Movimento dos Focolares
Brasil: Um projeto cultural inovador

Brasil: Um projeto cultural inovador

IMG-20160726-WA0004_b“Estava totalmente desmotivado na minha profissão de engenheiro… Descobri agora outra luz…” “Estou no segundo ano do curso de arquitetura. A universidade o apresenta numa chave muito comercial; falta o lado humano. Este curso superou as minhas expectativas”. Duas impressões no final do curso que reuniu cerca de 80 jovens universitários latino-americanos, realizado no Centro de Congressos da Mariápolis Ginetta, perto de São Paulo – Brasil, de 25 a 30 de julho, numa semana intensa. “As bases teórico-práticas do paradigma da fraternidade: projeções nas ciências sociais, políticas, econômicas e culturais” constituiu o Centro do Curso de férias, promovido pelo Centro Acadêmico Latino-Americano Sophia (ALC) do Movimento dos Focolares. DSCN8568-02Os jovens latino-americanos entraram nas chagas que atualmente ferem o seu povo: as crises econômicas sociais, o drama dos indígenas, a grande problemática da Amazônia, as desigualdades sociais e a violência que – como se referiu o cientista político argentino Juan Esteban Belderrain – a América Latina registra o triste primado mundial. Assustadores os dados: em 2012 subiu para mais de 140.000 os homicídios, um terço do mundo; somente no Brasil foram mais de 50.000. Um fenômeno muito triste e crescente. Sob esse fundo dramático, os jovens se sentiram chamados a aprofundar a novidade cultural que se abriu nas próprias disciplinas para implementar o paradigma da fraternidade que empenha pensamento e vida. Somente um exemplo: como mostrou o professor brasileiro Marconi Aurélio e Silva, docente de Ciências Políticas, para a aplicação deste paradigma, já experimentado há 20 anos, a política supera a dimensão de conflito, se vêem complementares maioria e oposição; no adversário se percebe uma parte da verdade, se ativa a participação do cidadão. DSCN8505-01Esse novo paradigma cultural, nestes dias, foi vivido nos relacionamentos interpessoais, entre estudantes das várias culturas latino-americanas, entre estudantes e professores, animando a interdisciplinaridade e a dimensão multicultural. Não só. Ao partir, os jovens se comprometeram a individualizar as maiores urgências existentes nas suas cidades e, com o acompanhamento dos professores, elaborar e colocar em ação projetos na dimensão política, econômica e social. Na conclusão, o professor Sergio Rondinara, do Instituto Internacional Sophia (Itália) da qual Sophia ALC é a primeira seção extra-européia, expressou grande esperança ao perceber nos jovens participantes “uma característica belíssima, cristalina, dos povos latino-americanos que faz vislumbrar que o futuro está neste continente”. Ler mais: www.focolares.org.br

Jovens, protagonistas da história

Jovens, protagonistas da história

b_900_600_0_00_images_2016_GMG4Entusiasmo, vontade de entender e vontade de ser protagonistas do próprio futuro: são os pontos que caracterizaram a experiência após a JMJ, para o grupo de jovens que se reuniram de 1º a 6 de agosto, em Jasna, na Eslováquia. “Não poderíamos imaginar uma coisa semelhante. Se não nos contentamos com a comodidade, se não somos ‘cristãos de sofá’, poderemos ser, realmente, protagonistas da nossa história”, afirmou Anita, jovem argentina, na hora de retornar. “As propostas corajosas feitas pelo papa durante a JMJ solicitavam uma adesão imediata, mas, também, uma consciência que deve ser amadurecida, e é isto que procuramos fazer aqui em Jasna”, explica Gianluca Falconi, filósofo. Com o teólogo Michel Vandeleene e a psicóloga Antonella Deponte, eles proporcionaram momentos de aprofundamento, oferecendo uma trama de perspectivas diferentes e uma proposta multidisciplinar. Em Cracóvia, Francisco falou sobre abater o medo, defender a paz em um mundo tão cheio de ódio, do valor da misericórdia e da cruz, dos obstáculos a serem superados para encontrar Jesus. Mas, como concretizar esses desafios, realmente, na vida cotidiana? O encontro, na Eslováquia, foi uma ocasião para refletir sobre os particulares, para entender as razões, para interrogar-se e refletir sobre a própria vida. A experiência internacional ofereceu a possibilidade de um paralelo entre pessoas provenientes de contextos muito diversificados: do Líbano à Austrália, da França aos Estados Unidos, da Rússia à Ucrânia. “Uma das temáticas mais fortes – explicam os organizadores – não era tanto a existência de Deus ou os maiores questionamentos, mas a relação com o outro, com o diferente, polos em torno aos quais se desenvolveu a formação. Vinham à tona as perguntas de sentido pessoal, a questão do valor que cada um de nós é, as chances e as dificuldades das relações com o outro, com o inimigo, com quem pensa diferente de mim”. WYD_01Questões colocadas a partir da experiência pessoal. Como a da jovem do Iraque, que evidenciou as dificuldades de relacionamento que vive no seu país. Para alguns, dar o passo “em direção ao outro” resultava impossível. E, então, a “escola” ofereceu aprofundamentos em pequenos grupos, mas, também, colóquios pessoais, do ponto de vista espiritual, psicológico, ou para oferecer experiências relacionais. E falou-se ainda sobre a relação com o eu profundo, sobre autoestima, dignidade pessoal, emoções e abertura de mente. Outro assunto importante que surgiu: o futuro, ter em mãos a própria vida e dar a ela uma direção. Desta conversa participavam adolescentes, jovens universitários e trabalhadores; cristãos de diversas igrejas, agnósticos e que não professam nenhuma fé. Diferentes vocações, 13 línguas. Portanto, uma variedade imensa de público, mas, unificada por serem sedentos de verdade, de interesse e de ardor. “Uma maneira de apresentar-se, dos jovens, que não é usual na sociedade atual”, comentou Gianluca, que tem uma grande experiência como educador. Carla, italiana, nos disse: “Eu tenho 15 anos e no meu grupo havia pessoas com mais de 30 e foi maravilhoso porque eu pude fazer comparações, pedir explicações e adquirir confiança”. Um entrelaçamento de gerações, de línguas, de cultura: “No meu país a filosofia não é muito apreciada porque o contato com a realidade é diferente – diz Antoine, do Líbano – mas, fiquei feliz por conhecer outras mentalidades, diferentes da minha”. Fraternidade vivida como antídoto ao mal, sonhos que se tornam realidade, estão entre a nova bagagem que os jovens colocaram na própria mochila: “O Papa nos disse para não parar de sonhar – diz Anna, de Milão – e isto que vivemos é sonho que se tornou realidade”.

Roger Schutz: construtor da paz, profeta da esperança

Roger Schutz: construtor da paz, profeta da esperança

Roger Schutz 2“Comovidos ao receber a notícia da imprevista, absurda, morte do amado Irmão Roger Schutz, nos unimos, no mais profundo sofrimento e na oração, a toda a Comunidade de Taizé. A sua vida, completamente doada a Deus e aos irmãos, foi coroada com a palma do martírio. O Irmão Roger foi um construtor da paz, um profeta da esperança e da alegria. “Deus nos quer felizes”, ele me escreveu há dois meses, e, agora, nós acreditamos que ele está na plenitude da alegria, no seio da Trindade. Sintam-nos particularmente próximos nesta circunstância. Queremos que a amizade que, durante 40 anos, nos uniu profundamente ao Irmão Roger e à Comunidade de Taizé, continue também agora que ele chegou ao Céu”. Chiara Lubich Da mesma forma, também hoje, queremos recordá-lo como um construtor da paz, um profeta da esperança e da alegria.

Fraternidade episcopal

Fraternidade episcopal

Vescovi Braga 6Todos os anos, bispos provenientes do mundo inteiro passam um período juntos, durante o verão no hemisfério norte, para repousar e também para ter uma ocasião de compartilhar suas vidas, buscando como ser Igreja, sinal e instrumento de unidade, num mundo atravessado por tensões e contradições. Este ano eles estiveram em Braga, Portugal, de 2 a 11 de agosto. «Hoje, na Igreja, é o momento da unidade e da comunhão, um momento que convida todos nós a fazermos a experiência de Deus juntos. Não estamos aqui só porque somos bispos, mas porque somos irmãos. O nosso desejo é ser como os apóstolos com Jesus, um corpo de irmãos». São palavras do cardeal João Braz de Avis durante a Missa na Capela das Aparições, por ocasião da peregrinação dos 67 bispos, de 27 nações, a Fátima, no dia 4 de agosto passado. Vescovi Braga 4«Nestes dias estivemos realmente felizes. Vivemos como irmãos. Sentimo-nos livres e pudemos abrir o coração um com o outro. O único Mestre esteve entre nós de verdade. E sentimo-nos na casa de Maria», disse o cardeal Francis Xavier Kriengsak Kovithavanij, arcebispo de Bancoc e moderador do encontro, resumindo a experiência feita, ao final. Os bispos foram acolhidos, por convite de D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, no Centro Apostólico “Mater Ecclesiae”, adjacente ao Santuário de Nossa Senhora de Sameiro. Ambiente muito propício para enfrentar, num clima tranquilo, questões como o cenário do mundo atual, com o especialista em política internacional Pasquale Ferrara, ou a reforma da Igreja nos passos de Papa Francisco, com o teólogo Piero Coda. Com estas perspectivas eles dialogaram sobre como ser bispos com um estilo sinodal e colocar em ato uma cultura pastoral marcada pela comunhão. Vescovi Braga 1Plenárias e encontros de grupo, passeios e conversas ao redor da mesa, serviram para colocar em comum situações de sofrimento e sinais de esperança: o grito de angústia que chega das Igrejas do Oriente Médio; o crescimento de uma fecunda interação entre comunidades eclesiais de base e os novos movimentos e comunidades numa grande diocese do Brasil – exemplo significativo daquilo que auspiciou a carta Iuvenescit Ecclesia publicada em junho pela Congregação da Doutrina da Fé -; os desafios e as potencialidades da enculturação num contexto plural como o da Índia; os frutos que podem brotar quando um bispo e os seus auxiliares vivem a vida em comum, e quando um bispo consegue ser irmão e amigo dos seus sacerdotes; o árduo trabalho de evangelização num contexto de grande pobreza como o de Madagascar. Vescovi Braga 7 Uma fonte de grande enriquecimento foi a participação, por dois dias, de três bispos de Igrejas não católicas, dois luteranos e um sírio-ortodoxo, e uma tarde de encontro com sete bispos de Portugal. O pano de fundo espiritual do encontro foi, de um lado, Cristo Crucificado, ponto fundamental da espiritualidade da unidade, e de outro, a paixão pela Igreja, assuntos tratados pela presidente dos Focolares, Maria Voce (“Jesus abandonado, janela de Deus – janela da humanidade”) e o copresidente, Jesùs Morán (“O gênio eclesial de Chiara Lubich e o carisma da unidade”).

Jovens sírios, atletas da alma

Jovens sírios, atletas da alma

FB_IMG_1470750480992“Eu aprendi como transformar o negativo em positivo e como transmiti-lo aos meus amigos” e “a não desesperar-me diante das dificuldades”. Numa afirmação, feita em um contexto como o da Síria, onde os jovens vivem “continuamente sob pressões psicológicas”, cada palavra tem o seu devido valor. “Infelizmente continuam a chegar da Síria notícias de vítimas civis da guerra, em particular de Aleppo”, lembrou o Papa Francisco, no Ângelus do dia 7 de agosto passado. E continuou: “É inaceitável que muitas pessoas indefesas – inclusive muitas crianças – devam pagar o preço do conflito, o preço da dureza de coração e da falta de vontade de paz dos potentes”. E exortou todos a estarem “próximos aos irmãos e irmãs sírios, na oração e com a solidariedade”. A atmosfera da guerra deteriora todos, mesmo se não faltam as sementes de esperança e é sobre elas que se continua a mirar. “Sempre pensando que deveríamos fazer algo de diferente com os jovens, para sustentá-los do ponto de vista espiritual e humano”, nos contam Lina Morcos e Murad Al Shawareb, educadores do Movimento dos Focolares, “tivemos a ideia de convidar Noha Daccache, religiosa do Sagrado Coração, libanesa, professora universitária com especialização em sociologia. Sendo o ano da misericórdia, escolhemos aprofundar o tema “a misericórdia e a oração na nossa vida cotidiana”. FB_IMG_1470750449838_b“Desde a preparação – totalmente feita via WhatsApp –  sentia-se uma grande maturidade”, que foi demonstrada depois, durante o programa dos três dias (de 10 a 13 de junho passado). O aprofundamento da Irmã Noha sobre a misericórdia e a oração e, também, sobre a Sagrada Escritura – que tocava a vida espiritual dos jovens – suscitou perguntas e momentos de reflexão. “Mas, nos demos conta, já no primeiro dia, de estarmos muito estressados por causa da situação que estamos vivendo, e assim fizemos uma hora de diálogo, depois alguém sugeriu tirarmos um tempo para rezar. Foi um momento muito forte, com cantos e meditações, no qual os jovens fizeram orações espontâneas pedindo, com grande fé, o dom da paz”. “No segundo dia aprofundamos vários aspectos da vida que impedem a total correspondência àquilo que Deus nos pede, dia após dia. No terceiro dia, o texto de Chiara Lubich, intitulado “Melhor do que ontem” foi de grande iluminação, porque nos indicou uma maneira concreta para amar Jesus, cada vez melhor”. Uma jovem escreveu: “Eu entendi que devo viver o momento presente com solenidade, que devo oferecer o sofrimento e vivê-lo por Jesus; todo o resto é secundário. Durante as orações eu compreendi que Jesus me dizia: estou com você”. “Vocês são jovens com grandes capacidades. Eu os levo no meu coração e rezemos intensamente pela paz”, disse a Irmã Daccache, ao se despedir. Maria Chiara De Lorenzo

Nada é impossível ao amor

Nada é impossível ao amor

Experience-01Ninguém na minha família conhecia o Movimento dos Focolares e, daquilo que lembro, o que me levava a voltar, todos os sábados, para aprofundar o Evangelho, era o fato de ter encontrado quem me queria bem de um modo desinteressado. Nasci e cresci em Ascoli Piceno (Itália), e todos os anos participava dos cursos de formação para adolescentes, consolidando assim o meu caminho na fé. Aos 19 anos precisei operar os joelhos e depois disso apresentaram-se algumas complicações. Quando estava ainda no hospital os médicos disseram que eu não poderia mais jogar vôlei e que não teria mais a total funcionalidade das pernas. Naquele momento entendi claramente o que queria dizer que “Deus é um ideal que não desmorona”, e decidi confiar Nele. Se eu não podia praticar nenhum esporte, certamente ele me teria feito encontrar outra coisa para fazer. Depois do ensino médio prossegui os estudos na universidade, mas todo sábado retornava à minha cidade para prestar serviço como animador na paróquia, aproveitando a minha habilidade para preparar brincadeiras para jovens e adolescentes. Mesmo não podendo jogar, descobri como era divertido e gratificante fazer os outros jogarem, às vezes submetendo-os a testes realmente acrobáticos! Nos mesmos anos comecei a perceber, dentro do coração, um forte chamado de Deus a consumar a minha vida por Ele, doando-me aos outros. Na Mariápolis 2007, depois de ter recebido Jesus Eucaristia, entendi interiormente qual era o meu caminho: levar o carisma da unidade na minha diocese. Era uma total escolha de Deus, colocada ao serviço de uma realidade particular. Este mergulho em Deus levou-me a viver a vida na plenitude da alegria e, em especial, permitiu-me enfrentar uma situação que, humanamente, jamais teria sido capaz de superar. Em 2010 comecei a ter novos problemas na perna que havia sido operada, depois na outra, na coluna vertebral, e em poucos meses tinha dificuldades para caminhar e ficar de pé. Os médicos não encontravam explicações e, visto que eu estava prestes a me formar, levantaram a hipótese de uma espécie de estresse nervoso ou de depressão. Eu continuava a sentir a alegria de viver com os meus companheiros de aventura ideal, e não entendia o que estava me acontecendo. Uma noite refugiei-me na igreja e rezei, diante de Jesus Eucaristia: “Se é a tua vontade que eu comece estes tratamentos, dá-me um sinal. Se, ao invés, eu tenho alguma doença incomum, faz com que eu entenda, porque quero continuar a ser uma dádiva para os outros”. Com uma enésima pesquisa foi descoberto que eu tinha uma rara doença genética, que desencadeava todos os problemas que eu estava vivendo e que, ainda hoje, obriga-me a conviver com a dor crônica. Logo os meus pensamentos foram invadidos por questionamentos e angústia. Como eu iria continuar a viver pelos outros? Entendi que o amor de Deus não mudava nem diante de todo aquele sofrimento; talvez eu o percebesse de modo diferente, mas o seu amor era sempre imenso. Então, o que eu podia fazer? Continuar a amar e a construir a unidade com todos, mesmo se agora é mais difícil, mesmo quando teria vontade de ficar sozinho. Alguns meses depois pediram-me para acompanhar um pequeno grupo de pré-adolescentes. Eu pensava: irei conseguir? Deixei o medo de lado e decidi novamente colocar-me ao serviço dos outros. Hoje devo dizer que, nestes anos, os garotos do grupo muitas vezes foram a minha força e a minha coragem. Porque amando supera-se tudo. Foram muitas as ocasiões que jamais teria imaginado que conseguiria sustentar, fisicamente, mesmo assim eu consegui, constatando que, verdadeiramente, “nada é impossível a Deus”.