Movimento dos Focolares

Maria, transparência de Deus

Ago 15, 2015

Festa da Assunção de Maria Santíssima. Publicamos um texto poético de Chiara Lubich, escrito em 1959, em Fiera di Primiero (Trento, Itália), dedicado à Virgem de Nazaré.

A.Cerquetti Mater Christi

Ave Cerquetti, ‘Mater Christi’ – Roma, 1971

Dentre as muitas palavras que o Pai pronunciou em sua Criação, houve uma toda singular. Não podia ser objeto do intelecto, quanto da intuição; não era tanto o esplendor do sol divino, quanto a sombra suave e aquecedora, quase uma nuvem álacre e branca, que abranda e filtra os raios do Sol de acordo com a capacidade visual do homem. Estava nos planos da Providência que o Verbo se fizesse carne, que uma palavra, a Palavra fosse escrita na Terra em carne e sangue e esta Palavra precisava de um pano de fundo. Por amor a nós, as harmonias celestes anelavam transferir o seu concerto, único e exclusivo, para dentro de nossas tendas e elas precisavam de um silêncio. O Protagonista da humanidade, que dá sentido aos séculos passados e ilumina e conduz atrás de Si os séculos futuros, devia entrar no cenário do mundo, mas lhe faltava uma tela branca que a Ele desse todo o relevo. O mais sublime desenho que o Amor-Deus podia imaginar deveria ser traçado majestoso e divino e todas as cores das virtudes deveriam estar compostas e prontas num coração para a Ele servir. Esta sombra admirável que contém o sol, que a ele dá lugar e nele torna a se encontrar; este fundo branco e imenso quase como um abismo, que contém a Palavra, que é Cristo e Nele se precipita, luz na Luz; este Silêncio altíssimo que deixou de silenciar, porque nele cantam as harmonias divinas do Verbo e no Verbo se torna nota das notas, quase sendo o diapasão do eterno canto do Paraíso; este cenário majestoso e lindo como a natureza, síntese da beleza que o Criador semeou no universo, pequeno universo do Filho de Deus, que não mais olha para si porque cede o que lhe cabia e o seu interesse a quem devia vir e veio, Àquele que devia fazer e fez; este arco-íris de virtudes que proclama “Paz” ao mundo inteiro, porque a Paz ao mundo deu; esta criatura imaginada nos abismos misteriosos da Trindade e a nós doada era Maria. Dela não se fala, dela se canta. Nela não se pensa, a ela se ama, a ela se invoca. Não é matéria de estudo, mas de poesia. Os maiores gênios do universo puseram o pincel e a caneta a seu serviço. Se Jesus encarna o Verbo, o Logos, a Luz, a Razão, Maria, de certo modo, personifica a Arte, a Beleza, o Amor, Obra-prima do Criador, Maria, por quem o Espírito Santo deu livre curso a todas as suas invenções, derramou muitas das suas inspirações. Bela Maria! Dela jamais se dirá o bastante. (de Maria trasparenza di Dio, Città Nuova, Roma 2003) Fonte: Centro Chiara Lubich

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