8 Jan 2013 | Focolare Worldwide
«Estou cursando o quarto ano na Academia Belas Artes. É um curso com mais de duzentos estudantes, caracterizado nesses últimos anos por uma constante dificuldade econômica e, por isso, começaram os protestos e a atmosfera tornou-se difícil e carregada. Além de continuar os estudos com seriedade, eu procurei querer bem àqueles que – tal como eu –viviam aquele momento difícil. Propuseram-me a candidatura ao Diretório Central dos Estudantes. Por um lado eu queria continuar ajudando; por outro, me assustava assumir aquela responsabilidade. Tratava-se, de fato, de muito trabalho; caso contrário, nada funcionaria. E, resultado, fui eleita Presidente do DCE. Convocar reuniões e assembléias, redigir verbais, preparar o regulamento, estar presente no Conselho de Administração: coisas completamente novas! Porém, entendi que a única coisa realmente importante era a de colocar-me a serviço de todos. Foi e continua sendo uma experiência maravilhosa, um empenho no dia-a-dia, que produz resultados positivos todas as vezes que eu consigo ultrapassar as dificuldades, procurando viver o Evangelho. Cito um exemplo: não existia um bom relacionamento entre os professores e os estudantes sofriam as consequências desta situação. Atendendo uma solicitação deles eu escrevi uma carta aos professores na qual eu expunha claramente a nossa posição. Muitos me disseram que eu estava arriscando… Ao invés, superadas as primeiras reações, os professores começaram a comportar-se de maneira diferente e as notas das minhas provas não sofreram nenhuma consequência. O Diretor, o Presidente e o Diretor Administrativo estão há um ano no encargo: construir novas relações com pessoas experientes e com tais funções não foi uma coisa simples. Não faltaram as discussões que conduziram, porém, a uma maior colaboração e a um debate muito proveitoso. De minha parte, procurava ser sincera, precisa e escutava atenciosamente a todos. E cresceu a confiança recíproca, não obstante as dificuldades.
No mês de julho eles tinham a intenção de aumentar o valor da mensalidade e, evidentemente, nós, estudantes não aceitávamos. Eu entendia que a situação econômica era difícil; mas, era claro que tal procedimento teria colocado muitos estudantes em dificuldade. Graças à confiança instaurada, me chamaram para tratar deste assunto e, depois de algumas horas estudando todas as possibilidades, eles mesmos propuseram a diminuição de 200 Euros no valor da inscrição bienal. Além da relação com a instituição tem aquela com os estudantes, que se apresentam sempre com exigências diferentes. Particularmente com os estudantes do meu curso tínhamos algumas dificuldades por causa da mudança de um professor. De fato, seja pelo seu caráter, seja para fazer melhor a nossa parte, todas as vezes que nos reuníamos com ele, saíamos destruídos e desencorajados. A atitude de escutá-lo profundamente foi um exercício contínuo e, ainda que eu tivesse a impressão de que era impossível estabelecer uma relação com ele, depois de certo tempo, o nosso empenho foi fecundo. No fim do mês de outubro alguns estudantes, sabendo que eu devia organizar muitas coisas no escritório tendo em vista as provas, vieram ajudar-me. Parecia a preparação de uma festa: alguns me ajudavam com as coisas mais pesadas, outros revestiam os painéis, outros preparavam as etiquetas, outros pintavam as paredes… Quando o professor chegou, tudo estava preparado e em ordem: não só o trabalho que deveríamos fazer, mas, também vários pequenos detalhes que enriqueceram o inteiro ambiente. Antes de começar o exame ele nos agradeceu pelo ano transcorrido juntos e nos confidenciou que, ao chegar, sentiu-se “em casa”. Foi como obter a resposta ao meu empenho de viver a espiritualidade da unidade de Chiara Lubich, durante o ano inteiro!»
6 Jan 2013 | Focolare Worldwide
«Olá, sou Jolanta, uma gen ortodoxa da Lituânia. Participo do Movimento dos Focolares há pouco tempo, mas sempre acreditei em Deus e, desde pequena, sempre vivi com a comunidade da minha Igreja. Foi assim até ao período “tempestuoso” da minha adolescência, quando, também pelo fato de não existirem outros jovens no grupo, fiquei desanimada, deixei de ser ativa e afastei-me.
Na Lituânia a maioria da população é católica, enquanto eu sou ortodoxa e russa. Um amigo, ao saber que eu queria doar-me aos outros por Deus, convidou-me para conhecer alguns seus “amigos católicos dos quais eu iria gostar”. Com eles senti-me imediatamente em família e esta sensação cresceu ainda mais quando participei da Mariápolis, um congresso de vários dias com pessoas de idades diferentes, onde encontrei uma atmosfera especial de unidade e amor recíproco. Ao comunicar esta minha alegria uma pessoa disse-me: everias viver esta realidade também na tua igreja”. Eu sorri, mas isto parecia-me impossível.
Com outras jovens que também vivem a espiritualidade da unidade, as gen, organizamos o “Café dos jovens”, um lugar onde se organizam noites para debates de temas, projetos e várias atividades recreativas, para promover a ocupação, a criatividade e a socialização dos jovens. Numa dessas noites convidamos os jovens da Comunidade Ortodoxa e assim recomecei a manter o relacionamento com eles. Tudo correu tão bem que um grupo deles participou também do Run4Unity. Depois de tudo isto recebi uma carta do responsável da Comunidade Ortodoxa que me convidou para participar das atividades deles e para partilhar com eles a experiência feita com os jovens do Movimento dos Focolares, porque eles não tinham este tipo de experiência. Esta carta realmente comoveu-me, e aderi imediatamente.
Comecei a participar dos encontros dos jovens e pediram-me para ajudar no acampamento de verão das crianças. Para poder aceitar parei de procurar trabalho e até recusei várias propostas que recebi. Fui para o acampamento com um certo receio, porque eu não tinha experiência de organização, mas tinha um objetivo claro: construir pontes de unidade. Agora posso só agradecer a Deus, porque, com os outros organizadores, no final deste programa, éramos realmente uma família. Agora, tenho três “famílias”: a minha natural, a minha Igreja e o Movimento dos Focolares. Sou filha única e sempre me senti um pouco sozinha, mas agora tenho muitos verdadeiros irmãos e irmãs.
Depois do acampamento entrei ainda mais na vida da Comunidade Ortodoxa, agora participo de muitas atividades, que eu mesma ajudo a organizar. Gostaria de revelar um segredo: programamos organizar uma festa de Natal, que deveria realizar-se na metade de janeiro (porque nós, ortodoxos, festejamos o Natal no dia 7 de janeiro). Esta será uma ótima oportunidade para os jovens ortodoxos e para aqueles do Movimento dos Focolares unirem forças e realizarem juntos uma festa muito bonita.
Ter conhecido esta espiritualidade deu-me de novo confiança na Vontade de Deus e quando temos esta confiança, os milagres acontecem todos os dias. Chiara Lubich dizia: “A vida é feita de momentos presentes, e só eles têm valor para quem quer realizar alguma coisa”».
3 Jan 2013 | Focolare Worldwide
«Sou a filha preferida do meu pai – nos conta Mary – porque sou a primogênita. Quando eu tinha oito anos eu presenciei uma briga dos meus pais. Um dia meu pai me obrigou, com os meus irmãos, a entrar no carro para sair de casa e abandonar a mamãe; mas, ela nos impediu. Eu vi, sem nada poder fazer, as coisas terríveis que meu pai fez à minha mãe e, depois disso, ele deixou a nossa casa. Desde aquele dia, quando eu vi meus pais juntos pela última vez, eu rejeitei o meu pai.
Eu procurei me convencer que ele não existia mais. Foi uma decisão dramática que me acompanhou durante o período da adolescência.
A experiência de crescer sem a presença do papai influenciou muito o meu modo de tratar as pessoas, especialmente os homens.
Durante muitos anos eu estudei em uma escola exclusivamente para meninas e, quando eu comecei a estudar na universidade, não foi nada fácil conviver com os meus colegas.
Quando eu conheci o Movimento dos Focolares, recebi o convite para visitar a cidadezinha de Loppiano, na Itália, onde encontrei pessoas que procuram viver o amor recíproco, com respeito e confiança uns com os outros.
Naquele mês todos nós queríamos colocar em prática a frase do Evangelho “Perdoar setenta vezes sete” (Mt 18,21). Lendo o comentário desta frase, escrito por Chiara Lubich, me dei conta de que o meu coração estava repleto de hostilidade pelo meu pai. Mas, foi quando eu também decidi viver esta Palavra que senti no meu coração que toda a “amargura” que eu experimentava, aos poucos, se transformava em perdão e eu senti o desejo de encontrar o meu pai.
De volta a Manila, mesmo se a ferida ainda está aberta, eu encontrei a força de telefonar ao meu pai e de ir ao seu encontro. Fomos a um restaurante e, só nós dois, conversamos por muitas horas. Eu me sentia feliz e em paz, embora minha mãe não concordasse comigo, mas, me deixara livre na decisão de encontrá-lo.
Continuo a me comunicar com meu pai, ainda que não seja constantemente. Mas, todas as vezes que eu posso, encontro uma maneira de demonstrá-lo o meu amor misericordioso.
Embora sabendo que meu pai e minha mãe jamais voltarão a viver juntos porque ele já constituiu outra família, sinto que, no meu perdão, permanecemos todos unidos. E isto me proporciona muita paz!
31 Dez 2012 | Focolare Worldwide, Senza categoria
Da Síria (Aleppo): «…Continua a faltar gasolina e só a encontramos a preços exorbitantes, assim como as botijas de gás (5.500 LS em comparação com os 400 LS de março), a eletricidade está cortada há muitos dias e isto, entre outras coisas, faz com que a cidade, depois do por do sol, fique numa escuridão assustadora. O pão torna-se escasso e só o podemos comprar – depois de muitas horas numa fila – pagando 250 LS por pacote (em março o preço era 20 LS). O exército procura fornecê-lo, mas não é suficiente para todas as necessidades. As escolas que não estão destinadas ao acolhimento dos refugiados continuam as aulas, mas a falta de eletricidade torna o estudo difícil e muito cansativo (até as velas já são escassas). Alguns de nós começam a ficar doentes por causa do frio e, muitas vezes, não têm os medicamentos necessários (cerca de 70% das indústrias farmacêuticas estão concentradas na periferia da cidade e procurá-las em outras partes do País é muito difícil, porque as estradas estão bloqueadas). Teme-se não ser possível continuar a prestar os serviços hospitalares necessários e também começa a faltar oxigênio. As comunicações telefônicas são cortadas muitas vezes. Apesar disso, as pessoas dão prova de grande solidariedade. Continuamos – com a comunidade dos Focolares e outros – ações de ajuda; a pequena escola para surdos-mudos recomeçou os trabalhos num bairro mais seguro, em espaços disponibilizados pelos Padres Franciscanos. As famílias que visitamos, antes de aceitar ajuda, perguntam-nos: “Mas não há outras famílias que precisem mais do que nós?”. Rim, uma senhora que tem um filho de dois anos, estava muito preocupada porque, com o frio, o risco de doenças se agrava. Quando recebeu a nossa ajuda monetária, comoveu-se! Era exatamente o correspondente à quantia que ela e o marido tinham dado, poucas semanas antes, a um colega que precisava muito. Tinham economizado com esforço, mas ao dá-la pensaram: “Deus pensará em nós!”».
De Cuba (Santiago): «A destruição provocada pelo furacão Sandy causou muitos danos, principalmente em Santiago. A reconstrução ainda não teve início, porque o Governo não estava preparado. De fato, devido à localização geográfica de Santiago, que é circundada por montanhas, geralmente os furacões chegam do mar e, ao encontrar a barreira natural das montanhas, passam sem causar danos. Neste caso, o furacão entrou e permaneceu ativo durante três horas (um tempo longuíssimo).
Os danos sofridos pelas 16 famílias atingidas perto de nós chegam a cerca de € 42.000. A quantia recolhida até agora pelo projeto da AMU, mesmo se ainda insuficiente, já lhes foi entregue.
O tempo para a reconstrução é imprevisível, porque depende do difícil fornecimento de material causado pelo embargo que há anos afeta a ilha. Em geral estão disponíveis apenas por um breve período e não todos ao mesmo tempo: chega só cimento, ou só madeira, ferro, etc. Quando se encontra o que é necessário é preciso ter a disponibilidade econômica para poder comprar antes que tudo termine.
Agradecemos pela ajuda recebida e continuamos a contar com a solidariedade de todos».
Para saber mais ou para ajudar o projeto:
Associação Ação por um Mundo Unido
Banca Popolare Etica, filial de Roma.
Código IBAN: IT16G0501803200000000120434
Código SWIFT/BIC CCRTIT2184D
Motivo: Projeto: A minha casa é a tua casa
Motivo: Emergência Síria
30 Dez 2012 | Focolare Worldwide

Thomas Klann (Tokyo 1985)
«Novembro de 1985. Encontrava-me no Japão, acompanhando Chiara Lubich. Como operador de cinema tinha a meu cargo um documentário sobre aquela viagem, importante para os diálogos com personalidades de religiões não cristãs.
O venerável Etai Yamada, uma grande personalidade, chefe do budismo Tendai e amigo de Chiara, tinha concedido uma entrevista à minha equipe. No dia marcado, soubemos que ele não estava bem de saúde, encontrando-se internado num hospital. Pensávamos que ia desmarcar o compromisso, mas isso não aconteceu. Saiu do hospital e ficou à nossa espera, vestido a rigor e sentado solenemente no seu trono.
Naquele dia, eu passei a tarefa das filmagens a um colega para me dedicar às gravações de áudio. Utilizava um tipo de microfone que me permitia ficar a uma certa distância, para não atrapalhar a captação das imagens. Ajoelhei-me, colocando o microfone aos pés do venerável e procurei ouvi-lo com todo o amor. Bastava-nos gravar apenas alguns minutos das suas palavras, para inserir no documentário, mas ele, apesar da saúde frágil, continuava a falar, dirigindo-se sempre a mim, sem se aperceber que eu não sabia japonês e, portanto, não compreendia nada do que estava a dizer. Falou durante mais de uma hora e, durante todo aquele tempo, procurei ouvi-lo com a máxima atenção.

Venerável Etai Yamada
Alguns anos mais tarde, o venerável Etai Yamada faleceu. Os seus seguidores pediram-nos uma cópia daquela entrevista. Foi difícil, porque, sendo o sistema vídeo japonês diferente do europeu, tivemos que enviar as filmagens para a Inglaterra, para serem recodificadas. Do Japão, depois, chegou um profundo agradecimento: naquela entrevista o venerável Etai Yamada tinha contado todo o seu percurso espiritual, com pormenores que eram desconhecidos, constituindo assim um documento muito precioso para os seus discípulos!
Nunca mais me esqueci deste episódio. Tenho-o sempre presente para me recordar de que, para ativar uma boa comunicação, não é tão indispensável falar, mas sim amar».
Thomas Klann (Centro Santa Chiara de Audiovisuais, Itália)
Fonte: Uma Boa Notícia. Gente que acredita, vida que transforma, Editora Cidade Nova, 2012, Abrigada, Portugal.
28 Dez 2012 | Focolare Worldwide
Situado no oeste da África, a Nigéria é um país muito vasto, com o clima tropical, rico em reservas naturais como gás e petróleo. Este último a coloca entre os maiores exportadores do mundo. Em matéria de supremacia está também o número de habitantes: cerca 170 milhões, dos quais a metade está abaixo dos 15 anos.
Extraordinária a variedade de etnias e culturas: 250 as línguas faladas. Pessoas sensíveis, cheias de alegria de viver e, igualmente, com uma capacidade de escuta, uma forte vida interior e uma fé viva e profunda.
Mais de 60% da população vive na pobreza, com menos de um dólar por dia. Altíssima a taxa de desemprego; a expectativa média de vida de 48 anos é destinada a declinar por causa da AIDS.
A corrupção generalizada paralisa o desenvolvimento do País e do bem comum. A multiplicidade de grupos étnicos é um grande desafio, muitas vezes considerado uma ameaça. Pelo rápido aumento da população a luta pela sobrevivência torna-se sempre mais acirrada. E, ainda assim, causa uma bela impressão a capacidade das pessoas de jamais desistir, de aceitar o sofrimento sem perder a esperança, de acreditar em um futuro melhor procurando, de maneira criativa, estratégias para o futuro.
A religiosidade natural que permeia o ser deste povo africano, às vezes é manipulada por interesses políticos ou religiosos. Correntes extremistas e grupos terroristas, movidos por razões socioeconômicas, históricas e políticas, transmitem ao mundo uma imagem falsa de conflitos entre cristãos e muçulmanos. O Islã é mais difundido no norte do país e abrange 50% da população, enquanto que os cristãos são cerca 45%.
Vinte e cinco anos atrás, por iniciativa do Cardeal Arinze, o Movimento dos Focolares chegou na Nigéria, e difundiu-se em várias regiões e, atualmente, são 5.490 membros, presentes em 28 comunidades locais no país. Tais comunidades caracterizam-se por um forte compromisso com o testemunho de valores espirituais, humanos e éticos. De fato, valorizando as profundas raízes espirituais dos nigerianos, o Movimento coloca-se ao lado deles, para que a fé se traduza em vida concreta em todos os lugares: na escola, no trabalho, no mercado. Este compromisso contribui para o bem-estar social e no setor da saúde.
O horizonte natural, nesta terra de diversos grupos étnicos, classes sociais, religiões diferentes é o da fraternidade universal que percorre o caminho do diálogo, testemunhando a possibilidade de relações fraternas, mas, principalmente, incentivando e apoiando esse povo para que seja construtor de pontes entre todas as pessoas. Muitas vezes descobre-se na diversidade e na variedade uma riqueza com reflexos positivos para a vida pública, criando a consciência cívica e opinião pública.
Por exemplo, no centro do país, particularmente exposto a violentos conflitos entre muçulmanos e cristãos, é impressionante ouvir histórias de “esclarecimentos” do significado de fraternidade universal, por vezes, arrisca-se a própria vida para salvar membros de outra religião.
Com a intenção de gerar a cultura da fraternidade, estão sendo construídos, na aldeia de Igbariam, dois centros, um para a formação e outro para testemunhos. Contemporaneamente, outros projetos sociais estão sendo desenvolvidos: uma creche e uma escola primária, uma pequena clínica e algumas oficinas para os jovens. Tudo isso em colaboração com a população local que contribui ativamente nesses projetos.