Movimento dos Focolares

20 anos de Economia de Comunhão

Aproximam-se a passos largos os eventos no Brasil para os 20 anos da EdC. Fervem os últimos preparativos da parte de quem, durante meses, tem trabalhado com intensidade e paixão na preparação destes 5 dias tão importantes para todos aqueles que têm a EdC no próprio DNA. Os trabalhos seguem em duas direcções: a preparação da Assembleia EdC na Mariápolis Ginetta de Vargem Grande Paulista e a Jornada conclusiva em São Paulo, no Memorial América Latina, para a qual se espera a presença de 1600 pessoas. No que diz respeito à Assembleia, a organização comunica-nos que já chegámos a quase 630 participantes. Um horizonte verdadeiramente ambicioso, sobretudo pela variedade da proveniência das pessoas que virão de 37 países, estando representados 4 continentes. Se na maioria são, obviamente brasileiros, com mais de 240 presenças, em segundo lugar vem a Itália com 85 presenças e em terceiro a Argentina com 62 participantes. Relevante a representação proveniente da Coreia: quase 30 pessoas! A seguir, por ordem de representação numérica, a Espanha, Chile, EUA, França, Uruguai, Suíça, Bolívia, Alemanha, Venezuela, Eslovénia, Paraguai, México, Portugal, Bélgica, Irlanda, Canadá, Sérvia, Panamá, Filipina, Camarões, Polónia, Croácia, Costa Rica, Perú, Quénia, Eslováquia, Hungria, Equador, Colômbia, Costa do Marfim, Nigéria, Congo e Roménia. Neste momento, com as malas quase prontas, estamos a preparar um staff de colaboradores que trabalharão activamente para manter o site o mais actualizado possível, publicando dia após dia notícias, fotos, documentos e ecos do que estará a acontecer em tempo real. Os jovens presentes promoverão um blog e darão o próprio contributo nas redes sociais. Quem não poderá estar presente no Brasil terá igualmente a possibilidade de participar nos eventos, em tempo real, através das transmissões em directo por internet (streaming) que se estão a preparar. Os links de acesso serão publicados no site assim que estiverem disponíveis. As transmissões em directo terão lugar seja nos dias da Assembleia na Mariápolis Ginetta (25 a 28 de maio), como durante a Jornada conclusiva em São Paulo, no domingo, dia 29 de maio. Será uma boa ocasião para organizar pontos de recepção da transmissão, especialmente durante a Jornada conclusiva, que se tornarão oportunidades de encontro, com o intento de festejar juntos este aniversário tão importante. Foi-nos já confirmada a existência de um ponto de recepção da transmissão no Polo Lionello de Loppiano, no Polo Giosi da Abrigada (Portugal), e também em Viena, em Lugano, possivelmente em Madrid… nos próximos dias a lista aumentará. As transmissões em directo durante os dias da Assembleia serão durante a manhã, para permitir que todos possam assistir aos temas programáticos. Está previsto que a língua de transmissão seja o italiano. Para o dia 29 de maio, a ligação será durante todo o dia. Assim que tivermos mais detalhes comunicá-los-emos. Entretanto, até breve a todos! Vemo-nos no Brasil! de Antonella Ferrucci – www.edc-online.org

Silvana Veronesi na Argentina

Silvana Veronesi na Argentina

Silvana com Gustavo Clariá, da Redação Web

Quais as suas impressões da sociedade argentina? Encontrei um continente onde o cristianismo está vivo, é a raiz cultural deste povo. As Missas, por exemplo, são muito frequentadas, com muitos jovens, e o domingo é considerado inclusive pela sociedade civil. Poderia dizer que é um continente (vista a dimensão da Argentina) novo e jovem. Existe uma abertura e uma liberdade que os torna particularmente aptos a acolher a espiritualidade da unidade, que nasce do carisma de Chiara. Sabemos que você foi convidada pelas numerosas comunidades do Movimento dos Focolares naquelas terras…

Mariápolis Lia

Sim. Na Argentina o Movimento está muito difundido, é enriquecido pelas diversas vocações da Obra de Maria e por pessoas que dão testemunho em diferentes âmbitos. Na Mariápolis Lia, por exemplo, que faz o papel de “coração” dos Focolares em todo o cone sul, há muitos jovens que deixam tudo, por um ano, para “fazer a experiência” – como eles dizem. Ou seja, para formarem-se a uma “vida nova”, fundamentada no Evangelho. Ainda que os da America do Sul sejam mais numerosos há também rapazes e moças da Europa e do mundo inteiro, e suscita muita admiração o compromisso com o qual vivem este período. Chiara Lubich mesma já evidenciava o protagonismo dos jovens na Mariápolis argentina, como sua característica. Eu visitei toda a Mariápolis, encontrei os focolarinos, os jovens e a comunidade do território adjacente. Fiquei tocada pela harmonia e pelos relacionamentos de unidade que vi entre todos. Lá triunfa aquele amor recíproco que Lia Brunet e Vittorio Sabbione – pioneiros do Movimento na Argentina – imprimiram nela, e que Chiara salientou vivamente, na sua histórica visita de 1998. Posso dizer que experimentei a presença espiritual de Maria Santíssima. E falei Dela numa palestra que fiz a todos, apresentando-a no modo em que se manifestou na nossa história: modelo em viver a vontade de Deus. Visitei também o Polo industrial “Solidaridad”, onde existem algumas empresas que se inspiram nos princípios da Economia de Comunhão. São ainda pequenas, mas existe pureza e coerência com os valores evangélicos, que garantem um futuro promissor. O “sócio invisível”, como eles chamam a intervenção da Providência de Deus, está sempre muito presente e age com fidelidade. Você passou a Páscoa na Argentina… Eu a passei no Centro Mariápolis de Josè C. Paz, nos arredores de Buenos Aires. Foram dias intensos, de grande espiritualidade, junto com cerca de 90 focolarinas, incluídas as casadas. Depois chegaram os focolarinos e outras pessoas das comunidades próximas, cerca de 400 no total. Estando entre eles pude sublinhar como compreendemos, nos primeiros tempos, com Chiara, a realidade da presença de Jesus em meio a nós e de Jesus abandonado. Fiquei comovida pela gratidão e o amor que eles me expressaram, de muitas maneiras. Posso dizer que fiquei muito impressionada pela harmonia que reina e feliz pela unidade que encontrei entre todos. Embora se possa sempre melhorar e crescer, penso que Chiara, no Céu, deve estar contente.

Silvana Veronesi na Argentina

A caminho da Rússia

Liliana Cosi

Estamos nos anos de 1960, Liliana Cosi, jovem bailarina, está no início da sua carreira. Por meio desta entrevista percorreremos aquele período em Moscou.

Eu estava em Moscou para fazer o segundo ano de estágio no Teatro Bolshoi, fazia pouco tempo que os históricos tratados culturais entre o Scala de Milão e o Bolshoi de Moscou tinham sido assinados, e eu estudava sob a direção de Irina Tichomirnova. Ela teve a ideia de ensinar-me o papel da primeira bailarina do Lago dos Cisnes. Para mim foi uma experiência muito nova e duríssima – era muito exigente, literalmente ‘esculpia’ cada passo meu, cada gesto meu – mas consegui!

Aproximando-se a estreia (creio que ela estava mais emocionada do que eu) Irina me disse as seguintes palavras: “De agora em diante esqueça tudo aquilo que lhe ensinei e dance com a sua alma italiana!” Poucos minutos antes de entrar em cena, ainda no camarim, ela pegou a minha cabeça entre as suas mãos e fez sobre a minha fronte três sinais da cruz… ela não sabia que eu era cristã, não trazia comigo sinal algum que indicasse a minha fé.

Liliana Cosi e Rudolf Nureyev

O Ideal de Chiara Lubich – que eu tinha conhecido fazia pouco tempo – tinha me ensinado que o amor a Deus devia ser vivido, não exposto. No dia seguinte no jornal soviético Isvietzia, na resenha sobre o balé estava escrito que o meu modo de dançar era cheio de ‘espiritualidade‘. Disseram-me que uma palavra do gênero nunca tinha sido impressa naquele jornal! Aquela estreia marcou o início da minha carreira.

Naquela época você estava sozinha em Moscou?

Não. Além do grupo de bailarinas italianas que viviam no internato da Escola do Bolshoi do qual eu era a responsável, estava lá Valeria Ronchetti – Vale –, uma das primeiras companheiras de Chiara, que veio a Moscou para me acompanhar. As palavras não conseguem exprimir o significado daqueles meses para mim: uma radical mudança de mentalidade que influiu em toda a minha vida, profissional, espiritual, humana, até hoje.

Em Moscou com Valeria Ronchetti

Talvez uma frase de Vale, que eu escrevi no meu diário, possa dizer alguma coisa: “Você não deve dançar por Jesus, mas deve ser Jesus, em você, a dançar”.

Você retornou à União Soviética outras vezes?

Visitei regularmente à União Soviética até 1989, convidada pelo governo soviético para muitas turnês não apenas em Moscou, mas também em outras capitais de todo o país. Foram mais de 130 espetáculos, e três vezes participei do corpo de jurados nos concursos internacionais de balé em Moscou.

O que essa experiência representou para você?

De um ponto de vista puramente profissional representou muito para mim. Tive grandes professores e trabalhei com artistas de altíssimo nível no Bolshoi. Ainda hoje quando ensino, quando corrijo os bailarinos da nossa Companhia ou da Escola, tenho diante de mim o exemplo deles. Para a minha vida, essa experência ensinou-me que onde quer que eu esteja é possível viver o Evangelho, e que esse estilo de vida fascina também aqueles que não o conhecem.

Silvana Veronesi na Argentina

O cardeal Wojtyla e os Focolares na Polônia

«Lembro do primeiro encontro, nos anos setenta, com o então cardeal Wojtyla, quando fomos nos apresentar. O Movimento dos Focolares estava iniciando na Polônia. Tocou-me a sua humanidade, a capacidade de escuta, o respeito para com todos, que nos deixou logo à vontade. Ele nos escutou com grande interesse, num silêncio profundo. Podíamos intuir que estava impressionado pela grandeza do carisma que está na base do Movimento. Encorajou-nos a prosseguir: “São vocês que tem a graça para levar o Movimento adiante, o carisma foi transmitido a vocês. Não vou colocar um sacerdote ao lado de vocês, nós poderíamos estragar tudo. Façam, vivam e depois venham me contar...”.

Para entender o significado dessas suas palavras, que exprimiam a confiança no carisma de Chiara Lubich, é preciso pensar que naquele tempo, na Polônia, tudo era guiado pela Igreja constitucional, havia sempre um sacerdote na direção de cada grupo. E esta confiança jamais diminuiu. Ele sempre nos acompanhou com estima, respeito e amor.

Recordo vivamente o último encontro com ele, em setembro de 1978, pouco antes que fosse eleito Papa. Veio nos encontrar à noite, já tarde. Tínhamos um encontro com algumas famílias, num convento de irmãs. Eram os tempos do regime comunista e o Movimento precisava se movimentar com prudência, na clandestinidade. O cardeal estava visivelmente cansado, mas queria estar entre nós. Ficou tocado com a atmosfera, com as experiências que os casais lhe contaram, tanto que, num certo momento, entre outras coisas ele disse: “Vocês deram a centralidade ao homem com a sua dignidade. O carisma de vocês está profundamente enraizado no Evangelho. Aqui percebe-se que o Espírito Santo age…”.

Quando estava ainda em Cracóvia, Karol Wojtyla conhecia Chiara Lubich apenas por meio de seus escritos. Quis encontrá-la logo após a sua eleição. Naqueles dias eu estava na Itália e recebi um telefonema, era o secretário do Papa, Stanislao Dziwisc, que eu conhecia muito bem. Disse-me que o Santo Padre nos convidava, Chiara e eu, para a sua Missa, no dia seguinte às 7 horas. Naquela manhã saímos bem cedo, Chiara, Eli Folonari e eu, emocionadas. Pode-se entender. Quando chegamos, na praça havia ainda todas as estruturas para o conclave e tivemos que fazer um grande trajeto para chegar ao apartamento do Papa. Trago ainda no coração aquela Missa, na pequena capela privativa do Papa. Havia recolhimento, uma atmosfera especial, a presença de Deus. Estávamos nós três, o Papa e padre Stanislao, e duas ou três religiosas polacas.

Após a Missa o S. Padre cumprimentou Chiara. Lembro ainda com quanto respeito, com quanta estima e amor se dirigia a ela. Pediu-lhe que lhe enviasse um mapa no qual estivessem assinalados todos os lugares onde nós estamos. “Assim – ele disse – sei onde me apoiar!”.

Foi o início de uma amizade, de uma unidade cada vez mais forte entre duas pessoas chamadas por Deus a fazer obras grandes, duas pessoas a quem Deus concedeu duas dádivas, para a Igreja e para a humanidade inteira».

De Anna Fratta

No metrô

São dez e meia quando desço a escada rolante do metrô, na Estação Central. Não é hora de ponta, mas mesmo sim há muita gente. No fim da escada está um homem balançando um pedaço de papel. Mas todos têm pressa e não se importam com ele.

Paro e faço um sinal para que me acompanhe. Chegando à plataforma descubro que ele vai na minha mesma direção. Com ele estão a esposa, duas filhas e um filho. Não estão habituados às esteiras rolantes e a senhora quase cai. Quando descubro que somente Sabri, o menino de 10 anos, fala sueco, decido ir com eles até o lugar onde irão descer.

Ma não é assim tão fácil porque quando chegamos no ponto final aparecem outras folhas de papel… a primeira, com o nome da estação, tinha sido pensada para o metrô, agora surgiu outra, com o endereço do Conselho para a imigração que ficou… cinco estações atrás. Voltamos para lá. Na estação pergunto se podem pagar o ônibus. Aparecem outras folhas de papel, uma carta e uma passagem de trem. Nada de dinheiro. A carta demonstra que o objetivo deles não é o serviço de imigração, mas um cartório que está do outro lado da cidade.

Já estou atrasado meia hora para a reunião. Telefono ao cartório. Decidimos que devem pegar um táxi. Perguntam-me se posso pagar o táxi, porque com certeza depois o cartório irá me reembolsar. O táxi é pequeno demais para levar todos nós e assim me despeço. Cinco pessoas agradecidas me cumprimentam cordialmente.

Fiquei surpreso, depois, quando alguns amigos me disseram que eu tinha sido muito gentil. Até pagar o táxi…! Claro, eu tive que me superar para fazer todo o percurso com eles, perdi grande parte da aula que teria ouvido, e não tenho certeza se um dia vou reaver o dinheiro. Mas eu não teria ficado feliz de ser ajudado se me acontecesse algo assim num país estrangeiro? A alegria que senti depois, e agora, cada vez que falo disso, é apenas um dom a mais.

Patrick – Suécia

Fonte: WWW.focolare.se

Silvana Veronesi na Argentina

O Ressuscitado entre aqueles que se amam


“Caríssimos argentinos,

pediram-me para saudar esta esplêndida nação: a Argentina.

Não vou desejar uma ideia minha, mas algo que está pairando no ar da história atual.

Como se sabe, existe outro modo de ver as coisas além do nosso: é aquele de quem guia a história, Deus.

De vez em quando Ele dá sinais que indicam a sua vontade: os sinais dos tempos.

Um deles no presente se chama unidade.

Apesar das guerras que existem no mundo, apesar das calamidades, das desigualdades, muitas coisas dizem que o mundo tende para a unidade.

É o que dizem no mundo civil e político os Estados, como aqueles da Europa ou da África ou da Ásia ou da América, que tendem a se unir ainda que de formas diferentes e por objetivos diferentes.

É o que dizem entidades e organismos mundiais como a ONU.

É o que diz o mundo religioso. Por isso se fala de ecumenismo, de diálogo inter-religioso, intercultural.

E é a unidade que desejo também para esta Nação. Já é uma realidade. Mas pode ser aprofundada.

Como? Vivendo o amor fraterno entre todos, entre as famílias, entre as gerações, entre as cidades, entre as províncias, no respeito de cada identidade, para transformar esta sociedade numa única e grande família.

Se assim se fizer, o Ressuscitado, que a Páscoa celebra, estará em meio a todos, porque foi o que Ele disse.

E Ele vai melhorar cada coisa em cada âmbito da vida humana.

Ele será a sorte da Argentina, a sua grande chance, o seu futuro seguro.

Felicidades para todos, grandes e pequenos!

Os meus votos de coração, sobretudo para aqueles que estão sofrendo por alguma razão”.

Chiara Lubich

(Buenos Aires, 9 de abril de 1998)