12 Abr 2013 | Focolare Worldwide
No Egito a questão dos menores trabalhadores constitui uma emergência social: dos 80 milhões (aproximativamente) de habitantes mais de dois milhões de crianças entre sete e quinze anos trabalham. Muitas delas são obrigadas a abandonar a escola para sustentar a família. No Cairo, as crianças que trabalham frequentemente vivem na rua, expostas a varias formas de violência e ao perigo de contrair doenças graves.
A AMU – ONG cuja origem se fundamenta na espiritualidade do Movimento dos Focolares – que, há muitos anos colabora com a Fundação Koz Kazah (arco-íris, na língua árabe), continua também em 2013 o empenho em favor das crianças que vivem no bairro Shubra, no Cairo: menores entre cinco e quinze anos, trabalhadores e provenientes de famílias em condições extremamente difíceis. O primeiro objetivo é resgatar a infância deles por meio de um espaço segundo as necessidades de uma criança. O Centro que os acolhe um dia durante a semana, o dia de descanso do trabalho, oferece a possibilidade de aprender a ler e escrever, de aprender através de atividades lúdicas, do esporte e da arte a reencontrar a confiança em si mesmos e a capacidade de interagir positivamente com os outros. Atualmente os adolescentes que já frequentam o Centro ajudam as crianças novatas na inserção nas várias atividades. Nasceu também um clube chamado Ebn Masr (Filho do Egito).
Considerando os resultados ao longo dos anos foram iniciados alguns cursos de formação profissional: eletricista e carpinteiro para os adolescentes e um ateliê de costura para as adolescentes. De grande importância o resultado produzido pelo curso de teatro, ministrado por uma diretora de cinema já afirmada profissionalmente. No mês de setembro de 2012 houve a primeira apresentação, durante um evento importante promovido pela Fundação Koz Kazah em colaboração com duas associações muçulmanas, uma que se ocupa da tutela dos órfãos e outra que se dedica aos portadores de deficiência.
Hanna Kaiser, responsável da AMU e deste projeto nos declarou: “A Jornada da Paz foi uma ocasião muito importante para os nossos adolescentes, para que se sentissem valorizados e inseridos na sociedade. Os participantes eram adolescentes provenientes de todas as classes sociais, cristãos e muçulmanos. E continua: “Constatamos que para os adolescentes o esporte tem um papel importantíssimo na formação e assim organizamos torneios de futebol envolvendo outros centros esportivos da cidade. A situação das adolescentes é muito diferente e, por meio das atividades que promovemos, entendemos que é possível remover alguns preconceitos muito enraizados em algumas camadas sociais. Cito um exemplo: R. é uma das adolescentes que tem muitas capacidades, se destaca entre todas da sua escola e era já destinada a deixar os estudos ao concluir o ensino médio para casar-se, único futuro possível e imaginável. O nosso apoio serviu para convencer os seus pais que ela deve continuar os estudos e tornar-se enfermeira. Este fato é um sinal importante de transformação, também para as outras famílias.”
Outro resultado muito importante foi obtido por quatro adolescentes que fizeram as provas de alfabetização exigidas pelo governo e, de posse do certificado, poderão ter acesso ao mercado de trabalho, fazer o teste para a obtenção da carteira de habilitação e trabalhar como motoristas, por exemplo. Eles serão, com certeza, exemplo e estímulo para que muitos outros possam transformar e melhorar as próprias condições de vida.
Dados do projeto para o ano 2013
Projeto: Adolescentes em situação de risco
Destinatários: 120 menores
Referência local: Fundação Koz Kazah
Custo total do projeto: € 27.624,37
Recursos locais: € 12.352,63 – Contribuição solicitada à AMU: 15.271,74
Fonte: AMU Notícias e Newsletter AMU
http://www.amu-it.eu/2013/03/08/egitto-andata-e-ritorno/?lang=it
http://www.amu-it.eu/wp-content/uploads/2012/06/NEWSLETTER-formazione-giugno-2012.pdf
http://www.amu-it.eu/wp-content/uploads/2012/11/AMU-Notizie-n%C2%B04per-web.pdf
11 Abr 2013 | Focolare Worldwide
“Ter frequentado Sophia me ajudou a ‘integrar’ o viver e o pensar aquilo que acredito: um mundo mais justo, igual e, ao mesmo tempo, diferente. Todas as coisas, as disciplinas econômicas e políticas, mas, também a possibilidade de conhecer os professores e os estudantes do IUS, provenientes do mundo inteiro, fez com que eu me tornasse uma pessoa diferente, primeiramente no meu íntimo e, depois, também no ambiente do trabalho: mais tolerante e mais consciente das necessidades de muitas pessoas, do sofrimento e das alegrias de muitos. É um grande tesouro que hoje é parte integrante de mim.” Esta é a declaração de Valeria ao responder uma entrevista ao jornalista brasileiro Valter Hugo Muniz, acerca do período de aprofundamento na sua profissão, assistente social, que durou um ano, em Loppiano.
“Trabalhar no campo social sempre significou integrar a minha profissão com o desejo de um mundo mais fraterno, no qual os direitos de todos sejam plenamente respeitados – prossegue Valeria –. Antes de frequentar o IUS eu exerci a função de assistente social por mais de três anos em um bairro chamado Borro, um dos mais pobres de Montevidéu (Uruguai), onde muitas crianças, adolescentes e famílias vivem em condições de extrema vulnerabilidade social. Procurei não perder de vista o objetivo principal: primeiramente promover a dignidade dos habitantes do bairro favorecendo a participação deles, a coesão social, criando espaços comunitários para superar o isolamento, para analisar juntos os problemas por meio do diálogo e da ação coletiva.”
Em dezembro de 2012 Valeria voltou para Montevidéu e, desde então, colabora na execução de um projeto dirigido a crianças de cinco a doze anos e, também, às suas famílias. “O ano em que estive no IUS – conclui – foi muito intenso, sob diversos pontos de vista. Foi para mim uma completa mudança, exigiu uma mudança interior… e, ainda não se concluiu a assimilação das novas categorias que aprendi. Compreendi a minha atividade como um constante ato de ‘caminhar juntos’, e, nesta caminhada, é necessário olhar-nos reciprocamente com o olhar da fraternidade autêntica: ‘o que deve crescer não são somente os modelos das referências materiais de qualidade de vida, mas, o conhecimento, a consciência da nossa comum cidadania.”
Colaboração de Valter Hugo Muniz
Fonte: Instituto Universitário Sophia.
10 Abr 2013 | Focolare Worldwide
Maria trabalha como enfermeira numa escola do Brooklyn: alguns colegas seus são atraídos pelo seu empenho em construir a unidade na sua escola. Depois de três anos de trabalho em conjunto, este grupo propôs uma abordagem interdisciplinar para a resolução dos conflitos entre os funcionários, encorajando-os a ouvirem-se mais e a respeitarem as ideias do outro. A proposta foi aceita pelo diretor e partilhada por toda a comunidade escolar.
Carol trabalha para o município num bairro da sua cidade. O prefeito tinha lançado o projeto “The Art of Caring” (a arte de cuidar do outro). Carol divulgou esta ideia com os seus vizinhos de casa. O projeto ajudava todos a darem o primeiro passo em direção aos outros, a partilhar as suas histórias e a construir relacionamentos positivos. As iniciativas eram as mais variadas – desde ajudar a limpar o jardim de um idoso até encontrar abrigo para quem precisava. Este programa obteve tanto sucesso que outras cidades interessaram-se em implementá-lo.
Stephen realizou um dos seus sonhos quando terminou a faculdade: partir para as Filipinas para um ano de voluntariado em Bukas Palad (“Mãos abertas”, em tagalo), um projeto social situado em Manila. Ao regressar, Stephen lançou uma coleta de fundos com os seus amigos: “Temos a consciência que somos uma única família”, disse.
Estas três histórias não são hipotéticas. São fatos reais que demonstram que a espiritualidade da unidade, dos Focolares, teve um impacto na vida das pessoas e nos seus ambientes.
A “Expo 2013”, que será realizada em Chicago, nos dias 27 e 28 de abril, será uma apresentação do “resultado” produzido por pessoas que vivem quotidianamente pela unidade nos seus diferentes campos de atuação. A abordagem, baseada no princípio da Regra de Ouro (“Faça aos outros aquilo que gostaria que fosse feito a si”) é fundamentada na dignidade individual e no respeito recíproco. As iniciativas resultantes são tentativas de responder às exigências mais profundas de cada situação, para construir uma humanidade renovada para todos. Os casos de estudo interativos abrirão um diálogo construtivo sobre a incidência da arte de amar na melhoria da qualidade dos relacionamentos. O tema “Construir uma humanidade renovada” ajudará os participantes a aprofundarem as mudanças nas próprias áreas de interesse. Serão oito workshop sobre: saúde e desporto, direito e ética, educação, diálogo inter-religioso, arte, meios de comunicação, cidadania, economia e empresa.
“A Expo 2013 será um laboratório para uma mudança positiva e não apenas um conjunto de lições e discussões”, explica Tom Masters, que irá coordenar o workshop sobre educação. A ideia da EXPO surgiu em 2011, quando a presidente dos Focolares visitou os Estados Unidos e o Canadá. Naquela ocasião, Maria Voce viu que muitas sementes tinham sido plantadas e estavam crescendo. Assim, nasceu a proposta de um evento para dar visibilidade a estes projetos e possibilitar a troca de ideias sobre como fazer crescer estas sementes, com uma maior colaboração.
Fonte: Living City Magazine
Informações em www.expo2013.us
8 Abr 2013 | Focolare Worldwide
La Plata, 54 km de Buenos Aires, 750.000 habitantes. Entre os dias 2 e 3 de abril caíram 400 milímetros de água, provocando uma inundação nunca antes vista. Mais da metade da cidade está embaixo da água que, em alguns pontos, chegou a mais de dois metros de altura. No dia anterior algo semelhante, em menor escala, havia acontecido em Buenos Aires e algumas cidades vizinhas. O total de 59 mortos (seis na capital, 51 em La Plata e dois em outras cidades) até este momento, é inquietante, e as perspectivas são desoladoras. Não obstante tudo, mais uma vez a solidariedade se fez presente, para responder às necessidades mais urgentes dos atingidos.
A voz e a ação do povo se fez sentir e ver como nunca antes… ou como sempre, quando acontecem tragédias como essa. Através da Cáritas, Rede Solidária, Cruz Vermelha, várias ONGs, associações de bairro, paróquias, etc., espontaneamente e em poucas horas, foram organizados mais de 500 pontos para a coleta de todo tipo de gêneros indispensáveis nesses momentos: roupas, colchões, água mineral, água sanitária, fraldas, alimentos, cobertores. Sábado, dia 6, havia uma fila de pessoas que queriam deixar a própria contribuição que chegava a 400 metros, na frente da catedral de Buenos Aires, de onde saiam caminhões carregados (naquele dia foram 19), para as paróquias das localidades mais atingidas.
A estes fatos evidentes acrescenta-se uma longa corrente de pequenos ou grandes gestos, que aos poucos vão sendo conhecidos. Pessoas que deram a própria vida, literalmente, para salvar outras, pessoas que oferecem suas forças e tempo para ajudar quem quer que seja, em toda parte, para qualquer necessidade.
Uma tragédia que não fez discriminações entre bairros de classe A e setores pobres. Os jovens, incansáveis, são a “força de ataque” no trabalho solidário, para selecionar as doações, distribuí-las, limpar casas, recolher as toneladas de detritos e lixo acumulados nas ruas.
As redes sociais, mais uma vez, são o veículo de comunicação imediata. No grupo do Facebook “Focolares La Plata”, por exemplo, apareceram logo mensagens com pedidos de ajuda e notícias sobre os membros da comunidade: quem tinha a casa cheia d’água, quem colocava a sua à disposição, quem se oferecia para levar as crianças para a escola (foram muitíssimos os carros submersos). Uma verdadeira corrente de solidariedade e amor mútuo.
O Papa Francisco, ao saber da situação, telefonou ao governador da Província, que destinou 50 mil dólares aos sinistrados.
São gestos de solidariedade que escorrem nas veias, quando vemos o outro sofrer. Uma solidariedade que não se cansa e que traz alívio, principalmente quando ocorrem essas tragédias que parecem destruir tudo. Agora será necessário estar atentos às necessidades dos mais pobres, quando este momento de forte compromisso de todos terá passado.
Aos cuidados de Carlos Mana, da Argentina
7 Abr 2013 | Focolare Worldwide
“Continuem em frente sem perder a esperança”, esta foi a mensagem do Papa Francisco aos jovens da prisão juvenil de Casal del Marmo de Roma, após a celebração da Quinta-feira Santa. Durante a liturgia o Papa lavou os pés de 12 jovens de nacionalidades e confissões diferentes. Entre eles, duas adolescentes, uma italiana de religião católica e uma sérvia de fé muçulmana. O Papa Bergoglio está nos habituando, dia após dia, a gestos fortes, incomuns e muitas vezes revolucionários. Este gesto impressiona-nos de modo particular pelo local onde aconteceu; além disso, o Papa não permitiu filmagens.
Carlo Tedde, empreendedor social EdC e presidente de um consórcio de cooperativas sociais na Sardenha, o Consórcio Solidarietà, além de representante de Confcooperative Sardegna, também trabalha há diversos anos com a Cooperativa Elan que administra um setor da prisão juvenil de Cagliari.
Carlo, qual a tua impressão sobre este gesto do Papa?
«Para mim exprime a radicalidade do Cristianismo: hoje, num mundo onde parece que conta só a aparência, este não foi um gesto feito “para aparecer”. Foi um gesto fortíssimo mas simples, feito com a alegria de um Papa que o faz porque acredita. Um gesto que nos faz retornar à pureza da mensagem de Jesus e nos ajuda a permanecer na estrada mais verdadeira do cristianismo».
O Papa Bergoglio escolheu justamente uma prisão juvenil para celebrar a Quinta-feira Santa. Como vês este acontecimento?
«Considero uma coisa muito importante. Tenho uma experiência pessoal sobre isto: num momento muito difícil da minha vida, também estive numa prisão juvenil na Inglaterra, depois de ter chegado ao fundo do poço. Aquilo que eu tinha dentro de mim era uma energia enorme, a energia de um jovem que tem a vida diante de si, uma energia que precisava ser recolocada na direção da esperança.
Naquele momento, quando também a minha família já estava cansada dos meus erros, encontrei pessoas, naquela prisão, que confiaram em mim e isto foi um impulso que me ajudou a recomeçar.
O Papa, ao decidir lavar os pés “dos pequenos” e escolhendo um tipo de estrutura que muitas vezes, também pela burocracia sufocante, não consegue fazer aquilo que deveria, quis dar esperança; o seu gesto representava verdadeiramente o ponto de força de uma fé que nasce das coisas mais simples, dos últimos; dos “últimos” que, porém, pensando bem, são também “os primeiros”, os nossos jovens. A esperança é contagiosa, dar-lhes esperança significa dar esperança a todos».
Antonella Ferrucci
Fonte: EdC online
5 Abr 2013 | Focolare Worldwide
Tudo começou com uma pergunta: o que podemos fazer pela nossa cidade, Iànoshalma?
O primeiro passo foi estabelecer um “pacto” entre nós – relembra M. C. – prometemos que estaríamos dispostos a colocar em prática o mandamento novo de Jesus: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12), partilhando alegrias, sofrimentos, bens, experiências. Ao mesmo tempo nos comprometemos a ter a mesma medida de amor pela nossa cidade. Um pacto de amor recíproco, que exigiu de nós tempo, energias e sacrifícios. Muitas vezes precisamos recomeçar.
Fundamos juntos a “Associação por Iànoshalma”, que agora tem 25 sócios. Surgiram muitas ideias: ajudar os pobres, programar ações com os jovens, montar exposições para valorizar as nossas tradições. Nas nossas atividades estabelecemos também uma colaboração estreita com algumas escolas e tivemos contato com mais de cem pessoas.
Entre as coisas que desejávamos fazer havia a reforma de um parque municipal que estava muito deteriorado. Conscientes de que nem a nossa associação nem a Prefeitura tinha o recurso necessário tivemos a ideia de uma coleta de papel. Falamos com proprietários de lojas, mas o arrecadado da atividade foi pouco. Pensamos então em organizar um baile beneficente no centro da cidade. Dessa vez o lucro superou as expectativas. Entramos em contato com a prefeitura e a nossa proposta de usar o dinheiro para a reforma do parque foi aceita. Em pouco tempo haveria a inauguração, e para encontrar um nome para o parque fizemos um concurso entre as escolas e as creches. Participaram mais de cem crianças e o dia da inauguração foi uma grande festa.
Por dois anos colaboramos com um programa municipal para deixar a cidade mais bonita, agora existem pessoas da prefeitura que se ocupam desse aspecto. Assim nos dedicamos mais ao trabalho pelos pobres, muito necessário, e que levou à criação de uma verdadeira rede social.
Há algum tempo, vendo a difícil situação da segurança pública, organizamos mais um baile para angariar fundos. Muitas pessoas não entendiam o nosso esforço, argumentando que a segurança fosse competência do Estado. Mesmo assim muitos participaram, apoiando a iniciativa com contribuições significativas. “Eu vim a esse baile – disse um dos presentes – porque sei que o que vocês prometem depois realizam”.
M. C. – Hungria