Movimento dos Focolares
Histórias de heroísmo cotidiano

Histórias de heroísmo cotidiano

São histórias e semblantes que compõem um quebra-cabeça de esperanças. Experiências de vida que edificaram os três dias do Congresso dos Aderentes (Castelgandolfo, 15-18 de novembro), compromisso esperado durante o ano inteiro e que teve a participação de mil pessoas. A próxima edição será em janeiro, com participantes de outras nações.

Tanino ensinou na Hungria, anos atrás. Acuado por possíveis “espiões” do regime entre os estudantes, contou: “Entrei na sala de aula procurando não pensar nos espiões, mas sim em descobrir o positivo que havia em cada aluno. Vi uma que estava muito séria. Parei para lhe perguntar o que havia. Ela me falou de uma criança doente, em condições de pobreza. Consegui com minha irmã uma ajuda, com roupas e outras coisas para a criança, e cuidamos dela”. Terminada a era do comunismo Tanino descobriu que a sua aluna era exatamente a espiã. “O importante é amar – concluiu -. Se eu tivesse procurado a espiã teria me distraído, sem perceber as dificuldades daquela aluna que mais precisava ser amada”.

Tomou a palavra Grace, italiana, de Catânia, com a sua história que envolveu a cidade numa ação contra o problema do jogo, que atinge inclusive menores de idade. Com 13 anos e 18 mil euros em dívidas de jogo, este é um peso gigantesco que pode levar um garoto à ideia do suicídio. Grace se deu conta disso no colégio e começou uma ação de sensibilização dirigida às mães, aos professores, ao bairro inteiro. Teve início uma campanha de coleta de assinaturas para que fosse aplicada a lei que proíbe salas de jogo próximo às escolas e a publicidade na imprensa e televisão.

Como redescobrir que somos irmãos? Foi este o leitmotiv dessas experiências, que não provêm apenas da Europa. A apresentação dos centros sociais Bukas Palad (em tagalo, “de mãos abertas”), nas Filipinas. Cuidados com crianças desnutridas em terceiro grau, educação à higiene, ajuda médica, sustento à distância para sair do cerco da pobreza, abertura de creches (500 crianças só este ano), formação profissional para jovens: com o lema “de graça recebestes, dai gratuitamente”, em 20 anos o Bukas Palad ajudou mais de 90 mil pessoas suscitando a reciprocidade, de forma que quem recebe ajuda por sua vez começa a ajudar.

Há pessoas que estão sós e que esperam um sorriso, um gesto concreto. E assim há quem chega a emprestar o próprio salário, a procurar uma estufa no dia de Natal, a abrir a porta para uma cigana, indo além dos normais preconceitos e descobrindo nela uma irmã. “Conhecemos Pietro – contaram Luigino e Ester, 44 anos de matrimônio – um ancião, morador de rua. Procuramos ir ao encontro das necessidades dele, dar algumas roupas, hospedá-lo em nossa casa. Num domingo de Páscoa ele perguntou se Luigino podia dar um banho nele e cortar suas unhas. Ao dizer que sim experimentamos uma alegria profunda por ter amado e servido Jesus em Pietro”. Poderíamos continuar com os 37 participantes do Líbano, com o sacerdote anticonformista, com as experiências dos jovens do Peru, do Panamá, e muitos outros.

O Congresso terminou, mas continua por meio das opções de cada um. Dele partiu uma mensagem: se tomamos a sério as palavras do Evangelho –“Tudo o que fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 25,40) – são desinstalados os hábitos cômodos, a regra de ouro (“faça aos outros o que gostaria que fosse feito a você”) torna-se um princípio “razoável”, através do amor ao irmão os conflitos podem ser transformar em relacionamentos renovados.

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Humorismo aplicado e evangelização

O sonho de Cesar sempre foi transmitir Deus como ideal de vida, e logo ele se deu conta de que a escola era um dos locais privilegiados onde isso poderia se realizar, por isso pensou em aplicar a sua especialidade, o humor, às matérias do currículo escolar. A primeira vez que ele experimentou o método foi em Cagliari (Itália), na escola infantil de um bairro numa zona de risco, numa classe com 25 crianças das quais 12 tinham o pai preso. Ele conta: «De acordo com o diretor visitei classe por classe, oferecendo aos professores um método: “o humorismo aplicado às matérias, ao diálogo, à disciplina, à corporeidade, à realidade pró-social, à visão de mundo, à beleza e à paz. Os resultados foram entusiasmantes». Desde então ele visitou inúmeros colégios para propor o seu método didático inovador, em muitas regiões da Itália.

Sucessivamente continuou a sua missão na Albânia. Durante 10 anos ministrando cursos para catequistas, grupos juvenis, escolas profissionalizantes, jardins de infância e grupos de pais, ele encontrou cerca de 25 mil pessoas, sem que nenhuma ficasse indiferente à sua mensagem. A sua genialidade e a eficácia do humorismo aplicado é tão grande que ministrou um curso sobre a evangelização de rua até para as Irmãs de Madre Teresa de Calcutá.

Cesar é um profundo conhecedor da Bíblia e chegou a propor um curso sobre o Cântico dos Cânticos que teve grande sucesso, seja quando frequentado por seminaristas, seja quando o público era composto por casais de jovens noivos. Algumas das impressões deles: “Por trás da sua improvisação há muita pesquisa, muito trabalho e ardor, muita atenção para com cada pessoa”; “você tem um amor profundo pela Bíblia (a conhece de cor), cada uma de suas expressões artísticas nasce da relação que tem com a Palavra”.

Além do trabalho nos colégios e dos cursos de formação, Cesar criou também um verdadeiro espetáculo onde o seu “Humor aplicado para uma intensa evangelização” mira exaltar a beleza interior e o valor inestimável de cada pessoa. Na sua obra ele observa os diferentes aspectos da vida com atenção acurada e com uma compreensão participativa, captando as nuances divertidas que eles contêm, para educar a enfrentar os fatos, alegres e tristes, com equilíbrio e sabedoria evangélica. Cesar ama definir-se como um “Anima-Atore” (= animador = alma-ator, ntd.), que valendo-se de instrumentos artísticos, humorísticos e culturais, e de um vasto e profundamente humano patrimônio de experiência vivida, sustenta duas horas de show, entre divertimento e contemplação.

Email: gattocex@yahoo.it

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Cuba, a dignidade de um povo

«Havana, 5 de novembro de 2012. Ontem voltei de Santiago, Palma Soriano e Banes. Foi uma experiência muito sofrida e edificante ao mesmo tempo. Viajamos com um ônibus carregado de alimentos e roupas, um pequeno grão de areia comparado às necessidades das pessoas. Chegamos exatamente quando haviam terminado as reservas de alimento para muitas famílias. Os jovens e os adolescentes do Movimento estavam nos esperando para descarregar e distribuir o que tínhamos levado.

Foi um choque ver a cidade destruída: ruínas por todo lado, a maior parte das ruas bloqueadas, 80 % das árvores caídas, muitas casas desmoronaram e milhares ficaram danificadas e sem o telhado. Um panorama de guerra. Apesar do sofrimento impressionava a dignidade das pessoas que agradeciam a Deus por estarem vivas. Especialmente era tocante a disponibilidade a se ajudarem, por exemplo, reconstruindo juntos os telhados dos vizinhos.

“Uma árvore enorme caiu sobre a minha casa – contou Davi, de 15 anos –, mas o teto de cimento resistiu. A casa de meu tio, porém, desmoronou. Ele e minha tia conseguiram salvar a filhinha deles, de cinco meses, arrombando a janela de uma casa vizinha. Eles vieram para nossa casa e logo depois começaram a chegar outras crianças da vizinhança. Não havia eletricidade, eu e minha irmã, à luz de vela, começamos a preparar o jantar para os menores e procurar cobertores para protegê-los do frio. Quando soubemos que a igreja tinha caído fui correndo ajudar o pároco. Ele não havia se machucado, mas o prédio estava destruído. De pé tinha ficado só uma parede, onde estavam o crucifixo e Jesus Eucaristia. Com outros gen e amigos da paróquia, tiramos os escombros, limpamos a casa do padre e recuperamos os poucos bancos e o material que havia restado. Depois organizamos os turnos para vigiar a paróquia durante a noite. A casa das irmãs também foi atingida. Por isso eu saía de manhã, logo depois do meu turno, e ia para lá ajudá-las, sem dormir”.

De Santiago fomos para Palma Soriano (a 42 km).  As casas não sofreram danos graves, mas faltava comida. Chegamos na hora certa.

Depois me dirigi a Banes (300 km de Santiago). Um fato me fez descobrir a generosidade desse povo maravilhoso. Com um dos gen 3 passamos em algumas lojas para comprar comida e roupas, de boa qualidade e preço baixo, para poder levar a maior quantidade possível. Num certo momento percebi que o dinheiro não era suficiente porque a metade havia sido gasta em Santiago. Não ia poder levar o que precisava: arroz, açúcar, e outras coisas. O meu amigo gen 3 deu-me 10 dólares, fiquei surpreso e comovido porque era tudo o que ele tinha, ficando apenas com o necessário para voltar para casa. Em outra cidade, outro gen 3 me entregou 25 dólares que tinha ganho para comprar roupa e comida. Assim eu pude levar sacos de 50 quilos de arroz, açúcar, trigo e farinha de milho. Quando cheguei a Banes o sacerdote que vive lá me abraçou e chorou, porque aquilo que eu estava levando, em nome do Movimento, fruto da comunhão de tantas pessoas, chegava exatamente quando haviam terminado todas as ajudas que o bispo tinha conseguido enviar.

Nesta calamidade natural emergiram a dignidade, a força, a fé, a bravura e o heroísmo desses jovens, adolescentes, meninos e meninas, também adultos, que foram além das próprias necessidades e problemas para pensar nas necessidades dos outros, e lançar-se sem medir esforços, para amar e servir».

A. C.

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Para saber mais ou para contribuir neste projeto:

AMU – http://www.amu-it.eu

Associação Ação por um Mundo Unido

Banca Popolare Etica, filial de Roma.

Código IBAN: IT16G0501803200000000120434

Código SWIFT/BIC CCRTIT2184D

Destinação: Projeto “A minha casa é a tua casa”

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Suíça, ultrapassar os confins

A viagem da presidente dos Focolares, Maria Voce, e do copresidente, Giancarlo Faletti, à Suíça terminou com um olhar ao futuro. Nove dias nas terras helvéticas (de 2 a 11 de novembro) e encontros com pessoas do Movimento, de todas as idades, com personalidades ecumênicas do país, e outros, de caráter mais reservado. O último desses encontros foi com 120 gen 3, os adolescentes que vivem a espiritualidade do Movimento e são os animadores do Movimento Juvenil pela Unidade. Emergiram a vivacidade e a vitalidade de uma experiência que envolve numerosos adolescentes na Suíça, e a concretude de algumas iniciativas: um pequeno grupo passou uma semana na Croácia, e o contato com famílias mais pobres ensinou a valorizar aquilo que se possui, a “ter o cuidado de comer tudo, até o pão mais velho”, como um deles contou. Também no Centro Mariápolis de Baar, onde se realizou o encontro, não faltam iniciativas de solidariedade durante o ano, para desenvolver a cultura da partilha, típica do Movimento Juvenil pela Unidade.

Para Maria Voce e Giancarlo Faletti as perguntas dos adolescente foram uma ocasião para partilhar experiências pessoais, com alguns “truques” para se tornar “grandes no amor”. “Quando nos encontramos diante de pessoas difíceis de amar temos uma chance para fazer crescer a vida de Jesus dentro de nós, é então que Jesus faz com que amemos com o coração dele. O meu amor tornou-se mais forte não quando os outros me elogiaram, mas quando eu me senti ferido por dentro e continuei a amar”, contou o copresidente. E Maria Voce recomendou “tomar sempre a iniciativa, sem esperar nada em troca”. E explicou também que não basta dizer a um menino que roubar é um erro, mas precisa explicar-lhe que com aquele gesto “faz com que diminua a comunhão entre todos, desencadeando o medo e a suspeita nos relacionamentos”.

Um diálogo também intenso aconteceu com os jovens, dia 10 de novembro, a quem Maria Voce e Giancarlo Faletti lançaram o desafio de “lançar-se a viver por um mundo unido”, com um amor ardente, para ser uma geração nova, sempre disposta a dar ao mundo aquele suplemento de alma que ele precisa.

Os adultos também estão envolvidos em levar adiante a “revolução do amor” e comprometem-se em construir a fraternidade. “Um dia, passando diante de um quiosque – contou uma delas – notei que entre os brinquedos havia DVDs pornográficos. Tomei coragem e falei com a vendedora, depois com o gerente e enfim com o proprietário. Não foi fácil. Mas alguns dias depois, quando passei novamente por ali, a vendedora me disse que o responsável havia dito para retirar aqueles DVDs das prateleiras”.

O ideal da unidade chegou à Suíça nos anos 1950, tem, portanto, uma longa história, são muitos os pioneiros da fraternidade, e não somente dentro da Igreja católica. Aliás, a primeira pessoa que conheceu os focolarinos, na Itália, foi um arquiteto da Igreja Reformada. Durante esses anos foram numerosas as iniciativas de caráter ecumênico que tiveram Chiara Lubich como protagonista direta, ela que gostava de definir a Suíça, onde passava o verão e outros períodos do ano, como sua segunda pátria. Entre aqueles que conheceram a espiritualidade da unidade há também pessoas de diferentes credos e outras provenientes de países em dificuldade, testemunhas de quanto o ideal da unidade favoreceu uma integração por si mesma muito difícil.

No diálogo de Maria Voce e Giancarlo Faletti com as mil pessoas vindas de toda a Suíça, ressoaram de maneira especial algumas propostas: fazer crescer a corrente de amor no mundo; permanecer no próprio grupo torna o mundo unido uma utopia, portanto, se queremos construí-lo é preciso ultrapassar os confins, ir além; responder ao impulso de Deus, que pede que se faça mais do que foi feito até agora; comprometer-se com ardor pela unidade entre as Igrejas; ser todos ativos na construção de uma sociedade melhor, com dinamismo; mirar a coisas grandes, porque com Deus entre nós tudo é possível.

De Aurora Nicosia

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Brasil, sacerdotes e focolare

«Tal como na noite do deserto as estrelas são mais luminosas, assim também no céu do nosso caminho resplandece vigorosamente a luz de Maria, estrela da nova evangelização… É ela que nos orienta na caminhada». Em estreita consonância com essas palavras da mensagem que o Sínodo dirigiu ao povo de Deus, está a experiência vivida por mais de 80 sacerdotes e diáconos, vindos de todas as regiões do Brasil, reunidos na cidadezinha do Focolare próxima à cidade de São Paulo (Mariápolis Ginetta).

Maria, “transparência de Deus, modelo de fecundidade pastoral, luz para a missão”, foi o centro do congresso promovido pelo setor dos sacerdotes do Movimento dos Focolares no Brasil para oferecer a contribuição do carisma da unidade ao “sacerdócio mariano”, o estilo de vida presbiteral inaugurado pelo Concílio Vaticano II para o novo tempo da Igreja.

Ao delinear a influência de Maria sobre o sacerdócio, Dom Francesco Biasin, bispo de Barra do Piraí e Volta Redonda, estado do Rio de Janeiro, falou sobre o serviço como «a maior promoção» para um sacerdote, sobre a fraternidade evangélica como estilo de vida que «estabelece relações de colaboração e corresponsabilidade e não submissão». Um estilo de vida propenso a construir pontes em todo e qualquer lugar, evidenciado por experiências pessoais: «O povo tem a sabedoria. Devemos juntos, ouvir o Espírito Santo e não fecharmo-nos na nossa programação».

A teóloga Sandra Ferreira Ribeiro relembrou a nova concepção mariológica que nasceu do Concílio e apresentou alguns aspectos da história do Movimento dos Focolares, «que nasceu tendo nas mãos o Evangelho e do qual floresceu uma espiritualidade que oferece elementos originais à mariologia, abrindo um caminho também no diálogo ecumênico». «Hoje o povo quer ver e experimentar Jesus, quer tocar o mistério de Deus, sentir a sua presença com os sentidos da alma. Jesus que se torna presente na comunhão fraterna faz experimentar àqueles que o encontram os frutos do Espírito: paz, luz, amor, força», afirmou Pe. Antonio Capelesso, responsável da Escola permanente para os seminaristas e sacerdotes da Mariápolis, no fecundo aprofundamento da estreita conexão entre «a presença de Jesus na comunidade e a eclesiologia do Vaticano II».

Uma experiência que se tornou palpável nesse Congresso de Sacerdotes pela intensa comunhão que se estabeleceu entre sacerdotes e leigos, aspecto predominante que animou os aprofundamentos teológicos, a partilha de experiências entre sacerdotes, jovens e famílias, as apresentações artísticas, as visitas aos locais de trabalho e outros lugares que compõem a cidadezinha.

Maria, “completamente revestida da Palavra” revelou-se modelo para a vida sacerdotal, os vários aspectos da sua vida, aprofundados e vividos durante esse Congresso, serviram de preparação para compreender melhor a visão da Igreja delineada pelo teólogo Urs Von Balthasar e muitas vezes citada pelo Papas João Paulo II e Bento XVI: a co-essencialidade entre o perfil mariano e o perfil petrino-institucional da Igreja e tornaram claramente visíveis as suas implicações concretas.

Fontes:

Rádio Vaticana – RG 1/11/2012

Assessoria de imprensa da Mariápolis Ginetta

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Jornada Ecumênica na Suíça

Membros da Igreja Reformada e das Igrejas Livres, metodistas e católicos, personalidades do mundo ecumênico, pastores e pastoras, párocos, assistentes de pastoral, membros de diversos movimentos, de todas as regiões linguísticas da Suíça. Superando todas as previsões, 250 pessoas lotaram o auditório do Hotel Kreuz, em Berna, onde, no dia 8 de novembro, realizou-se um simpósio ecumênico organizado pelo Movimento dos Focolares, com o título “Ecumenismo, onde está indo?”.

Três hóspedes especiais compunham a mesa dos relatores: um cardeal, uma mulher leiga, um pastor reformado. Vieram de Roma o cardeal Koch, suíço, atual presidente do Conselho Pontifício pela unidade dos cristãos, e a presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce. O anfitrião era Gottfried Locher, presidente da Federação das Igrejas evangélicas da Suíça (Fces). As palestras que proferiram tocaram vários aspectos do compromisso ecumênico, com abordagens diferentes e uma forte convicção comum: o caminho ecumênico é irreversível e irrenunciável, não obstante os sinais de cansaço que por vezes o caracterizam fazendo com que possa parecer uma missão impossível. “Até que continuemos a lutar pela unidade – afirmou a presidente da Comunidade de trabalho das igrejas cristãs na Suíça (Clcc), Rita Famos – estaremos no caminho certo, quer dizer que não depusemos as armas. Hoje queremos estimular o diálogo entre quem espera sonhando, com quem luta pela unidade”.

De fato, um dos “perigos” no caminho ecumênico é o de “habituar-se às diferenças, pensando que estamos bem sem a outra Igreja”, sustentou Locher. Talvez “tenhamos nos acomodado”, não achamos mais que “esta divisão é escandalosa”. Daqui o seu convite a “construir mais unidade lá onde é possível por enquanto”, a partir das Igrejas reformadas dos cantões, em geral muito independentes entre si, para ter mais comunhão e uma mensagem comum em temáticas importantes, enquanto Igreja Reformada Suíça. Insistente o seu apelo à força transformadora da Palavra.

São muitos os protagonistas neste percurso, que algumas vezes vive momentos de entusiasmo, outras de estagnação. Entre estes os papas, como recordou o cardeal Koch, citando a paixão ecumênica que levou, por exemplo, João XXIII a instituir o secretariado pela promoção da unidade dos cristãos, em 1960 – o atual Conselho Pontifício presidido por ele -, e aproximou muito Paulo VI do mundo da ortodoxia de Constantinopla, entre outras coisas com o cancelamento dos anátemas recíprocos, que “expulsaram o veneno da excomunhão” após 900 anos, e o levaram a encontrar o primaz anglicano Ramsey. E ainda João Paulo II com os muitos gestos concretos pelo ecumenismo, até Bento XVI, que na sua primeira mensagem afirmou o desejo de trabalhar com todas as forças pela unidade dos cristãos.

Não somente o ecumenismo promovido pelos responsáveis das Igrejas, nem somente aquele levado adiante pelos teólogos; existe, e é vital, um ecumenismo da base, um ecumenismo da vida, um ecumenismo de povo. E foi sobre ele que falou Maria Voce. Ela relatou – citando experiências de crianças e adultos em vários países – o quanto pontos fortes da espiritualidade dos Focolares, como o acento colocado sobre a vida da Palavra, a fé na promessa de Jesus de estar presente “onde dois ou mais estão unidos” em Seu nome (Mt 18,20), o amor a Jesus crucificado e abandonado, símbolo de qualquer desunidade, revelaram-se “ecumênicos” por meio da vida, isto é, o quanto eles abriram campos de diálogo entre cristãos de diversas Igrejas (atualmente 350) que encontram, em um ponto ou noutro, aspectos fundamentais de seu próprio credo. Um “ecumenismo de baixo que não se opõe ao do alto. É um tipo de diálogo que pode servir como húmus, sobre o qual os outros podem florescer e se desenvolver”, sustentou a presidente dos Focolares.

Existem muitos diálogos entre as Igrejas, são tantos os tipos de diálogo e diferentes os níveis alcançados. E as dificuldades, que não faltam, muitas vezes fazem parecer distante a meta do testamento de Jesus realizado. Às vezes perde-se de vista o caminho a ser percorrido, nos afastamos mais do que nos aproximamos. E recordou-se que, na sua oração, Jesus não comandou a unidade, mas a suplicou ao Pai. Portanto, nós cristãos somos chamados a colaborar com ardor e paciência, mas a unidade é um dom de Deus que devemos pedir juntos. Assim como devemos sentir juntos o sofrimento pela divisão e juntos reconhecer a culpa da desunidade, trabalhar juntos para que “todos sejam um”. Uma sociedade cada vez mais descristianizada exige o testemunho e o empenho de cristãos unidos. E esta é uma convicção partilhada por todos.

De Aurora Nicosia, enviada (Fonte: Città Nuova online)