Movimento dos Focolares

Eu não podia tirar o corpo fora

Fev 13, 2019

Às vezes as relações mais próximas são as mais difíceis. É a experiência de Miso Kuleif e de seu pai.

Às vezes as relações mais próximas são as mais difíceis. É a experiência de Miso Kuleif e de seu pai. “Sempre tive uma relação difícil com meu pai, nem eu nem o resto da família conseguimos estar de acordo com ele e por isso sofremos muito. Mesmo assim, num preciso momento da minha vida fiz uma descoberta: ele realmente gostava de mim e eu também gostava dele”. Assim Miso Kuleif, 25 anos, nascida na Jordânia e há mais de vinte anos residente na Itália, com sua família, inicia sua narrativa. O pai de Miso, por muito tempo teve graves problemas de saúde, mas a guinada aconteceu há cerca de três anos, quando soube que deveria enfrentar, com urgência, um transplante de fígado. Já que na Jordânia é possível fazer este tipo de procedimento com um doador vivo, o que não se permite na Itália, o pai decidiu operar-se em sua terra natal. “O problema – continua Miso – era encontrar um doador, e pessoas dispostas a fazerem os exames de compatibilidade. Quando soube eu não pensei muito. Viajei com ele para submeter-me aos exames”. “Onde encontrei a força? Ajudou-me o fato de viver, há alguns anos, a espiritualidade da unidade – explica. Conheci os Focolares em minha cidade, por meio do Movimento Diocesano, que leva esta espiritualidade a várias dioceses e paróquias, entre as quais a minha. Nos encontros, muitas vezes nos propúnhamos a amar, como ensina o Evangelho, dispostos a dar a vida uns pelos outros. Agora eu não podia tirar o corpo fora. Se temos a possibilidade de salvar uma vida, não podemos deixar de fazê-lo”. Miso então deixa a Itália e interrompe a Universidade, sem saber quando poderia voltar. Ao chegar na Jordânia a experiência é dura. “Eu estava lá, sozinha, cercada por uma família à qual eu tinha impressão de não pertencer. Se tivesse que ser operada, todas as pessoas que teria desejado ter perto não estariam comigo”. Mas ela vai adiante. Os exames, porém, revelam que Miso não é compatível. Pouco tempo depois encontra-se um doador: é o irmão do pai, o único, depois de Miso, que aceitou ser avaliado. “Precisei um pouco de tempo para metabolizar esta experiência. Inclusive graças a tantas pessoas do Movimento que estiveram comigo, consegui desenvolver a consciência de quanto quero bem ao meu pai, ainda que me seja difícil admitir isso. Odiar alguém é muito mais fácil, mas muito mais deletério. O verdadeiro problema não era a situação em si, mas como eu a enfrentei. Aprendi que é sempre possível ser felizes, que isso depende de nós. No Evangelho está escrito: ‘gratuitamente recebestes, dai gratuitamente’. Agora me dou conta da importância destas palavras. Se a minha vida houvesse transcorrido de outro modo, talvez tudo tivesse sido mais simples, mas eu não seria aquela que sou hoje”.

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