Movimento dos Focolares

O jovens querem a paz

Nov 20, 2012

A guerra na Síria vivida em primeira pessoa. Entrevista concedida por um jovem do Movimento dos Focolares à TV 2000. As religiões ajudam a promover em todos a força da paz e do perdão.

Como era o seu país, que situação você deixou?

Sempre vi a guerra na televisão, na Palestina, Líbano, Iraque… jamais imaginei que ela teria explodido na Síria, que eu teria sido lançado dentro de um filme de terror. Éramos “um arco-íris” onde existem todas as cores, de repente explodiu a guerra e todas as cores desapareceram: ficamos em branco e preto. O vizinho passou a ser olhado com suspeita, perdeu-se um grande patrimônio histórico, a paz, a convivência, a coexistência, a própria casa… fomos constrangidos a fugir, a perder o trabalho, os amigos; as pessoas distanciaram-se umas das outras. Depois de uma vida lado a lado nos vimos em trincheiras diferentes. Em todas as famílias há membros desaparecidos, raptados, órfãos, mortos.

Homs era uma cidade cheia de vida. Ouvíamos falar dos tiroteios em outras partes do país e eu pensava que era um exagero da TV, mas infelizmente a nossa cidade entrou na linha dos conflitos. Depois nós estávamos no meio dos tiroteios. Foi então que entendi que Homs também estava dentro da guerra.

O que quer dizer viver em guerra?

Significa que todo o passado desaparece de repente: a paz, a liberdade de andar sem medo. A Síria era um país seguro, ninguém perguntava ao outro de que religião era. Um amigo meu também morreu, a primeira pessoa que perdi na guerra. Era um amante da paz. As pessoas que morrem não são números: 30 mortos hoje, 50 ontem… Cada um deles tem um nome, tem um pai, uma mãe… quando eu estava na igreja, no funeral do meu amigo, chorei como nunca havia chorado antes. Quando o sacerdote disse: “O que Cristo nos diria agora? Para perdoar!”, houve um silêncio impressionante, só se escutavam os respiros. Todos responderam que devemos perdoar. Mas eu não conseguia. Fugi chorando, com a vontade de passar com o carro por cima de um dos assassinos. Mas depois refleti: “o que estou fazendo?”, disse a mim mesmo. Eu também vou matar alguém que será como o meu amigo? Dei marcha à ré e voltei para casa. Rezei: “Meu Deus, dá-me a paciência. Não devo matar, para evitar provocar o mal que eu sofri”.

O que você espera para o futuro da Síria?

Rever o país de antes, em paz. “Coloca a tua espada de lado e vive na paz”, esta deveria ser a mensagem transmitida por todas as religiões. Espero que essa guerra midiática convide os jovens à paz e não ao combate. Que os líderes religiosos deem uma mensagem de paz para que os jovens possam reconstruir a Síria.

Fonte: TV 2000Entrevista com Wael – 16 de outubro de 2012

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subscrever o boletim informativo

Pensamento do dia

Artigos relacionados

Concluído o caminho da pré-Assembleia

Concluído o caminho da pré-Assembleia

O “caminho da pré-Assembleia”, em preparação para a Assembleia Geral do Movimento dos Focolares, que terá início em 1º de março de 2026, em Castel Gandolfo, Itália.

Chiara Lubich: «Deus precisa de nós»

Chiara Lubich: «Deus precisa de nós»

«Eis que faço novas todas as coisas», a Palavra de Vida para este mês de fevereiro de 2026 foi comentada por Chiara Lubich em abril de 1989. Reproduzimos aqui um breve trecho.

A doença vivida em comunhão

A doença vivida em comunhão

Brian, irlandês residente em Taiwan; aos 62 anos, casado e com duas filhas, professor na universidade, descobre improvisamente ser vítima de uma doença séria, que muda toda a sua vida.