Movimento dos Focolares

Deus não é um personagem distante

Jul 13, 2018

Deus perto de quem sofre, “desperdiçar” o tempo para rezar, saber “permanecer em silêncio”. Algumas reflexões, em tempo de férias, do teólogo alemão Klaus Hemmerle (1929-1994).

Deus não é um personagem distante, que pode ser aproximado somente preparando antes a antecâmara. Ele ouve aqueles que são particularmente pobres, particularmente pequenos, particularmente humildes com particulares atenção. (Do livro Scelto per gli uomini, p. 113) Quanto mais eu tenho coisas a fazer, tanto mais preciso de tempo para a oração. E então descubro uma coisa: quando eu emprego, “desperdiço” o meu tempo para permanecer em Deus, acontece uma espécie de “milagrosa multiplicação do tempo”; graças ao tempo doado a Deus, venho a ter mais tempo à minha disposição ou pelo menos, um tempo melhor, mais disponível, mais denso de amor a ser doado aos outros. O tempo se torna como um colar de pérolas, feito de muitos momentos preciosos que estou em condições de viver, e de levar à sua plena realização no recolhimento e na dedicação aos outros. (Do livro Scelto per gli uomini, pp. 109-110) Poder-se-ia definir “grão de sal” do orar cristão o ponto em que a distinção que caracteriza o que é cristão se demonstra mais clara e evidente: o fato, isto é, de que na oração dirigida a Deus está sempre presente o irmão, o outro; o fato de que no dizer-eu do orante está sempre incluído um dizer-nós. (Do livro Scelto per gli uomini, p. 114) Talvez às vezes é bom não querer outra coisa senão permanecer em silêncio. Só então, de fato, notamos quantos fluxos de pensamentos, de impressões, de ideias nos atravessam. Somos como que imersos numa maré que sobe e que incessantemente nos afasta de nós mesmos, não permite que alcancemos a nós mesmos. Para a oração não é determinante que atinjamos este absoluto silêncio. Ela pode até mesmo ser “justa” se, apesar de todos os esforços, não for bem. Com efeito, de algum modo compreendemos que também naquele fluxo indistinto, confuso, tão privado de perfeição e de integridade, eu sou, todavia, eu mesmo, eu que fui dado e abandonado a mim, eu, aquele que constantemente foge de si mesmo. E então podemos dizer: não eu tenho a faculdade sobre mim, não eu conheço a mim mesmo, não eu me possuo, mas tu, no eu mais profundo do meu eu mais íntimo, tu me conheces e me perscrutas, tu sabes quem sou e o que é bom para mim e me respondes com o teu sim, te diriges a mim dizendo-me: Tu. (Do livro Das Wort fur uns, pp. 91s.) De: Klaus Hemmerle, “La luce dentro le cose, meditazioni per ogni giorno”, Città Nuova, 1998.

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