Movimento dos Focolares

Natal no Morro

Dez 29, 2015

Mont Serrat ou Servidão de Felicidade é um dos morros da encantadora ilha de Santa Catarina (Brasil). Tudo leva a pensar num lugar de fábulas. Na verdade, se trata de uma favela, onde vivem também 5 focolarinos. Que festejam o Natal num barraco.

20151229-01«Sonhei um focolare nos mocambos – escreve em seu diário Chiara Lubich, no dia 21 de abril de 1964, durante uma viagem ao Brasil – construído como um mocambo. Porque a nossa casa deve se assemelhar com o ambiente no qual se desenvolve o nosso principal apostolado ». Ainda que à distância de anos, o sonho se realiza. Lucival, Helson, Keles (brasileiros), Estimable (haitiano), Fabrizio (italiano), há quase um ano deixaram a casa deles na capital Florianópolis para se transferir para o morro, uma das muitas “periferias existenciais” do mundo. “Como está indo?”, perguntamos a estes focolarinos. «Procuramos sobretudo nos inserir no novo ambiente. Keles trabalha na escola Marista, que no morro desempenha grande importância educativa e social para crianças e adolescentes. Lucival – que trabalha na Fazenda da Esperança, uma comunidade de recuperação para jovens tóxico-dependentes – se empenhou na Associação de Moradores “Alto da Caieira”, uma organização para tutelar os direitos dos habitantes do morro». Sabemos que ser aceitos pelas pessoas das favelas nem sempre é fácil. Estes cinco jovens estão experimentando isso, ajudados também pelo padre Vilson Groh, que presta serviço no morro há mais de trinta anos. «É estando com as pessoas – dizem – que surgem as ideias. Por exemplo, alguém lançou a proposta de celebrar a missa nas casas, por turnos. Assim faz uns dois meses que a cada quinta-feira se está fazendo isso. Enquanto que na quarta-feira, sempre em casas diferentes, se reza o rosário dos homens (uma prática bastante comum no Brasil). Não são grandes números (em torno de 10/12 pessoas), mas é uma semente lançada. Que já está dando os seus frutos, no sentido que, aos poucos, vemos aumentar o conhecimento e a confiança, seja para conosco, seja recíproca entre eles. Cresce o senso de responsabilidade comunitária, sentir como próprias as carências e as necessidades do outro». missa con Pe.VilsonTem algum episódio para exemplificar? «Havia um homem dependente de álcool que dormia num “lixão”. Pe. Vilson falou disso com a comunidade, que “arregaçou as mangas” para inseri-lo num caminho de recuperação. Literalmente reconstruíram a moradia dele (um barraco de madeira, de mais ou menos 3m x 4m), que inclusive mobiliaram, um trazendo um fogão, outro a cama, outro ainda a geladeira, etc. Duas semanas atrás, entre os 15 adolescentes crismados, ele também estava. E na quinta-feira da semana passada, a missa foi celebrada na sua casa. Também ficamos sabendo da situação igualmente desumana de uma mulher e é ainda a comunidade que está se ocupando para ajudá-la. Assim como são eles mesmos que distribuem, a quem tem mais necessidade, tudo o que conseguimos obter de roupas e alimentação». E como sinal de que os relacionamentos estão realmente se aprofundando, contam que na última sexta-feira umas vinte pessoas se encontraram no focolare para a “confraternização”, um momento de festa pelo Natal, onde cada um levou alguma coisa. Também aqui, no morro, não só comeram juntos o “churrasco”, célebre prato brasileiro à base de carne, mas festejaram Jesus que mais uma vez não despreza nascer – como em Belém – na pobreza de uma favela.   Chiara Lubich – Diário de Viagem 1964/65 – Cidade Nova 1991.

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subscrever o boletim informativo

Pensamento do dia

Artigos relacionados

40 anos de trabalho no Conselho Ecumênico de Igrejas (CMI)

40 anos de trabalho no Conselho Ecumênico de Igrejas (CMI)

Luzia Wehrle prestou serviços no Conselho Ecumênico de Igrejas (CEC) durante 40 anos. Aqui, ela reflete sobre como assumiu o trabalho no CMI, em 1969, com 23 anos de idade; sobre as visitas de Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares e sobre porque crê que nada nos poderá separar do amor de Deus.

What’s Up? – Novas generações em ação

What’s Up? – Novas generações em ação

Neste “What’s Up?”, nos abrimos para o mundo, partilhando algumas experiências que chegaram da Argélia e da Ucrânia. Os protagonistas são os jovens e adolescentes do Movimento dos Focolares.