9 Out 2015 | Focolare Worldwide
Ao abrir a 4ª Congregação geral do Sínodo dos Bispos, o Papa fez um apelo pela reconciliação e pela paz no Oriente Médio. Francisco recordou ainda dos países em conflito na África. “A guerra traz destruição e multiplica o sofrimento dos povos. Esperança e progresso provêm de escolhas de paz”, afirmou o Pontífice diante de mais de 250 Padres sinodais que se encaminham para o fim da primeira semana de sessões. “Estamos profundamente entristecidos e seguimos com profunda preocupação o desenrolar dos fatos na Síria, no Iraque, em Jerusalém e na Cisjordânia, onde assistimos a uma escalada da violência que atinge civis inocentes e continua a alimentar uma crise humanitária de enormes proporções”, acrescentou o Papa. Pedindo união aos Padres sinodais vindos do Oriente Médio e África presentes no Sínodo, o Pontífice dirigiu um forte apelo à Comunidade internacional para “que encontre o modo de ajudar eficazmente as partes interessadas, para ampliar os próprios horizontes além dos interesses imediatos usando os instrumentos do direito internacional e da diplomacia para resolver os conflitos em andamento”. (RB) (from Vatican Radio)
9 Out 2015 | Focolare Worldwide
Difícil quantificar as cifras – as fontes Misna referem 60 mortos e 300 feridos – e descrevem a sucessão de fatos em um país que, desde março de 2013 quando um grupo de rebeldes depôs o presidente em exercício, afundou-se em uma grave crise política que, periodicamente, demonstra recrudescência. Também nestes últimos dias. “A situação sócio-política piorou, nos escreveu Geneviève Sanzé, originária da República Centro-Africana. Inteiras famílias cristãs vivem entre a cidade e a floresta, para não serem surpreendidas em casa: existe risco de vida. No norte, onde a situação é de grande tensão, um sacerdote hospeda 12 mil refugiados na sua paróquia, protegidos dos disparos que partem de várias direções. Ele não sabe mais como fazer para cuidar daquelas pessoas e prover a alimentação. Na região não tem mais nenhuma autoridade administrativa, política ou militar e existe também o risco de explosões nos lugares de grandes aglomerações. Do Focolare di Bangui escreveram: “Estávamos nos preparando para fazer algo concreto pela mobilização a favor da paz, da qual o nosso país tem muita necessidade: uma competição esportiva com times mistos, formados por cristãos e muçulmanos; uma manifestação pública pela reconciliação, feita por todos os grupos, de etnias, confissões e religiões diferentes; um concerto com várias bandas e grupos musicais, entre os quais o nosso, para sensibilizar a opinião pública quanto à necessidade da paz para o bem de todos; continuar as visitas aos refugiados aqui em Bangui e na prisão. Para essas e outras atividades tínhamos convidado os nossos amigos muçulmanos e de várias igrejas cristãs, para realizá-las juntos e eles tinham aderido com entusiasmo”. “A primeira atividade, marcada para o dia 26 de setembro, não foi realizada porque naquele dia, aqui em Bangui, desencadeou-se um massacre”, escreveu Bernardine, que trabalha na Nunciatura. “Tudo começou quando foi encontrado morto um jovem muçulmano, em um bairro habitado por cristãos. Mas, até hoje não se sabe quem cometeu o crime e em quais circunstâncias. Em poucas horas as casas dos que não são muçulmanos foram atacadas e muitos foram mortos”. Assassinatos, saqueios, destruição de casas, igrejas, escolas e escritórios dos organismos internacionais e muitas pessoas fugiram abandonando as próprias casas, inclusive algumas da comunidade dos Focolares. Algumas perderam parentes muito próximos. “Estamos nos encorajando reciprocamente – nos escreveram – a continuar a amar, cada um no lugar onde se encontra, prontos a ‘morrer pela nossa gente’. Rezem também vocês, conosco, por nós e por todos aqueles que vivem em situações semelhantes”. Durante alguns dias a cidade parecia deserta. “Ninguém saía para trabalhar – escreve ainda Bernardine – o comércio fechado, os únicos carros nas ruas eram das Nações Unidas e dos militares franceses. A população organizou uma manifestação incitando todos à desobediência civil, exigindo o restabelecimento de uma força armada nacional para proteger a população. Durante a manifestação algumas pessoas perderam a vida e tudo foi interrompido. Nestes últimos dias a situação melhorou um pouco, a população retomou as atividades, mas, as escolas continuam fechadas. Estamos nas mãos de Deus e acreditamos sempre no Seu amor, cedo ou tarde a paz chegará também na República Centro-Africana”. E esta esperança é sustentada pela espera da visita do Papa, no final de novembro: “Toda a população – escreveu Fidelia, do focolare de Bangui – sem distinção de etnias e religiões, espera com alegria a vinda dele. Existe uma atmosfera que faz compreender que o povo espera o Papa como portador de esperança. Todos estão se preparando materialmente e espiritualmente para ter o coração disposto a acolher todas as graças que a visita de Francisco trará”.
7 Out 2015 | Focolare Worldwide

© Focolari-Alain Boudre
As semanas sociais francesas têm uma grande tradição: nascidas em 1904, desde sempre têm como objetivo tornar conhecido o pensamento social cristão e dar uma luz para as questões da sociedade: portanto, nessas semanas, a doutrina social da Igreja é aplicada aos problemas da época. O título desta edição, na qual participaram quase 2000 pessoas, era: “Religiões e culturas, recursos para imaginar o mundo”. Os temas mais presentes, como pode-se prever dada a atualidade deles, eram os migrantes e o ambiente, colocados fortemente no foco da atenção do mundo pela recente encíclica do Papa Francisco Laudato Sì. 
© Focolari-Alain Boudre
Todo o primeiro dia foi concentrado na situação de hoje referente a estes temas. O segundo dia foi dedicado completamente à contribuição que as religiões podem dar a estas emergências. A última jornada, enfim, foi toda voltada para a Encíclica Laudato Sì, que foi comentada com vários pontos de vista. Luigino Bruni falou no segundo dia, sábado 3 de outubro, durante a mesa redonda que tinha como título: “Renovar a visão da globalização com as religiões”. A ideia era refletir sobre como imaginar juntos um mundo “finito” e comum num mundo com culturas diferentes e níveis de desenvolvimento muito desiguais. Três religiões, cristã, muçulmana e budista entraram em diálogo a partir dos respectivos textos ligados à criação. 
© Focolari-Alain Boudre
Quem conversou com Luigino Bruni foi Cheikh Khaled Bentounes, muçulmano, guia espiritual da fraternidade sufi Alâwiyya (fundador dos escoteiros muçulmanos e entre os promotores do festival inter-religioso “Vivre Ensemble à Cannes” ) e Philippe Cornu, budista, presidente do Institut d’Études Bouddhiques. Pedimos a Anouk Grevin, que fazia a tradução simultânea de Luigino, para nos contar algo daquele momento tão especial: “Cada um dos que falaram citou um texto sobre a criação conforme a sua tradição religiosa, comentando e extraindo pontos realmente muito profundos, com uma escuta na sala muito atenta e intensa. No final, de forma inesperada, Luigino expôs algumas perguntas aos seus interlocutores e isto fez com que nascesse um denso e fraterno diálogo: decididamente um forte testemunho de diálogo inter-religioso dentro do qual nasceu estima recíproca e vinham em luz tantos pontos em comum dos respectivos pontos de vista. A conversa terminou com um abraço fraterno entre os três e com a explosão dos aplausos em toda a sala.” A palestra de Luigino Bruni, “Uma reflexão antropológica e econômica a partir dos primeiros capítulos do Gênesis”, tocou os temas da criação, da terra, da fraternidade; de Adão e Caim; de Noé e da Torre de Babel, trazendo-os para o dia de hoje. Luigino concluiu esta palestra dizendo: “Fora do Éden, no jardim da história, não encontraremos a nova língua de Adão voltando atrás ou encerrando a história dentro de torres de semelhantes; conseguiremos reencontrá-la somente caminhando seguindo uma voz, um arco-íris, uma estrela, um arameu errante. Hoje na Europa, em tempos de dilúvios financeiros e sociais, está voltando à tona a tentação de Babel. Mas também estão se multiplicando os Noés, que combatem os barcos da morte e os seus traficantes criando as arcas de salvação, em todos os níveis. Temos que continuar a abater as torres altas e a construir arcas para salvar e salvar-nos dos velhos e novos dilúvios. Mas, sobretudo, temos que salvar os filhos, os nossos filhos e filhas e os filhos de todos. É para eles a terra prometida.” Veja a palestra completa de Luigino Bruni (em italiano) Fonte: edc-online
5 Out 2015 | Focolare Worldwide, Senza categoria
«Trabalhamos muito. Durante três anos escutamos milhares de pessoas, especialmente jovens, que encontramos em nossa casa ou nas nossas turnês. Compusemos músicas, escrevemos textos, mas principalmente procuramos “viver”, no sentido literal da palavra: entrando no jogo, arriscando, captando o belo e o feio da humanidade. Não vemos a hora de ir para a Grã-Bretanha, vamos para acolher e compartilhar, mas também para dar». Quem fala é Sally McAllister, diretora do Gen Verde, irlandesa de nascimento e inglesa por adoção: «Vivi em Londres por mais de 30 anos e aprendi a conhecer e amar o povo. Por isso é com muita alegria que respondemos ao convite de voltar lá». Os Focolares estão na Grã-Bretanha desde 1963, em muitas cidades do Reino Unido, e os seus membros são católicos, anglicanos, fieis das Igrejas Livres. Há também muçulmanos e siks que, em seu pequeno círculo, são um testemunho verdadeiro de unidade vivida, sofrida e realizada no cotidiano». «Por que nos convidaram? – continua Sally -. Foram as comunidades dos Focolares que organizaram toda a turnê. Cerca de vinte grupos de jovens e adultos, famílias, espalhados pelo Reino Unido. Juntos nós sonhamos e organizamos tudo. Eles nos disseram que desejam abrir, mais e melhor, as mãos e o coração, recompor relacionamentos, vencer o ódio e a desconfiança, ir ao encontro das pessoas e comunicar o valor da comunhão na diversidade». «Foi preciso coragem, e posso dizer que isso essas pessoas têm para vender! Faremos doze apresentações, com sete shows “Start Now” e cinco concertos acústicos, ao lado de vários outros compromissos». Escutando Sally compreende-se que os shows não são nada mais do que a ponta do iceberg da turnê, se assim podemos dizer, e que a viagem musical do Gen Verde ao Reino Unido pode tocar o âmago do povo. «Vamos nos apresentar em cidades complexas, como Londres, Birmingham, Glasgow, Oxford, Liverpool, Portsmouth e Cardiff – explica Sally – com um tecido cultural e social que foi definido pós-cristão, desagregado, mas onde as dimensões ecumênica e inter-religiosa são ainda fortes. Por meio da música, dos textos e coreografias, vamos contar sobre a vida que existe entre nós, e em muitas partes do mundo, uma vida feita de comunhão, fraternidade, sacrifício e reciprocidade. Queremos que emerja o “algo a mais”, que existe, mas que não se mostra, da sociedade britânica, aquela que se desdobra pelos outros, mas que arrisca ficar escondida por detrás das manchetes da mídia, que muitas vezes gritam exclusão, defesa, medo». Em Londres o Gen Verde encontrará também os jovens do Centro Islâmico, a convite do Imã Dr. Mohammad Ali Shomali. Um encontro que não se pode dar por descontado, nesses tempos. «Nós enfocamos os valores que nos unem, e queremos trabalhar juntos». Pelo entusiasmo que Sally demonstra é evidente que os jovens terão um espaço privilegiado nessa turnê. «São o termômetro da sociedade, frequentemente vivem os seus abismos mais obscuros, e não é um mistério que também na Grã-Bretanha, como em outros países europeus, violência e suicídios estão em forte ascendência entre os under-30». No show que será feito na Grã-Bretanha haverá músicas do novo álbum, “On The Other Side”, lançado recentemente. «É dedicado justamente aos jovens e os temas são universais. Trata-se de uma viagem em quatro etapas: começa-se com os desafios, os mais profundos, que fazem olhar para dentro; depois chega o questionamento: “é possível superá-los?”, e enfim o convite a sair de si mesmos, para construir o presente e o futuro juntos, e que quisemos chamar “No frontiers”, sem fronteiras, porque juntos podemos fazer a diferença».
2 Out 2015 | Focolare Worldwide, Senza categoria
“Acolher o extraordinário no ordinário, aprimorando o olhar para ver a árvore que cresce: se faltassem os profetas a vida seria um espaço de pessimismo e não da esperança que nos une”. Nestas palavras do economista Luigino Bruni é possível resumir a Convenção Nacional das Redes de Economia de Comunhão, na Itália, realizada por ocasião da sexta edição de LoppianoLab, que contou com mais de dois mil participantes, provenientes de toda a Itália e do exterior. Economia de Comunhão, modelo para a retomada. “Somente regenerando as relações se vence o medo e retoma-se a economia: enquanto hoje a desconfiança e o pessimismo freiam a retomada, na Europa e no Ocidente, nós ousamos olhar a economia com os olhos dos jovens africanos – assim iniciou o discurso de Bruni. Se queremos contribuir ao renascimento da economia, é necessário regenerar os territórios, as famílias, as relações, redescobrir e praticar as virtudes civis”. “Além do medo. Cultura do diálogo, cidadania ativa, economia civil”, não por acaso, foi o título escolhido para a edição de LoppianoLab 2015, promovida pelo grupo editorial Città Nuova, Pólo Lionello Bonfanti-Economia de Comunhão (EdC), Instituto Universitário Sophia (IUS) e Centro Internacional de Loppiano (Florença). Obviamente urgente tratar do setor econômico, no âmbito do qual, na Itália, são 200 as empresas, 800 no mundo, que aderem e colocam no centro do agir econômico a pessoa e a dimensão relacional, aderindo ao projeto da Economia de Comunhão.
Sonhando a África. Muitas as referências feitas ao Congresso Internacional EdC realizado em maio passado, em Nairóbi, a propósito do qual Geneviéve Sanze, economista centro-africana, narrou a “vitalidade”. Na África, atualmente, são trinta as empresas que aderiram ao projeto e teve origem uma rede de apoio aos jovens por parte dos empresários EdC. “A Economia é uma ciência da riqueza, assim gostariam que pensássemos: acredita-se que, para praticá-la, é necessário ir às grandes metrópoles, mas com a EdC tornou-se ciência de comunhão”, ela afirmou. “Intercambio, diálogo, fraternidade: em Nairóbi compreendemos que cada pessoa possui riqueza na sua compreensão e na sua unicidade, assim como o empresário com criatividade procura enriquecer o seu lugar, o seu território sem conformar-se a padrões distantes da atenção às periferias necessitadas. Falar de economia em âmbito mundial partindo da África é realmente um processo novo, mas, o é ainda mais quando se fala sobre a contribuição que a África pode dar – mais que receber – proporcionando confiança e novo ardor aos próprios africanos para aumentar as suas possibilidades nos próprios países”. A África é um continente jovem, testemunharam dois estudantes africanos inscritos no Instituto Universitário Sophia, em Loppiano, Gloria e Melchiot: “Proporcionar sonhos aos jovens na África significa evitar o fenômeno da imigração: por que não pensar em fundar empresas na África, criar vagas de trabalho lá?” Dois projetos EdC. “Em Nairóbi foram iniciados dois projetos econômicos e, também, foi anunciada a criação de um curso universitário de Economia de Comunhão, na CUIB (Catholic University Institute of Buea), na República dos Camarões, disse Anouk Grevin, economista (Universidade de Nantes e Instituto Universitário Sophia). A partir de 2017 terá início o projeto “Siobhan”, para apoiar a fundação de novas empresas na África. O segundo projeto, intitulado a François Neveux, pioneiro Frances da EdC, colocará em contato empresários do mundo inteiro, criando uma rede de acompanhamento econômico e de projetos, destinada especialmente aos jovens empresários”. Fonte: Città Nuova
1 Out 2015 | Focolare Worldwide

Foto © Renato Araujo
Filadélfia é uma cidade estratégica nos Estados Unidos – aqui foram redigidas, em 1976, a Declaração de Independência e a Constituição Americana. E foi aqui que se concluiu a visita do Papa: dias históricos que tocaram profundamente o povo americano. Na Sala da Independência, com o sorriso de sempre, o Papa Francisco esclarece que não é nem de esquerda nem de direita. Ressalta a importância da liberdade religiosa e do diálogo numa sociedade multicultural, mas salienta o positivo que já existe no povo americano: «Recordamos as grandes lutas que levaram à abolição da escravatura, à extensão do direito de voto, ao crescimento do movimento dos trabalhadores e ao esforço progressivo para eliminar toda forma de racismo e preconceito contra as sucessivas ondas de novos americanos», disse o Papa. E a saudação de um Papa que provem de uma família de imigrantes, aos imigrantes hispânicos: «Vocês trazem muitos talentos à sua nova nação. Não se envergonhem de suas tradições», afirma com força, seguido de um aplauso espontâneo. Entre outros valores, Francisco menciona a fé ardente e o profundo senso da vida familiar dos hispânicos: «Trazendo a própria contribuição, vocês não apenas encontrarão o seu lugar aqui, mas ajudarão a renovar a sociedade a partir de dentro». Comenta Jeniffer Huertas, de Porto Rico, há dois anos nos Estados Unidos: «O Papa diz para não esquecermos as nossas raízes, e ver sempre a unicidade de cada pessoa. Sim, a diversidade não é um mal, porque cada ser humano é único». Apenas algumas horas mais tarde, a conclusão da Jornada Mundial da Família, tão aguardada pelos participantes: famílias jovens, outras formadas por muitas gerações, casais, pessoas solteiras, religiosos e religiosas com seus hábitos, sacerdotes, todos recebidos pela cidade que preparou cuidadosamente cada detalhe. Após escutar os testemunhos de seis casais e famílias, que contam como conseguiram superar os desafios da vida com a fé em Deus, o Papa faz um discurso caloroso, evidenciando a importância da vida em família. Um menino pergunta-lhe o que Deus fazia antes de criar o mundo. «Deus amava, porque Deus é Amor», responde. E o que Deus cria de mais útil, para compartilhar esse amor, é a família, e o demonstra o fato que «Deus manda o seu Filho em uma família». Nem tudo são rosas e flores, «às vezes os pratos voam, mas as dificuldades são superadas com o amor», afirma. 
Foto © Andrea Re
As suas palavras deixam meio milhão de pessoas – que esperaram longas horas no Parque Benjamim Franklin– encantadas e felizes: «Foi fantástico ver o Papa», diz Thea, uma jovem de Los Angeles. «Gostei quando ele disse que Deus não colocou Jesus num reino, mas numa família. Hoje muitos visitam seus pais só raramente, muitos amigos meus vivem assim e isso me faz pena. Também na minha família nem sempre é fácil, temos dificuldade em nos escutar até o fim, mas as palavras do Papa vão me ajudar a enfrentar melhor essas dificuldades». Um dia depois, as multidões atraídas por Francisco submetem-se com paciência aos longos controles de segurança, cantando e dançando. Sem perder a calma, sorriem e agradecem aos policiais que fazem seu trabalho. «Hoje o meu filho faz dois anos, mas eu e minha esposa pensamos que essa é uma ocasião que acontece só uma vez na vida», diz uma guarda da segurança. Cerca de um milhão de pessoas participam da Missa, e mais um milhão a acompanham na televisão. Francisco cumprimenta todos, abençoa as crianças antes de começar a Missa, com leituras também em espanhol e vietnamita. A liturgia do dia tem palavras fortes, onde, primeiro Moisés e depois Jesus, afirmam que também quem não pertence ao seu grupo pode fazer milagres em nome do Senhor. «Não devemos nos escandalizar do amor de Deus», diz o Papa, e lança uma mensagem clara, para um Igreja que deve aceitar as diversidades e que tem confiança na ação do Espírito Santo. O Papa Francisco convida as famílias a fazerem pequenos gestos de amor e compaixão: um jantar aconchegante após um dia de trabalho, uma benção, um abraço: «O amor se manifesta nas pequenas coisas»¸ afirma. Isso quer dizer «ser profetas, superar “o escândalo de um amor restrito e mesquinho”». Mais significativos ainda os encontros particulares, com os presos, com as vítimas de abusos sexuais por parte do clero. A esse respeito o Papa afirma: «Deus chora»; é como uma missa negra, «não existem desculpas». Na conclusão desses dias não somente a Igreja católica dos Estados Unidos está mudada, mas o país inteiro. O Papa voltou a evidenciar as riquezas culturais, a partir da fundação do país, e chamou os americanos a serem fieis a esses valores: o amor, a família, a dignidade de cada ser humano, o cuidado com os pobres. E deixando os Estados Unidos escreve uma mensagem, no Twitter: «Com a minha gratidão, que o amor de Cristo guie sempre o povo americano! #GodBlessAmerica». Susanne Jansen e Sarah Mundell