Movimento dos Focolares
Jordânia e Iraque: rezamos também pelos terroristas

Jordânia e Iraque: rezamos também pelos terroristas

20141024-01

Foto – EPA

Os muçulmanos também sofrem com a violência absurda dos extremistas islâmicos. Eles afirmam que o verdadeiro islã não instiga ao ódio. As comunidades dos Focolares presentes nos países árabes querem por em prática o amor evangélico. De que modo estão enfrentando o avanço do Estado Islâmico? A resposta de Rita à entrevista de Adriana Masotti, para a Rádio Vaticana: «Nesta situação, o amor e a unidade são purificados pelo sofrimento que se vive. Ficamos chocados diante de uma das últimas tragédias, quando os terroristas entraram nas aldeias do norte do Iraque e, de um dia para o outro, vimos milhares de pessoas chegarem, sem nada. Foi um sofrimento muito grande! Chegamos a nos perguntar se ainda é possível ter esperança e acreditar. Mas, talvez este tenha sido precisamente o momento da “prova dos nove”. Aquilo que nos deu novamente certeza foi esquecer de nós mesmos e ir ao encontro daquelas pessoas. Uma das famílias do Movimento no Iraque, por exemplo, acolheu 40 pessoas em casa e a um certo ponto o pai, depois de ter arranjado um lugar para cada uma delas, percebendo que não havia mais nenhum ângulo livre na casa, foi dormir no carro. Outras cerca de 40 pessoas tinham ido refugiar-se numa outra região, no norte do Iraque, onde temos três famílias, que abriram as suas casas para elas. Vendo que estavam todos angustiados e chocados, reuniram-se para rezarem o terço, todos juntos: agora, diariamente, 60 pessoas reúnem-se para rezar pela paz, mas rezam também pelos terroristas, e cada vez, tem mais alguém que se junta ao grupo. Ao perceberem que uma pessoa precisava de cobertas, recolheram dinheiro e foram comprar uma e depois mais uma; mas depois faltavam para outras pessoas e conseguiram arranjar o dinheiro para todos… Diziam: “A quantia que juntamos, mesmo se não era grande, parecia que se multiplicava e que não terminava mais!” Dou-me conta de que este amor autêntico, talvez destilado pelo sofrimento, faz-nos ver que o amor é mais forte. Vi pessoas que não tinham mais nada, mas que não perdiam a fé e, sentindo a solidariedade dos outros, reencontraram o sentido da vida, do amor, da paz verdadeira e ainda acreditam. Ainda mais, agora são testemunhas mais fortes». Como são atualmente as relações das comunidades dos Focolares, dos países que tu conheces, com os muçulmanos? «No Iraque, agora é mais difícil, porque vivem mais separados: onde existem os cristãos, há poucos muçulmanos. Não temos muitos contatos. Porém, as pessoas são amigas: sempre viveram juntas. É esta política que manipula os relacionamentos. Na Jordânia, há um grupo de muçulmanos que partilha a nossa espiritualidade. Lembro-me de uma vez, quando chegaram na Jordânia algumas famílias iraquianas flageladas, contamos para a nossa comunidade o que estava acontecendo no Iraque. Naquele momento, estavam presentes cerca de dez muçulmanos – éramos ao todo 100 pessoas – e a primeira reação, imediata, foi precisamente deles, que disseram: “Não é possível que isto aconteça! São nossos irmãos: vamos acolhê-los nas nossas casas!”. Vimos como os muçulmanos sofreram pelo que estava acontecendo por causa da violência dos extremistas. Não ousavam dizê-lo, porque tinham vergonha, mas queriam demonstrar que esta não é a religião deles. Isto é usar a religião para a violência, para o ódio… Com alguns temos um relacionamento muito bonito, na verdade. Sentimos que devemos ser verdadeiros cristãos, para poder estabelecer uma relação com um muçulmano: para eles não existem concessões, não há confusão. Cada um de nós procura ser com o outro o melhor que pode, isto é, ser um verdadeiro cristão; e o melhor, para eles, é ter a coragem de deixar cair o que não é humano, que não é amor, que eles chamam de “misericórdia”». Fonte: Rádio Vaticana  (em italiano)

Jordânia e Iraque: rezamos também pelos terroristas

Hong-Kong: o movimento dos guarda-chuvas

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Para não interromper as atividades diárias os estudantes organizaram áreas de estudo ao ar livre, para poder continuar a estudar.

“Para mim é difícil que estas coisas aconteçam na cidade onde nasci. Pensei muito, tenho um grande desejo que exista uma democracia verdadeira e gostaria de fazer alguma coisa, mas ao mesmo tempo em que luto por isso, não consigo pensar que não exista paz na sociedade”. Uma amiga confirma: “Chiara Lubich sempre falou de diálogo e o viveu em primeira pessoa; por causa desta situação em Hong Kong, para alcançar a democracia, precisamos de diálogo, mas é difícil, especialmente para nós asiáticos. Nós jovens agora temos tanta possibilidade de conhecer as ideias de todos através da mídia, mas quando nos encontramos diante de alguém que pensa de modo diferente temos medo de romper o relacionamento e não sabemos como fazer. Além de rezar por este motivo, já que não somos líderes, o que podemos fazer?”. São reflexões sintomáticas de jovens de Hong Kong que observam perplexos o movimento de protestos na metrópole chinesa. O movimento “Occupy central with peace and love” – “Ocupar a Central com paz e amor” – começou no final de setembro, depois de algumas semanas nas quais a mídia internacional focou a sua atenção nas praças de Hong Kong, e prossegue com menor intensidade a sua batalha, sempre fixa, porém,  no objetivo de obter um “verdadeiro” sufrágio universal para as eleições de 2017. As opiniões a este respeito são contrastantes. “Nestes dias também fui participar dos protestos, mesmo se não seria um tipo tão ativo, mas sinto firmemente que como jovem que vive por um mundo unido e como estudante de Hong Kong diante de um sistema social tão injusto devemos exprimir e fazer com que sejam ouvidas as nossas reinvindicações”. E continua: “Experimentei diretamente o que quer dizer desarmonia; até agora eu pensava que estes fatos acontecessem só em nações que estão em guerra e longe de Hong Kong, mas quando vi a polícia que lançava gás lacrimogênio sobre os estudantes, desencadeando uma certa violência, percebi que este problema estava perto de mim. Toda esta situação na cidade que amo me faz mal. Aquilo que posso fazer é somente continuar a rezar e a acreditar que Deus cuidará de Hong Kong”.
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Os estudantes deixam mensagens e propósitos de viver na paz este momento.

“Durante esta mobilização eu também participei, como estudante. Tenho orgulho de ser uma jovem de Hong Kong. Mas nestes dias a situação tornou-se incontrolável. Estes protestos me demonstram que na nossa sociedade falta amor e compreensão. O meu empenho é amar e rezar pela paz no coração de cada um, para que a esperança chegue a todos”. Em uma carta comum, escrevem para a presidente dos Focolares, Maria Voce: “Todo dia lemos nos jornais e na internet muitas notícias, por um lado positivas – por exemplo, que os moradores de Hong Kong vivem a solidariedade, a paz e as suas ações são racionais, os estudantes vivem idealmente… – e por outro lado a falta de paz. Nos primeiros dias das manifestações vimos a polícia enfrentando os manifestantes com o gás lacrimogênio. Muitas pessoas de ideias diferentes  se colocaram umas contra as outras e diversas vozes se levantaram dentro da sociedade, expressando-se através do conflito e da desunião”. E exprimem o desejo de continuar com todas as forças a ser mensageiros de unidade também em uma situação tão difícil. Respondendo, Maria Voce os encoraja, dizendo que tem certeza que com a unidade entre eles poderão ter “a sabedoria”, e “encontrar a luz para falar ou para calar”, e dessa forma ser “um testemunho de paz em meio a todos”.

Jordânia e Iraque: rezamos também pelos terroristas

Os estudantes, o capital de Sophia

20141022-01Existem hoje muitas maneiras para impulsionar a mudança. São os jovens que o demonstram: da “Ocupação de Wall Street”, passando pelas “primaveras árabes”, até o movimento “dos guarda-sóis” em Hong Kong. Mudam as épocas, os instrumentos, as armas e certamente as causas, mas a vontade de melhorar a si mesmos e o mundo fica sempre. Foi essa a mensagem lançada no dia 20 de outubro passado pelos estudantes do Instituto Universitário Sophia na cerimônia de abertura do sétimo ano de atividade. Da população de estudantes desta pequena universidade, que da região italiana da Toscana abre-se ao mundo – são 115, de 30 países – emergem algumas proveniências interessantes como Ucrânia, Síria, Venezuela, Cuba, Camarões e Congo. Regiões “quentes” mas em busca de resgate, a julgar pelas escolhas de tantos jovens desses povos, inclusive os que frequentam Sophia. Desejam saber, formar-se, preparar-se para agir, em si próprios e ao seu redor. Com a globalização de hoje isso é sem dúvida mais fácil, para isso existe a “Fundação por Sophia”, que angaria fundos e distribui bolsas de estudos que permitem a estudantes indianos, brasileiros, mas também europeus e italianos, formar-se em uma cultura de unidade. Em Sophia existe um grande cuidado de estabelecer a oferta acadêmica com base nas exigências da humanidade, dos mercados e do mundo do trabalho, como salientou o reitor, Piero Coda. O ouro, o valor deste lugar é também o “capital humano”, os próprios estudantes, que souberam farejar a novidade e a capacidade revolucionária dos cursos, sejam estes de política, economia ou ontologia. 20141022-03Samar Bandak tem 30 anos, tem origem palestina e é da Jordânia. Voltou a Amã há mais de um ano, depois de ter terminado, em 2012, o curso de política do IUS. Atualmente é uma das dirigentes da Cáritas nacional, na direção de um departamento para a ajuda na educação de milhões de refugiados que estão no país, sobre uma população total de cinco milhões. Ela explica a própria opção acadêmica, não muito “óbvia”, já que é diplomada em Nutrição: “Descobri que o princípio da fraternidade universal pode ser uma verdadeira categoria política ao lado da liberdade e da igualdade. É uma opção, uma resposta que sana a injustiça. Em Sophia não só se estuda, dá-se uma grande importância à experiência”. Patricio Cosso, argentino, é o atual representante dos estudantes: “Cinco anos atrás o meu objetivo era a especialização em finanças ou administração, para trabalhar em um banco ou fazer algo semelhante ao que se faz em Wall Street”, ele conta. “Depois, em 2011, encontrei numa livraria um livro que falava da Economia de Comunhão. Um binômio impossível, que pretendia conjugar egoísmo e partilha: como podiam conviver? Jamais teria imaginado que hoje estaria aqui, colocando em acordo formação profissional e convicções éticas. Aqui estou descobrindo que cada questionamento encontra a luz certa na qualidade fraterna que dou aos relacionamentos, e nas diferenças culturais e religiosas, nas guerras, nas crises econômicas dos nossos povos”. “Imaginar e experimentar uma nova cultura em todos os campos da vida social: da família à política, à economia. A cultura das relações”. Estas são palavras do Papa Francisco. Sim, porque na surpreendente vídeo-mensagem enviada para o 50° aniversário da Mariápolis internacional de Loppiano, quis mencionar Sophia (em grego, sabedoria) entre as experiências existentes ali. Assim acrescentou e confirmou o caminho a ser percorrido, isto é, que “princípio da sabedoria é o sincero desejo de instrução” e “o cuidado da instrução é amor”. Galeria de fotos no Flickr

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De Ruanda ao Sínodo sobre a Família

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Dieudonné e Emerthe Gatsinga (Rwanda)

«Fomos dar um curso em Goma, no Congo (RDC). Um casal contou-nos que quando tiveram que fugir por causa da erupção do vulcão ele rapidamente vendeu toda a mobília da casa, sem saber que no forro do sofá estavam escondidas as economias da mulher! Estes mal-entendidos causados pela falta de comunicação no casal não são esporádicos». A afirmação é de Dieudonné Gatsinga, ginecólogo, e Emerthe, economista, que vivem em Kigali, Ruanda. Foram convidados ao Sínodo extraordinário sobre a família, na qualidade de responsáveis pelas jovens famílias do Movimento dos Focolares no seu país e no Burundi, no Quênia e em Uganda. Desde jovens participaram de um grupo comprometido na vivência radical do Evangelho, inspirados na espiritualidade dos Focolares. «Assumimos este ideal de vida, também como casal – conta Emerthe. Quando nos casamos prometemos não ficar fechados em nós mesmos, mas doar-nos aos outros. Desde então, passaram-se 26 anos. Temos oito filhos, dos quais quatro foram adotados, depois do genocídio em Ruanda. Não foi fácil criar oito crianças num momento de grande crise social e econômica no nosso país e com experiências tão traumatizantes. Mas Deus ajudou-nos e agora nossos filhos estão todos crescidos: dois deles já nos deram três netos». Juntos administram uma clínica com cerca de vinte leitos. «Por causa do meu trabalho – continua Dieudonné – muitas vezes tenho contato com mães que, diante de uma gravidez difícil, gostariam de abortar. Mesmo se os meus dias são muito cheios, sinto que diante destas pessoas devo encontrar todo o tempo necessário para ouvi-las até ao fim, tranquilizá-las, conversar com elas sobre a sacralidade da vida. Sou padrinho de muitas destas crianças, que nasceram por causa do apoio que procurei dar». Na região onde se encontram os problemas familiares não faltam. As mulheres, que viveram na submissão por muitos anos, agora buscam afirmação. «Atualmente, também na África – salienta Emerthe – muitas jovens alcançaram um nível de instrução elevado e não toleram mais ser submissas. Mas os homens ainda não estão preparados para um relacionamento paritário e não sabem enfrentar com serenidade esta mudança, por isso continuam resignados a caminhar em dois níveis». «Quando reunimo-nos com as famílias jovens – prossegue Dieudonné – levamos a elas a boa-nova do matrimônio cristão. Recordamos-lhes as promessas feitas no dia do casamento, isto é, o ser os dois uma coisa só, para caminhar juntos seguindo quatro diretrizes: a comunicação profunda no casal, a partilha da economia familiar, a participação dos dois na educação dos filhos, a oração em família. Este anúncio, feito através da experiência da vida evangélica, faz reflorescer a esperança numa relação mais partilhada, mais alegre, tanto para os dois esposos como para os filhos. Lembro-me de um homem que tinha construído uma casa sem a mulher saber. Queria demonstrar para ela que sabia fazer alguma coisa. Porém, como os dois não conversavam, ela ignorava este propósito e continuava a julgá-lo. Quando descobriram esta visão do matrimônio, reencontraram-se e reconciliaram-se». «É uma alegria ver que os jovens que fizeram um percurso de fé consciente – destaca Emerthe –, fazem a escolha do matrimônio cristão, escolhendo uma festa nupcial sóbria, em geral sustentada pela comunidade. Quando acontece que, apesar da preparação cristã, não conseguem renunciar ao estilo de vida precedente, procuramos manter o relacionamento aberto. E quando sentem-se prontos para celebrar o sacramento, é natural para eles inserirem-se na comunidade e voltarem a caminhar juntos». Vídeo: em italiano

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Sínodo da Família: encontro dos Focolares com os padres sinodais

20141016-02O empenho na formação dos casais jovens, a ajuda às mulheres com gravidez indesejadas, a disponibilidade a deixar tudo para levar o Evangelho em terras longínquas. “Vida verdadeira” emergiu, na sede do Pontifício Conselho da família em Roma, no dia 12 de outubro, no encontro que um grupo de padres sinodais e auditores do Sínodo tiveram com um grupo de famílias do Movimento dos Focolares. Recebidos pela presidente e pelo vice presidente do Movimento, Maria Voce e Jesús Morán, participaram do encontro, entre outros, o cardeal Andrew Yeom Soo-jung, arcebispo de Seul, e os presidentes das Conferências episcopais da Repúblicas Ceca, Eslovênia, Madagáscar, Tanzânia e Uruguai. “Não existem receitas infalíveis, pelo contrário”, asseverou Alberto Friso das Famílias Novas. “Quantas vezes nós, pais, erramos com os nossos filhos! Às vezes, somos muito permissivos, outras vezes possessivos, ou fracos, ou inflexíveis, quando não é necessário. Também para estes casos vale a regra do ‘recomeçar’. Estar sempre prontos a reconhecer os próprios erros e pedir desculpas. E quando é o filho que erra, não hesitar em fazê-lo observar, porém, demonstrando confiança”. Muitas vezes ferida, dividida por traições e silêncios culposos, a família continua a ser um lugar “insubstituível” onde se gera e se transmite a vida. Quem trabalha com as famílias hoje – contou Anna Friso (Famílias Novas) – decidiu viver na “periferia” porque, como diz o Papa Francisco, “o cristão não é cristão para permanecer no aglomerado, mas para ir às periferias do mundo”. “E na periferia – acrescentou Friso – não se pode perguntar às pessoas se são casadas na igreja, se convivem ou são separadas. Nós acolhemos a todos, assim como são, amamo-los, escutando profundamente. Se podemos, procuramos ajudá-los naquilo que precisam. E, no momento certo, a todos, independente da situação em que se encontram, levamos o mesmo anúncio: Deus ama-te imensamente. Não existe nenhuma pessoa excluída do amor de Deus”. 20141016-03Os bispos ouviram também a história de Tiziana G., que viveu um matrimônio de 13 anos de mentiras, brigas, pseudoesclarecimentos e novas desilusões. Depois, o encontro com um antigo colega de escola e o início de uma nova vida familiar. “Poderia ter ido numa igreja onde não sou conhecida e receber, da mesma forma, a Eucaristia – contou -, mas por obediência nunca o fiz”. Tiziana não esconde aos bispos o sentimento de “autoexclusão” experimentado, “a grande solidão espiritual” vivida e o “forte incômodo ao ver os outros irem em direção ao altar, enquanto eu ficava no banco. Sentia-me abandonada, rejeitada, culpada”. Depois tomou a palavra Paolo R., também ele com uma experiência de casamento fracassado. O seu relato de sofrimento, pelo abandono por parte da mulher, passa pela separação e os advogados, e chega a um “deserto interior”. Mas ele decidiu “esperar” porque – disse – “este é o matrimônio cristão. Uma caixa fechada. Pões a tua vida nas mãos de Deus, com o sacramento, através da pessoa com quem te casas, pela qual te apaixonaste… mas depois o amor deve ser construído, também no sofrimento, dia após dia”. 20141016-01Também estavam presentes no encontro o casal Dieudonné ed Emerthe Gatsinga, de Kigali (Ruanda), que, como auditores no Sínodo, contaram a sua experiência na formação das famílias, dos casais jovens, dos namorados e noivos, principalmente no seu país, mas muitas vezes também na Uganda, no Burundi, no Quênia e no Congo. Ele ginecólogo, ela economista, assim apresentaram-se ao Papa: “Quando nos casamos, prometemos não ficar fechados em nós mesmos, mas doar-nos aos outros. Desde então passaram-se 26 anos. Temos oito filhos dos quais quatro adotados, depois de ficarem órfãos no genocídio na Ruanda. Não foi fácil criar oito filhos num momento de grande crise social e econômica para o nosso país e com experiências tão traumatizantes. Mas Deus ajudou-nos e agora estão todos crescidos: dois deles já nos deram três netos”. São histórias que põem em evidência um trecho de Chiara Lubich, lido durante o encontro pelo cardeal Ennio Antonelli: “Nada constrói, une e faz a família existir senão o amor… Quando no coração dos componentes de uma família este amor está aceso, está vivo, não surgem problemas insolúveis, não aparecem obstáculos insuperáveis, não se sofrem fracassos irremediáveis”. Foto gallery

(Fonte: Sir)

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Teresa d’Avila e o carisma da unidade

20141015-02«Falando sobre o sentido da espiritualidade da unidade num encontro dos Bispos amigos do Movimento dos Focolares, no dia 10 de fevereiro de 1984, Chiara Lubich fez estas observações: “É um caminho que se percorre juntos, no qual se procura a santidade do outro como a própria, porque aquilo que mais interessa é a glória de Deus. E o que dá um impulso decisivo também à santificação pessoal é precisamente a presença de Cristo entre os cristãos, presença cada vez maior e mais plena, que envolve a pessoa cada vez mais profundamente”. Aqui também  encontra-se uma observação sobre a novidade desta santidade e deste caminho: “Um castelo interior, portanto, como santa Teresa chamava a realidade da alma habitada por Sua Majestade, para descobrir e iluminar, está bem. É o cume de santidade de um caminho individual. Agora talvez tenha chegado o momento de descobrir, iluminar, edificar por Deus também o seu castelo exterior, pode-se dizer, com Ele presente entre os homens. Este – observando bem – não é nada mais senão a Igreja, onde vivemos, que, também por esta espiritualidade, pode tornar-se cada vez mais ela mesma, mais bela, mais esplêndida, como mística esposa de Cristo, antecipação da Jerusalém celeste, da qual está escrito: “Eis a morada de Deus com os homens! Ele estará entre eles; eles serão o seu povo e ele será o Deus com eles” (Ap 21,3). […] Nos primeiros dias de dezembro de 2003, visitando a Espanha, Chiara foi até Ávila, a cidade natal de santa Teresa, e fez uma pausa no mosteiro da Encarnação, onde Teresa viveu por mais de 27 anos […], Chiara deixou no Livro de Ouro do mosteiro este testemunho de “amizade espiritual” com a Santa de Ávila: “Obrigada, santa Teresa, por tudo o que fizeste por nós durante a nossa história. Obrigada! Mas o obrigada mais belo, dir-te-emos no Paraíso. Continua a olhar por todos nós, pelo “nosso castelo exterior” que o Esposo suscitou na terra como adimplemento do teu “castelo interior”, para fazer a Igreja bela, como a desejavas. Até breve, santa Teresa. Com um abraço. Chiara”. Sempre considerei o castelo interior de Teresa d’Avila como uma proposta de vida evangélica para todos os cristãos que querem viver a própria vocação universal para a santidade, para a união com Deus, para a experiência trinitária e eclesial. Mas, considero uma graça ainda maior, e uma aventura ainda mais bela, poder participar com o carisma da unidade na descoberta deste desígnio de Deus, a possibilidade de poder viver juntos a aventura da santidade comunitária e eclesial, na construção de um esplêndido, luminoso castelo exterior, encarnado na Obra de Maria, para a Igreja e a humanidade». De “O castelo exterior, a novidade da espiritualidade de Chiara Lubich” (Il castello esteriore, il nuovo nella spiritualità di Chiara Lubich), Jesús Castellano Cervera (1941-2006), pág. 63-67/68.