordinária experiência da sua primeira exposição individual na China? “No mês de fevereiro deste ano eu me encontrava em Macau e fui convidado a ir à sede do governo pela Sra. Madam Florinda Chan (secretária para a Administração e Justiça) a fim de encontrar-me com diversos responsáveis do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. No final da apresentação sobre o meu “caminho” artístico, os responsáveis foram unânimes na decisão de realizar dentro de um ano, uma Amostra das minhas esculturas.
Propuseram como local da exposição o prestigioso Casas-Museu da Taipa. Além disso, decidiram financiar a viagem e a publicação de um catálogo trilíngue (chinês, português, inglês), a preparação da Amostra e a expedição via aérea das minhas esculturas”. É a primeira individual que você realiza na China? “No passado fiz amostras coletivas, mas esta é a minha primeira individual na Ásia. Atrás dos bastidores muitos colaboraram para o êxito do projeto. Quero recordar particularmente Nico Casella, que guiou o percurso burocrático para as expedições e Julián Andrés Grajales, meu colaborador direto no Atelier, mas deveria enumerar muitas pessoas… A vernissage, no dia 25 de setembro, assinalou a abertura do evento que iria durar um mês e meio. Para esta oportunidade a Sra.Florinda Chan convidou-me a conduzir um tour monitorado, apresentando brevemente as minhas esculturas aos hóspedes”.
Quanto tempo você ficou em Macau? “Dez dias, durante os quais pude encontrar muitas pessoas e dialogar com elas, seja nas conferências seja nas visitas monitoradas por mim. Foi muito interativo o encontro com 700 estudantes do Colégio Matteo Ricci, que demonstravam expressões genuínas de surpresa e gratidão, mas também se interessavam pela técnica, pelas inspirações, pelo estilo”. Existiram surpresas? Sim. Uma das tantas foi que a Direção do Colégio Matteo Ricci, para antecipar as celebrações do 60º aniversário do Instituto, decidiu adquirir uma obra minha: o medalhão dedicado justamente a Matteo Ricci, homem do diálogo”. O que ficou desta experiência asiática? Uma grande gratidão no coração, pelos relacionamentos construídos com tantas pessoas… a unidade foi a protagonista”.
2 Nov 2014 | Focolare Worldwide
«Quando soube das graves desordens ocorridas em Burkina Faso, telefonei aos focolarinos de Bobo-Dioulasso para pedir notícias e para garantir nossa unidade e orações. Falei com Dominique que me assegurou que, embora tensa, a situação está calma», escreveu Augusto Parody Relles, médico que passou 40 anos na África e atualmente encontra-se no Centro internacional do Focolares, em Roma. Um resumo da situação, em constante evolução, segundo a Agência Misna: nos dias passados, em Ouagadougou e nas principais cidades do país ocorreram manifestações sem precedentes para contestar a candidatura do presidente Blaise Compaoré, no poder desde 1987, às eleições de 2015. Mas hoje, 30 de outubro, essas manifestações degeneraram na capital e também em Bobo Dioulasso, a segunda maior cidade do país, prosseguindo à tarde, depois do ataque e incêndio do parlamento. Fontes da imprensa local referiram que pelo menos uma pessoa morreu nos confrontos entre manifestantes e forças da ordem. Assinalaram também saques a lojas e bancos. Durante a tarde os manifestantes cercaram a sede da presidência. Proclamação do estado de emergência, dissolução do governo e apelo por uma negociação com os manifestantes foram os elementos chave de uma mensagem do chefe de Estado transmitida pela radio após horas de desordens e violência no centro de Ouagadougou. Soube-se depois que o presidente Blaise Campaoré não fez o pedido de demissão e cancelou o estado de emergência em todo o território nacional, decretado poucas horas antes. As últimas providências foram anunciadas diretamente por ele com uma transmissão na televisão. As declarações do presidente fizeram crescer a confusão, numa situação já intrincada e incerta. Em Ouagadougou, a capital, não está claro quem está atualmente no poder. Algumas horas antes o chefe do estado maior das forças armadas havia comunicado que “os poderes executivo e legislativo seriam confiados a um órgão de transição, constituído por meio de consultas entre todas as forças vivas da nação”. O objetivo da transição seria “o retorno da ordem constitucional em 12 meses”. O exército decretou um cessar fogo em todo o território nacional das 19 às 6 horas. Era esta a situação, ainda em constante desenvolvimento, no dia 30 de outubro. O presidente em seguida demitiu-se e não é conhecido o local onde se encontra. Os militares estão divididos em dois grupos: o exército e a guarda presidencial, cada um com líder no poder. “Estamos rezando pela paz. Pedimos a todas as partes que deem prova de controle e que limitem os danos neste momento particularmente crítico para a nossa nação”, foi o apelo dirigido pelo bispo de Bobo Dioulasso e presidente da Cáritas Burkina Faso, D. Paulo Ouédraogo, “no qual todos sentimo-nos expressos”, concluem os membros dos Focolares de Burkina Faso.
1 Nov 2014 | Focolare Worldwide
http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=L7HYXR8mrNo
«Caros irmãos e irmãs habitantes de Loppiano, boa tarde.
Com vocês saúdo também todas as pessoas que hoje enchem a cidade desejada por Chiara Lubich, inspirada no Evangelho da fraternidade – aquela fraternidade universal – e aqueles que, de tantos ângulos do mundo, estão ligados e participam nesta festa pelos primeiros 50 anos da sua fundação.
Loppiano é uma realidade que vive ao serviço da Igreja e do mundo, pela qual devemos agradecer ao Senhor; uma cidade que é um testemunho vivo e eficaz de comunhão entre pessoas de nações, culturas e vocações diferentes, que no quotidiano procuram, antes de tudo, manter a mútua e contínua caridade.
Alegro-me por terem escolhido para esta vossa festa o dia em que, em toda a Igreja, se recorda São Francisco de Assis, testemunha e artífice de paz e de fraternidade. É uma feliz coincidência também para mim, realmente.
Os habitantes de Loppiano, tanto os aí estão estabelecidos, como os que passam um período de experiência e de formação, querem tornar-se especialista no acolhimento recíproco e no diálogo, operadores de paz, geradores de fraternidade.
Prossigam com entusiasmo renovado por esta estrada. Desejo-vos que saibam permanecer fieis e que possam encarnar, cada vez mais, o desígnio profético desta cidadela florescida do carisma da unidade precisamente há 50 anos. Viver esta realidade em sintonia profunda com a mensagem do Concílio Vaticano II que então se celebrava, isto é, o desígnio de testemunhar, no amor recíproco para com todos, a luz e a sabedoria do Evangelho. Loppiano, escola de vida, portanto, onde há um único mestre: Jesus.
Sim, uma cidade-escola de vida para dar esperança ao mundo, para testemunhar que o Evangelho é verdadeiramente o fermento e o sal da nova civilização do amor. Mas, para isso, buscando a linfa espiritual do Evangelho, é preciso imaginar e experimentar uma nova cultura em todos os campos da vida social: da família à política, à economia. Isto é, a cultura dos relacionamentos. O princípio da sabedoria é o desejo sincero de instrução e o cuidado da instrução é amor. Não é por acaso que em Loppiano tenha sede, há alguns anos, o Instituto Universitário Sophia, instituído pela Santa Sé. Há uma necessidade urgente de jovens, homens e mulheres que, para além de serem oportunamente preparados nas várias disciplinas, sejam ao mesmo tempo impregnados pela sabedoria que brota do amor de Deus.
Caros amigos, desejo de coração a Loppiano e a todos vocês, que olhem para frente; que olhem sempre para frente. Olhem em frente e mirem alto com confiança, coragem e criatividade. Nada de mediocridade.
Confio-vos a Maria Theotokos, Mãe de Deus, que vos acolhe todos no santuário, no coração da cidade. E peço-vos que rezem por mim. Saúdo-vos e abençoo. Até logo».
30 Out 2014 | Focolare Worldwide
“Meditações” (Μελέτες) foi a primeira recolha de pensamentos e meditações de Chiara Lubich publicada, em 1959. Às numerosas traduções existentes acrescenta-se agora mais uma versão. Junto com um outro título, “Saber perder” (Μάθε να χάνεις), centralizado na figura de Maria aos pés da cruz, finalmente realizou-se a esperada publicação dos dois primeiros livros traduzidos em grego. “Saudamos a edição grega deste livro, que coincide com o 50° aniversário do encontro do Patriarca Atenágoras com o Papa Paulo VI em Jerusalém e desejamos que estas Meditações sejam uma leitura apreciada e que tragam benefício a todos que buscam a estrada do amor e da paz no mundo contemporâneo…”, escreve o Patriarca Bartolomeu I, no prefácio que enriquece a obra “Meditações”. “Há cinco décadas, conheci pessoalmente a memorável Fundadora e Presidente do Movimento dos Focolares, Chiara Lubich, quando foi convidada pelo nosso predecessor, o inesquecível Patriarca Atenágoras, e segui de perto o seu sincero esforço pela unidade e a restauração da comunhão entre as Igrejas da antiga e nova Roma, no âmbito do diálogo do amor…”. É conhecido o amor de Chiara Lubich pela Igreja Ortodoxa: de 1967 a 1972, teve 25 audiências com o Patriarca Atenágoras, relacionamento continuado com o Patriarca Demétrio e com o atual Bartolomeu I.
Em Tessalônica e em Atenas, na Grécia, nos dias 6 e 8 de outubro passado, dois eventos tornaram a figura de Chiara Lubich mais conhecida, na Igreja Ortodoxa como na Católica, das duas cidades. Na mesa dos oradores estiveram juntos o Metropolita ortodoxo Chrisostomos de Messênia, encarregado pelos relacionamentos com a Igreja Católica na Grécia e membro da comissão teológica bilateral; o padre Kontidis, jesuíta, que seguiu a publicação dos livros; Dimitra Koukoura professora ortodoxa de Omiletica; Florence Gillet, teóloga, representante do Centro Chiara Lubich. Nikos Papaxristou, jornalista ortodoxo, foi o moderador das apresentações, com um toque autobiográfico: “A primeira vez que ouvi falar do Movimento foi através do próprio Patriarca Bartolomeu”. Universalidade, “feminilidade que é própria de Maria”, profundidade espiritual, incidência eclesial e social do carisma da unidade foram alguns dos temas tocados. “Em Chiara está uma profecia que abriu um novo capítulo no percurso do ecumenismo”, afirmou o Metropolita Chrisostomos. “O Ideal de Chiara está ao serviço da humanidade”, continua, e “Chiara apresenta-nos Maria como verdadeiro modelo de leiga”. O Padre Kontidis apresentou a sua figura como “um exemplo de espiritualidade vivo que se volta sobretudo para os leigos, abrindo uma estrada de fé para tantas pessoas…”. Lina Mikelliddou, cipriota, e Anna Kuvala, grega, ortodoxas pertencentes ao Movimento, deram o seu testemunho: “Conhecendo este Ideal – disse Lina – a minha vida mudou: cada pessoa é candidata à unidade”. Entre os presentes em Tessalônica estavam o Arquimandrita Ignathios, representante do Metropolita da cidade e o Metropolita Nikiforos, abade do mosteiro ortodoxo Vlatadon. Também estiveram presentes professores de várias faculdades da Universidade Aristóteles da cidade, entre os quais o Prof. Vassiliadis, Decano da Faculdade de Teologia. O bispo de Corfù-Zante, D. Spiteris, impossibilitado de participar, enviou uma mensagem. Também em Atenas estiveram presentes muitas personalidades da Igreja Ortodoxa: Padre Thomas, vigário e representante do Arcebispo Ieronimo; o Metropolita de Syros, Polykantriotis; o Arquimandrita Sotiriadis, responsável pela Diaconia (para as obras caritativas) do Santo Sínodo ortodoxo da Grécia (conferência episcopal). Da Igreja Católica estavam presentes: o Núncio apostólico D. Adams; o bispo cessante D. Foskolos; D. Rossolatos, novo bispo nomeado de Atenas. Mais uma apresentação dos dois livros será realizada no dia 31 de outubro, em Nicósia (Chipre).
25 Out 2014 | Focolare Worldwide
Quando nos casamos tínhamos muitos projetos e entre eles o desejo maior era ter um filho. Foi uma grande desilusão descobrir que existiam problemas que impediam a concepção. Eu não aceitava e estava convicta que existia uma solução, que logo o problema seria resolvido com a ajuda da medicina que nos dava boas esperanças. Eu tinha 22 anos, portanto não nos foi logo proposto recorrer às técnicas de fecundação in vitro, e sim fazer primeiramente tratamentos menos invasivos. Naquele tempo, enquanto esperávamos que algo acontecesse, procurei a ajuda de um sacerdote da minha paróquia que me ajudou a refletir sobre o verdadeiro valor da vida, dádiva preciosa que Deus quis confiar à responsabilidade do ser humano. O sofrimento que eu vivia era causado pelo forte desejo de realizar a maternidade o mais rápido possível. Havia em mim um conflito em relação ao caminho a ser seguido. Por um lado, o parecer de alguns médicos que propunham a fecundação artificial como a solução justa, de outro, o caminho era confiar em Deus. Assim, com muito esforço, decidimos parar e não fazer mais nada. A fecundação homóloga parece-nos negar alguns aspectos importantes da verdade sobre o ser humano. Nós cremos que a vida é um dom de Deus e não um “produto” fabricado em um laboratório, sem a doação de amor entre os esposos. Nesta técnica o filho não é concebido através da carne deles, mas em uma proveta. Eu tinha sempre considerado a adoção como uma experiência maravilhosa, um grande ato de amor, mas o meu forte desejo de viver a gravidez me levava a não apreciar este caminho. O sofrimento abriu-me os olhos para ver além e entender que como diz São João Paulo II na Familiaris Consortio, “a vida conjugal não perde o seu valor, mas é possível ser fecundos muito além da capacidade de procriação. Pode-se realizar a paternidade e a maternidade de maneira esplêndida em muitas formas de relacionamentos, de solidariedade para com quem necessita”. Nasceu em mim a ideia de adotar uma criança, partilhei-a com meu marido que a acolheu e nesse instante, então, “concebemos” afetivamente o filho que Deus queria doar-nos. No outono de 2004 apresentamos ao poder judiciário a nossa declaração de disponibilidade para a adoção nacional e internacional. Iniciou-se a espera, o nosso bebe não tinha ainda nascido, mas já estava no nosso coração, nos nossos pensamentos. Nós já rezávamos por ele. Samuel nasceu no Vietnam, e em 19 de abril de 2007, recebemos da associação a que tínhamos recorrido o comunicado que havia uma criança para nós. Foi o início de uma emoção que não é fácil descrever. Partilhamos logo esta alegria com familiares e amigos, estávamos tão felizes que queríamos gritar ao mundo inteiro. Tínhamos só uma fotografia que para nós, genitores adotivos, era como o primeiro ultrassom, no qual você vê o filho mas não pode ainda abraçá-lo. Depois de ter enfrentado uma viagem ao interior das nossas emoções, deveríamos enfrentar a viagem real, embarcar em um avião que nos levaria para outra parte do mundo a fim de encontrar nosso filho. No dia 29 de maio de 2007 o abraçamos pela primeira vez, e foi uma alegria enorme. Esta data é recordada a cada ano, como um segundo aniversário, porque Deus abençoou nossa família com o presente que é o Samuel. Queremos agradecer a Deus por todos os dons que nos fez: Dorotea, adotada em 2012, e Michelle que está sob nossa tutela. (G. e G. – Italia)