Movimento dos Focolares

Grande e Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa

Jul 6, 2016

Concluiu-se, com uma encíclica e uma mensagem final “ao povo ortodoxo e a todos os homens de boa vontade”, o Sínodo Pan-Ortodoxo (Creta, 18 -26 de junho).

© POLISH ORTHODOX CHURCH/JAROSLAW CHARKIEWICZ.

Divine Liturgy at the Patriarchal and Stavropegial Monastery of Gonia. PHOTO: © POLISH ORTHODOX CHURCH/JAROSLAW CHARKIEWICZ.

Enormes expectativas pairavam sobre este encontro, em preparativos desde 1961 (desde quando reuniu-se a primeira conferência pan-ortodoxa, convocada pelo patriarca Atenágoras). Já o título é muito significativo: “Chamou-os todos à unidade”, do hino de Pentecostes no rito bizantino. As várias igrejas ortodoxas, com efeito, compartilhavam o desejo de encaminhar-se rumo a uma realidade sinodal, de partilha, mais explícita, e reafirmar a unidade da Igreja ortodoxa, impulsionadas inclusive pela necessidade de confrontar-se sobre os novos desafios do milênio. Esta reunião assinala a passagem de novas aberturas no ecumenismo e no diálogo inter-religioso, às descobertas científicas e tecnológicas; concentra energias para a questão ecológica e para o drama das migrações e dos cristãos perseguidos no Oriente Médio; abre “horizontes sobre o atual mundo multiforme”. Convocado, com decisão sinodal tomada por unanimidade pelos chefes das 14 Igreja Ortodoxas, durante a reunião deles em Chambesy, em janeiro passado, desde o início foi marcado por um grande sofrimento: a ausência física de quatro das 14 igrejas. A Igreja ortodoxa russa ainda não se manifestou a respeito, e espera pela reunião do Sacro Sínodo, no mês de julho, para fazer uma avaliação sobre o evento. Estiveram presentes no Sínodo 15 observadores, delegados de várias Igrejas cristãs, que puderam participar da sessão inaugural e conclusiva do Concílio. Os cristãos não ortodoxos do mundo inteiro acompanharam com a oração este importante evento da Igreja ortodoxa: «Rezemos todos, também pelo Concílio Pan-Ortodoxo, eu o confio a vocês como se fosse o Concílio da minha Igreja, porque é a minha Igreja neste momento», disse Maria Voce a um grupo de focolarinos de diferentes Igrejas reunidos em Rocca di Papa, no final de maio. De várias partes, o que mais se evidencia não é tanto o aspecto das deliberações finais, dos seis documentos assinados pelos patriarcas (sobre a missão no mundo contemporâneo, sobre a importância do jejum, sobre a relação da Igreja Ortodoxa com o resto do mundo cristão, sobre o matrimônio, sobre a diáspora Ortodoxa e sobre a autonomia das Igrejas), mas, principalmente, a própria essência do Sínodo, o fato que tenha se realizado e que esta ocasião de encontro finalmente tenha se concretizado. Na perspectiva de que esse Sínodo não seja um evento isolado, mas possa repetir-se como práxis no caminho da igreja. Em seu retorno da Armênia, respondendo a um jornalista que perguntava sua opinião sobre o sínodo Pan-Ortodoxo, apenas concluído, o Papa Francisco respondeu: «Uma opinião positiva! Foi dado um passo avante, não com os cem por cento, mas um passo avante. Os motivos que justificaram, entre aspas [as ausências] são sinceras para eles, são coisas que podem ser resolvidas, com o tempo». «Só o fato de que estas Igrejas autocéfalas se tenham reunido, em nome da Ortodoxia, (…) é muito positivo. Eu agradeço ao Senhor. No próximo serão mais. Bendito seja o Senhor!». E falando à delegação ortodoxa presente para a festividade de São Pedro e São Paulo, Francisco citou o Concílio Pan-Ortodoxo, para augurar «abundantes frutos pelo bem da Igreja». Maria Chiara De Lorenzo

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *


Subscrever o boletim informativo

Pensamento do dia

Artigos relacionados

Páscoa: o fundamento da Grande Esperança

Páscoa: o fundamento da Grande Esperança

Esta reflexão sobre as razões e as origens pascais da esperança cristã, que “ousa” falar aos homens de hoje, nos foi oferecida por Declan J. O’Byrne, teólogo e reitor do Instituto Universitário Sophia.

Olhos de Páscoa

Olhos de Páscoa

Klaus Hemmerle (1929-1994), bispo de Aachen (Aquisgrano, Alemanha), foi um teólogo e filósofo, que com o seu timbre particular, deu uma contribuição para o aprofundamento doutrinal do carisma da unidade. Com essas palavras, ele nos introduz no mistério da Páscoa e da Ressurreição de Cristo, convidando-nos a mergulhar plenamente nesse momento e a ter um olhar novo.

A cruz, tesouro de comunhão

A cruz, tesouro de comunhão

A morte de Jesus na cruz nos revela um homem profundamente enraizado em uma relação com o Pai, que é capaz de confiar Nele até o fim. É por essa razão que aquele calvário se torna o tesouro no qual se concentra todo o amor de Deus por nós. As palavras de Igino Giordani nos convidam a dar espaço ao silêncio e à escuta, a fim de trilhar esse caminho de contemplação, redenção e comunhão com Deus e entre os homens.