Movimento dos Focolares

Evangelho vivido: vencer a desconfiança

Set 1, 2014

Dois encontros nas periferias existenciais da América Latina. Quando, procurando ver Cristo no irmão necessitado, a desconfiança é vencida.

20140831-a«Trabalho como vigia em uma igreja de Montevideo. Tempos atrás, toda vez que abria a porta da igreja encontrava um rapaz mal vestido que entrava na igreja com o seu mate, a bebida típica por aqui. A minha primeira reação, por causa de seu aspecto, foi de suspeita e desconfiança, e pensava: “Vai ver que começa a roubar!”. Mas depois de algum tempo lembrei-me da Palavra de Vida, comecei a cumprimentá-lo e falar com ele. Ele me contou que morava na rua. Uma manhã, vendo-o chegar limpo e com outras roupas, perguntei se tinha encontrado um lugar para morar. “Não – respondeu – eu me lavo na praça com o sabão que recebo do Ministério do Desenvolvimento Social. Não gosto de me sentir sujo”. Depois me disse que era católico e que ia à igreja para “falar com Deus”, e que tinha feito a primeira comunhão. Eu propus que ele fosse à Missa e falasse com o sacerdote, e a partir daí começou a participar todos os dias. Eu havia engordado um pouco e muitas das minhas roupas estavam apertadas. “Talvez sirvam nele” – pensei. Enchi uma sacola e levei para ele. “Tantas assim? Não! – exclamou – Eu preciso de pouco porque vivo na rua”. Depois outras pessoas da comunidade começaram a ajudar, com a convicção de que Cristo está “presente em cada irmão”. Foi assim que esse rapaz, que agora é um amigo, conseguiu encontrar um bom trabalho (é um ótimo trabalhador) e alugar um quarto». J.B. (Montevideo – Uruguai) «Dias atrás eu estava indo fazer compras quando vi uma senhora que mexia no lixo, selecionando o que encontrava. Eu parei e olhei para ela. Ela respondeu ao meu olhar dizendo: “Os ricos jogam as coisas fora… mas para nós ainda servem”. E logo me mostrou uma panela: “É de um material bom!”. “Você tem razão – respondi, surpresa com o que havia encontrado – é uma panela boa, se vê que está usada, mas é uma daquelas que são eternas…”. E continuamos a conversar: “Isso serve para fazer um pudim e isso para escorrer”. E assim continuamos. Depois ela me mostrou um santinho de Nossa Senhora que tinha encontrado no lixo, junto com uma estatueta de Nossa Senhora do Vale, uma daquelas pequenas imagens de chumbo muito antigas. “Sabe o que isso significa para mim?” – disse-lhe – Que Nossa Senhora está com você!”. E ela: “É verdade. Deus e Nossa Senhora estão comigo, eles me acompanham sempre”. Vendo que entre aquelas coisas havia algumas plantas que eu gostava ela quis dividir comigo, deixou que eu pegasse um ramo, e depois mais um… Quando cheguei em casa os coloquei na água para que nascessem as raízes, para depois plantá-los. E rezei em meu coração: “Obrigada Jesus por haver-te encontrado na rua. Obrigada por ter vindo até mim. Jamais se canse de procurar-me até que eu decida ir buscar-te, com decisão, nas periferias”. T.S. (Córdoba – Argentina).

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