Movimento dos Focolares
Gen Rosso nas Filipinas

Gen Rosso nas Filipinas

Move for something greater”, “agir por algo maior”. Este é o slogan do projeto que o Gen Rosso está desenvolvendo, junto com jovens estudantes de várias cidades das Filipinas, de 1º de fevereiro a 1º de março, como sinal de partilha e solidariedade concreta depois do tufão de novembro passado. A vinda do grupo estava sendo preparada já há vários meses, envolvendo algumas escolas públicas e privadas.

Na chegada à Manila, o Gen Rosso foi recebido pelo Ministro da Educação filipino, que exprimiu sua grande estima pela iniciativa e o desejo de prosseguir com essa colaboração também no futuro.

Para preparar, junto com os jovens, os seus primeiros espetáculos em Manila (dias 1 e 2 de fevereiro), o grupo internacional realizou vários workshops dos quais participaram 210 jovens, entusiasmados por terem a oportunidade de mostrar os próprios talentos. Músicas, danças e textos do musical “Streetlight” tornaram-se canais de comunicação e sintonia com os jovens. Alguns deles vinham das periferias da metrópole. “Justamente eles – escrevem os artistas do Gen Rosso – estavam mais convencidos que nunca da força do projeto. No final tinham um sorriso pleno no rosto e uma expressão autêntica de satisfação”.

Os trabalhos dos workshops foram concretizados na apresentação de dois shows no Palasport Ynares de Manila, com os jovens e a banda encenando juntos o musical. Em cada um dos shows o público superou as 2200 pessoas; entre estas havia um grupo de quarenta jovens muçulmanos e uma delas evidenciou “a convicção, a coragem e a inspiração” que o espetáculo comunicava.

Alguns comentários dos estudantes que atuaram como protagonistas: “Vocês curaram as feridas do nosso coração, é maravilhoso voltar para casa e poder viver pelos outros!”; “Obrigada por nos terem feito sentir em família”; “Com este projeto eu reencontrei a vontade de viver”; “Aprendi a ser mais seguro de mim mesmo e a ter confiança”; e ainda, “Graças aos dias passados com o Gen Rosso eu reencontrei o relacionamento com meu pai”.

Segunda etapa: Masbate, uma ilha ao sudeste de Manila, em meio à natureza tropical, dias 7 e 8 de fevereiro. “Esta turnê – revelam – está nos proporcionando emoções inesquecíveis. Estamos numa ilha que vive da pesca e do cultivo de arroz. A “fazenda” onde estamos alojados está no meio do campo, à uma hora da cidade, e pelas ruas pululam os sidecar. Embora em meio a mil dificuldades, o povo vive contente…”.

Em Masbate o projeto foi realizado em colaboração com a Fazenda da Esperança e com alguns jovens estudantes de várias escolas da ilha. “Durante a semana o entusiasmo dos cerca de 200 participantes do workshop tocou as estrelas! Muitas situações contadas no musical “Streetlight” foram vividas na própria pele por esses jovens… devido à grande procura tivemos que fazer um terceiro espetáculo, para 1600 pessoas”.

E afirmam ainda: “Em Masbate deixamos lágrimas de alegria e profundos relacionamentos. Mais uma vez experimentamos que nestes lugares, onde o acesso não é nada fácil, recebemos muito mais do que damos”.

A aventura prosseguiu em Davos (14 e 15 de fevereiro), depois Cebu (21 e 22), para concluir-se em Manila, dia 1º de março.

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África: “Nós com os outros”

Doze estudantes, representantes de dois colégios italianos, acompanhados por três professores, dois colaboradores, dois sócios da Unicoop de Florença, uma representante do Movimento dos Focolares e um cinegrafista fizeram uma viagem à África. Objetivo: passar a semana de 16 a 24 de janeiro com os coetâneos africanos, compartilhando tudo. Destinação escolhida: Fontem, no nordeste da República dos Camarões, de língua inglesa. Atualmente a cidade conta 40.000 habitantes. O Movimento dos Focolares, junto a outros, contribuiu ao seu desenvolvimento a partir da década de 1960. Mas, passemos a palavra a Stefano, um dos jovens, que narra a experiência vivida e que foi publicada no jornal da sua escola: “(…) Uma viagem rumo à descoberta de uma realidade diferente, às vezes difícil de compreender pela pobreza que se encontra; porém, mestra de vida por tudo o que pudemos aprender… Nós descobrimos uma cultura diferente, encontramos pessoas que pensam de maneira diferente da nossa… Nós partimos com a idéia de ir para doar medicamentos, pincéis e canetas, papel e cadernos; ir para falar de nós mesmos, da Europa; e constatamos que, ao contrário… aprendemos que existem pessoas que seriam capazes de vender o pouco que possuem para fazer com que nos sentíssemos em casa, que existem pessoas que nunca nos viram, mas que nos acolhem como se fossemos reis. Que não são racistas como muitos de nós, que em poucos dias se afeiçoam a nós de um modo que não saberíamos fazer igualmente, com ninguém. O primeiro contato com os alunos do Colégio foi um grande impacto: fomos recebidos com cantos e danças, para a nossa grande surpresa nos conduziram pela mão e nos abraçaram! Depois do primeiro momento de ‘desorientação’ fomos transportados em uma dimensão diferente e não tínhamos mais nenhum receio de nos relacionar à maneira deles porque se tornara já nossa. O canto e a dança nos fizeram sentir livres; também nós entramos na dança, rimos e estabelecemos um profundo relacionamento, difícil de acreditar. Esta maneira de estabelecer relações fez com que também entre nós, italianos, acontecesse uma grande transformação. Além dos momentos alegres tivemos que lidar também com cenas difíceis, especialmente quando fomos visitar a aldeia Besalì, onde existe uma grande pobreza. Nas margens da estrada vimos crianças subnutridas, com o estômago dilatado, gente que vive na miséria… E, mesmo assim, também lá as pessoas nos acolheram calorosamente. As escolas em Besalì, construídas e financiadas pela Unicoop de Florença, nada tem a ver com o tipo das escolas italianas. Pessoas especiais nos ajudaram a compreender melhor o que estávamos vivenciando, a começar pelo Dr. Tim, focolarino nascido em Trento e que mora em Fontem há vinte e sete anos. O seu trabalho é muito importante: ele acompanha o tratamento de inúmeras pessoas que, sem ele e os voluntários que trabalham no hospital, estariam em grandes dificuldades. Ficamos maravilhados com o grande entusiasmo de Pia, focolarina voluntária, que mora em Fontem há quarenta e sete anos e tornou-se ícone do Movimento dos Focolares: ela é capaz de transmitir uma energia incrível! Com o passar do tempo criou-se um forte laço entre todos. O último dia foi mágico! Nós fomos avisados: “Vai ter choro… vocês e eles vão chorar!” Mas, no nosso coração, não sentíamos que isto aconteceria, até o momento que realmente aconteceu. À noite, na véspera da viagem de volta, depois da troca de presentes, a despedida foi comovente: todos abraçados, em silêncio, na total escuridão da estrada em meio à floresta; um profundo silêncio… Interrompido somente pelo ruído ofegante da respiração que o nariz tenta conter, provocada pelo pranto e pela incrível onda de emoção. Ainda não completamente conscientes de tudo o que vivenciamos, somos gratos a todos os que permitiram a realização desta experiência: uma viagem que alguém definiu ‘A viagem da vida’”.

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Na Áustria, um prêmio para o compromisso ecológico

“Cultivar e cuidar da criação é uma orientação dada por Deus não apenas no início do história, mas a cada um de nós. Faz parte do seu projeto, significa fazer o mundo crescer com responsabilidade, transformá-lo para que seja um jardim, um lugar habitável por todos (…). Ecologia humana e ecologia ambiental caminham juntos”. Estas palavras do Papa Francisco (5 de junho de 2013) testemunham quanto é atual a problemática ambiental.

No Centro Mariápolis “Am Spiegeln” (“O Espelho”), em Viena estes conceitos não ressoam como algo novo ou distante. Esse centro do Movimento dos Focolares na Áustria, na verdade, já foi planejado procurando colocar a pessoa e o ambiente como ponto central. Situado nas proximidades do bosque vienense, a dez minutos do castelo de Schönbrunn – residência de verão da família Habsburgo – e circundado de verde, o Centro Mariápolis é meta privilegiada para conferências e congressos. Mas é também muito procurado como lugar de repouso, férias e turismo, graças à proximidade com a maravilhosa capital. Prova disso são os milhares de hóspedes (grupos, famílias, jovens e crianças) que o Centro recebeu nestes últimos anos.

Foi, portanto, merecido o reconhecimento concedido a “Am Spiegeln” dia 16 de janeiro passado, pelo Ministério Austríaco do Ambiente, juntamente com a Câmara do Comércio. Trata-se do qualificado “Selo Austríaco de Respeito pelo Ambiente”, que reconhece os esforços feitos para adequar a estrutura à economia de energia e de água, com a instalação de sistemas apropriados, e de seleção de lixo para a reutilização. Através de uma nova logística para a coleta diferenciada do lixo, uma quantidade significativa dele poderá ser reciclada. A isso acrescenta-se o baixo uso de detergentes, a redução máxima de embalagens e a formação permanente dos colaboradores. O prêmio salienta ainda o uso de alimentos provenientes da própria região, ao lado de outros sistemas de racionamento dos recursos.

“É importante – afirmam os responsáveis – envolver os nossos hóspedes através de uma boa informação sobre a utilização da estrutura. Um compromisso que contrasta com a cultura do desperdício e do descarte a favor do bem-estar de quem nos visita, no respeito ao ambiente”.

E concluem: “Sentimos que esse prêmio coloca em relevo o testemunho de vida evangélica que procuramos dar aqui, todos os dias, e que se traduz também na harmonia e no cuidado com a natureza. Se quiserem constatar isso pessoalmente, esperamos por vocês em Am Spiegeln!”.

Para informações: Centro Mariápolis Am Spiegeln

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Chiara Lubich: a pedagogia da fraternidade

Ezio Aceti iniciou o seu discurso com uma metáfora sobre o pelicano, ao falar de Chiara Lubich educadora. Psicólogo e especialista na idade evolutiva, Ezio fez uma intervenção na solenidade em que a Escola Infantil Spine Rossine foi intitulada à fundadora do Movimento dos Focolares, no dia 29 de janeiro passado, em Putignano, na Província de Bari (Itália).

A iniciativa de dar a esta escola o nome de Chiara Lubich nasceu do desejo de que a pedagogia a ser aplicada inspire-se no valor da fraternidade que, na didática, se manifesta na capacidade de transmitir o saber disciplinar às crianças. Neste campo Chiara Lubich foi um grande exemplo, explicando minuciosamente os particulares e tornando claros e compreensíveis os valores do Evangelho, especialmente aos “pequenos”.

As testemunhas – afirma Ezio Aceti – foram grandes mestres porque atraíram com a própria coerência e, por isso, tornaram-se inspiradores de jovens e adultos que os seguiram. Chiara Lubich e Madre Teresa de Calcutá representam um claro exemplo deste modo de educar; elas atraíam pelo carisma que emanavam, atração que existia não só pelos seus ensiamentos, pelas suas palavras, a presença delas representava um motivo de grande comoção para muitas pessoas.

É importante saber que os carismas são para a atualidade, para o presente, e que permanecem mesmo quando os fundadores dos Movimentos não estão mais vivos. Chiara – ele prossegue – colocou em evidência a experiência de Deus, vivendo-a de maneira nova, fundamentada na unidade. Para compreender os fundamentos da educação, segundo o psicólogo, devemos eliminar alguns preconceitos.”

Ezio citou grandes personagens que, como Chiara Lubich, souberam atuar um novo estilo educativo. Simon Weil, filósofa francesa, por exemplo, indicava a atenção como forma de amor ao próximo que fala. Martin Buber, filósofo hebreu, exortava a colocar-se no lugar do outro, em seguida ouvir as inspirações que derivam deste ato e, depois, comunicá-las ao próximo. Maria Montessori, pedagoga italiana, elaborou um sistema didático no qual demonstrou que se é possível ensinar algo a uma criança portadora de deficiência, é possível ensiná-la a todas as crianças. O pedagogo polonês, Janusz Korczak, acompanhou as crianças do seu orfanato até o momento da sua morte, no campo de concentração di Trzeblinka. O último elemento pedagógico indicado por Ezio foi o testamento de Chiara Lubich: “Sejam uma família… Amai-vos reciprocamente para ‘que todos sejam um.’”

Na solenidade da inauguração foi lida a mensagem de Maria Voce, Presidente dos Focolares, fazendo votos que a intitulação do estabelecimento de ensino a Chiara, possa oferecer um estímulo a seguir o seu exemplo, a todos que o frequentam.

Fonte: Città Nuova online.

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Chiara Lubich e as religiões: Islamismo

Os contatos dos Focolares com fieis muçulmanos iniciaram na década de 1960. Na Argélia, desde os anos 1970, desabrochou uma amizade profunda entre cristãos e muçulmanos, que se difundiu progressivamente na cidade de Tlemcen, fazendo nascer uma comunidade do Movimento dos Focolares quase inteiramente muçulmana, e que atravessou não apenas as barreiras entre Islamismo e Cristianismo, mas também os duros anos da guerra civil. Esta experiência foi a base para oito congressos internacionais dos “muçulmanos amigos do Movimento dos Focolares”, entre 1992 e 2008.

Nos Estados Unidos, no final dos anos 1990, abriu-se uma nova página nas relações entre cristãos e muçulmanos. Chiara Lubich, mulher cristã, foi convidada pelo Imã W. D. Mohammed, líder carismático de muçulmanos afro-americanos, a dirigir a sua mensagem aos fieis reunidos na Mesquita Malcolm X, no Harlem. Na conclusão daquele dia, em maio de 1997, o Imã afirmou: “Hoje, aqui no Harlem, em Nova Iorque, foi escrita uma página da história”. Os dois líderes fizeram um pacto de fraternidade que depois estendeu-se aos dois movimentos. Desde então realizam-se com regularidade, nos Estados Unidos, encontros de comunidades cristãs e muçulmanas, de brancos e negros, que miram construir a fraternidade universal, com uma influência sobre o bairro e a cidade. Estão envolvidas mais de 40 mesquitas e comunidades do Movimento dos Focolares, em várias cidades.

O caminho de aprofundamento entre a espiritualidade da unidade e o Islã teve algumas etapas importantes. No encontro para os amigos muçulmanos realizado em 2008, em Roma, com o título “Amor e Misericórdia na Bíblia e no Alcorão”, a palestra de Adnane Mokrani, professor muçulmano, sobre “Ler o Alcorão com o olhar da Misericórdia”, foi muito apreciada por todos os presentes.

Em 2010, realizou-se, em Loppiano, um encontro com a participação de cerca 600 pessoas, muçulmanos e cristãos. Numerosos foram os presidentes e Imã de comunidades islâmicas da Itália. Como afirmou o Imã Layachi, o encontro foi um ponto de chegada e de partida de muitas experiências vividas em diversas regiões da Itália.

Em Tlemcen (Argélia) – considerada, em 2011, uma das capitais da cultura islâmica,– foi realizado, em junho de 2011, o encontro dos muçulmanos do Movimento, com o lema “Viver a Unidade”. Os participantes, cerca de oitenta, provinham de dez países. A presença de professores muçulmanos foi muito valorizada, porque tendo como base a vida vivida, começaram a desenvolver temas sobre a espiritualidade da unidade do ponto de vista muçulmano.

Nas últimas décadas, com a imigração, cresceu a presença muçulmana na Itália.  Em muitas cidades, de norte a sul da península, estabeleceu-se uma verdadeira amizade com muitos fieis e comunidades muçulmanas. Em Brescia, por exemplo, no dia 25 de novembro de 2012 reuniram-se cerca de 1300 cristãos e muçulmanos para um encontro intitulado “Percursos comuns para a família”, promovido em parceria pelo Movimento dos Focolares e várias associações e comunidades islâmicas. Em Catânia, no dia 23 de abril de 2013, aconteceu o congresso “A família muçulmana, a família cristã: desafios e esperanças”, que reuniu cerca de 500 pessoas num momento de diálogo.

No dia 20 de março de 2014, na Universidade Urbaniana de Roma, acontecerá o evento “Chiara e as religiões: juntos rumo à unidade da família humana”. Passados seis anos de seu falecimento, deseja-se evidenciar a sua atuação em favor do diálogo inter-religioso. A manifestação coincide com os 50 anos da Declaração Conciliar “Nostra Aetate”, sobre a Igreja e as religiões não cristãs. É prevista a participação de personalidades religiosas do mundo islâmico.

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Klaus Hemmerle: paixão pela unidade

Sei que não consigo viver sozinho, mas somente com Ele em meio a nós. Comprometo-me a fazer parte de uma célula viva, a estar ligado a outras pessoas com as quais posso falar de um tal estilo de vida.

Eu gostaria, pelo menos a cada dia, de falar pelo telefone com alguém que possa entender o que diz respeito à minha vida, e que me entenda tão profundamente que bastem cinco minutos para compreender com clareza como vão as coisas.

Se isso, às vezes, não é possível, então vive-se a comunhão espiritual, que, todavia, é sempre uma realidade muito importante. Procuro tecer uma rede concreta de relacionamentos, e fazer parte dela.

Essa comunhão vivida nunca é fim em si mesma, mas faz crescer a paixão pela unidade e o impulso a criar comunhão em qualquer lugar aonde eu vá. Não terei paz até que a diocese, a paróquia e qualquer outra realidade, não se tornem um rede feita de células vivas, com o Senhor vivente no meio delas.

Desse modo, os gestos fundamentais da minha cotidianidade, a vida da Palavra, o encontro consciente e esperado com o Crucificado, a oração, a vida de comunhão na realidade de uma célula viva, são coisas que me fazem compreender, cada vez mais, um dado de fato fundamental: eu não vivo a vida sozinho, não sou o solista da salvação dos outros, mas sou uma pessoa que vive com o Outro e para o Outro.

Isto é, voltado para o Pai e voltado para os outros: comunhão e reciprocidade, portanto. Trata-se de três direções fundamentais que partem de Cristo Crucificado: rumo ao Pai, rumo ao mundo, rumo à comunhão.

(Wilfried Hagemann, “Klaus Hemmerle, enamorado pela Palavra de Deus”, Città Nuova Ed., Roma, 2013, pag. 233.)