EdC: Recuperação de créditos em quatro passos
«A minha empresa, a Tecnodoor sas, projeta e executa portas automáticas e manuais para uso industrial e civil em Isera (TN). Desde 1994 adere à Economia de Comunhão, caracterizando a atividade por um novo modo de empreender: relacionamentos renovados, máxima colaboração em todos os níveis, tanto dentro com os dependentes e entre os sócios, quanto fora com os clientes.
A crise econômica nos atingiu justamente no aspecto que representava a vida e a saúde de uma empresa: os créditos. Após uma avaliação profunda das inadimplências, decidimos adotar certas medidas para readquirirmos o equilíbrio, procurando novas estratégias para a recuperação dos créditos. Mas como? Nestes anos trabalhamos honestamente, mas construímos, sobretudo, relacionamentos de confiança com os clientes: como fazer agora para não arruiná-los mesmo tendo que pedir que paguem suas dívidas?
Uma noite eu não conseguia dormir e refleti muito.
A pergunta de fundo era esta: como deve se comportar um empresário que quer ser coerente com o “Projeto EdC” para recuperar os seus legítimos créditos? Pensei quais são os pontos fundamentais que tinha que manter firmes para “não sair do acostamento” e lucidamente, aos poucos, vi claros alguns passos práticos:
a) administrar “a recuperação do crédito” não como algo meu, mas como uma tarefa recebida;
b) não romper as relações, mas procurar reforçá-las ainda mais;
c) escutar todas as dores que também a outra empresa ou o outro cliente está vivendo;
d) expor objetivamente a “dor” da nossa empresa e as consequências.

Depois daquela noite acordado quis experimentar em campo o fruto das minhas reflexões. Com a alma, mais “desapegada” possível da difícil tarefa e com a convicção de que cada próximo – seja ele um credor, um empregado ou um fornecedor – era um “irmão”, me coloquei a escutar até o fim cada um por telefone ou encontrando pessoalmente.
O resultado? Começamos a receber os pagamentos completos ou parcelados. Todavia, o mais importante é que não se rompeu ou se estragou nenhum relacionamento, mas ao contrário, com todos os clientes se reforçou a confiança e a estima».
por Pietro Comper
de “Economia di Comunione – una cultura nuova” n.37 – Encarte da Revista Città Nuova n.13 – 2013 – julho de 2013
Chiara Badano e os jovens consagrados
“O encontro com outros carismas é algo que me fascina e vivê-lo nos lugares onde Chiara Luce Badano viveu o Evangelho de maneira radical conferiu uma característica de novidade e juventude!”. Assim escreveu Alessandro, jovem religioso dos Oblatos de Maria Imaculada, um dos vinte e dois jovens que se reuniram em Sassello, cidade natal da jovem bem-aventurada, de 19 a 23 de agosto.
O encontro “De Luz em Luz – Chiara Luce para os jovens consagrados” foi um espaço para os jovens religiosos e religiosas de diversos carismas. Uma experiência de vida na qual os participantes descobriram o que possuem em comum e se questionaram sobre a própria vocação, que tem o aspecto jovem da vida consagrada.
Os participantes pertenciam a sete congregações: Frades Menores, Oblatos de Maria Imaculada, Irmãs Franciscanas dos Pobres, Missionárias de Santa Paula Frassineti, Irmãos e Irmãs Franciscanas Missionárias, Pequenos Irmãos de Jesus Ressuscitado de Novos Horizontes e os Missionários da Alegria. “Foi uma experiência profunda – escreve Frei Andrea – e nos deixamos ‘envolver pelo Espírito’ que nos impulsionava a fazer comunhão entre os nossos carismas e fazer resplandecer, de modo novo, o semblante jovem da Igreja”.
“Uma esplêndida ocasião de partilha, como jovem consagrada muito próxima à espiritualidade dos Focolares – continua Irmã Cinzia, Franciscanas dos Pobres – uma preciosa experiência de comunhão e ótima formação, uma ocasião para refletir sobre a santidade na vida cotidiana, para a qual todos nós somos chamados. Eu experimentei, realmente, que se entre os diversos carismas se vive o relacionamento de amor e conhecimento recíprocos, nós nos aproximamos de Deus!”.
O encontro foi organizado segundo três palavras que constituíram o slogan da beatificação de Chiara Luce: Life, Love, Light (Vida, Amor, Luz).
No dia dedicado à “Vida”, Padre Theo Jansen evidenciou como a vida de Cristo, que sustenta a Igreja, floresceu nos vários carismas e a impulsiona atualmente à comunhão e ao amor recíproco. Nos vários encontros por grupos os participantes se interrogaram como os carismas respondem à missão de Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). No contexto da insatisfação da juventude e da crise econômica, duas experiências luminosas: Matteo Zini (Novos Horizontes) demonstrou como o carisma da alegria, que é vida em plenitude, ofereça a ressurreição nos infernos existentes nas ruas (droga, álcool, prostituição, delinquência…); e Livio Bertola, empresário da Economia de Comunhão, como a vida do Evangelho renova também o setor da economia. À noite, um festival de talentos com um belo espetáculo, com músicas e brincadeiras.
No dia dedicado ao “Amor”, Frei Andrea Patanè, falou sobre a descoberta do amor e das suas implicações, assim como foi intuído e vivido por Chiara Lubich e pelas suas companheiras; Padre Jacopo Papi, procurou atualizar a vida de Chiara Luce na vida dos jovens consagrados e Padre Donato Cauzzo, secretário do Prefeito da Congregação dos Religiosos, evidenciou a força do espírito que impulsiona os carismas à comunhão para que resplandeça, ainda mais, o semblante de Cristo.
No dia dedicado à “Luz”, o testemunho de Silvia, que viveu a experiência gen com Chiara Luce; de Lorenza, do grupo de Famílias Novas e de Giuliano, que trabalha em um bar, grande amigo de Chiara. Um momento marcante: a visita em Sassello, tendo como guia, Simona, uma colega de escola de Chiara Luce, e o profundo momento de oração diante da sepultura da jovem bem-aventurada.
Frei Andrea, dos Irmãos Franciscanos Missionários, reassume os cinco dias, intensos, vividos juntos: “Um momento de Céu, além de toda e qualquer expectativa! Como o Senhor e Chiara Luce nos transformaram nestes dias! E como era viva a vida de comunhão entre nós, mesmo na diversidade das nossas vocações!”
Todos partiram com um grande desejo de comunhão, para levar a muitos a “tocha” que Chiara Luce quis passar aos jovens. Próximo encontro: Loppiano 2014.
Secretaria dos Religiosos/Religiosas da Obra de Maria
17 anos de encontros entre judeus e cristãos
Na Mariápolis permanente da Argentina, 70 pessoas, entre judeus e cristãos, viveram dois dias intensos, de estudo e de diálogo, por ocasião da XVII Jornada da Paz.
O tema deste ano foi “O amor ao próximo na tradição judaica e na tradição cristã”. Os trabalhos foram abertos com os depoimentos de seis judeus e três cristãos que em maio passado participaram de um encontro inter-religioso organizado pelo Movimento dos Focolares em Castelgandolfo (Roma – Itália). As experiências deles salientaram os importantes passos dados na direção de uma maior compreensão recíproca.
Qual o segredo do sucesso e da continuidade dessas Jornadas da Paz? Segundo os próprios participantes é “o espaço de interação sincera que se cria, onde reinam o afeto e o respeito recíproco, onde temos a certeza da confiança, da escuta e da acolhida dos outros”.
Muitos foram os momentos de destaque. Antes de tudo a lembrança do encontro que tiveram com o Papa Francisco, que suscitou uma grande emoção.
Lidia Erbetta, focolarina teóloga, e a rabina Silvina Chemen, da comunidade Bet El, propuseram o estudo de um texto retirado do capítulo quarto do Livro do Gênesis. Trata-se da conhecida história de Caim e Abel, e da fatídica pergunta: “Onde está o teu irmão?”. A proposta de Erbetta e Chemen foi a de uma dinâmica de grupo no estilo da “hevruta”, isto é, o estudo entre iguais, segundo a tradição da escola talmúdica para a análise dos textos bíblicos. Uma “hevruta” que, dessa vez, não aconteceu entre duas pessoas, mas entre os seis membros de cada grupo, um estudo feito em comunhão, exposto em seguida com uma reflexão conclusiva muito interessante.
O esquema foi repetido no dia seguinte, com Francesco Canzani, dos Focolares, e o rabi Ernesto Yattah, sobre o texto do Evangelho de Marcos 12, 28-33, onde Jesus recorda que o que mais conta é amar a Deus e ao próximo.
A Jornada concluiu-se com a benção ao redor da oliveira, trazida de Nazaré 15 anos atrás por um amigo judeu, Ignazio Salzberg. Esta árvore tornou-se um símbolo do diálogo judaico-cristão dentro da Mariápolis Lia.
Ainda este ano, como muitos afirmaram, criou-se o mesmo entusiasmo, fruto de um diálogo respeitoso que traz como consequência o propósito de revivê-lo no contexto social onde cada um atua cotidianamente.
Maria Voce na Jordânia
Na margem oriental do Mar Mediterrâneo, ponto de encontro entre Ásia, Europa e África, o Oriente Médio foi o berço de grandes civilizações e das três religiões monoteístas. Durante milênios os povos dessas terras exerceram uma notável influência sobre a Ásia Menor e a Europa mediterrânea. Egípcios, assírios, babilônios, hititas, fenícios, persas, gregos, árabes e turcos, deixaram uma marca indelével com a própria cultura, sua arte e suas religiões.
Foi nesta região que nasceram as três religiões monoteístas: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo, e é aqui que foi erguida a Cidade Santa (das três religiões): Jerusalém.
Jordânia, 27 de novembro de 1999. Uma data impossível de ser esquecida para todos os membros do Movimento dos Focolares deste país. A fundadora, Chiara Lubich, em visita ao Oriente Médio, encontrou com cerca de mil membros do Movimento, em Amã. Eram provenientes de mais de 20 países (do Oriente Médio e não só), alguns tendo feito mais de 20 horas de viagem de ônibus, outros vindos de carro ou de avião, superando obstáculos inimagináveis. Mil pessoas, que representavam os cerca de 25 mil aderentes do Movimento presentes na região. Naquela ocasião, diante dessa multidão em festa, Chiara disse: «É maravilhoso estar com vocês. Somos muitos povos, mas neste auditório somos um único povo».
Dois dias depois, 29 de novembro, durante a VII Assembleia da Conferência Mundial das Religiões pela Paz (WCRP), reunida ainda em Amã, a presidente dos Focolares apresentou, em seu discurso, a «arte de amar» (com suas características de amar a todos sem distinções, tomando a iniciativa, entrando na «pele do outro», sabendo que cada mulher e cada homem são feitos à imagem de Deus), como um caminho eficaz para construir a paz entre as pessoas e os povos.
Jordânia, 28 de agosto de 2013. A atual presidente dos Focolares, Maria Voce, juntamente com o copresidente, Giancarlo Faletti, são esperados em Amã pela comunidade dos Focolares da Jordânia. Uma viagem que continuará até o dia 7 de setembro, e que, embora preparada há muito tempo, reveste-se agora de um caráter importante e delicado, devido os graves e dolorosos eventos que tocaram essa região, especialmente o Egito.
Sempre na Assembleia da WCRP de 1999, Chiara Lubich afirmou: «Estamos aqui porque somos convictos de que, não obstante tudo, a paz é possível, aliás, é o único caminho praticável para um futuro digno dos mais altos valores humanos». Talvez estas palavras sejam a melhor chave de leitura da próxima visita da presidente do Movimento dos Focolares à Jordânia.
“Juntos pela Europa” receberá o Prêmio Europeu São Ulrich 2014
“Estamos felizes e agradecidos com esta honorificência”, declarou Gerhard Pross, porta-voz do comitê alemão do Projeto. E continua: “Para nós é um ulterior impulso para que se torne ainda mais resplandecente o espírito do Juntos, da comunhão e dos valores cristãos na sociedade e nas Igrejas.” Nos anos passados receberam o prêmio, entre outros, o ex-Chanceler alemão Helmut Kohl, o arcebispo emérito polonês Alfons Nossol e a Comunidade de Santo Egídio. “Juntos pela Europa” teve a sua origem em Ottmaring (Augsburg, Alemanha), no dia 31 de outubro de 1999, em seguida à manhã na qual foi oficializada a histórica “Declaração conjunta sobre a Doutrina da Justificação”. Naquele mesmo dia, de fato, no Centro Ecumênico de Ottmaring, realizou-se o primeiro encontro no qual se delineou a fisionomia de “Juntos pela Europa”. É um projeto que se apresenta como uma “livre convergência de movimentos cristãos – católicos, evangélicos, reformados, anglicanos e ortodoxos – que, conservando a própria autonomia, trabalham juntos em determinadas ocasiões com objetivos comuns, oferecendo a contribuição do próprio carisma e da própria espiritualidade.” O objetivo principal, portanto, é o de trabalhar juntos para “incrementar a alma cristã da Europa.” O Prêmio São Ulrich foi instituído em 1993, pela Fundação Européia de São Ulrich, em Dillingen, a cidade natal do santo, por ocasião da celebração dos mil anos da sua beatificação. Na cidade e na região, de fato, percebe-se um forte impulso a trabalhar em favor da paz e pela construção de uma Europa fundamentada nos valores cristãos.
O Prêmio é conferido a cada dois anos a pessoas, iniciativas ou instituições envolvidas no âmbito político, religioso, cultural, científico, econômico e social, segundo o espírito de São Ulrich, para a unidade da Europa. Na motivação da escolha para a entrega do Prêmio 2014 afirma-se que “a rede de Juntos pela Europa empenha-se por uma cultura da comunhão e uma grande comunidade solidária na Europa fundamentada nos valores cristãos. Favorece o desenvolvimento da liberdade e do sentido humanitário ameaçados pela crise financeira e econômica na Europa.” Com o valor de 10.000 Euros, o Prêmio será conferido ao Comitê Internacional de Orientação de “Juntos pela Europa”, no mês de maio de 2014, em Dillingen.

