Movimento dos Focolares

Os mil rostos da pobreza

Nov 21, 2017

Ao apelo do “I Dia mundial dos Pobres”, convocado pelo Papa Francisco no dia 19 de novembro passado, também o Movimento dos Focolares respondeu. Um focus sobre o empenho de Norte a Sul da Itália: projetos e novas iniciativas.

Pope with the homelessA notícia, anunciada no dia 13 de junho passado pelo Papa Francisco, de querer dedicar aos pobres um Dia Internacional logo se demonstrou em linha com um pontificado particularmente atento às exigências das pessoas mais vulneráveis e descartadas da sociedade. Surpreendente a adesão de associações, movimentos, instituições e a multiplicação de iniciativas, de pessoas individualmente ou em grupos, em resposta a tal apelo. Também o Movimento dos Focolares na Itália assumiu para si o convite a “criar momentos de encontro e de amizade, de solidariedade e de ajuda concreta”, para amar “não com palavras, mas com os fatos”. «Se dos pobres se pode aprender – dizem os responsáveis dos Focolares na Itália, Rosalba Poli e Andrea Goller –, não menos, quem tem mais é chamado a dar. Não a esmola, não um gesto vez ou outra para deixar em paz a consciência. O convite é para sair das nossas certezas e comodidades, como diz o Papa, para ir ao encontro dos mil rostos da pobreza». Também na Itália é um fenômeno de proporções preocupantes. Quase 5 milhões de pessoas, segundo um recente Relatório (dados ISTAT relativos ao ano de 2016), estão em condição de “pobreza absoluta”. Já 8 milhões e meio sofrem de “pobreza relativa”. É uma pobreza dos mil rostos: marginalização, desemprego, violência, falta de meios de subsistência. E sobretudo isolamento, porque ser pobres significa antes de tudo ser excluídos. 20171121-01«Este dia nos remete ao primeiro aspecto da espiritualidade dos Focolares, a comunhão dos bens», explicam Poli e Goller. Uma prática que levou, durante os anos, ao nascimento de numerosas obras e ações sociais, inspiradas pelo desejo de repetir um costume das primeiras comunidades cristãs, nas quais não havia nenhum indigente. Entre estes, a Associação Arco-íris, ativa em Milão há mais de 30 anos, o Centro La Pira para jovens estrangeiros em Florença, o Projeto sempre pessoa para a reinserção dos prisioneiros e a assistência às suas famílias. Ou, ainda, o Projeto Abramo-nos da associação cultural do Trentino More, os projetos para menores não acompanhados, como Criar sistema além da acolhida, ou para as famílias, como Vivamos um lar juntos. Outras se ocupam de redistribuição de alimentos, como a Associação Solidariedade em Régio Emília, B&F em Áscoli, em Gênova a Associação Cidade Fraterna e o Comitê Humanidade Nova. Entre as ações com os sem teto, RomAmoR está ativa há anos na estação de Roma Ostiense, enquanto outras se ocupam de acolhida aos migrantes em Lampedusa e Ventimiglia. Em Pomigliano d’Arco, a associação Elos de solidariedade, num contexto fortemente marcado pelo desemprego, redescobriu o sentido do mutualismo e da partilha. Após o terremoto na Itália Central, se constituíram alguns GAS (Grupos de Aquisição Solidária) do projeto RImPRESA para o apoio in loco às atividades econômicas danificadas pelo abalo sísmico. Entre as últimas nascidas, o PAS (Polo de Acolhida Solidariedade) de Áscoli Piceno. Muitos empresários na Itália, reunidos na Aipec, se inspiram nos princípios da Economia de Comunhão, para que a cultura da partilha se torne práxis empresarial. Ao lado de projetos consolidados, outras iniciativas floresceram do Norte ao Sul do país, frequentemente “em rede” com instituições ou associações que operam no social. A intenção é a de se tornar formas estáveis de sustento à pobreza. De Milão a Scicli, de Messina a Údine, Bancos Alimentares, Centros de escuta, refeitórios, iniciativas de combate aos desperdícios. Inclusive uma casa para pais separados, às portas de Cagliari (na Sardenha). Entretanto, a poucos dias da sua ativação, já tem cerca de mil inscritos o App Fag8, evolução tecnológica do costume de pôr em comum os próprios bens, objetos, mas também talentos e ideias, no rastro da gratuidade. Baixando o app, é possível compartilhar, também por conta de outros (talvez de pobres que se conheça), um “objeto”, um “projeto” ou o próprio tempo. Um instrumento próximo às redes locais, mas também de amplitude nacional, que consente verificar em breve tempo a disponibilidade daquilo que busco, ou a necessidade para outros daquilo que ofereço. (ver também www.focolaritalia.it).

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