Hong-Kong: o movimento dos guarda-chuvas

Para não interromper as atividades diárias os estudantes organizaram áreas de estudo ao ar livre, para poder continuar a estudar.

Os estudantes deixam mensagens e propósitos de viver na paz este momento.
Os estudantes, o capital de Sophia
Existem hoje muitas maneiras para impulsionar a mudança. São os jovens que o demonstram: da “Ocupação de Wall Street”, passando pelas “primaveras árabes”, até o movimento “dos guarda-sóis” em Hong Kong. Mudam as épocas, os instrumentos, as armas e certamente as causas, mas a vontade de melhorar a si mesmos e o mundo fica sempre. Foi essa a mensagem lançada no dia 20 de outubro passado pelos estudantes do Instituto Universitário Sophia na cerimônia de abertura do sétimo ano de atividade. Da população de estudantes desta pequena universidade, que da região italiana da Toscana abre-se ao mundo – são 115, de 30 países – emergem algumas proveniências interessantes como Ucrânia, Síria, Venezuela, Cuba, Camarões e Congo. Regiões “quentes” mas em busca de resgate, a julgar pelas escolhas de tantos jovens desses povos, inclusive os que frequentam Sophia. Desejam saber, formar-se, preparar-se para agir, em si próprios e ao seu redor. Com a globalização de hoje isso é sem dúvida mais fácil, para isso existe a “Fundação por Sophia”, que angaria fundos e distribui bolsas de estudos que permitem a estudantes indianos, brasileiros, mas também europeus e italianos, formar-se em uma cultura de unidade. Em Sophia existe um grande cuidado de estabelecer a oferta acadêmica com base nas exigências da humanidade, dos mercados e do mundo do trabalho, como salientou o reitor, Piero Coda. O ouro, o valor deste lugar é também o “capital humano”, os próprios estudantes, que souberam farejar a novidade e a capacidade revolucionária dos cursos, sejam estes de política, economia ou ontologia.
Samar Bandak tem 30 anos, tem origem palestina e é da Jordânia. Voltou a Amã há mais de um ano, depois de ter terminado, em 2012, o curso de política do IUS. Atualmente é uma das dirigentes da Cáritas nacional, na direção de um departamento para a ajuda na educação de milhões de refugiados que estão no país, sobre uma população total de cinco milhões. Ela explica a própria opção acadêmica, não muito “óbvia”, já que é diplomada em Nutrição: “Descobri que o princípio da fraternidade universal pode ser uma verdadeira categoria política ao lado da liberdade e da igualdade. É uma opção, uma resposta que sana a injustiça. Em Sophia não só se estuda, dá-se uma grande importância à experiência”. Patricio Cosso, argentino, é o atual representante dos estudantes: “Cinco anos atrás o meu objetivo era a especialização em finanças ou administração, para trabalhar em um banco ou fazer algo semelhante ao que se faz em Wall Street”, ele conta. “Depois, em 2011, encontrei numa livraria um livro que falava da Economia de Comunhão. Um binômio impossível, que pretendia conjugar egoísmo e partilha: como podiam conviver? Jamais teria imaginado que hoje estaria aqui, colocando em acordo formação profissional e convicções éticas. Aqui estou descobrindo que cada questionamento encontra a luz certa na qualidade fraterna que dou aos relacionamentos, e nas diferenças culturais e religiosas, nas guerras, nas crises econômicas dos nossos povos”. “Imaginar e experimentar uma nova cultura em todos os campos da vida social: da família à política, à economia. A cultura das relações”. Estas são palavras do Papa Francisco. Sim, porque na surpreendente vídeo-mensagem enviada para o 50° aniversário da Mariápolis internacional de Loppiano, quis mencionar Sophia (em grego, sabedoria) entre as experiências existentes ali. Assim acrescentou e confirmou o caminho a ser percorrido, isto é, que “princípio da sabedoria é o sincero desejo de instrução” e “o cuidado da instrução é amor”. Galeria de fotos no Flickr
De Ruanda ao Sínodo sobre a Família

Dieudonné e Emerthe Gatsinga (Rwanda)
Sínodo da Família: encontro dos Focolares com os padres sinodais
O empenho na formação dos casais jovens, a ajuda às mulheres com gravidez indesejadas, a disponibilidade a deixar tudo para levar o Evangelho em terras longínquas. “Vida verdadeira” emergiu, na sede do Pontifício Conselho da família em Roma, no dia 12 de outubro, no encontro que um grupo de padres sinodais e auditores do Sínodo tiveram com um grupo de famílias do Movimento dos Focolares. Recebidos pela presidente e pelo vice presidente do Movimento, Maria Voce e Jesús Morán, participaram do encontro, entre outros, o cardeal Andrew Yeom Soo-jung, arcebispo de Seul, e os presidentes das Conferências episcopais da Repúblicas Ceca, Eslovênia, Madagáscar, Tanzânia e Uruguai. “Não existem receitas infalíveis, pelo contrário”, asseverou Alberto Friso das Famílias Novas. “Quantas vezes nós, pais, erramos com os nossos filhos! Às vezes, somos muito permissivos, outras vezes possessivos, ou fracos, ou inflexíveis, quando não é necessário. Também para estes casos vale a regra do ‘recomeçar’. Estar sempre prontos a reconhecer os próprios erros e pedir desculpas. E quando é o filho que erra, não hesitar em fazê-lo observar, porém, demonstrando confiança”. Muitas vezes ferida, dividida por traições e silêncios culposos, a família continua a ser um lugar “insubstituível” onde se gera e se transmite a vida. Quem trabalha com as famílias hoje – contou Anna Friso (Famílias Novas) – decidiu viver na “periferia” porque, como diz o Papa Francisco, “o cristão não é cristão para permanecer no aglomerado, mas para ir às periferias do mundo”. “E na periferia – acrescentou Friso – não se pode perguntar às pessoas se são casadas na igreja, se convivem ou são separadas. Nós acolhemos a todos, assim como são, amamo-los, escutando profundamente. Se podemos, procuramos ajudá-los naquilo que precisam. E, no momento certo, a todos, independente da situação em que se encontram, levamos o mesmo anúncio: Deus ama-te imensamente. Não existe nenhuma pessoa excluída do amor de Deus”.
Os bispos ouviram também a história de Tiziana G., que viveu um matrimônio de 13 anos de mentiras, brigas, pseudoesclarecimentos e novas desilusões. Depois, o encontro com um antigo colega de escola e o início de uma nova vida familiar. “Poderia ter ido numa igreja onde não sou conhecida e receber, da mesma forma, a Eucaristia – contou -, mas por obediência nunca o fiz”. Tiziana não esconde aos bispos o sentimento de “autoexclusão” experimentado, “a grande solidão espiritual” vivida e o “forte incômodo ao ver os outros irem em direção ao altar, enquanto eu ficava no banco. Sentia-me abandonada, rejeitada, culpada”. Depois tomou a palavra Paolo R., também ele com uma experiência de casamento fracassado. O seu relato de sofrimento, pelo abandono por parte da mulher, passa pela separação e os advogados, e chega a um “deserto interior”. Mas ele decidiu “esperar” porque – disse – “este é o matrimônio cristão. Uma caixa fechada. Pões a tua vida nas mãos de Deus, com o sacramento, através da pessoa com quem te casas, pela qual te apaixonaste… mas depois o amor deve ser construído, também no sofrimento, dia após dia”.
Também estavam presentes no encontro o casal Dieudonné ed Emerthe Gatsinga, de Kigali (Ruanda), que, como auditores no Sínodo, contaram a sua experiência na formação das famílias, dos casais jovens, dos namorados e noivos, principalmente no seu país, mas muitas vezes também na Uganda, no Burundi, no Quênia e no Congo. Ele ginecólogo, ela economista, assim apresentaram-se ao Papa: “Quando nos casamos, prometemos não ficar fechados em nós mesmos, mas doar-nos aos outros. Desde então passaram-se 26 anos. Temos oito filhos dos quais quatro adotados, depois de ficarem órfãos no genocídio na Ruanda. Não foi fácil criar oito filhos num momento de grande crise social e econômica para o nosso país e com experiências tão traumatizantes. Mas Deus ajudou-nos e agora estão todos crescidos: dois deles já nos deram três netos”. São histórias que põem em evidência um trecho de Chiara Lubich, lido durante o encontro pelo cardeal Ennio Antonelli: “Nada constrói, une e faz a família existir senão o amor… Quando no coração dos componentes de uma família este amor está aceso, está vivo, não surgem problemas insolúveis, não aparecem obstáculos insuperáveis, não se sofrem fracassos irremediáveis”. Foto gallery
(Fonte: Sir)
Teresa d’Avila e o carisma da unidade
«Falando sobre o sentido da espiritualidade da unidade num encontro dos Bispos amigos do Movimento dos Focolares, no dia 10 de fevereiro de 1984, Chiara Lubich fez estas observações: “É um caminho que se percorre juntos, no qual se procura a santidade do outro como a própria, porque aquilo que mais interessa é a glória de Deus. E o que dá um impulso decisivo também à santificação pessoal é precisamente a presença de Cristo entre os cristãos, presença cada vez maior e mais plena, que envolve a pessoa cada vez mais profundamente”. Aqui também encontra-se uma observação sobre a novidade desta santidade e deste caminho: “Um castelo interior, portanto, como santa Teresa chamava a realidade da alma habitada por Sua Majestade, para descobrir e iluminar, está bem. É o cume de santidade de um caminho individual. Agora talvez tenha chegado o momento de descobrir, iluminar, edificar por Deus também o seu castelo exterior, pode-se dizer, com Ele presente entre os homens. Este – observando bem – não é nada mais senão a Igreja, onde vivemos, que, também por esta espiritualidade, pode tornar-se cada vez mais ela mesma, mais bela, mais esplêndida, como mística esposa de Cristo, antecipação da Jerusalém celeste, da qual está escrito: “Eis a morada de Deus com os homens! Ele estará entre eles; eles serão o seu povo e ele será o Deus com eles” (Ap 21,3). […] Nos primeiros dias de dezembro de 2003, visitando a Espanha, Chiara foi até Ávila, a cidade natal de santa Teresa, e fez uma pausa no mosteiro da Encarnação, onde Teresa viveu por mais de 27 anos […], Chiara deixou no Livro de Ouro do mosteiro este testemunho de “amizade espiritual” com a Santa de Ávila: “Obrigada, santa Teresa, por tudo o que fizeste por nós durante a nossa história. Obrigada! Mas o obrigada mais belo, dir-te-emos no Paraíso. Continua a olhar por todos nós, pelo “nosso castelo exterior” que o Esposo suscitou na terra como adimplemento do teu “castelo interior”, para fazer a Igreja bela, como a desejavas. Até breve, santa Teresa. Com um abraço. Chiara”. Sempre considerei o castelo interior de Teresa d’Avila como uma proposta de vida evangélica para todos os cristãos que querem viver a própria vocação universal para a santidade, para a união com Deus, para a experiência trinitária e eclesial. Mas, considero uma graça ainda maior, e uma aventura ainda mais bela, poder participar com o carisma da unidade na descoberta deste desígnio de Deus, a possibilidade de poder viver juntos a aventura da santidade comunitária e eclesial, na construção de um esplêndido, luminoso castelo exterior, encarnado na Obra de Maria, para a Igreja e a humanidade». De “O castelo exterior, a novidade da espiritualidade de Chiara Lubich” (Il castello esteriore, il nuovo nella spiritualità di Chiara Lubich), Jesús Castellano Cervera (1941-2006), pág. 63-67/68.

