22 Abr 2012 | Focolare Worldwide
O Paraguai, antigamente chamado “Província gigante das Índias”, nasce do encontro, não sempre fácil, dos “conquistadores” espanhóis e dos nativos guaranis. Portanto, é um país bilíngue. Com uma superfície de 406.752 km², está dividido em duas regiões: a Oriental, desértica, e a Ocidental, rica de vegetação subtropical. Possui uma população de seis milhões de habitantes. Não possui costas marítimas, mas é atravessado por dois grandes rios, o Paraná e o Paraguai. No seu subsolo escorre o “Aquífero Guarani”, uma das maiores reservas de água doce do planeta. A capital, Assunção, com 600 mil habitantes, é uma cidade cosmopolita, mas com dimensões ainda humanas.
No início do século XVI o Paraguai era a principal encruzilhada no caminho para as outras regiões do continente. Assunção foi chamada “Mãe de Cidades”, porque dela partiam caravanas espanholas para fundar novas cidades.
Na segunda metade do século XVI chegaram os franciscanos e fundaram centros habitados no interior do país. A influência deles foi muito grande. Um capítulo de grande importância na história do Paraguai foi o da presença da Companhia de Jesus (1609-1768), com as conhecidas missões jesuíticas ou “Reduções”, pequenas cidades organizadas sob o princípio da reciprocidade e da redistribuição. Daquele período histórico permanecem as ruínas de Trinidad, Jesus, Santo Inácio do Iguaçu e outras, atualmente declaradas patrimônio da humanidade. A arte e a música tiveram um grande desenvolvimento naquele período, exemplo disso é o chamado “Barroco Guarani”. Em 1811 o Paraguai tornou-se uma nação independente da Espanha.
A história paraguaia é marcada por constantes vicissitudes, momentos trágicos, mas também grandes heroísmos. O resultado: um povo simples, que alegra-se com os pequenos gestos cotidianos, frutos, muitas vezes, da fé que um dia foi semeada no profundo de seu coração.
O Movimento dos Focolares constitui uma grande família, formada por comunidades espalhadas por todo o território nacional, bem integradas na vida civil, religiosa e na cultura do país. A alegria, a profunda religiosidade e a acolhida, típicas dos paraguaios, facilitaram a difusão da espiritualidade do Movimento.
O Ideal da unidade chegou ao Paraguai em 1964, por meio de dois sacerdotes que haviam tido contato com o Movimento enquanto estudavam em Roma. Ao retornar difundiram esta nova espiritualidade especialmente entre os membros de suas respectivas paróquias. Os primeiros aderentes do Movimento participaram de uma Mariápolis, em Córdoba, na Argentina, a cerca de 1200 km de distância. Voltaram com o coração “incendiado” por aquilo que haviam vivido naqueles dias e, como haviam feito Chiara Lubich e suas primeiras companheiras, escolheram Deus como o único ideal de suas vidas.
Passaram a reunir-se regularmente para ler a Palavra de Vida, comunicarem-se as experiências que brotavam da Palavra vivida e assim ajudarem-se reciprocamente. Em novembro de 1964 receberam a primeira visita de uma focolarina, Ada Ungaro (Fiore), e depois de Anna Sorlini. No ano seguinte o grupo já havia crescido. Um deles, Daniel Galeano, tornou-se o primeiro focolarino casado do Paraguai, e foi o principal animador da comunidade até a abertura dos focolares.
Em 1967 foi organizada a primeira Mariápolis do Paraguai, com a participação de 300 pessoas, inclusive Vittorio Sabbione e Lia Brunet, dois dos primeiros companheiros de Chiara.
A vida de amor mútuo fez brotar espontaneamente o desejo de ajudar os irmãos mais necessitados, e em 1966 nasceram as primeiras atividades nessa direção, que depois estenderam-se a outras cidades, além da capital. Os jovens também foram atraídos por este ideal radical. Em 1970, 40 meninas foram participar das “Férias gen”, na Argentina, e sem demora o número dos jovens cresceu. O desafio lançado por Chiara aos gen, de “morrer pela própria gente”, os impulsionava a colocar em comum os bens materiais e espirituais “para que não faltasse o necessário a ninguém”.
Em junho de 1981 foi inaugurado o focolare feminino em Assunção, e em fevereiro de 1988 chegaram também os focolarinos. Muitas pessoas empenhavam-se com decisão, tornando-se o sustentáculo da vida do Movimento: focolarinos e focolarinas, consagrados e casados, voluntários e voluntárias, sacerdotes e seminaristas, religiosos e religiosas, jovens e adolescentes, aderentes e simpatizantes.
Por causa das grandes inundações ocorridas em 1983, os membros do Movimento entraram em contato com os moradores de um dos bairros mais pobres e alagados de Assunção. Animados pelos valores da fraternidade e da solidariedade, adquiriram um terreno em Capiatá (24 km² de Assunção), para onde transferiram-se cerca de 20 famílias, melhorando notavelmente a própria qualidade de vida. Atualmente as famílias são 70, e “São Miguel de Capiatá” é já um pequeno e tranquilo vilarejo, com atividades educativas, sanitárias, econômicas e recreativas.
Em 2003 foi inaugurado o tão esperado Centro Mariápolis “Maria, Mãe da Humanidade” (a 18 km da capital), para a formação dos membros do Movimento, mas aberto a todos.
No campo político está se desenvolvendo o Movimento Político pela Unidade (MppU), no setor econômico difunde-se a Economia de Comunhão. O ideal da unidade está penetrando também no âmbito da saúde, da educação, da arte, dos meios de comunicação, etc.
Entre membros, aderentes e simpatizantes, no Paraguai atualmente cerca de nove mil pessoas, de todas as classes sociais, vivem a espiritualidade da unidade.
22 Abr 2012 | Focolare Worldwide
Tudo começou em 1983 como resposta a um pedido da Igreja local. Algumas pessoas do Movimento dos Focolares começaram a ir ao bairro Republicano, na periferia de Assunção, onde havia um enorme “lixão”. A umidade constante e o lixo depositado diariamente eram a causa das doenças que atingiam principalmente as crianças. As famílias viviam nas margens do rio Paraguai, em barracos de papelão, plástico e velhas folhas de zinco. As inundações frequentes arrastavam tudo, obrigando as pessoas a constantes deslocamentos.
“Diante de uma situação assim tão grave não podíamos ficar parados” – conta alguém que viveu essa experiência em primeira pessoa. “Assim arregaçamos as mangas para encontrar uma solução para o problema das doenças e, ao mesmo tempo, o das moradias, procurando um lugar para aonde as famílias pudessem transferir-se”. Foram colocadas em comum as pequenas economias e, junto com outras ajudas, foi possível adquirir um terreno em Capiatá, a 24 km de Assunção. A estrada foi aberta e começou a ser construído o primeiro lote de casas, foi escavado um poço para a instalação de um reservatório de água potável e, enfim, instalou-se a eletricidade.
Entre 1992 e 1993 as vinte primeiras famílias transferiram-se e nasceu oficialmente o bairro “São Miguel”. Entretanto foi constituída a Associação UNIPAR (Unidade e Participação), entidade sem fins lucrativos que coordena as várias ações sociais. Atualmente são 70 as famílias que se transferiram e cerca de 300 os habitantes.
Para enfrentar as demandas da saúde foi criada a “Clínica São Miguel”, poliambulatório que prevê o tratamento das infecções mais difundidas, o ensino de práticas nutricionais corretas, a realização de campanhas de vacinação e profilaxia, além de oferecer consultas para mães e crianças e assistência odontológica.
Em 2002 deu-se início a uma escola infantil e em 2004 ao ensino fundamental. Reconhecida pelo Governo, a escola tem como objetivo a educação à paz, à fraternidade e à solidariedade. O Ministério da Educação a considera uma “escola modelo”, a ponto de mandar professores da rede pública da região para que completem nela a sua formação profissional.
Para dar continuidade às ações já iniciadas e garantir o sustento e a instrução das crianças, nasceu o projeto “Saúde – Educação – Alimentação”, que conta com a contribuição da AFN – Associação Ações por Famílias Novas, com o “sustento à distância”.
Muitas outras atividades são levadas adiante em favor da população de São Miguel e dos bairros vizinhos: uma biblioteca, uma livraria e papelaria que permite às família a aquisição de material escolar a preços accessíveis, cursos de alfabetização para adultos, consultoria profissional de vários tipos (assistência legal, proteção contra abusos de menores, ajuda psicopedagógica, campanhas de consultas oftalmológicas e doação de óculos, etc.). Trata-se de uma ação incisiva e coordenada com os moradores, as autoridades locais, entidades e instituições federais.
Um aspecto fundamental, presente desde as origens de São Miguel, é a atenção dada às pequenas atividades produtivas, que podem dar uma autonomia financeira às famílias. Com o passar dos anos a AMU – Ações por um Mundo Unido – contribuiu com a abertura dessas atividades e também hoje atua no Paraguai, no sustento de microempresas. São projetos com bases sólidas e boas perspectivas, tendo em vista as grandes capacidades que o povo possui. Basta pensar que justamente no Paraguai está a “Todo Brillo”, a empresa da Economia de Comunhão com o maior número de dependentes do mundo: mais de 600!
Quem deseja ter uma participação nas ações pelo desenvolvimento de microempresas realizadas pela AMU, no Paraguai e em outros países da América Latina, pode dar a própria contribuição com depósitos na seguinte conta bancária, em nome de “Associação Ação por um Mundo Unido”:
Banca Popolare Etica, filial de Roma. Código IBAN: IT16G0501803200000000120434 Código SWIFT/BIC CCRTIT2184D Motivação: “Desenvolvimento de atividades produtivas na América Latina”.
20 Abr 2012 | Focolare Worldwide
Sábado, dia 24 de março, num centro do Movimento dos Focolares, em Melbourne, foi realizado um show, promovido em colaboração com a Sociedade Budista Kadhampa.
Participaram cerca de 100 pessoas, com uma arrecadação de 840 dólares, destinados ao projeto AMU na fronteira entre Tailândia e Birmânia, um programa escolar e alimentar para os filhos dos refugiados birmaneses.
Uma família do Sudão que esteve presente no show, e que também chegou à Austrália como refugiada, exprimiu a sua alegria em participar da coleta e poder ajudar outros refugiados.
O concerto realizou-se em concomitância com o “Dia da Harmonia”, uma iniciativa do governo australiano para celebrar a riqueza das diversas culturas presentes na Austrália e compartilhar o que os australianos têm em comum. Além do grupo da Sociedade Budista Kadhampa estavam presentes amigos de diversas comunidades muçulmanas e judaicas.
Os jovens do Movimento dos Focolares contribuíram convidando seus amigos a apresentarem-se no show e durante a tarde serviram salgadinhos, fazendo com que todos sentissem-se em casa. Como cenário usaram a imagem do mundo unido, simbolizado por um grande globo circundado por pessoas de mãos dadas.
Com grande atenção todos acompanharam a apresentação em multimídia do projeto de captação de fundos, que colocou em evidência a colaboração entre o Movimento dos Focolares e a Sociedade Kadhampa durante o ano passado.
No final do concerto uma das convidadas muçulmanas afirmou ter apreciado muito a atmosfera de família daquela tarde, e um casal judeu, muito impressionado pela acolhida, se disse surpreso em ver tantos jovens colocando à disposição os próprios talentos por uma boa causa. A bonita conversa que eles tiveram com um jovem palestino, que se tinha apresentado durante o concerto, resume melhor do que tudo o espírito de unidade que foi construído naquela ocasião.
18 Abr 2012 | Focolare Worldwide
“A multidão dos que tinham vindo à fé tinha um só coração e uma só alma, ninguém considerava sua propriedade o que lhe pertencia, mas tudo entre eles era colocado em comum”, esta frase do Evangelho inspira nós, gen, em viver a comunhão dos bens. No nosso grupo começamos a fazer uma espécie de inventário de todos os nossos bens, para poder colocá-los a disposição dos outros. Cada um de nós tem uma situação econômica diferente. Alguns são estudantes e recebem ma mensalidade fixa, juntos e livremente decidimos como gastar e destinar aquele dinheiro. Por exemplo, com Frederico entendemos que poderia gastar menos sem comprar jogos para o computador, e essa quantia podíamos dar a André, que poderia fazer uma assinatura de uma revista de fotografia, para o seu trabalho. Num caso ou no outro nunca é o “quanto”, mas o “como” que conta, dialogamos aberta e sinceramente. E é extraordinário constatar como a consciência fala em cada um de nós, fazendo-nos entender o que é importante. Marco, formado em geologia com bolsa para pós-doutorado, por causa dos cortes da universidade italiana, não recebe mais o salário há muitos meses. Nesse período tinha pagamentos inadiáveis: devia participar de um curso de atualização em Cagliari e pagar o imposto do carro. Era meio embaraçante nos comunicar que tinha ficado sem dinheiro! O amor recíproco, porém, e o fato de ser um coração e uma só alma, lhe fizeram superar a incerteza e o temor de nos dizer. Entre nós explodiu uma bomba de generosidade: “eu tenho uma caderneta de poupança com algumas economias… “, “eu tenho algumas reservas…”. Assim, pudemos antecipar o que era necessário. Marco sentiu a beleza e a responsabilidade de usar aquele pequeno capital. Isso nos tornou mais irmãos. Um de nós, formado recentemente, começou a trabalhar num tribunal como advogado e recebia um pequeno salário, insuficiente para pensar no seu futuro casamento. Um dia encontrou um amigo que lhe fez uma proposta para ganhar logo muito dinheiro, seguindo a prática de reembolso por danos causados em acidentes estradais. Devia só colocar a sua assinatura, sem indagar demais nem se perguntar se o acidente era verdadeiro ou falso. A dúvida era forte, mas acordando durante a noite ouviu no coração a frase do Evangelho: “O Pai sabe do que precisam antes mesmo que lhe peçam”. Na manhã seguinte telefonou para o amigo dizendo que não aceitava a proposta. Depois de alguns meses, recebeu um telefonema inesperado, de uma Companhia de Seguros, para uma entrevista de trabalho. Conseguiu responder às últimas perguntas graças à experiência adquirida durante a prática no tribunal sem retribuição. Ele foi contratado como inspetor dos acidentes justamente da Companhia de Seguros que antes tinha rejeitado para permanecer coerente e honesto. Os gen de Nápoles
17 Abr 2012 | Focolare Worldwide
15 Abr 2012 | Focolare Worldwide

Anos atrás, procurando transmitir uma visão dos vários continentes que salientasse as riquezas humanas de seus povos, Chiara Lubich captou a acentuada sensibilidade social da América Latina, a ponto de indicá-la com uma sua característica peculiar. Durante estes primeiros cinquenta anos da presença do Movimento dos Focolares na região, ninguém aqui esqueceu essa visão. E foi a dimensão que emergiu com força durante o festivo encontro de Maria Voce e Giancarlo Faletti, respectivamente presidente e copresidente dos Focolares, com as comunidades do Cone Sul (Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai), realizado no dia 14 de abril passado, em Buenos Aires.
No grande teatro-tenda, lotado por cerca de 3500 pessoas, os países presentes mostraram uma sequencia de números folclóricos acompanhados por apresentações em multimídia, referindo-se, várias vezes, às situações de pobreza, desigualdade, exclusão… verdadeiros e grandes desafios, com frequência assumidos pelo Movimento.
Em seguida, Maria Voce e Giancarlo Faletti instauraram um intenso diálogo com os presentes, respondendo a diversas perguntas. Como crescer e produzir frutos, inclusive em tempos de crise? Para Maria Voce “os momentos de crise são sempre momentos de crescimento, até quando não percebemos isso. As mães sabem bem que os seus filhos, em plena adolescência, ficam inquietos e sentem-se incomodados, mas nem por isso deixam de crescer, mesmo se não se apercebem. Encontrei muita estima e apreço na Igreja… então, tenhamos confiança naquilo que os outros encontram no nosso Movimento. No continente da esperança devemos esperar, porque esta é uma virtude teologal. Não devemos perdê-la, porque Deus, que é amor, leva tudo adiante”.
E o compromisso com a realidade social que nos interpela? “Não é possível viver sem ardor – respondeu Giancarlo Faletti – Chiara ensinou-nos a construir porções de sociedade renovada na humanidade. Devemos levar adiante o que Deus coloca no nosso coração, sustentados uns pelos outros, juntos”. E acrescentou: “As dificuldades de hoje nos levam a reinventar, permanecendo fieis à nossa espiritualidade, mas movidos por uma nova fantasia, para entender como inserir-nos no hoje da história, da Igreja e da humanidade”.
Respondendo sobre o significado da Nova Evangelização, Maria Voce salientou: “O Evangelho deve ser a nossa veste, ajudar-nos a vivê-lo para poder anunciar que Cristo está vivo. E não só anunciá-lo, mas permitir que os outros se encontrem com Cristo presente entre nós por causa do amor recíproco que vivemos”. As diversidades culturais, sociais, étnicas… como evitar exclusões? “Deus criou o universo – disse Maria Voce – com todas essas diversidades. É preciso vê-las como Ele as vê; na realidade como riquezas que exprimem a sua ilimitada possibilidade de mostrar-se em infinitos modos. A riqueza desses povos da América Latina pode ser uma dádiva para o mundo inteiro, para fazer com que se descubra a beleza e a riqueza de Deus”.
Como viver em contextos difíceis, nos quais até a família se desagrega? “Esta espiritualidade deve ser concretizada na realidade de hoje – respondeu Faletti -. Quando o Movimento difundiu-se atrás da Cortina de Ferro estávamos bloqueados, não podíamos fazer nenhuma atividade, e mesmo assim foi um período fecundo. Também esses tempos difíceis na América Latina são um tempo de graça. Amemos: as respostas aos problemas estão em Deus e nascem da abundância do amor”.
“Vocês devem mostrar ao mundo a beleza dessa diversidade, desses povos cujas raízes não estão mais separadas, mas entrelaçadas”, disse Maria Voce ao se despedir, confirmando aquilo que em todos os presentes era já uma alegre convicção.
De Alberto Barlocci