Movimento dos Focolares

Egito: um encontro pleno de história / 2

Set 10, 2012

“Vocês iluminaram o Egito”. Maria Voce e Giancarlo Faletti em diálogo com diversos grupos do Movimento dos Focolares.

“Vocês iluminaram o Egito”, uma frase que aqui costuma-se dirigir aos visitantes, como boas-vindas. Poucas palavras, ditadas pela sabedoria de uma cultura milenar que vê a presença de Deus no hóspede e, portanto, o considera como uma dádiva. São palavras que sintetizam os vários momentos de diálogo que Maria Voce e Giancarlo Faletti tiveram com diversos grupos do Movimento dos Focolares no Egito. De fato, era o desejo de muitos deles, para poder estabelecer um contato pessoal, especialmente à luz dos desafios que o país deve enfrentar hoje, mas também na perspectiva de problemáticas ligadas ao relacionamento entre as Igrejas.

O que significa viver o Evangelho nesse contexto? Como ser abertos a todos numa sociedade onde existem discriminações? Como entender as escolhas de vida para o próprio futuro, quando somos jovens, ou as decisões para a própria família? É possível viver um espírito de comunhão numa sociedade complexa e em rápida evolução, mas também com um futuro sombrio? Todas perguntas desafiadoras, principalmente no Egito de 2012, a dois anos da revolução da Praça Tahrir, com uma população jovem e onde os cristãos olham ao futuro com apreensão. Uma comunidade que descende da Igreja apostólica, fundada por Marcos evangelista, mas que vive em minoria, ainda que profundamente enraizada e participante da sociedade e da história sociocultural do país.

As ocasiões para um diálogo com a presidente e o copresidente foram várias: o encontro com os 350 membros e aderentes mais próximos aos Focolares, o momento vivido com os focolarinos e as focolarinas que vivem nas comunidades do Cairo e de Sohag, a tarde com cerca de cem jovens que animam as diversas atividade juvenis dentro da espiritualidade dos Focolares.

Antes de tudo Maria Voce e Giancarlo Faletti escutaram, e deixaram amadurecer respostas nunca dadas por descontadas e com frequência provocantes pelo radicalismo que propunham, refazendo-se sempre ao Evangelho como perspectiva de uma leitura do presente e do futuro. Mas, principalmente, exprimiram a gratidão a todos aqueles que encontraram, pelo compromisso deles em viver a mensagem do amor evangélico com a marca da unidade, pela qual Jesus rezou antes de morrer.

“A vida de vocês sofre por algo de muito provisório”, reconheceu o copresidente Faletti. “Está em curso uma mudança histórica que apresenta imprevistos. Nós partilhamos da insegurança de vocês e os olhamos como a irmãos prediletos. Vocês não estão sozinhos. Nas viagens encontramos países em situações como essa, e também piores, onde as seguranças eram mínimas. Sinto uma grande gratidão pela vida de vocês”. E depois, recordando a experiência de Chiara Lubich nos primeiros dias do Movimento, durante a Segunda Guerra Mundial, concluiu: “… Chiara retornou à sua cidade priva de seguranças e certezas. Deus a chamava lá… até quando é possível permanecer na cidade onde Deus os colocou vocês contribuem para o caminho de Deus na humanidade”.

Por outro lado, os desafios estão justamente na vida cotidiana. A um jovem pai de família que perguntou “como ensinar os filhos a enfrentar a sociedade de modo evangélico sem ser fracos?”, Maria Voce recordou que era justamente assim a sociedade na qual Jesus viveu, trazendo uma lei nova, a do amor ao irmão e do perdão. Não é uma fraqueza, mas um sinal de força.

Todos tem a viva recordação dos dias da Praça Tahrir, e da revolução que fez sonhar milhões de egípcios. “Como viver a verdadeira revolução, para ser uma luz que faz ver?”, perguntou uma jovem. Aproveitando essa pergunta Maria Voce lançou um desafio: “A única resposta é a vida de Jesus. A revolução na vida de um jovem que quer viver a espiritualidade dos Focolares é viver Jesus, que disse: ‘Eu sou a luz do mundo’ (Jo 8,12). Esta é a verdadeira revolução, perguntar-se: o que Jesus faria aqui, hoje? ‘Vós fareis coisas ainda maiores do que eu’ (Jo 14,12). Ele disse e nós podemos fazê-lo. Ser revolucionários por excelência”.

Do enviado, Roberto Catalano

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