1 Jul 2016 | Focolare Worldwide
«É paradoxal que a nova Europa, que surgiu com a queda do Muro de Berlim, seja agora, tomada pelo medo, tentada a fechar-se, dentro de novas trincheiras, construindo outros muros, com a ilusão de conseguir deter a História, que, uma vez mais, bate às suas portas. O projeto da moeda única queria ter sido um grande passo novo para a união política, um novo grande momento de identidade, em que a solidariedade e a partilha da soberania deveriam representar os pilares fundamentais para o êxito dos objetivos comuns. De facto, há dois exemplos que nos mostram que isso não se realizou: por um lado, os graves atrasos e acalorados debates que se seguiram à crise da dívida na Grécia e que prejudicaram muito as bases da solidariedade entre os países membros da União, chegando até a pôr-se a hipótese da saída da Grécia do Euro; por outro lado, a questão do Brexit e outras tendências separatistas semelhantes, põem em crise a solidariedade. Porque sair da União não é o mesmo que deixar um clube, mas equivale a deixar muito mais, abandonando radicalmente os parceiros com os quais já não se partilha o mesmo interesse de viver juntos o pacto que originou a sua fundação. A Europa está a viver a noite dos seus princípios, a noite do seu papel no mundo, a crise dos seus sonhos. Concretamente, no nosso continente, reina uma grande confusão, pelo aparecimento de três crises simultâneas: uma crise migratória sem precedentes, juntamente com uma profunda crise económica, no contexto de uma crise demográfica. Deixando que outros façam a análise dos motivos dessas crises, eu penso que as mais profundas causas desta situação de fragilidade da Europa atual, podem provir da negação de Deus e do transcendente, que é consequência da afirmação e disseminação gradual da cultura laicista, que quer prescindir de qualquer relação com o sobrenatural. A Europa, na busca de uma total liberdade, esquece-se que a sua cultura se formou durante estes 2.000 anos de tradição cristã. Renegar essa realidade significa cortar as próprias raízes e encontrar-se como uma árvore sem vida. E então, tudo se desmorona? O sonho de unidade do continente está a desvanecer? Não. Nós, movimentos e comunidades cristãs da Europa, estamos aqui juntos porque acreditamos que existe qualquer coisa que não desmorona. É o Amor. É Deus Amor (Leia o discurso completo)».
28 Jun 2016 | Focolare Worldwide
Gulu, no norte de Uganda, é a segunda cidade do país, depois da capital, Kampala. Muitos se transferem para lá para estudar ou trabalhar, e entre estes também Glória Mukambonera, que trabalha no campo da informática. Quando chegou a Gulu em 2013, se pôs em contato com a comunidade local dos Focolares, procurando quem compartilhasse o seu mesmo ideal de paz que afunda as raízes no Evangelho vivido. «Lá, encontrei uma verdadeira família – conta –, onde pude partilhar as alegrias e as dores. Também procuramos viver a comunhão dos bens, seguindo o exemplo dos primeiros cristãos, segundo as possibilidades de cada um. O que é angariado, o utilizamos para quem passa por necessidades e para o tratamento dos membros doentes da comunidade». É uma experiência que leva a olhar as necessidades de quem está ao redor, e não faltam, inclusive pelas marcas da guerra que ainda se arrastam. «Um dia – conta Glória – um sacerdote nos pediu para irmos nos encontrar com as pessoas de uma paróquia a quatro horas de distância, porque – nos explicou – existiam conflitos intertribais e nós podíamos procurar ajudar as pessoas a se reconciliarem. Sugeriu-nos que contássemos a eles sobre o nosso empenho em viver o Evangelho e experiências de paz e de unidade que nasciam desta vivência. Doamos de modo especial o nosso testemunho sobre o perdão, sobre como nos ajudamos a superar as divisões entre nós através da “arte de amar” que nasce do Evangelho. Houve um encontro muito especial com os jovens do lugar. Lemos juntos a Palavra de Vida e compartilhamos as experiências de como procurar pô-la em prática, nos abrindo, depois, à comunhão. Na sequência, canções, jogos e espetáculos teatrais… No diálogo aberto que aconteceu em seguida, se podia perceber o desejo deles de começar a viver reconciliados». Uma possibilidade de «se tornarem construtores de paz», como o bispo convidou a fazer, «escolhendo o caminho do amor evangélico para estar em condições de reconstruir o país, após a destruição causada pela guerra nos anos anteriores».
Ibanda, ao invés, se encontra na região ocidental de Uganda. Também lá, há anos vive um grupo animado pela espiritualidade dos Focolares, e o trabalho que se faz é o de transformar a si mesmos para transformar o ambiente ao redor, começando pelo presídio. «Mudou radicalmente o nosso modo de olhar as coisas e também o modo de agir, sobretudo a atitude negativa em relação aos presos», conta Sara Matziko. «A frase do Evangelho: “Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles” (Mt 7,12) nos encorajou a ir encontrá-los e a rezar junto com eles. Percebemos que fazia muitos anos que alguns não recebiam os sacramentos. O sacerdote da nossa comunidade veio conosco e pôde desempenhar este importante serviço». Deste modo, lentamente, venceram a desconfiança por parte dos parentes, se construiu um relacionamento de amizade, até chegar a ir juntos visitar os presos. Durante estas visitas conheceram um jovem, Ambrósio, que, após ter pago a sua pena, queria continuar a estudar. «Nós o ajudamos a completar o ensino médio», conta ainda Sara. «Viver a Palavra de Vida, dia após dia, melhorou o relacionamento entre nós e com toda a comunidade. Também o pároco nos acompanha neste percurso que procuramos compartilhar inclusive com as outras comunidades paroquiais. Alguns de nós tiveram a possibilidade de participar do encontro internacional da Economia de Comunhão que se realizou no Quênia, na “Mariápolis Piero” (de 27 a 31 de maio de 2015). Isto nos ajudou a ir em frente nos projetos em andamento».
27 Jun 2016 | Focolare Worldwide
O resultado do recente referendum britânico é um dos muitos sintomas da fragmentação da Europa, ulterior confirmação que não bastam medidas funcionais para dar sentido e convicção a uma pertença comum. Tempo de crise que requer novas reflexões e propostas corajosas. Momento propício de Juntos pela Europa, claro sinal público de renovação do continente, com a próxima etapa em Munique, de 30 de junho a 2 de julho de 2016. Quem conhece Juntos pela Europa sabe que não é um evento, mas, um caminho de unidade na diversidade que iniciado em 1999, envolve um número sempre crescente – atualmente mais de 300 – de Movimentos e Comunidades de várias Igrejas de diversos países da Europa, cientes de fazer parte de uma minoria esperançosa. Um processo que, através do encontro e da reconciliação, produziu os seus efeitos: Comunidade e Movimentos valorizam o ato de encontrar-se, de descobrirem-se complementares, a confiança recíproca transforma as pessoas. Programa. No dia 30 de junho e 1º de julho haverá um Congresso, no Circus-Krone-Bau, para 1500 responsáveis e colaboradores, articulado em 36 fóruns e mesas-redondas. Entre os participantes especialistas está o Cardeal Peter Turkson. No dia 2 de julho haverá uma manifestação na central Karlsplatz (Stachus) de Munique, aberta ao público. Estão previstos, entre outros, o discurso do Secretário geral do Conselho Ecumênico das Igrejas, Olav Fykse Tveit, dos cardeais católicos Kurt Koch e Reinhard Marx, dos bispos evangélicos Frank Otfried July e Heinrich Bedford-Strohm, do metropolita ortodoxo Serafim Joanta, representado as várias Igrejas. Os pronunciamentos dos Movimentos e Comunidades serão feitos por Maria Voce (Movimento dos Focolares), Gerhard Pross (YMCA Esslingen), Andrea Riccardi (Comunidade Santo Egídio), Michelle Moran (ICCRS), Walter Heidenreich (FCJG Lüdenscheid), P. Heinrich Walter (Movimento Schoenstatt). Ativa e criativa a participação dos jovens desde a preparação. Papa Francisco e o Patriarca ecumênico Bartolomeu I enviarão mensagens pessoais gravadas em vídeo. Haverá uma transmissão direta, com tradução em sete línguas que permitirá seguir o programa (www.togheter4europe.org). Nas temáticas que serão tratadas, entre as quais integração e reconciliação, solidariedade com os mais fracos, sustentabilidade e tutela ambiental, cristãos e muçulmanos em diálogo, matrimônio e família, economia, quer-se colocar em relevo uma responsabilidade que vai além da Europa, porque esta, segundo Maria Voce, «possui, para doar ao mundo, a experiência desses dois mil anos de cristianismo, que fez maturar ideias, cultura, vida, ações que servem para o mundo de hoje e que, infelizmente, até agora não vieram muito em evidência. » O evento de Munique fundamenta-se em uma consistente trajetória de reflexão, debate e partilha de contatos e experiências. Muito importante a mesa-redonda, realizada em Genebra no dia 21 de abril passado, organizada pelo Conselho Ecumênico das Igrejas e pelo Movimento dos Focolares, com o título: “Europa, qual identidade, quais valores.” Naquela ocasião, Pasquale Ferrara, diplomata e professor universitário, afirmou que atualmente, na Europa, mais que falar de referência às próprias raízes cristãs, é necessário produzir juntos «frutos cristãos». E apresentar como parte da solução «‘a regra de ouro’, que nos exorta a fazer aos outros o que gostaríamos fosse feito a nós». Essa regra – afirmou Ferrara – «não é somente um valor ético, mas, assume uma dimensão política, uma vez que se trata de repensar a natureza e o caráter da comunidade política». Juntos pela Europa mostra-se como um dos sujeitos capazes de interpretar esta dimensão, inspirando e motivando pessoas de diversas gerações e comunidades, pertencentes de maneira transversal aos povos da Europa, encarnando no cotidiano os valores da justiça, acolhida, reconciliação e paz. Uma componente para edificar aquela «Europa protagonista» que, nas palavras do papa Francisco ao Parlamento Europeu, em novembro de 2014, «contempla o céu e segue ideais, olha, defende e tutela o homem, caminha na terra segura e firme, precioso ponto de referência para toda a humanidade»” A manifestação em Munique tem o patrocínio da Unesco, do Conselho da Europa, do Parlamento Europeu e da Comissão Europeia. Release SIF
23 Jun 2016 | Focolare Worldwide
Passaram-se cerca de dois meses desde quando o Equador foi atingido por um terremoto desastroso. O Movimento dos Focolares, através de uma coordenação de emergências havia lançado, imediatamente, uma coleta de recursos, com a finalidade de fazer frente localmente às solicitações de primeira necessidade, e ativou um grupo de trabalho coordenado por AMU e AFNonlus. A solidariedade das pessoas, de todas as partes do mundo, não tardou a responder e agora estamos em condições de enviar à população equatoriana os primeiros recursos para a assistência de caráter alimentar, sanitário e psicológico. As ajudas confluirão sobretudo ao apoio às famílias presentes nas províncias de Manabi e Esmeraldas, mais atingidas pelo terremoto. As atividades de apoio nesta primeira fase terão uma duração de 6 meses (de junho a novembro) e durante este período, em parceria com a ONG local FEPP (Fundo Equatoriano Populorum Progressio), serão estudadas as possibilidades de reconstrução das infraestruturas danificadas e de reativação das atividades produtivas locais. O estudo das próximas intervenções de reconstrução e reabilitação acontecerá também em colaboração com a rede internacional de arquitetura “Arquitecturalimite”, especializada nos serviços de planejamento em contextos de exclusão socioeconômica. De 9 a 13 de novembro próximos, simultaneamente a uma escola de paz para os jovens, se realizarão em Quito uma série de workshops de arquitetura, tendo como objeto justamente as possíveis intervenções de reconstrução pós-terremoto. Como ajudar Fonte: AMU – AFN Onlus