Movimento dos Focolares

Filipinas: quando tudo desmorona

Nov 11, 2013

Ação dos Jovens por um Mundo Unido no socorro às populações de algumas ilhas atingidas por um terremoto devastador. O amor concreto leva consolo e ajuda.

«Vendo os efeitos devastadores do terremoto que atingiu as Filipinas dia 15 de outubro passado – de magnitude 7.2 em algumas ilhas – nos mobilizamos para ajudar algumas vítimas. Desejávamos, de modo especial, fazer com que sentissem o amor de Deus, mesmo nestes momentos em que toda a esperança parece perdida.

De início tivemos medo das réplicas que continuavam a acontecer, mas logo percebemos que isso era pouco diante do sofrimento das famílias que haviam perdido tudo: casas e pessoas queridas.

Com o apoio da comunidade local dos Focolares fomos a Bohol, o epicentro do terremoto. Éramos cerca de 20 JMU e alguns adultos de Manila e Cebu. Preparamos 200 sacos que continham tudo o que eles mais precisavam (esteiras, cobertores e material para a fabricação de tendas) e nos colocamos em viagem no longo trajeto até Sandigan Island, onde as ajudas dificilmente conseguem chegar. Tínhamos conosco 200 litros de água, os 200 sacos que haviam sido preparados na noite anterior, biscoitos e outros gêneros de primeira necessidade.

Um momento difícil foi quando tivemos que passar por um caminho estreito e ríspido de montanha, retirando todos os sacos do caminhão para levar aos barcos que nos levariam à ilha. Foram necessárias várias horas, até meia-noite, e depois tivemos que empurrar os barcos devido à baixa da maré.

Mas a decisão de ajudar as pessoas pensando de fazê-lo a Jesus que se identificou com os mais sofredores, nos fez superar todas as dificuldades.

Andamos seis quilômetros adentro, até Brgy Canigaan. Faltava água porque os tubos tinham sido destruídos pelo terremoto, assim como as casas. Por isso a maior parte dos moradores estava dormindo ao ar livre, em barracas, até pelo medo das constantes réplicas. Era um espetáculo desolador. Lembramos que estávamos lá para sustentá-los e ajudá-los, e assim a distribuição da água e dos pacotes aconteceu num clima de festa. Criamos um espaço para que as crianças pudessem contar as experiências traumáticas vividas no terremoto, brincamos com elas e suas mães, esquecendo, ao menos por um pouco, o que estavam vivendo.

Um senhor idoso nos contou como vivera a tragédia. Estava pescando quando o terremoto começou. Ficou aterrorizado vendo a sua cidade tremer com os violentos abalos. Estava sozinho, no mar muito agitado com redemoinhos e grandes ondas. Viu até uma pequena ilha aparecer no meio do mar… Agradecia a Deus o milagre de ter sobrevivido, mesmo que sua casa tivesse sido destruída. Demos a ele um travesseiro macio: um pequeno gesto que o comoveu até as lágrimas.

Renunciamos às nossas férias e tivemos que superar inclusive a barreira da língua, além de outras dificuldades, mas sentimos que realmente valeu a pena! Há ainda um longo caminho para que as coisas voltem à normalidade, mas ver os sorrisos nos rostos dessas pessoas foi para nós a confirmação de que o amor de Deus permanece, ainda que todo o resto seja destruído.

Secretaria dos Jovens por um Mundo Unido de Manila

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subscrever o boletim informativo

Pensamento do dia

Artigos relacionados

O Tempo da Criação 2026: a transformação de uma comunidade

O Tempo da Criação 2026: a transformação de uma comunidade

O “Tempo da Criação” é uma iniciativa cristã ecumênica que começa todos os anos no dia 01 de setembro e se conclui na Festa de São Francisco, no dia 04 de outubro. O tema deste ano é “Água Viva” e os cristãos do mundo inteiro são convidados não só a ficar contemplando a água da margem, mas a imergir-se naquilo que ela representa: vida, relacionamentos, cura, esperança e amor de Deus que escorre através de toda a criação. E aqui está um relato que chegou do Congo, na África.

1° de setembro, começa o “Tempo da Criação”

1° de setembro, começa o “Tempo da Criação”

Na mensagem publicada por ocasião do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, Leão XIV exorta a atravessar a crise ética e cultural do nosso tempo, que inclui desejo de guerra, domínio e busca de lucros. É necessária “uma autêntica conversão ecológica” que nasce do coração.